Eu fui ao BlogCamp… Mais ou menos
Eu blogo há muito tempo. Em janeiro, serão sete anos ininterruptos. Meu blog já foi diversas coisas. A principal delas foi se transformar numa válvula de escape, quando a revista em que eu trabalhava não falava de quase nada que eu gosto. Os anos mudaram, meu trabalho mudou e, como eu passei a editar uma revista mais alinhada com meus gostos pessoais, o blog ficou mais genérico. Eu não queria criar nenhum conflito entre meus projetos pessoais e meu trabalho.
Ao mesmo tempo, talvez porque meu trabalho como jornalista era completamente divorciado da minha vida de blogueiro, eu sempre fiquei meio quieto no meu canto e assisti de longe, mas com o maior orgulho, a evolução do movimento dos blogs. Principalmente por meio do CrisDias, meu cunhado e amigo de muitos anos. Não o dos blogs-diarinhos, mas o de uma geração de escritores, cronistas, comentaristas natos que usou a tecnologia para reescrever as regras do mundo da comunicação.
Um grande blogueiro é programador, outro foi bancário, outro é especialista em eletrônica e assim vai. Da mesma forma que Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade eram funcionários públicos, só para citar dois dos grandes escritores brasileiros. A tecnologia tornou possível uma pessoa que não tenha amigos jornalistas nem escritores se impor por seu talento e achar seu público.
Mas criou-se uma estrutura que só permite que uma pessoa exerça o jornalismo se fizer faculdade de jornalismo. Mesmo num mundo em que todos sabem que as faculdades de jornalismo são, com poucas exceções, uma porcaria na qual pouco se aprende. A regra não busca o melhor para a profissão, mas sim uma reserva de mercado.
O movimento blogueiro é bom para a comunicação, não é ruim. Ele estabelece novas formas de pensar os canais estabelecidos e cristalizados. Os jornais jamais teriam tentado isso. Para eles, estava tudo muito cômodo. Só quem procura o novo é quem quer fazer a diferença. E eles fizeram. Hoje, eu devo passar 60% do meu tempo online lendo blogs e só o resto lendo sites de notícias. Estou interessado no que as pessoas que eu leio pensam sobre os fatos. Estou interessado nesses pontos de vista. E, melhor, nas coisas que eles trazem de diferente. Porque enquanto todos os jornais estão pensando nos mesmos problemas e não pensando nos mesmos problemas, os blogueiros que eu curto estão indo em todas as direções. Eles podem, eles querem e fazem.
Isso tudo desemboca no BlogCamp. No sábado, passei lá por umas três horas, mais ou menos. Adorei ver o pessoal debatendo no esquema de desconferência. Não vou dizer que fiquei impressionado, mas que é tudo que eu imaginava e um pouco mais. Conhecendo a organização mental, o humor, a ironia e as sacadas de gente como o Cardoso, o Inagaki (fácil fácil um dos melhores textos por aí) e do Interney, eu não fiquei surpreso com nada.
E, caramba, que máximo aquela Casa Gafanhoto. Se vai dar certo, eu não sei, mas eu tenho que voltar lá e fazer alguns daqueles cursos. O lugar pode se transformar num polo de difusão de conhecimentos bacanérrimos para a comunidade blogueira. Uma verdadeira aglutinadora de idéias da era digital.
Por fim, ainda tivemos a sensacional dancinha do Interney. Se isso não foi um motivo para ir ao BlogCamp, o que mais seria? (e obrigado You Tube!)
E o Interney explica tudo, tudinho, tintim por tintim.
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27/08/07 às 13:39
O debate sobre audiência foi ótimo, mas parece que o pessoal esqueceu de metade dele depois que eu fiz a dancinha
27/08/07 às 20:55
Pois é, Maron. Eu acabo de me colocar a tag retardada. Você é blogueiro há sete anos e eu só te conheço de redação? Afe! Que bom que você aproveitou a dancinha do Edney. Vc perdeu a anterior, no sábado, quando já estávamos pra lá de marraquesh no Pinheirinho
bjs
30/08/07 às 3:28
Infelizmente as inscrições para o BlogCamp se encerraram muito rápido e eu não pude ir. Ontem à noite rolou o debate organizado pelo Estadão como resultado da polêmica campanha publicitária criada pela Talent.
Foi bacana, pois iniciativas como essa são sempre bem-vindas. Posso dizer que o saldo foi bastante positivo, principalmente no bate-papo que rolou depois, no bar do WTC Hotel, entre blogueiros, jornalistas e parte da diretoria do Estadão. Acho que você também iria curtir se tivesse aparecido por lá.
8/09/08 às 14:07
Então quer dizer que perdemos a dancinha do Edney? Rsrs… foi uma pena não conseguirmos ir dessa vez, a correria com o novo projeto do Post Social nao nos permitiu ir ao evento. Seria uma boa se pudéssemos comentar sobre o Post Social (www.postsocial.com.br) no próximo BlogCamp. Não sei se vc já teve oportunidade de conhecê-lo, mas fica aí uma dica…nos diga o que achou depois ok?
Abçs.