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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Enfrentando o dicionário

Sábado à tarde, chego das brincadeiras de praxe com o meu cachorro e ligo a TV. Surpresa! A final do Soletrando.

Considerando que eu sempre sacaneei esses campeonatos de soletragem quando via nos filmes americanos, não tinha como achar a coisa toda muito bacana.

Claro que todos dizem o quanto é legal o Luciano Huck promover um concurso cultural e coisa e tal.

Mas dizer que soletrar palavras com perfeição é prova de alta cultura é, pra mim, uma bobagem. A língua portuguesa é tão cheia de exceções e regrinhas, de desvios e esquinas, que se dedicar a saber isso tudo é quase que desperdiçar neurônios preciosos. Saber ortografia por ortografia é como achar que saber a tabuada é o mesmo que ser matemático. Deixo a correção ortográfica pro err… corretor ortográfico.

E por que isso? Será que eu estou desprezando o valor de saber escrever certo? De jeito nenhum. Escrever certo é regra. Na minha profissão, é lei. Mas o que eu quero dizer é que é algo que pode ser automatizado. Concentre-se em ler muito, aprender muito sobre o mundo e a vida. Ganhar repertório. O conhecimento da língua vem naturalmente e, sinto dizer, você vai continuar errando, mesmo assim. Porque todo mundo erra. Todos os dias.

Mas voltando ao tal do Soletrando, como é que alguém ia ganhar de um garoto chamado Aurélio? O menino tem nome de dicionário, minha gente. Assim não dá! Da próxima vez, tem que achar alguém chamado Houaiss para enfrentar esse rapaz.

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5 respostas para 'Enfrentando o dicionário'

  1. Cadu Simões Diz:

    Na verdade o que é cheio de exceções e regrinhas não é a língua, mas sim a sua gramática normativa. A língua em si não possui nenhuma regra além do que é previsto pelo seu próprio sistema lingüístico gerativo. E mesmo esse sistema não é uma camisa de força, e ele mesmo nos dá condições e brechas para que possamos “hackeá-lo”. Aliás, acabei de fazer isso. =)

  2. Cristiano Dias Diz:

    Numa das primeiras fases do concurso foram fazer aquele filminho mostrando os candidatos. A representante do Paraná, se não me engano, (ou seja, a que ganhou de todas as outras criancás do estado) mandou:

    - Eu quero ganhar o Soletrando pra mim ir pra faculdade.

  3. Seiti Diz:

    Alguém imbatível seria o Aurélio Houaiss =)

  4. Roberto Pinho Diz:

    Soletrar pode ser sintoma e também porta de entrada. Sintoma porque pode indicar o contato com a leitura, privilegiando aqueles que estudam. Mas, Ainda que o aluno treine com listas de palavras, vai pelo menos exercitando este mecanismo, se treina com Clarice Lispector, melhor ainda. E é porta de entrada pois se muitos começarem, país a fora, a treinar para o tal concurso, pela menos uma meia dúzia de leitores irão se formar.

  5. Jorge Diz:

    É, eu sei que o concurso tinha uma série de limitações, mas ainda era melhor que Big Brother…
    Acho que tinha um certo valor pela ortografia, apesar de concordar com você que a leitura é o que prepara mais. Porém, o concurso, fez com que as crianças lessem. Os fins justificam os meios. E tudo isso em um programa do Luciano Huck, o que não é pouco…

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