A Trip mostra o reencontro de Max e Iggor Cavalera.
E quem se importa com isso?
A Trip mostra o reencontro de Max e Iggor Cavalera.
E quem se importa com isso?

Cena do episódio-piloto de Jericho, que mostra os americanos sofrendo um ataque nuclear
É engraçado ver esse monte de filmes americanos que mostram eles sendo bombardeados por ogivas nucleares. O último exemplar é a eletrizante série “Jericho”, que mostra os moradores da cidade que dá nome ao programa tentando sobreviver depois que os EUA sofrem um ataque nuclear em larga escala.
Considerando que, até 1h10 do dia 12 de outubro de 2006 o único país que lançou uma bomba nuclear em outro foi justamente os Estados Unidos. Hiroshima e Nagazaki… O mais rápido genocídio da história, não vamos nos esquecer.
Mas não é que são sempre eles que aparecem como vítimas? Tadinhos…
No trailer de “0s 300 de Esparta” dá para notar que o visual é fantástico, que as cenas de luta estão espetaculares (e mentirosas) e que os atores sofrem de uma crônica mania de falar aos gritos, empostados. Se não houver bom senso do diretor, deixa de ser filme de gente grande e vira coisa pra moleque de 12 anos.
Bom. De repente o moleque de 12 anos que existe dentro de mim pode se amarrar. Já aconteceu antes…

Tyrol: Precisamos decidir de que lado nós estamos
Tigh: De que lado nós estamos… Estamos do lado dos demônios. Somos homens maus nos portões do paraíso, enviados pelas forças da morte para espalhar devastação e destruição. Estou surpreso que você não saiba disso.
Diálogo retirado do segundo episódio da terceira temporada de Galactica.
* * *
Enquanto todo mundo fica esperando que algo aconteça em “Lost”, Galactica, uma das duas únicas séries que não tem medo de tocar em assuntos difíceis e seguir sempre em frente sem olhar para trás (sendo a outra “24 Horas”), apresenta um sensacional episódio de estréia.
Em “Lost” foram mais ou menos uns quatro minutos de brilhantismo em um episódio de 43 minutos. Em Galactica, eu posso dar uma lista de grandes momentos, grandes diálogos, grandes situações e idéias que vão sendo mostradas ao longo de pouco menos de 90 minutos tensos e sofridos.
Na minissérie e nas primeiras duas temporadas, acompanhamos Adama, o comandante da espaçonave Galactica, liderando um comboio com os 50 mil humanos que restaram de um genocídio praticado pelos cylons (ou cilônios). Os humanos fogem de um inimigo que em tudo lhes é superior. A cada episódio, os personagens vão ficando mais complexos, mais cheios de nuances e mais interessantes também.
Os cilônios são como nós. São tão parecidos que é impossível um exame clínico dizer a difernça deles para os humanos. Mas como eles são originalmente máquinas criadas pelos homens que se rebelaram contra seus inventores, os humanos ainda os chamam de torradeiras. É um conflito marcado pelo preconceito e pela irracionalidade de ambos os lados.
Os autores não páram de usar este cenário de ficção científica, cheio de naves e combates espaciais, para discutir o atual cenário político. Estão ali temas como a intolerância religiosa e a ética de uma civilização em guerra.
Do lado dos cilônios surgem personagens espetaculares, como o padre ateu interpretado por Dean Stockwell. É ele quem sugere as soluções mais absurdas e sanguinárias, usando deus como desculpa para cada idéia. Deus entre aspas, sempre destacadas com aquele gesto de dedos.
O mais interessante é que uma decisao criativa que poderia ter matado a série acabou por torná-la mais tensa e conectada com a realidade. No final do segundo ano do seriado, os humanos acham um planeta capaz de abrigar os sobreviventes e é ali que se forma uma nova colônia. A série, depois de discutir até fraudes eleitorais, mostra a humanidade morando neste lugar e sendo atacada novamente pelos cilônios. Só que agora eles não querem mais matar os humanos. Por conta de um grupo político que ganha força entre eles, resolvem tentar estabelecer um entendimento e o que se segue é um cenário que lembra muito o Iraque ocupado pelos americanos ou a Palestina controlada por Israel. Melhor ainda: lembra qualquer país que se vê sob o jugo de outro.
É claro que o local vira um barril de pólvora.
Adama, a bússola moral do programa, ordena uma retirada das naves militares e prepara um ataque que tentaria libertar ao menos uma parte dos humanos sob controle dos cilônios.
Em terra, o velho braço direito de Adama, o coronel Tigh, é justamente quem lidera a resistência humana. É ele quem orquestra um ataque com um homem-bomba ao quartel general da polícia secreta formada por humanos para patrulhar a cidade. São homens que usam capuzes porque não podem revelar que se venderam para os inimigos.
É com homens-bomba, intrigas políticas, uma profunda discussão do que é integridade moral e do que é apenas oportunismo e senso de sobrevivência que Galactica se tornou uma série daquelas que se tornam imperdíveis depois de descobertas. A minissérie que deu origem ao programa e a primeira temporada já estão a venda. Dê uma chance à mais inteligente série dramática dos últimos anos.

O blog já tem mais de cinco anos e agora o podcast completou seu primeiro aninho.
Foi divertido à beça.
Tivemos algumas entrevistas legais com o Mr. Manson e os caras que fizeram aquela dublagem tosca do episódio do Batman.
Rolaram algumas idéias divertidas, como o programa feito pelas nossas respectivas mulheres que virou uma pegadinha na qual eu coloquei os erros e emendas. Apanhei, dormi no sofá por duas semanas, senti uns gostos estranhos na minha comida. Mas o amor de irmã e esposa superou tudo.
E, claro, a Nicole arrasou. Contamos com ela em alguns programas (um deles histórico), ajudando a manter o barco correndo quando as coisas estavam completamente malucas ou pra mim ou pro Cris. Quando a agenda permitir, queremos mais Nicole e temos certeza de que nossos leitores-ouvintes querem também.
Outra coisa divertida é a curiosidade que cada um de nós fica a respeito do que vai rolar no programa que o outro edita. O Cris é mais caprichoso que eu com a parte técnica. Ele preza muito a qualidade do som. Eu sou mais nervoso e fico entediado rápido quando o programa fica lento. Gosto de deixar o ritmo dos nossos diálogos mais ágil, fazendo uma microedição que deixa o programa mais rápido, mas que demora uma eternidade pra terminar de fazer. Nós dois estamos sempre procurando uma música diferente, um pedaço de som, uma piada visual ou sonora que vai divertir o ouvinte e, ao mesmo tempo, nós dois.
Então, curta o RadarPOP de aniversário. Mas, poxa, não deixe de mandar pra gente um videozinho com uma mensagem. Eu fico pregando sobre o valor da interatividade, de como os ouvintes dos podcasts são fantásticos e, quando eu proponho alguma coisa mais complexa, todo mundo foge.
De presente pelo nosso aniversário, queremos um vídeo seu. Mande pra nós.
Eu votei em Lula na eleição de 2002. Votei convicto porque queria algo diferente pro país e queria ver o que um governo de esquerda poderia fazer por quem tem menos do que eu.
Tentaram dizer um monte de absurdos. Que Lula ia levar o país ao fracasso, à ruína yada yada yada. Tudo isso virou fumaça, claro, porque o governo Lula foi tão medíocre quanto outros governos antes dele. Foi melhor do que alguns, pior do que outros e ficou longe de ser brilhante.
O que ninguém apontou, ninguém disse, ninguém previu foi a absurda onda de falcatruas descobertas. Aos montes, envolvendo somas astronômicas, todas tocadas ou com participação de integrantes do PT. Pior, da “elite” do partido. Amigos íntimos de Lula.
Eu não consigo me ver votando em uma figura rasa com Heloísa Helena e o Cristovam Buarque não tem a menor chance. Bom, Geraldo Alckmin, então, é uma daquelas figuras, pra mim, impensáveis. Se me dessem José Serra como opção, confesso que, por um minuto, eu poderia até ter pensado em votar nele. E olhe que eu cheguei a dizer em uma época que seria bom para o país ter um presidente medíocre, fraco, sem idéias como Alckmin. Seria parte do aprendizado de uma democracia. Quando o país funciona apesar dessas figuras sem liderança, sem idéias, sem nada, é porque sua democracia está madura.
Mas a nossa está? Pense bem. Não há um único presidente nos últimos 20 anos que não tenha ouvido a palavra golpe em algum momento. Os golpistas estão rondando o poder todo o tempo. Em uma democracia madura, eles não têm chance. Aqui, eles estão sempre por perto esperando a chance, como abutres.
O cenário desolador atual me coloca em uma sinuca. Vamos dizer que eu quisesse uma alternativa a Lula. Quando estou começando a pensar na possibilidade de não votar no petista, leio a Veja, que mainardizou de vez e mergulhou em uma histeria que apenas a desabona. Quando leio reportagem de novela atacando Lula e o PT, materinha de serviços e resenha de livro dando um tempo para pichar o presidente, fico com mais vontade de votar nele.
Mas eu não votei.Fiquei em SP este fim-de-semana e apenas justifiquei meu voto. Foi uma maneira engraçada de fugir da decisão final: Lula ou Cristovam? DOu a ele uma nova chance ou assinalo minha irritação com seus erros e voto em outro pela primeira vez em 17 anos?
Estava lendo os sites e tudo aponta para um segundo turno que, até duas semanas atrás, era impensável. A corrupção do PT pode levar à derrota de Lula, porque o segundo turno é muito mais complicado. No PT que chegou ao poder, a estupidez e a ganância venceram a esperança. Provavelmente é bem-feito.