A estupidez vence qualquer coisa
Eu votei em Lula na eleição de 2002. Votei convicto porque queria algo diferente pro país e queria ver o que um governo de esquerda poderia fazer por quem tem menos do que eu.
Tentaram dizer um monte de absurdos. Que Lula ia levar o país ao fracasso, à ruína yada yada yada. Tudo isso virou fumaça, claro, porque o governo Lula foi tão medíocre quanto outros governos antes dele. Foi melhor do que alguns, pior do que outros e ficou longe de ser brilhante.
O que ninguém apontou, ninguém disse, ninguém previu foi a absurda onda de falcatruas descobertas. Aos montes, envolvendo somas astronômicas, todas tocadas ou com participação de integrantes do PT. Pior, da “elite” do partido. Amigos íntimos de Lula.
Eu não consigo me ver votando em uma figura rasa com Heloísa Helena e o Cristovam Buarque não tem a menor chance. Bom, Geraldo Alckmin, então, é uma daquelas figuras, pra mim, impensáveis. Se me dessem José Serra como opção, confesso que, por um minuto, eu poderia até ter pensado em votar nele. E olhe que eu cheguei a dizer em uma época que seria bom para o país ter um presidente medíocre, fraco, sem idéias como Alckmin. Seria parte do aprendizado de uma democracia. Quando o país funciona apesar dessas figuras sem liderança, sem idéias, sem nada, é porque sua democracia está madura.
Mas a nossa está? Pense bem. Não há um único presidente nos últimos 20 anos que não tenha ouvido a palavra golpe em algum momento. Os golpistas estão rondando o poder todo o tempo. Em uma democracia madura, eles não têm chance. Aqui, eles estão sempre por perto esperando a chance, como abutres.
O cenário desolador atual me coloca em uma sinuca. Vamos dizer que eu quisesse uma alternativa a Lula. Quando estou começando a pensar na possibilidade de não votar no petista, leio a Veja, que mainardizou de vez e mergulhou em uma histeria que apenas a desabona. Quando leio reportagem de novela atacando Lula e o PT, materinha de serviços e resenha de livro dando um tempo para pichar o presidente, fico com mais vontade de votar nele.
Mas eu não votei.Fiquei em SP este fim-de-semana e apenas justifiquei meu voto. Foi uma maneira engraçada de fugir da decisão final: Lula ou Cristovam? DOu a ele uma nova chance ou assinalo minha irritação com seus erros e voto em outro pela primeira vez em 17 anos?
Estava lendo os sites e tudo aponta para um segundo turno que, até duas semanas atrás, era impensável. A corrupção do PT pode levar à derrota de Lula, porque o segundo turno é muito mais complicado. No PT que chegou ao poder, a estupidez e a ganância venceram a esperança. Provavelmente é bem-feito.
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2/10/06 às 9:25
Pior que a coisa tá feia mesmo. O pior é que o PT não aprende, fizeram umas falcatruas e se deram mal, daí fizeram outras e se deram mal outra vez e agora de novo…
Mas do que não podemos reclamar é do empenho do governo para investigar os problemas, no governo FHC, as crises e os escândalos eram abafados no início, coisa que aconteceu nesse governo.
Claro que o governo Lula está longe de ser o ideal, mas com certeza é melhor que os 8 anos do FH e melhor do que o Alckimin poderia fazer. E este segundo turno, que já está confirmado, abra a mente da cúpula petista, para perceberem que a coisa não tá tão boa como parecia.
E é revoltante ver a mídia quase agredir o PT, de todos os lados, como por exemplo nessa história do dossiê. “De quem é o dinheiro, de onde veio esse dinheiro?”, mas e o conteúdo do dossiê? Ninguém vai investigar? No dia em que a mídia passar a relatar os fatos e ser imparcial, o Brasil vai melhorar, mas enquanto tentarem manipular a opinião pública para votar em um candidato, a coisa fica muito complicada.
2/10/06 às 15:15
Eu concordo que a imprensa não tem sido imparcial. Mas acho que essa parcialidade se vê muito mais num exagero na repercussão de fatos do que em mentiras. Não vamos nos iludir: os escândalos têm sido propagados a partir de fatos reais. Não foi a mídia que pagou mensalão, não foi a mídia que elegeu Delúbio tesoureiro do PT, não foi a mídia que nomeou assessores Waldomiro Diniz e Freud Godoy, não foi a mídia que violou o sigilo bancário de um caseiro. Alguma coisa, então, não se encaixa nesse raciocínio. Bobagem essa história de “elites” dominando a imprensa para defenstrar um presidente que veio do povo. A mídia, de um modo geral, sempre foi governista. Muitos de nós votamos em Lula em 2002 (eu inclusive). De lá para cá, não deixamos de ser “elite”. Será que nós é que mudamos?
2/10/06 às 20:01
A minha solução para essa sinuca foi a mesma… Justifiquei meu voto. Dureza essa eleição…
2/10/06 às 20:04
Achei muito bom seu texto Alexandre, é basicamente o que eu penso e sinto sobre essas eleições, e o comentário do Felipe concluiu bem.
Mas não é bobagem nenhuma essa história de que querem defenestrar o presidente não.. Basta ligar a TV, ler o jornal e ver como há sempre 2 pesos e 2 medidas, e só isso já tira o caráter democratico da coisa. Se não fosse pelo simples motivo de que em geral a mídia hoje quer outro presidente a cobertura de todos os eventos seriam mais parciais, e com isso seria mais fácil pra qualquer um ponderar sobre o que acha que seria melhor para o país. A mídia sabe muito bem o poder que tem e sabe muito bem usá-lo, e neste caso mesmo não sendo criando fatos (ou criando sim, como foi o caso do grampo no tse, onde já davam como certo e falavam em escandalo maior do que watergate) só de exagerar já constitui uma enorme má fé para falar o mínimo.
3/10/06 às 11:35
Ola colega, li o seu texto e concordo e discordo com algumas coisas, meu voto foi para o Alckmin, o motivo, em parte, são as acusações sofridas pelos cargos de confiança do PT, que não são poucos.
Sabe o que me deixa intrigado? É como o povo é desinformado e sem opinião. Como em Minas Gerais, o candidato do PSDB para o cargo de Governador, Aécio Neves, ganhou com mais de 70% e o Alckmin, do mesmo partido perdeu na quantidade de votos contra o Lula? Será que os mineiros não sabem que é MUITO melhor um presidente do mesmo partido que seu governador? Mesmo que fosse outros candidatos, eles não firmam confiança no partido? Apenas no rosto dos candidatos? Ou em suas promessas?
Uma das coisas que me aborrece é quando ouço dizerem que este governo está limpando a corrupção, dizendo que neste governo os corruptos de outros governos estão sendo desmascarados. Bom, graças a Policia Federal, que ao meu ver não está sendo conivente com tudo isto.
Não sou contra o atual presidente, porem acredito que o partido influência nas ações de seus membros, portanto, acredito que nenhum deles possa exercer grande papel no desenvolvimento socioeconômico brasileiro.
E alem do mais, o Lula já realizou seu sonho, já foi nomeado presidente uma vez.
Desculpe o texto, como disse, nem sou contra ao atual governo e a forma de pensar de quem vota no Lula, com certeza, espero eu, essas pessoas pensaram bem antes de teclar os numeros na úrna!
Colega, sempre acompanho o que você escreve e hoje resolvi comentar.
Abraço!
4/10/06 às 18:24
Geraldo Alckmin é um candidato medíocre. Não tem carisma, não sabe comunicar, não tem projeto (a não ser continuar essa politica econômica chinfrim do Lula, que por sua vez continuou de Fernando Henrique) e não tem nenhuma realização brilhante na carreira política.
Já Lula é diferente. É falso, tremendamente cínico (conseguiu ser mais cínico que seu antecessor, Fernando Henrique), demagógico, egocêntrico e despreparado (mesmo depois de quatro anos no poder). Pelo menos é sortudo, afinal durante seu mandato a economia mundial só cresceu, o que por tabela ajudou seu governo. Mas é um político no pior sentido da palavra, que manipula tudo sempre em benefício próprio, inclusive (e principalmente), a ignorância do povo. Sei que nenhum político é bonzinho ou inocente, mas Lula foi o mais decepcionante de todos. Pensar que durante anos perdi tempo lendo e assistindo entrevistas dele e sua equipe explicando o que fariam se chegassem ao poder, e o otário aqui acabou acreditando. Hoje em dia quem vota nele sabe perfeitamente o mau-caráter que ele provou ser, e é conivente com isso.
Eu não. Entre ser medíocre e ser mau-caráter, prefiro ser medíocre. Voto no Alckmin, pra não votar nulo.
6/10/06 às 13:13
Posso dizer que fiquei sim, incomodada com as informações de corrupção que surgiram durante o governo Lula. Incomodada não, decepcionada, por não esperar isso de um governo petista. No entanto, essa decepção não me faz esquecer a grande corrupção que o Brasil sofreu durante o governo FHC, com os bilhões de dólares desviados nas vendas mal feitas de algumas das empresas estatais. Vendas essas feitas muitas vezes sob protesto do povo brasileiro. Sem falar na venda de votos para a aprovação da reeleição no Congresso. Mas o que me parece estranho é que esses fatos não repercutiram tanto na imprensa quanto vem repercutindo os fatos atuais. Será que naquela época o PSDB já praticava atos de compra da imprensa como há quatro anos vem praticando em MG? Ou será que mexer nesses fatos é perigoso demais, já que envolve a venda do patrimônio do país a empresas “grandes demais”, com sede em países “poderosos demais” para os brasileiros ousarem questionar?
Acredito sim, que todos esperávamos mais do governo Lula. Esperávamos uma mudança maior, uma busca maior pela justiça social. Mas acredito, também, que estamos vivendo o período, desde o regime militar, de maior democracia no Brasil. Porque, se estamos discutindo os fatos, é porque sabemos deles. Mas se a imprensa estiver calada, como saberemos o que acontece? Discutiremos quais fatos, se não tivermos conhecimento deles? E falo democracia, também porque este é o único governo que, não somente abre espaço, mas busca a participação da sociedade nas decisões, que faz políticas voltadas às classes de menor renda, para que essas pessoas tenham também acesso às oportunidades que até então estavam reservadas a um pequeno grupo de elite, que sempre foi o único a ter voz neste país. Um governo que, pela primeira vez, abre realmente a discussão sobre as desigualdades de raça, de gênero e sociais que existem neste país.
Acho sim, que o governo de Lula tem muitos defeitos, que seu programa de governo poderia ser mais profundo, mais modificador. Mas voto nele de novo, porque não quero a volta ao poder de um partido (ou de uma mentalidade) excludente, elitista e de censura (ou seria autoritário?), que por tanto tempo dominou o país.
7/10/06 às 9:49
Será que o PT não podia fazer tudo isso sem roubar?
7/10/06 às 12:11
Dawalibi tocou no âmago da questão.
E eu vou um passo além.
Será que alguém consegue fazer mudanças sem ter que sujar as mãos?
Não digo isso com nenhum intuito de defender o PT. Esse cachorro morreu dois anos atrás.
É uma pergunta sincera de quem se vê revisando os quesitos que orientavam sua bússola político-eleitoral.
9/10/06 às 21:01
E será que o PSDB conseguirá fazer sequer metade (e certo de que muito mais do que poderia e não fez) sem roubar também? Será que só 4 anos fora da presidência já os redime e dá a certeza de que acertarão a mão?
O ruim dessa história toda é que parece que simplificamos tudo a uma questão meramente de escolher quem rouba menos, o que é horrível. E numa campanha que só vemos um jogar lama no outro, onde propostas e soluções ficam em segundo plano, fica mais difícil ainda decidir. Onde resultados de programas (sejam positivos ou não) só recebem nota no cantinho do jornal, pois sempre temos a manchete tendenciosa querendo mais escândalo em algum novo suposto esquema.
O que mais me assusta nessa eleição é como cai por terra o mito da “imparcialidade” na imprensa. Acabaram-se as ilusões de “isenção” e “ética”, tão caras aos jornalistas (pelo menos em tese) e tão cobradas deste governo.
12/10/06 às 0:33
Ou seja, se o PSDB não presta, e se o PT rouba mas faz, o negócio é anular o voto?
7/01/07 às 11:55
O problema é que os políticos daqui são absolutamente imprevisíveis. Nos EUA quando o Bush assumiu, já sabiam o que viria. Aqui não. Eu votei no Lula em 2002, apesar de protestos do meu pai. Na segunda eleição, votei no Alckmin, devido ao governo do Lula que é exatamente tudo o que eu não queria. Só que logo no inicio do segundo mandato, o Lula assina uma lei que desfaz tudo o que ele e o FHC fizeram de ruim contra minha empresa. Se ele tivesse feito 3 meses antes, me teria colocado do lado dele neste segundo mandato. Imprevisivel.