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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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300: será que viram o mesmo filme que eu?

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E estréia “300″ nos cinemas brasileiros. Lá vem aquele tom monocórdico de doutrina Bush. É o eco de uma crítica sem nenhum alcance político que só faz repetir essa mesma besteira o tempo todo. Um amigo, no outro dia, estava obcecado com a frase “para quem só tem martelo, todo problema é prego”. A crítica tenta encaixar doutrina Bush em tudo. Logo em tudo há a tal doutrina. E dá-lhe chute.

Outra chatice monumental, que virou piada entre vários jornalistas de cnema, era a previsão de que iam pegar no pé de Rodrigo Santoro. Não deu outra. O cara enfrenta qualquer desafio, é um ator de primeira e nego está discutindo se o personagem dele é afeminado? Tem alguma coisa mais ridícula e provinciana do que isso?

Se eu gostei? Gostei, sim. Achei o filme eletrizante. Achei melhor do que a graphic novel, que nem é lá essas coisas.

Agora, vamos e convenhamos que o filme segue mesmo uma estética belicista (e quando faz isso, lá vem o coro de “fascista”! Ai, sono). Até porque eles criaram uma espécie de proto-espartanos. Seres marombados que lutam de tanguinha, dão as mãos na hora da morte e riem diante do fim iminente. Não sei exatamente a razão de tanta raiva das pessoas em relação a isso. Quando Brad Pitt apareceu marombado como aquiles no ridículo “Tróia”, também rolou um corinho, né? Tem alguma coisa acontecendo que leva a essa postura meio arrogante em relação aos filmes com marombeiros.
O fato é que Zack Snyder achou um jeito divertido de mostrar essas batalhas. Inventou uma forma estimulante de tirar os filmes de sandálias e espadas da aposentadoria para um último trabalho.

Eu sei lá. Posso ficar horas discutindo as ambiguidades e ironias de “300″. Fico abismado que as pessoas, irritadas com a loucura estética, fiquem tão indignadas com o filme e não consigam enxergar mais nada ali.Seria um caso de sobrecarga sensorial? Será que não estão dando conta de ver o filme e entender o que está acontecendo?
Mais engraçado é que ainda vieram me dizer que “300″ é inferior a “Sin City”. Dado o fato de que acho Robert Rodriguez um gênio em termos de concepção, mas um simplório na direção, me deu até vontade de rir. “Sin City” é assombroso pela idéia genial de integrar todo aquele visual com os atores. Mas não precisa ser nenhum expert para ver que o acabamento beira o amador em alguns momentos e que a edição deixa muito a desejar. Basta saber o que é edição, claro.

Sabe o que eu acho? Que esses diretores estão dando saltos de linguagem, de integração das mídias (videogame, quadrinhos, cinema, DVD), e que a crítica não está conseguindo acompanhar. Quando esses saltos se juntam a filmes politicamente efervescentes, a coisa enlouquece todo mundo. Afinal, “Sin City” era um filme inofensivo. Coisa que “300″, pela temática, não é.

Faça uma coisa, por favor, querido leitor. Vá ver o filme e volte aqui pra dizer o que achou.

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9 respostas para '300: será que viram o mesmo filme que eu?'

  1. Cadu Simões Diz:

    Acho que não tem anacronismo maior por parte desses críticos do que chamar um filme que retrata a ideologia espartana de fascista. Só rindo mesmo.

  2. daniel Diz:

    Eu gostei bastante. Assisti ontem e, apesar de leigo no assunto, achei alguns enquadramentos bem “quadrinhos”. Além do sangue que pintava a tela. Lindo! :D

    Fica uma pergunta: você acha que o fundo verde atrapalha as atuações? A mim pareceram bem “corretas”. :)

  3. Alexandre Diz:

    Acho que sim. Não acho a direção de atores de “300″ muito boa, não. Mas a culpa não é do fundo azul (ou verde), deve ser do diretor. A julgar pelas atuações de “Madrugada dos Mortos”, Zack Snyder não tem como grande virtude a condução das performances dramáticas dos seus elencos…

  4. Etel Diz:

    Vamos deixar essa baboseira pseudo-politica-idealista de lado e falar sobre o filme.
    Vcs lembram de grandes épicos do passado como Spartacus, Cleoplatra, etc. Então vamos falr disso. Acabri nde ver o filme hoje. Filme que eu e muitos meninos gostam. Porrada e sangue! O filme tem tudo isso. Excelentes cenas de lutas e cabeças sendo cortadas. Adorei a coreografia das lutas. E as cenas dos enormes exércitos. É isso que fui ver, além da transposição do quadrinho que li a quase 15 anos atrás para a telona.
    E para mim tinha uma coisa melhor ainda, homens sarados de tanguinha. Além disso, grandes heróis, grandes princípios que só filmes épicos trazem, honra, glória, amor a pátria, a família, a mulher. E a única mulher do filme reflete isso. Forte, destemida e com grande senso de dever.
    Sobre o Santoro… Ele mandou bem. Gostei da atuação dele no filme.
    Acho que já comentei demais.
    Inté!

  5. Bernardo Diz:

    Engraçado que não é primeira vez que acusam uma obra de Miller de fascista, neodireita ou coisa pior. Na época do “Dark Night” foi a mesma coisa, isso numa obra que colocava Ronald Reagan como vilão. A mentalidade politicamente correta é preguiçosa por natureza, gosta de categorizar tudo e nivelar a inteligência por baixo.
    Um dos problemas de Miller é que ele resgata valores e códigos de conduta específicamente masculinos (não machistas) e, não sei porque, isso não pega muito bem hoje em dia. Outro exemplo disso é o “Reservoir Dogs”, do Tarantino, que foi pichado pelos mesmos motivos por parte da intelligentsia.

  6. Luciana Diz:

    Maron,
    FInalmente uma luz no fim do túnel de quem escreve sobre cinema. É impressionante como os críticos são fechados a tudo que é novo. E as críticas?? A-ha-ha, é piada. E no G1, que eu andei lendo um texto RÍDICULO sobre como 300 e Sin City não eram cinema, já que narravam praticamente tudo que o protagonista fazia. Acho que a pessoa esqueceu que a voz em off dos dois filmes é apenas a reprodução do jeito Frank Miller de contruir a realidade. Enfim. Eu gostei muito do filme sim. Achei ele ótimo, nada previsível e com cenas de tirar o fôlego.

  7. Menino Maluquino Diz:

    Se gostei de 300?
    a resposta é sim!
    Mas, me desculpem, é um filme facista. Retrata uma sociedade facista, afinal fala de esparta (creio que nem Hitler seria capaz de levar sua filosofia a limites tão absurdos quanto os espartanos). Mas a adpatação para o cinema da hq de miller foi ótima, com exceção daquele plot com mulher de leonidas, que é horrivel e totalmente anacronico. Primeiro: não havia o conceito de infidelidade entre os espartanos. A mulher espartana podia transar com qualquer espartano mesmo sendo casada, já que seu marido tinha que servir ao exercito até os 60 anos. O que já invalida todo o plot. A Hq do miller tem grandes furos de pesquisa, mas nenhum tao básico. O discurso dela na plenaria é ainda pior. Aquela apelação para a voz das 300 familias é terrivel. Tipica da mulher americana mas totalmente estranha numa espartana. Tirou a magia da historia. A direcao de atores é sofrivel e fica mais evidente na cena em que Xerxes e leonidas se encontram. Mesmo assim gostei. É um filme sofrivel mas tem ótimas cenas de lutas e tirando o plot da rainha é bem fiel a hq. Não gostei da cena do lobo, mas as das crianças são ótimas. Só fico um pouco assustado vendo as pessoas negarem o óbvio: que é uma sociedade facista. E a moral de que os espartanos morreram pelo homem livre é uma piada, posto sua economia dependia dos hilotas (escravos).

  8. Menino Maluquino Diz:

    esqueci:
    também é engraçado leonidas chamar os atenienses de filosofos pederastas, já que em esparta todos os homens eram homossexuais até os 30 e alguns continuavam a se-lo depois. Havia, inclusive, um batalhão de casais de homens no exercito espartano. (acreditava-se que por estarem no mesmo batalhão, os homens desses casais eram mais heróicos, dado que lutavam aos olhos de seus amados)

  9. alexmaron Diz:

    Bom. Considerando que o fascismo só surgiu uns 20 séculos depois…

    A história se passa numa era pré-cristã, em que os princípios morais eram diferentes dos nossos.

    O filme é belicista, valoriza o corpo e a estética, estetiza a violência. É pop (goes my heaaaart!!!). E o pop não tem ideologia que não seja a de conquistar os corações e mentes de qualquer forma, para gerar dinheirinha. Assim, os personagens são nobres quando têm que ser, são heróicos, são egoístas e são… pré-cristãos. Tudo pelo seu ingresso.

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