Quem liga para Mel Gibson?

Mel Gibson no dia em que foi preso e mandou os judeus às favas… 

Vamos lá. Me explique uma coisa.

Eu chamo você de, vamos pensar um adjetivo bem ruim, bem preconceituoso…. “Negro fedido”, ou de “bichinha aidética”, por exemplo.

Quando vejo que você se ofendeu, eu digo “mil desculpas” e dou umas justificativas ridículas. Vejamos… Eu estava bêbado, fora de mim, cansado, sob pressão emocional. Preencha as lacunas. Eu não sei, mas um adjetivo desses só sai da sua boca se você tiver essa ideologia dentro de você. Ou não?

É como aquelas idéias ruins que saem das pessoas e revelam muito a respeito delas. Saem em momentos nas quais elas estão desarmadas ou simplesmente se vêem cercadas por amigos mais íntimos que não iriam ficar tão chocados. Podem também ser idéias horríveis que as pessoas descobrem ter num nível quase animal e que tentam controlar racionalmente.

O que importa é que elas estão lá de alguma forma e resistem a certas tentativas de sanear nossas mentes.

Então o que pode dizer Mel Gibson que não soe como algum tipo de desculpa esfarrapada pelo medo de ver seu filme destroçado nas bilheterias americanas. Para falar a verdade, eu acho que “Apocalypto”, contando uma aventura (ou drama, ou tragédia, sei lá) vivida por um cidadão Maia, falada no idioma original (logo, exibido com legendas) é algo bem difícil de digerir. Sem o marketing e a controvérsia de “A Paixão de Cristo” acho difícil que vá decolar. E nem sei se é um filme bom…

Mas pior ainda é que Gibson limpou tanto seu discurso que pode ficar pregando sozinho no deserto… É que antes ele era ao menos um baluarte da direita cristã americana. Como agora ele fala mal de Bush e cia. (como aliás virou moda, os ratos estão a abandonar o navio), ficou sozinho. Os liberais de Hollywood não querem papo e a direita vai se sentir traída. Pra onde ele vai?

Dá para conferir algumas dessas questões na ÓOOTEEMA entrevista para a Entertainment Weekly.

Vou morrer soterrado por livros

A bobagem deliciosa acima chama-se Amazing Marvel Universe e traz a história da Marvel Comics contada por Roy Thomas e comentada pela voz (mesmo) de Stan Lee. Ali no canto direito do livro tem um aparelhinho que traz a voz de Lee. Como é que eu não iria comprar isso? Me diz, vai!

Já o segundo, 24 Behind the Scenes, traz os bastidores das filmagens de “24 Horas” e é paradoxalmente supérfluo e indispensável. Não serve pra nada, mas é deliciosamente viciante ver os atores fazendo bobagens, caras e bocas nos bastidores do seriado mais constirpado da TV.

Pra Claudinha: Eu tenho, você não te-em!! :o )

Porque ele é o cara do momento…

“No Cazaquistão, no noticiário das sete, temos um quadro em que um homem ensina posições sexuais. A mais popular se chama “estilo cachorrinho”. Vocês têm isso aqui? Funciona assim: o homem se posiciona assim… E o cachorro, assim.”

Borat, em mais um diálogo nonsense com Jay Leno (ao lado de uma Martha Stewart estupefata)

O nome dele é… é…

A Mônica me deu um cachorrinho pouco mais de duas semanas atrás. Um labrador, a raça mais adorada do mundo. Legal e tal. Mas eu sempre quis um e mesmo assim nunca comprei. O motivo? Medo de não dar conta, de não conseguir cuidar do bichinho direito e de me ver, daqui mais um tempo, tendo que doá-lo a alguém. Sempre deixei a idéia de ter um labrador para depois, para o dia em que vou ter uma casa com quintal bacana etc.

Mas a Mônica é diferente de mim. Ela é passional e realmente viu a minha cara quando eu descobri o cãozinho no outro dia em uma petshop. Ele veio, ficou no meu colo quietinho, olhou ao redor e me chamou de pai (Oh!! Coisa pro “Acredite Se Quiser”? Não, claro, ele me lambeu e só).

Nós já temos um cãozinho, o Carl Sagan. É um maltês que a Mônica comprou meio que por impulso seis anos atrás. Nunca me imaginei tendo um maltês. Acabei me apaixonando pelo bichinho e hoje não imagino minha vida sem ele.

Bom, mas voltando ao labradorzinho, um dia toca a campainha aqui de casa e chega um cara com um labrador preto lindo. Eu pirei, claro, e fiquei apavorado, naturalmente. Como eu já disse mais em cima, a Mônica é diferente de mim: comprou o cachorro, mas não comprou os acessórios básicos de uma empreitada como essa e foi um deus nos acuda.

Corremos para comprar uma gradinha, comedores adequados, coleira, tapetinhos e os primeiros dias foram infernais. Cocô e xixi fora do lugar e, como o menino era apenas um bebê de três meses, higiene não era ainda o seu forte. O problema seguinte é que ele ficava com uma agitação louca, porque não pode sair de casa sem as últimas vacìnas.

Mas tudo isso se juntou à confusão da escolha do nome. Fui pego de surpresa. Eu sempre disse que queria chamar meu cachorro de Peter Parker, em homenagem ao meu gibi predileto (Homem-Aranha), mas, de alguma forma, achei que o nome não estava adequado. Como eu também adoro Galactica (e você ainda não sabia que eu sou um nerd de primeiro escalão?), a melhor série de sci-fi que já vi, resolvi chamá-lo de Adama. É o comandante (agora almirante) da nave que dá nome à série. Você pode imaginar a confusão?

- Qual é o nome do bichinho?

- Adama?

- Ah, então é ela, né? Uma dama…

- Não. Adama, ele se chama, Adama.

- Ah, ok…

Surge Mônica, uma metralhadora de nomes malucos para qualquer coisa. Ela muda o nome das coisas a cada meia hora e logo estava dizendo que, como ele é preto e atabalhoado, poderíamos chamá-lo de Jack Black (sacou? Hein, hein? Black, black, preto. Genial, né?).

Todos os nomes que ela bola são ótimos. O Sagan já ganhou o simpático apelido de White Vader, por exemplo. Então, no meio da saraivada de idéias, ela disparou um que soou sensacional, perfeito, maravilhoso e uma dupla perfeita para o Carl Sagan.
Enfim, depois de duas trocas de nome, definimos o final. E o engraçado é que, de alguma forma, quando eu passei a chamar com esse nome, o cãozinho começou a atender melhor. Minha convicção fez toda a diferença. Eu tinha agora achado o nome que julgava perfeito.

É Darwin. Charles Darwin.

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Bate que ele gosta

Donald Rumsfeld foi um dos caras mais odiados pela esquerda americana nos últimos anos. Quando ele caiu, após a derrota acachapante de Bush nas eleições para o congresso e o senado, a comemoração veio até de setores da direita, que o julgavam incompetente.

Então, nada melhor do que chutar. Ele merece, oras.

Os filmes para ver antes de bater a caçuleta

Eu já falei aqui várias vezes que não sou crítico de cinema e que nem tenho essa ambição, embora em alguns casos tenha publicado críticas no site.O engraçado é que, ao dizer isso, as pessoas passam a achar que eu não quero ser crítico porque desprezo a classe ou algo do gênero. É muito diferente, claro. Eu acho a crítica (qualquer uma, não só a de cinema) fundamental, mesmo que os cineastas odeiem seus detratores com todas as forças.

O problema é que a crítica, de modo geral, anda tão ruim que as pessoas nem sabem mais o que ela é, ou o que poderia ser. Virou uma fileira de sinopses comentadas feitas para consumo rápido. A crítica tem outra função que vai além de te dar a dica de cinema da semana. Ela discute, ilumina, confunde.Ela te faz pensar sobre o que viu e te ajuda a entender a importância de certo filme. Ou ainda, defende a importância de um filme que você acha inútil, por exemplo. A crítica analisa, coloca um filme em contexto, compara. Ela precisa de espaço e tempo para ser criada. Afinal, certos filmes são tão bons e ricos que pedem livros em vez de artigos.

No livro que chega às bancas no dia 24, não estamos fazendo crítica de cinema. Conversamos com um leitor que quer, sim, escolher um filme legal na locadora e quer o caminho das pedras dos filmes fundamentais. Fomos atrás de um panorama rico do cinema moderno. E não fazemos nem a sinopse comentada (embora alguns verbetes tenham, sim, ares de sinopse) nem a crítica profunda (mas alguns textos até vão mais fundo). Ficamos no meio termo, com a missão de dizer porque você deve ver aqueles 300 filmes. No caminho, damos várias paradas para destacar gêneros, ícones, assuntos legais e ainda gerar algumas discussões.

O nome é 300 Filmes para Ver Antes de Morrer e inaugura a Coleção Mente Aberta, que é uma extensão da seção da revista Época. O espírito é pop. A cultura popular tem várias vertentes e, no papel de jornalistas, a gente tenta expor o leitor a um pouco de tudo. É por isso que o livro tem comédias malucas, filmes B, clássicos do cinema de ação dos 60,70 e 80 e pérolas como Queimando Tudo, dos malucões Cheech e Chong.

Dê uma olhada na página não-oficial, em que eu mostro um pouco do livro e na qual vou adicionar, nos próximos dias, informações como errata, opiniões dos leitores, reclamações e coisas do gênero. Não é oficial, no sentido de que a página não é sancionada pela Editora Globo. É feita pelo editor responsável pelo livro. Eu sinto que, por ser feito para essa geração, precisa ser uma obra mais aberta. Vamos ver se funciona.

Ninguém faz nada sozinho e em algum ponto da produção do livro, eu cheguei a chamá-lo de 300 Textos para o Pessoal Escrever Antes do Maron Morrer. O livro foi um trabalho coletivo que contou com um monte de cabeças, mas principalmente com a do Alexandre Matias, do Trabalho Sujo, e a da designer Suye Baptista. No meio da correria, contamos com um monte de gente que ajudou com talento e determinação: Luís Nogueira, Dafne Sampaio e Anselmo Cheré (escrevendo e reescrevendo verbetes, quando necessário), Janaína Torres (a incansável designer que virou o braço direito da Suye e sem a qual o livro não sairia de jeito nenhum), o exagerado Fred Leal, o Vladimir Cunha e o surpreendente Arnaldo Branco. E eu não podia deixar de envolver meus incansáveis parceiros de crime Cristiano Dias (que fez a insana checagem eletrônica de nomes, anos de produção e títulos originais) e Bruno Cruz (que fez de tudo um pouco e deu um apoio emocional incalculável). A cada um eu pedi um absurdo diferente e recebi o dobro do que encomendei.