Doentes

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Fragmento de um dos cartazes de Sicko, novo filme de Michael Moore
O início do novo file de Michael Moore é devastador. Ele mostra um homem que, como o joelho rasgado, resolve dar ele mesmo uns dez pontos. O cara não tem plano de saúde e nem dinheiro pra ir no hospital fazer uma sutura. Em seguida, surge um homem que perdeu as pontas de dois dedos. Sem seguro saúde, e confrontado com a decisão entre pagar US$ 12 mil por um dedo e mais US$ 60 mil por outro, escolheu o mais barato.

Mas o filme não é sobre eles. O filme é sobre quem tem plano de saúde e acha que está protegido. As histórias que vão surgindo são contundentes. Um casal na casa dos 60 anos perde tudo que tem para quitar dívidas com seu seguro e precisa ir morar num quarto na casa de um dos seis filhos que criou. Uma mulher perde marido com câncer no rim, porque o seguro lhe negou todos os tratamentos que poderiam ter salvado sua vida. São histórias de terror tiradas do dia a dia, com gente que você não está acostumado a ver sofrendo desse jeito. Nada de miseráveis chorando por socorro. São as pessoas que, segundo Moore, vivem o sonho americano.

Nesse filme, Moore está mais comedido e aparece menos. Mas as revelações não são menos sensacionais. Ele expõe os lobbies, a corrupção e os interesses por trás da montagem do sistema de seguro de saúde americano. E apresenta as falácias a respeito desse modelo ao revelar como o sistema de saúde funciona em outros países.

O filme causou menos controvérsia que os dois últimos, Tiros em Columbine e Fahrenheit 11 de Setembro, mas ainda assim já levou US$ 20 milhões de bilheteria nos Estados Unidos com um circuito limitado. Ainda não sei quando vai passar por aqui. Mas como tudo mais que Moore tem feito nos últimos anos, com um texto sensacional e provocador, é imperdível.

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