No limbo

Acabou um trabalho e o outro so vai acontecer na segunda-feira, na outra costa, em Nova York. Pelo menos um dia no limbo, procurando o que fazer em Los Angeles. Como a agenda me dava as noites livres, ja nao tenho mais nada para comprar, nenhum filme que queira ver… Nada. Estou apenas matando o tempo.

Amanha, rola o Oscar aqui em LA. A cidade esta na maior expectativa, como sempre. Todo mundo parece falar dos filmes, porque, no lugar onde eu estou, todo mundo trabalha “na industria” meu saco ja encheu.

Babel comecou forte, mas vem perdendo terreno tanto para Os Inflitrados quanto para Pequena Miss Sunshine. Clintao corre por fora com Cartas para Iwo Jima e simplesmente nuinguem sabe direito quem vai ganhar o premio de melhor filme amanha. Eu continuo achando que, embora a vantagem atualmente esteja com Os Infiltrados, acho estranho um remake ganhar premio. Acho que Cartas pode surpreender todo mundo. O caso de amor entre Hollywood e o Japao eh velho. Agradar os amigos niponicos pode ser uma estrategia legal. Sei la…

Quanto mais eles se mostram, mais estranhos parecem

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Hoje de noite, a ABC mostra um especial em que astros que ganharam o Oscar se “entrevistam”. OK… Temos Julia Roberts conversando com George Clooney, Nicole Kidman com Russel Crowe e Jamie Foxx e Sidney Poitier.

Legal, legal… Mas vamos aos fatos. George Clooney tenta parecer sedutor e soa muito gay. Muuuuuuito gay. Muito mais do que eu acho que ele gostaria de soar. Sem o benefício de controle total sobre os ângulos editados, Julia Roberts mostra mais obturações do que eu imaginaria que alguém como ela poderia. Fala sério!! Até eu troquei aqueles amalgamas por resinas iguais ao esmalte dentário.

No entanto, a dupla se sai muito bem, com diálogos engraçados, rápidos (ou bem editados) e divertidos.

Quando entram Nicole e Russel Crowe, a coisa fica feia. Ela não consegue disfarçar o quanto é afetada, estranha, rasa. Ele, por sua vez, está mais simpático do que de costume.

Sidney e Jamie Foxx são um contraste impressionante. Mas acabam soando mais normais do que todos os outros. E o programa acaba com Oprah encontrando os dois. Legal, divertido pra quem gosta de ver essas pessoas. E, se você ler nas entrelinhas, revelador.

Trabalho no Carnaval

Eu não sou folião. Nunca fui. Quando era adolescente, via os bailes como um local a mais para “ficar” com alguma daquelas garotas genéricas que a gente conhece nessa fase da vida. Hoje em dia, é uma época pra curtir mais a minha mulher e meus cachorros, enquanto os filhos não vêm. Isso quando eu não tenho que viajar a trabalho, claro.
As pessoas acham que a gente reclama de barriga cheia. Mas viajar sozinho no Carnaval é dose.  Além disso, a viagem é destruidora. São cerca de 20 horas de porta a porta, de São Paulo a Los Angeles. Já fiz viagens de mais de 30 horas de suplício de um hotel em Roma até a porta da minha casinha querida.

Estou fazendo uma bateria de entrevistas em Los Angeles que vão gerar um monte de reportagens nos próximos meses. Pode parecer besteira, mas, como você tem cerca de dez minutos e os divide com gente que tem interesses (e revistas) muito diferentes, é preciso concentração e empenho pra arrancar certas informações. E há toda a estrutura completamente artificial montada pelo estúdio para que nada saia de seu controle. A estrutura é bem profissa e os estúdios tem até um estenógrafo transcrevendo as entrevistas. Mas, claro, você precisa e deve estar atento. Alguns anos atrás, um dos meus entrevistados fez uma declaração pesada sobre o governo Bush que não apareceu nas trasncrições oficiais. Mas estava na minha fita e foi publicada. Quando eu vejo jornalistas que vêm aqui (de todos os cantos do mundo), não fazem nenhuma pergunta e nem gravam, entendo porque existe tanta revista porcaria por aí. Sério. Há três tipos de entrevistas neste eventos:

1. a um-a-um, em que você tem cerca de dez a 15 minutos a sós com o entrevistado

2. round-table – Uma mesa com cinco a oito jornalistas de todo o mundo (sempre de países diferentes, para garantir uma relativa exclusividade daquele material)

3. conferência – todo mundo junto numa sala se estapeando para fazer uma pergunta

No primeiro tipo, você precisa se preparar, ter um roteiro, fazer pesquisa sobre o entrevistado etc. Nos outros dois, você só precisa segurar um gravador e apertar a tecla “rec”. O resto do mundo faz o trabalho para você. Tem pelo menos três pessoas na minha mesa que não abriram a boca para fazer nenhuma pergunta nos últimos três dias. Sinto uma certa indignação misturada com alívio. Se eles não falam nada, pelo menos sobra mais tempo pra eu fazer mais perguntas que me interessam. Mas se eu e mais dois jornalistas faltarmos por algum motivo, eles estão perdidos.
O lado bom é ter a chance de falar com gente que você admira. Alguns decepcionam, outros são muito interessantes, articulados e inteligentes. Um deles é o Matt Groening, o criador dos Simpsons. É minha terceira entrevista com ele e o cara sempre tem coisas interessantes a dizer.  Nesta viagem, conheci os criadores de The Unit (Shawn Ryan, também criador de The Shield, que eu adoro), My Name is Earl (Greg Garcia, que é muito engraçado) e ainda falta conhecer as mentes por trás de Shark, Bones e 24 Horas (que eu conheci em uma outra viagem, quatro anos atrás).

Essa é a parte boa do trabalho. Eu assisto a esses programas, adoro alguns deles e tenho a chance de fazer certas perguntas para seus criadores. É muito legal.

Agora, por favor, não ache que a gente tira foto com os caras, pede autógrafos e coisas do tipo. No way. Isso destrói a relação de respeito e até de igualdade que é necessária de se construir para uma entrevista funcionar. Quando você vira fã, pode arruinar uma entrevista. Além de irritar os outros jornalistas (os sérios, pelo menos) e queimar seu filme com todo mundo ao redor.

Eu já vi jornalistas (por algum motivo que me escapa, são geralmente coreanos, indonésios e japoneses) pedindo autógrafos de forma acintosa. Uma vez, um deles colocou um boné na cabeça de Bruce Willis e pediu que ele autografasse. Willis, mal-humorado, devolveu o boné. O engraçado é que, se um fã fizesse isso com ele na rua, provavelmente ele daria o autógrafo. É que uma conferência de imprensa é lugar de trabalho. Errar a dose de admiração é um erro imperdoável.

Adeus, Hanniball

“Hanniball Rising” é uma porcaria. Não é o pior dos filmes. Mas não é bom. Me deu esperanças no começo, me fez rir no meio e acabei cochilando no final.
Periga ter enterrado o bom diretor Paul Webber, de Moça com Brinco de Pérola.

Pronto. Nem vou além.

Olho por olho?

Quando acontece uma coisa como essa história bárbara do menino que ficou preso no cinto de segurança e foi arrastado pelos assaltantes até a morte, eu procuro ser uma pessoa racional, pacífica. Afinal, por não ter perdido meu filho nesse evento horroroso, eu posso manter a cabeça fria. Justiça só se faz com calma. E Justiça não é diferente de tudo mais dentro de um grupo social. É algo estabelecido, acordado, determinado socialmente. Quando as leis são draconianas e o sistema não permite mudanças de forma nenhuma, está flertando com o rompimento…

Mas a verdade é que eu não estou conseguindo. Quando um roubo acontece, eu consigo entender o contexto. Mas quando um assaltante me exige o dinheiro, eu dou e, além disso, ele resolve que quer algo mais, estamos entrando num terreno aterrorizante em que as leis da causa e efeito deixam de funcionar. Quando isso acontece, fica difícil ser racional.
Mas, como eu disse, é por isso que a Justiça precisa funcionar. Para que jamais exista espaço para atitudes impensadas, o olho por olho, dente por dente.

A volta de LOST

Viajando a trabalho, parei tudo que estava fazendo ontem e voltei pro hotel para ver o esperado sétimo episódio do terceiro ano de LOST. Sem revelar nada que estrague (até porque, quem lê sites de “spoilers” sabe muito mais do que isso):

1. É sobre Juliet
2. Resolve a situação desesperadora do sexto episódio de forma satisfatória
3. Tem novos desdobramentos nos relacionamentos do triângulo Sawyer-Kate-Jack
4. Encaixa pedaços importantes da mitologia e traz, claro, novas perguntas
5. É, como os seis primeiros, bem escrito pra dedéu

No fim, não conheço equipe de escritores e produtores mais conectada com o desejo de seu público. Damon Lindelof e Carlton Cuse estão muito atentos às queixas dos espectadores e claramente brigam para colocar a série em modo de movimento constante. O problema é que enfrentam mesmo um cansaço de seu público, que quer saber mais logo. Vamos ver se essa fase de episódios constantes se resolve bem.

Card Games

Eu e o Cris tivemos uma loja de livros, gibis e jogos, lá por 1996: a Interativa Jogos. Faz muito tempo. Parece ter sido em outra vida. Eu estava vasculhando minhas coisas e dei de cara com caixas que tinham vindo do Rio de Janeiro na minha mudança, coisas que tinham sobrado dos tempos de loja e eu nunca mais tinha mexido. No meio disso tudo, cartas e mais cartas. Aquela foi a época em que o Brasil descobriu o Magic e saíam cargames todos os meses.

Deixa eu explicar. Nerdices a parte, o Magic é o jogo mais brilhante que eu já vi. Dois jogadores se enfrentam com maços de cartas que são montados de forma personalizada. A pessoa compra um kit básico e depois vai sofisticando e afinando seu maço com cartas diferentes que vai adquirindo. A mecânica é brilhante e capturou a imaginação de milhões de jovens em todo o mundo.

Os maços são como máquinas pensados e produzidos com certos fins. Tem que use maços grandes, com mais de cem cartas. Tem que goste dos curtinhos, com poucas cartas, que andam rápido. Essas escolhas de número de cartas, de cores, de efeitos são o âmago de um jogo genial.

Na minha caixa de quinquilharias, há cartas de Magic, Illuminati, Rage, Vampire, Star Trek the Next Generation, Doom Trooper e até do desastroso Blood Wars e o chatíssimo Sim City.

Eu estava pensando em dar um jeito de me desfazer disso. Não quero jogar fora e dá muito trabalho e pouco retorno vender. Estou pensando em fazer algo lúdico como colocar as cartas em um local escondido da cidade e dar algumas pistas. Quem achar, leva.

Eu junto ao pacote uns livros de RPG bacanas, uns gibis importados legais e até um jogo de tabuleiro. Alguns itens estão usados, mas todos em ótimo estado. O resto é com quem estiver disposto a seguir as pistas. Na pior das hipóteses, eu cobro uma taxa simbólica, só para garantir que, quem entrar quer realmente brincar.
Alguém se interessa por uma caça ao tesouro?

Fazer o quê?

O Flixter é supimpa, divertido, do tipo que você pode passar horas dando uma olhada nisso e naquilo.
Tem também o LibraryThing que é uma comunidade de amantes de livros. Como minha livrarada está empacotada no quarto da bagunça, eu fico prometendo que vou atualizar minha coleção quando tiver os livros a mão. Eu pego o livro, cadastro e coloco na preteleira. Sonho meu. Essa comunidade funciona também.

Mas e o Comicspace? Me pareceu uma babaquarice total. Me digam, o que há para fazer por lá? Tem alguns gibis digitais, umas galerias e muita loja aproveitando para encher o seu saco. E só. Ou tem mais?