Vale a pena amarelar

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Hoje eu vi o esperado filme dos Simpsons.

E o filme é… é…

Diabos, o filme é engraçadíssimo. Eu ri durante toda a projeção (faço uma pausa para pedir desculpas aos colegas jornalistas que assistiram à sessão e foram atrapalhados pela minha gargalhada) e, depois, no caminho o trabalho, eu fiquei rindo incessantemente porque lembrava das piadas absurdas, aviltantes, sacanas, inteligentes.

O filme funciona tão bem, em primeiro lugar, porque é engraçado. Óbvio. Ponto final.

Mas depois, há uma camada de subversão deliciosa, uma espécie de conluio entre os Simpsons e a platéia que deixa o filme perto da perfeição. O espectador e os criadores entram em sintonia, conversam, piscam entre si. Parece que estamos todos rindo juntos. Principalmente quando você está em uma sessão de gargalhadas coletivas na sala escura.

Uma das virtudes do filme é sua ironia caustica ao individualismo burro. Como sempre, Homer é o exemplo ruim e, pela transformação dele, há uma lição ao público. Mas Homer não pode aprender nada por muito tempo. Sua imbecilidade adorável é o motor do humor da série. Ele é um sacrifício útil. Uma cobaia. Está aprisionado num mundo de egoísmo e burrice para nos libertar. Nossa risada de suas bobagens é a catarse que nos faz encarar nossos defeitos. Só que ninguém é como ele. Ninguém reúne tantas características negativas quanto Homer. Mas todos nós temos aqueles momentos em que enxergamos uma fração do personagem. É quando fazemos algo de errado, egoísta ou engraçado.

Há ainda outro detalhe que me chama a atenção nos trabalhos de Matt Groening. Sua capacidade de criar cenas legitimamente sentimentais por frações de segundos seguidas por piadas irresistíveis. Aqui, o casamento de Homer e Marge é colocado em chque de forma genial, tocante e… engraçada.

São tantas piadas que nem dá para contar. As referências são brilhantemente diluídas de modo que não atrapalhem a diversão em nenhum momento, e os roteiristas ainda aproveitaram algumas multidões para inserir personagens clássicos da mitologia simpsoniana. Só posso dar um conselho: corra para os cinemas no dia 17. Pode amarelar.

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