Santoro, de novo

Lost voltou no mês passado com uma boa série de episódios. Os mais fracos foram os que exploraram o passado de Hurley e o de Jack.

Os dois melhores, em termos de surpresas, de mostrar que os escritores de “Lost” não brincam em serviço, foram o de Desmond e, agora, o de Paulo e Nikki. Sim. O episódio de Santoro é, até aqui, um dos dois melhores do ano.

Sabe por quê? (spoilers depois do pulo)

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300: será que viram o mesmo filme que eu?

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E estréia “300″ nos cinemas brasileiros. Lá vem aquele tom monocórdico de doutrina Bush. É o eco de uma crítica sem nenhum alcance político que só faz repetir essa mesma besteira o tempo todo. Um amigo, no outro dia, estava obcecado com a frase “para quem só tem martelo, todo problema é prego”. A crítica tenta encaixar doutrina Bush em tudo. Logo em tudo há a tal doutrina. E dá-lhe chute.

Outra chatice monumental, que virou piada entre vários jornalistas de cnema, era a previsão de que iam pegar no pé de Rodrigo Santoro. Não deu outra. O cara enfrenta qualquer desafio, é um ator de primeira e nego está discutindo se o personagem dele é afeminado? Tem alguma coisa mais ridícula e provinciana do que isso?

Se eu gostei? Gostei, sim. Achei o filme eletrizante. Achei melhor do que a graphic novel, que nem é lá essas coisas.

Agora, vamos e convenhamos que o filme segue mesmo uma estética belicista (e quando faz isso, lá vem o coro de “fascista”! Ai, sono). Até porque eles criaram uma espécie de proto-espartanos. Seres marombados que lutam de tanguinha, dão as mãos na hora da morte e riem diante do fim iminente. Não sei exatamente a razão de tanta raiva das pessoas em relação a isso. Quando Brad Pitt apareceu marombado como aquiles no ridículo “Tróia”, também rolou um corinho, né? Tem alguma coisa acontecendo que leva a essa postura meio arrogante em relação aos filmes com marombeiros.
O fato é que Zack Snyder achou um jeito divertido de mostrar essas batalhas. Inventou uma forma estimulante de tirar os filmes de sandálias e espadas da aposentadoria para um último trabalho.

Eu sei lá. Posso ficar horas discutindo as ambiguidades e ironias de “300″. Fico abismado que as pessoas, irritadas com a loucura estética, fiquem tão indignadas com o filme e não consigam enxergar mais nada ali.Seria um caso de sobrecarga sensorial? Será que não estão dando conta de ver o filme e entender o que está acontecendo?
Mais engraçado é que ainda vieram me dizer que “300″ é inferior a “Sin City”. Dado o fato de que acho Robert Rodriguez um gênio em termos de concepção, mas um simplório na direção, me deu até vontade de rir. “Sin City” é assombroso pela idéia genial de integrar todo aquele visual com os atores. Mas não precisa ser nenhum expert para ver que o acabamento beira o amador em alguns momentos e que a edição deixa muito a desejar. Basta saber o que é edição, claro.

Sabe o que eu acho? Que esses diretores estão dando saltos de linguagem, de integração das mídias (videogame, quadrinhos, cinema, DVD), e que a crítica não está conseguindo acompanhar. Quando esses saltos se juntam a filmes politicamente efervescentes, a coisa enlouquece todo mundo. Afinal, “Sin City” era um filme inofensivo. Coisa que “300″, pela temática, não é.

Faça uma coisa, por favor, querido leitor. Vá ver o filme e volte aqui pra dizer o que achou.

Pedaços do passado

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Ir visitar a família na cidade que você deixou para trás há quase uma década sempre traz sensações estranhas. A velha casa vira uma espécie de baú de pequenas e grandes lembranças e segredos. Os lugares que você frequentava, as pessoas que você via todos os dias…

Peguei uma garrafa de água e num daqueles acìdentes domésticos corriqueiros, molhei o chão. FUi procurar por um pano e, como não achava, abri umas gavetas no quarto de empregada que virou depósito. Ali dentro estavam alguns objetos de um passado muito distante.

Os mais importantes eram os álbuns de selos.  Eu fui um colecionador de meia tigela. Herdei os melhores selos do meu irmão, que morreu em 1985, poucos dias antes de fazer 20 anos. Ele era meu ídolo, claro. O modelo do “adulto” que eu queria ser. Herdar sua coleção pareceu uma boa idéia.

Daqueles selos, o que me chamou mais atenção foi o do milésimo gol de pelé. Achei a ilustração fantástica e o selo ainda veio com um edital de venda no primeiro dia. Fiquei fascinado com isso. Mas não fui muito a frente. No fim, não era minha mania. Era eu tentando mimetizar meu irmão.
De qualquer modo, fiquei meio estupefato ao encontrar essa coleção naquela gaveta. E feliz. Foi como achar uma fase perdida da minha adolescência. Um momento logo ali antes das namoradas virarem a obsessão e o motivo do viver.

Você está mesmo prestando atenção?

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Finalmente vi “O Grande Golpe”, nome ridículo do fantástico “The Prestige”. É o melhor trabalho de Christopher Nolan fácil. “Memento” (como era mesmo o nome aqui? Ah, sim. “Amnésia”, apesar do personagem repetir que o que ele tinha não era… amnésia) era um filme-conceito. “Insônia”, bem… Depois vem “Batman Begins”, que eu não curto muito. Acho o filme correto, apenas.

Mas “The Prestige”, nossa, que filmaço. É um filme-enigma, um filme-truque, mas, antes de tudo, um filme-filme. Conta, em linhas gerais, a história da rivalidade entre dois mágicos. Um tenta passar a perna no outro por conta de um evento nefasto em seu passado. O que se segue são duas das melhores interpretações de Hugh Jackman e Christian Bale. Ambos compõem personagens cheios de detalhes e sutilezas. Para um bocó como eu, que adora shows de mágica, o filme fica ainda mais legal.

O filme descreve com perfeição um “sense of wonder” (com o perdão do termo em inglês, alguém tem um correspondente para isso em portugês?) de uma era diferente, a virada do século. E esse cenário funciona com perfeição para que Nolan coloque em prática sua obsessão por contar histórias sobre segredos e identidades perdidas e trocadas. Ele vai e volta no tempo, cruza fato e ficção, realismo com fantasia e constrói um filme cheio de níveis e camadas. É coisa para gente grande ver mais de uma vez e pegar as sutilezas.

Aliás, acho que é isso que me incomoda tanto em “Batman”. Não é um filme para ser revisto. Nolan costumeiramente exige muito de seu espectador e esse estilo se perde em um blockbuster que mira numa audiência com disturbio de atenção.

A melhor coisa do filme do Homem-Morcego foi o fato de colocar Nolan em contato com Bale e Michael Caine, que simplesmente arrasam aqui. Bale traz aquela mistura de intensidade interior misturada com uma certa frieza e distância do mundo. Seu personagem é um mágico sem carisma nem jeito pro espetáculo, mas profundamente apaixonado pela idéia de criar novos truques que avancem a ciência do ilusionismo.

Jackman é o oposto. Um verdadeiro showman, fica obcecado em saber como seu oponente faz um truque fantástico de teleporte. Ele não tem a mesma capacidade de criar truques, precisa de um engenheiro (Caine), mas sabe fazê-los no palco como ninguém. Uma ótima forma de ilustrar a história está no momento em que ele rouba o truque do teleporte. Sua encenação é muito superior.
Por fim, há ainda uma aparição de David Bowie que é fantástica nem tanto pela sua interpretação, que está correta, mas pela idéia de colocá-lo ali, interpretando aquele personagem. Casting genial.

“The Prestige” é um filme tão cheio de camadas e bifurcações que fica difícil seguir em frente sem estragar. Só faça uma coisa, por favor: não deixe de ver.

As traquitanas que a gente compra por aí…

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Os seriados americanos geram uma tonelada de camisetas, copos, casacos e outros itens que acabam nas prateleiras (ou na pele) de malucos como eu.
Uma passada pela lojinha da Fox, durante uma viagem de trabalho, me rendeu esses novos itens abaixo. Outra pela loja do canal NBC e não resisti a uma camiseta de Heroes igualzinha a que está na foto do topo…
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Camiseta com o rosto constirpado de Jack Bauer…
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E o copo usado pelo pessoal da CTU para manter o café quentinho.

Isso é que é powerpoint!

Além de trazer uma fantástica argumentação sobre porque estamos cagando o planeta inteiro com nossa ignorância, o filme sobre a palestra do Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, é uma aula de como deveria ser uma apresentação de power point. Sensacional mesmo.

Quanto ao tema… Apenas veja o filme, caro leitor. Veja rápido. Merecia mesmo o Oscar. Mas só um. O da Melissa Etheridge, pela música, foi só para realmente chamar atenção para o filme. Documentário com dois Oscars, afinal, não é todo dia que aparece.

Dois filmes cheios de problemas

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Depois de meses enrolando, resolvi assistir à reedição de Superman 2 feita pelo Richard Donner. O original, lançado nos cinemas, foi finalizado por Richard Lester, que depois fez o fraco terceiro filme, com Richard Pryor.

Donner passou toda a filmagem do primeiro filme às turras com os Salkind, produtores, e essa animosidade chegou a um nível insustentável quando ele já tinha filmado cerca de 70% do material final da continuação. Os produtores queriam que o filme fosse feito mais rapidamente, com menos rigor. Donner estava obcecado com o projeto e não cedia aos pedidos dos chefes. A coisa toda culminou com a decisão deles de retirar todas as cenas com Marlon Brando do filme para não ter de pagar uma pequena fortuna ao ator.

COmo Donner não cooperava, chamaram Lester, que tinha sido uma espécie de pára-raio de Donner no primeiro filme e acabou virando o cara de confiança dos Salkind. Lester teve vérios problemas: Gene Hackman se recusou a filmar cenas adicionais, o compositor da trilha, John Williams, pulou fora e mais outros colaboradores deixaram o projeto. Ainda assim, ele finalizou um filme decente, mas com alguns problemas que eu notei mesmo quando eu era criança.

Nunca entendi como foi que Clark recuperou os poderes quando ele volta à Fortaleza da Solidão. No filme de Lester, ele apenas vê aquela pedrinha verde e depois surge com os poderes restaurados. Na versão de Donner, ele tem uma conversa com o pai, que dá a ele sua própria energia, trazendo os poderes de volta.

E, bem, tem aquele beijo mágico, que sempre me incomodou muito. COmo assim, Clark beija Lois e ela se esquece de tudo? Que poder é esse? No filme de Donner, o Super faz o tempo voltar.

Mas, não sei se por conta de uma edição que acabou sendo meio burocrática, o filme de Donner não tem o mesmo impacto emocional. Tudo acontece meio fora do tempo ideal, sem força. Quando o Superman surge em Metropolis para enfrentar o trio de vilões, é uma cena anticlimática. No filme de Lester, você pula da cadeira.
O ideal seria uma versão híbrida que tivesse as cenas de Brando e nada dessa volta no tempo. EU já achei isso uma bosta no primeiro filme, ver de novo no segundo me deu engulhos. Há que se dizer que, quando Donner decidiu fazer o final do primeiro com a volta no tempo, prometeu repensar o final do segundo. Ou seja, era pra ser outro solução, se ele tivesse tido o tempo de pensar nisso com mais calma.

De qualquer modo, Superman 2, de Richard Donner não chega a ser melhor do que o filme finalizado por Lester. Ambos os filmes estão cheios de falhas. O original, porque Lester teve que curvar suas decisões criativas a dois fatores: não repetir o que Donner tivesse feito e fazer tudo dentro das severas limitações de orçamento impostas pelos Salkind. Já Donner, fez seu filme sendo obrigado a usar o que estivesse a mão 25 anos depois. Não poder repensar o final foi algo que fez o filme soar repetitivo e simplista. Não é mole.
Mas é muito legal ver o que o diretor original teria feito se tivesse a chance.

Lei mais sobre essa história na Wikipédia: Superman II: The Richard Donner Cut

Cadê tudo?

Em algum momento, alguma coisa aconteceu que deixou esse blog vazio de idéias. Nunca chegou a ser cheio, eu sei. Mas antes eu pelo menos comentava os eventos do mundo, falava dos filmes que vi, dos seriados, dos livros, de qualquer coisa. De repente, eu parei.

Parei por quê?

Porque a vida atropelou. Você sabe que a vida é o que acontece enquanto a gente faz planos, certo? Pois é. Passou por cima. Quando eu comecei o blog, fazia um trabalho bem mais restrito como jornalista. Não podia falar de tudo que gosto. A medida que comecei a falar mais e mais dos assuntos que curto e entendo, foi ficando sem sentido falar deles aqui. ou ainda, ficou proibido falar de certas coisas aqui, porque quebraria a prioridade do veículo para o qual trabalho.
Mas não é só. O fato é que a carga de trabalho e a responsabilidade das minhas atribuições foi me afastando de outras coisas. Falo menos com meus amigos, jogo menos e não consigo nem de longe dar conta da tonelada de coisas que eu tenho que ler. E ainda tem o RadarPOP…

O que eu quero fazer é trazer de volta para esse blog os relatos das coisas que eu gosto. Vou tentar focar nisso de novo. Por um bom tempo, esta página funcionou como um registro do que eu tinha visto e só. Vamos voltar ao básico, então.
Mas depois, depois. Tô ocupado, agora. :)

Começo aqui, termino ali

Ficar viajando seguidamente te dá uma sensação estranhíssima de não estar mais em lugar nenhum direito. Em fevereiro, eu viajei 18 dos 28 dias. Mudei de hotel cinco vezes e fiz 9 vôos de pelo menos cinco horas cada, os mais curtos, e de 9 horas, os mais longos. Tem quem viaje mais, claro. Mas o fato é que isso me deixa meio fora de foco.

Quando o fuso horário entra na equação, sua vida sai do controle completamente. Como Los Angeles chegou a ficar com seis horas de fuso durante o nosso horário de verão, o efeito foi devastador em hábitos alimentares e no sono. Até porque eu fui, voltei, fui, voltei. Um saco.

E tem a saudade da minha mulher, da minha casa, da minha vida, das minhas coisas. O fato é que eu viajo de novo na semana que vem. Mais 18 horas de viagem pra lá, depois pra cá e tudo num intervalo de dois dias. Sinceramente, eu tenho calafrios.

Quando eu vim morar em SP, quase dez anos atrás, aluguei um quarto e praticamente não tinha vida fora do trabalho. Então, qualquer viagem significava dormir em um lugar melhor do que a minha, errrr, casa. Hoje é diferente, claro. Então, quando eu começo a ir e vir, essas coisas vão se juntando e devastando o prazer de fazer uma boa entrevista, uma reportagem bacana. E atrapalham, sim, minha vida pessoal.

Só que, como é que um jornalista que quer falar de entretenimento e cultura pode viver sem fazer essas viagens? Elas são o feijão com arroz, o pão com manteiga. A gente briga pela chance de entrevistar esse ou aquele ator, diretor, escritor, cantor, compositor, produtor. Um jornalista que não quer viajar está limitando suas possibilidades.

Mas dói, viu? Chega um momento em que você quer agarrar um telefone e falar com as pessoas que você ama. Chega a hora em que você vê uma coisa legal, faz algo divertido e fica puto porque não tem aquela pessoa por perto. Porque a virtude e a maldição do jornalista é que ele é o “olho”. Ele é pago justamente pela sua perspectiva especial. Então, sua vida será marcada por experiências que ele não vai poder partilhar com as pessoas de que mais gosta. Ele vai contar pra elas de algum jeito especial. Mas, na essência, elas vão ser apenas espectadoras, ou leitoras ou ouvintes privilegiadas de uma história narrada.

E eu juro que houve momentos em que, depois de entrevistar essa ou aquela pessoa, a ficha caiu que eu tinha falado com AQUELA pessoa bacana e que eu ia adorar que a Mônica estivesse do meu lado. Ou o Cris, ou a Anna, ou o Bruno ou minha mãe. Sabe como é? Um exemplo seria ter meu primo, um flamenguista doente, ao meu lado num dia em que eu fosse entrevistar o Zico, por exemplo. O ou Bruno por perto num encontro com o Arthur C. Clarke. E por aí vai.

Eu pude ver isso no dia em que minha mãe me matou de vergonha ao encontrar o Leão Lobo (Mas como esse cara veio parar aqui nesse texto?!) e pular no pescoço dele. Poxa, eu cobri TV aberta um tempão e viajei com ele algumas vezes em algumas còberturas. Achava ele ridículo na TV, mas uma simpatia pessoalmente. Nem sabia que minha mãe gostava do cara e fiquei completamente estupefato quando a vi alucinada tascando um beijo na figura. Meu primeiro impulso foi dar um esporro nela por assistir programas de TV tão ruins. Mas eu entendi o que tinha acontecido e fiquei, confesso, com um sorriso bocó no rosto.

É. Definitivamente estou escrevendo sem rumo hoje. :)