
Mas… O Darwin está fazendo pose, com direito a olhadinha de ladinho, ou não?

Mas… O Darwin está fazendo pose, com direito a olhadinha de ladinho, ou não?
Minha análise das chances dos indicados ao Oscar 2007 está no site da revista Época.
Mais um sensacional informe sobre o desenvolvimento de meu cachorro, o Darwin…
Agora ele está dormindo no corredor, educadamente obedecendo o limite que eu impus de não entrar no quarto. Ele chega até a porta, eu digo “fica”, coloco uma almofada ali e ele dorme a noite toda naquele lugar. Só de manhã, quando está desesperado para sair, ele entra e tenta me acordar.
Hoje, ele dormiu na sala. Sem a imposição do limite de forma clara, acordei com ele dormindo do lado da minha cama.
Informou o plantão Crescimento de Darwin.
Na foto de Tiago Brandão, mãe salva filho que se afogava. Ela também não sabia nadar.
É um clássico na faculdade de jornalismo o dia em que te perguntam o que você faria se, ao fotografar uma enchente, visse uma pessoa se afogando. E então? Você continua fotografando ou ajuda a pessoa?
Um fotojornalista chamado Tiago Brandão respondeu a essa pergunta na prática. Ele viu uma mulher que não sabia nadar pular em um poço com profundidade de quatro metros para salvar o filho que se afogava. Sacou a máquina e registrou o ato heróico desesperado da mãe. Não foi ajudar.
Ele diz que o instinto profissional falou mais alto, que tudo aconteceu muito rápido e que não sabe nadar. Além disso, o motorista que estava com ele foi lá ajudar a mulher e a criança a sair.
E você? Iria salvar ou fotografar?
Heroes é divertido, 30 Rock é um sarro, mas a série mais legal, mais deliciosamente sacana e sarcástica se chama The Knights of Prosperity.
Tem um quê de My Name is Earl, uma pitada de 24 Horas e de Prison Break… Conta a história de Eugene, um faxineiro que, depois de passar a vida lavando latrinas e ver um amigo morrer de repente, resolve que chegou a hora de ele ter a sua parte do sonho americano. Assim como My Name is Earl, ele tem uma epifania quando está vendo TV. Dá de cara com Mick Jagger se exibindo no canal E! e tem a idéia de assaltar o apartamento dele em Manhattan. O objetivo é conseguir dinheiro para abrir seu bar. O que ele ganhar a mais do que o necessário, promete (sem muita convicção) doar a instituições de caridade.
Só que Eugene não é um gênio do crime. Ele se une a uma gangue de perdedores e, claro, vai penar para conseguir ter acesso ao apê milionário do astro do rock. A turma é tão sem noção que chega ao absurdo de criar um nome para o grupo (The Knights of Prosperity, ou Os Cavaleiros da Prosperidade) e rola até uma camiseta absurda que, claro, vai virar mania nas ruas de Manhattan rapidinho. Os planos canhestros, as idéias estapafúrdias e a mais absoluta incompetência de Eugene e seus comparsas são o caminho certo para uns bons minutos semanais de risadas.
Para sentir um gostinho, curta o vídeo musical da série, em que um dos atores dá uma de Barry White. Está no You Tube.
Estava ouvindo Os Saltimbancos, no meio de uma seleção musical e me vi emocionado. Ver um disquinho infantil ensinar que, no meio dos anos de chumbo, “todos juntos somos fortes”…
Todos Juntos (do disco Os Saltimbancos)
Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá
Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá
Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer
E no mundo dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.
De Enriquez – Bardotti – Chico Buarque
É genial que dói. E eu lembro de uma conhecida dizendo que as letras do Chico não faziam sentido…

Agora eu começo a entender o que é ter um labrador em casa… O Sagan operou algumas pequenas mudanças na minha vida. Mas o Darwin mudou muitas coisas. Ele exige mais atenção e carinho. E as traquinagens são um capítulo a parte.

Com a vitória de Ugly Betty no Globo de Ouro surge a grande questão: todas aquelas pessoas que ridicularizavam a novela “Betty, a Feia” no SBT vão assistir e gostar de “Ugly Betty” só porque agora é um seriado?
Minha resposta é sim. Bom, é relativo porque, afinal, nem TODO MUNDO vai gostar. Mas muita gente vai curtir. Veja bem. O seriado americano é uma comédia. A única coisa séria ali é a bondade da protagonista, que tem um coração do tamanho do mundo. O resto é basicamente um programa que fica o tempo todo piscando pro telespectador, que ri do visual kitsch, dos cenários, figurinos e atuações exageradas, burlescas mesmo. “Betty”, a série, é feito para o espectador que odiou “Betty”, a novela, em qualquer de suas encarnações por todo o mundo.
E ao ser comédia e exagerado, traz uma tonelada de raciocínio brilhante por trás. Aqueles textos são exagerados na medida, calculados. Os figurinos, a fotografia e os cenários são coloridos e falsos exatamente para que o espectador ria deles e se sinta em uma dimensão paralela, onde aquelas pessoas podem ser absurdas assim. A série não se leva a sério, enquanto as versões da novela eram dramas bobocas.
O que vale, o que sempre fascina as pessoas é a idéia de que, por trás de um rosto horroroso, pode haver um coração de ouro, capaz de conquistar até o mais sacana dos garanhões. É uma espécie de conto de fadas. Deve ser um consolo para milhares (ou milhões) de bettys por aí, que nunca terão a mesma sorte da personagem. Porque a vida é como é.