Aranha se embriaga com a fama

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Homem-Aranha 3 traz um monte de vilões chatos, feios e bobos. Mas o grande malvadão do filme é o ego inflado do personagem-título. Estamos na era do You Tube, da fama instantânea, dos reality shows. Todos querem ser famosos, porque Peter Parker estaria imune a isso tudo? Ainda mais fazendo o que ele é capaz de fazer…
Com uma tema tão interessante, tinha tudo para ser o melhor filme de super-herói de todos os tempos. Mas Sam Raimi resolveu fazer tantas coisas ao mesmo tempo que acabou minando o que poderia ser um ótimo filme.

Há uma profusão alarmante de personagens e história simultâneas e eu tive essa sensação nítida quando assisti a uma prévia em Los Angeles no final de fevereiro. Mas ali, com apenas cenas reunidas sem muito critério, havia a necessidade de dar ao diretor o benefócio da dúvida. Quando eu vi o filme duas semanas atrás fiquei beeeem decepcionado com o resultado final.
Mas, considerando que o Homem-Aranha 3 é legal e divertido, o que está errado de verdade?

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O filme vai meio que aos trancos e barrancos até o final do segundo ato, mas se desmonta tematicamente nos 40 minutos finais. É como se Raimi estivesse tentando domar a besta e ela, finalmente, se libertasse. Pode-se argumentar que franquias milionárias são assim mesmo. Mas o que o diretor provou no segundo filme da série foi que nem sempre a besta-fera da indústria sem criatividade precisa vencer. Aqui no terceiro filme, depois de oferecer o mundo, Raimi deixa tudo se esfacelar num final bobo, com diálogos ridículos e soluções fáceis. Não é que seja ruim. As sequências de ação são impressionantes. Mas o filme começa a se parecer com uma seleção de esquetes do Homem-Aranha, em vez de um filme evento.

E são esquetes fantásticos, diga-se de passagem. Há a cena impressionante do “nascimento” do Homem-Areia. A eletrizante luta de Harry e Peter. O salvamento de Gwen Stacy, que é um tributo à cena da morte da personagem nos quadrinhos, remixada no clímax do primeiro filme, só que com Mary Jane no lugar da loira. A própria sequência do combate no prédio em construção é cheia de momentos de tirar o fôlego.

Mas tudo isso se esfarela num filme desigual. Em um momento crucial da história, Peter diz que nós sempre temos opções, tentando ensinar que temos a alternativa de fazer o bem em vez do mal. Não há melhor maneira de alertar o diretor do filme. O problema é quando há opções demais. Aí não há jeito. Até mesmo um cara esperto como Sam Raimi acaba se perdendo.

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