Passou, passou

A semana se foi e o caso do jornal velhusco que resolveu implicar com os blogs teve alguns desdobramentos.

O repórter Filipe Serrado, do caderno Link, do Estadinho, foi entrevistado. Não entendo muito bem o valor de entrevistar um funcionário do Estado sobre esse assunto. É óbvio que, por mais que ele queira ser independente e correto, estará falando do seu empregador. Valeu a tentativa do Blecher, no entanto.

O fato mais relevante foi a mensagem para vários blogs do publicitário João Livi, diretor de criação da agência Talent, criadora da campanha. Ele tenta explicar o inexplicável e insinua que a gente anda vendo problema onde não há nada. Segundo ele, foi um mal entendido. O que ele queria dizer é que o Estadão faz parte do lado “luz” da internet.

“No seminário da Microsoft este ano, em Cannes, os dados apresentados levaram a uma inconteste conclusão: a de que a internet, como as egiões de uma cidade, vai se dividir em duas. Uma útil, crível , inteligente, prestadora de serviço, informativa e confiável. Outra que é como ma rua escura e sem policiamento: vai quem quer, sob seu próprio risco. Vamos sempre promover o estadão.com como parte da primeira metade. Separar o joio do trigo na internet deveria ser do interesse de qualquer cidadão de bem.”

Para concluir, Livi ainda deu uma entrevista para o Quero Ter um Blog!.

Muito legal. Mas o fato é que não há observações, apostos, ressalvas no anúncio. Bruno, que faz “um blog sensacional sobre economia”, é um chimpanzé. Ponto final. Além disso, usar como base uma apresentação da Microsoft, aquele primor de conservadorismo e babaquarice digital, já diz muita coisa sobre a visão da agência e do cliente.

O que mais me intriga é saber como esses caras chegam a idéias como essa. Enquanto a Folha montou uma esperta campanha de identificação das características do jornal com a internet, o Estadinho investe nessas peças engraçadinhas e preconceituosas. Vai entender.

Conte para os amigos!