Melhorou

O quarto episódio do terceiro ano de Lost aponta para um momento em que a temporada pode começar a pegar prumo.

Em primeiro lugar, porque o episódio volta aos personagens que importam no momento: Jack, Sawyer e Kate. São eles que estão no meio dos Outros. É neles que estou interessado. Ok, Locke também, claro. Mas o que importa agora é ver Locke indo resgatar o trio.
A entrada de Santoro está sendo bem construída. Ele aparece novamente numa cena curta, agora jogando golfe. Quando Desmond pede um taco, ele pede para pegarem o que ele não usa. Assim, quando um deles morrer na floresta, ele não precisa ir lá buscar. Legal, porque estabelece o motivo pelo qual um personagem como ele não apareceu muito até aqui. E, óbvio, ele vai se envolver mais do que quer. Heróis que não querem ser heróis são sempre mais legais.

Parece que os próximos episódios vão acelerar, porque são os dois últimos do ano. Provavelmente a trama da escapada (ou não) dos heróis se resolve ali. Aí vamos esperar dois longos meses até a volta da série em fevereiro.

O sexto dia

Estava vendo o trailer do sexto ano de “24 Horas” e…

1. Eu sempre acho que o próximo ano será uma droga porque os caras não vão conseguir manter o nível. Tenho errado sempre. Temos algumas temporadas menos boas do que as outras, com alguns problemas pontuais. Mas no geral, mesmo os anos ruins são muito bons

2. Como o vento mudou e até a “New Yorker” anda perguntando se Murdoch não estaria guinando para a esquerda, pode ser que a gente veja uma temporada menos fascista. Para mim, isso é o de menos. O fascismo (ou a psicopatia) de Jack é parte integrante da série e funciona bem no contexto. É como ir ver Dexter, que é um seriado sobre um psicopata, hum, “do bem” e querer que ele pare de matar gente má.

3. No entanto, Jack Bauer passou dos limites da lealdade ao país. Eu não sei o que fizeram com ele, mas que lavagem cerebral boa do inferno. Nem passando um ano em uma prisão chinesa sob tortura o cara pensa em se rebelar contra o governo que o abandonou?

Ah sim, quase me esqueci do motivo pelo qual comecei a escrever isso: o ótimo trailer do sexto ano.

Parece que Jack volta para solo americano, depois de uma temporada de “férias” nas prisões chinesas, apenas para ser usado como moeda de troca com terroristas que, depois de um ataque devastador, querem justo Jack para poderem executá-lo.

Então o brother Palmer (agora presidente) vai entregar Jack pros vilões? Uia.

Olha, é claro que alguma coisa vai acontecer, Jack vai escapar das garras dos caras e a série vai rebootar dentro dos quatro episódios iniciais, geralmente estupendos. Mas a premissa inicial, se bem explorada é promissora.

Sö que eu não acredito que eles vão conseguir manter o nível…

O episódio mais emocionante do ano

Pronto. Acabei de ver Galáctica pouco menos de dez minutos atrás.

Episódio quatro, terceira temporada. Perfeição total. Fazia tempo, muito tempo que eu não via algo do tipo. E eu digo isso com aquele regojizo regozijo total de quem sente que, tudo que viu de bom nos últimos meses, era pouco diante deste episódio cheio de heroísmo, nobreza, inteligência, ironia, drama e, ahhh, lágrimas.

(Não costumo fazer isso, mas gostei tanto dessa primeira leva de episódios de Galáctica, que nas linhas a seguir vou falar do que acontece em detalhes. Se você não quer saber nada sobre a série, pare por aqui.)

Vejamos então uma rememorada geral: os humanos resolveram parar de fugir e se assentar em um novo planeta, quando Gaius Baltar se tornou presidente. Mais ou menos um ano depois dessa decisão temerosa, os cylônios invadiram o planeta e colocaram os humanos sob sua custódia. As naves militares Galáctica e Pégasus, sob o comando do almirante Bill Adama e do comandante Lee Adama, respectivamente, bateram em retirada para ganhar tempo e formular um plano que libertasse a humanidade. Quatro meses se passaram e encontramos nossos heróis subjugados, mas, sob o comando da ex-presidente Roslin e do coronel Tigh, organizaram uma resistência a espera da volta da Galáctica. O contato foi restabelecido, o plano foi montado e o que se vê neste quarto episódio é o dia da grande escapada…

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Eu lembro da quantidade de vezes que achei Tigh, o véio bêbado, um mala. Um fraco. Um grosseirão. Esses primeiros quatro episódios o tornaram grande. Mostraram que tipo de ótimo ator há por trás do personagem. Para ele foi reservada a segunda melhor cena da temporada, fácil. Ao saber que sua mulher traiu a resistência, Tigh senta com ela para conversar. Os dois têm uma conversa terrível, dura, sofrida, na qual ela também revela para ele que fez sexo com cylônios para libertá-lo.

A revelação traz de volta aos olhos dele a piedade, mas é tarde demais. Ela já está morta porque bebeu veneno ministrado pelo marido. Ele a vê morrer com a compreensão de que ela fez um sacrifício supremo. Você fica pensando se não passa pela cabeça do personagem que era o momento dele jogar tudo para o alto e salvá-la. Ele chora e eu confesso que quase chorei com ele (imagem acima).

Em outra grande cena, a terceira melhor da temporada, Lee Adama lamenta não poder se juntar ao pai no que anuncia ser a mais espetacular batalha desde a fuga da humanidade após o genocídio das 12 colônias. Lee e a esposa e segunda em comando da Pégasus, Dualla, conversam sobre a decisão de Bill, o pai, seguir com a Galáctica para o resgate da humanidade enquanto ele, Lee, deve proteger o resto da frota e seguir em frente. Ela o aconselha a ter calma e seguir com o plano. Salvar a humanidade. Dolorosamente, ele toma a decisão.

E chegamos melhor cena da história da série. O momento em que Adama descobre que, em vez das duas naves-mãe cylônias está cercado por quatro e que seu motor de hiperespaço falhou. Eu lembrei de um dos vídeos que se vê no site do canal Sci-Fi, no qual todo o elenco vai feliz receber o Peabody Award e cada um dos atores e produtores se apresenta na hora em que toca no troféu. No fim, na hora que vão passar o troféu para Edward James Olmos (o intérprete de Adama), alguém diz: e esse é Deus. Bem, Olmos vale cada centavo de seu salário só pelo que faz nesta cena. Ele emana nobreza quando descobre que vai morrer. Que não há mais saída. Ele olha ao redor e apenas diz que foi uma honra servir ao lado daquelas pessoas (imagem acima). Encara a morte sem medo enquanto a sala de comando vai se despedaçando sob os ataques das supernaves cylônias .

Corta para um take externo (acima). Quatro naves destroçam a Galáctica e a câmera se afasta, cercando a nave de vazio e a morte de significado.

É quando você vê primeiro um míssil, outro e a câmera mostra a Pégasus chegando. Como um bom Adama, Lee desobedeceu o pai e voltou. Contrariou todo mundo com a teimosia que um grande líder tem que ter em alguns momentos. Ele entra na batalha e vira o jogo a favor dos humanos.

(pausa para respirar)

Eu estou escrevendo a muitos toques por minuto, já citei três grandes cenas e ainda falta muito:


1. Tem o momento fantástico (acima) em que a Galáctica invade a atmosfera, despeja um monte de caças e salta de volta pro espaço (algo que vai causar engulhos em fãs de Star Trek. Eles, claro, vão dizer que uma nave não poderia fazer o salto porque está perto de um planeta e… Calem a boca, seus malas. Até aqui, uma nave não pode nem fazer um salto no hiperespaço. Isso é só uma convenção.)
2. A detonante cena em que Starbuck mata o cylônio… de novo
3. O momento em que Lee se despede da Pégasus, atacada pelas naves-mãe
4. A volta de Roslyn à nave presidencial, de onde ela sabe que não devia ter saído
5. A descoberta de Starbuck de que a criança que ela acredita ser sua filha não é dela

E a melhor cena da temporada é de novo de Tigh. Ele volta, Adama o recebe com um olhar de respeito e carinho (acima). O espectador sabe que a única pessoa que realmente respeita esse homem e sabe do que ele é capaz é Adama. Foi quem o trouxe de volta ao serviço, foi quem o sustentou como segundo em comando quando todos o tinham como um bêbado incapaz.

Os dois trocam um olhar poderoso e Adama é, em seguida, levantado em triunfo. Ninguém se lembra do velho bêbado, ninguém valoriza o sacrifício feito por ele. Assim, enquanto Tigh, que perdeu um dos olhos e a única mulher que sempre amou, foi esquecido, o chefe vira o grande herói da humanidade. (acima)

Os escritores de “Lost” deviam aprender alguma coisa com isso. Até aqui, a temporada que prometia ser cheia de aventura e ação, de respostas e com uma recompensa emocional para o espectador, vem sendo uma frustração semanal.

“Galáctica” é um dos principais expoentes dessa nova tendência das séries de extrema qualidade nos roteiros, nas atuações e na direção. É um exemplo de como se escreve seriado: com personagens que evoluem, com histórias que seguem em frente sem olhar para trás. Correndo riscos e sempre, sempre surpreendendo o espectador. E o que é melhor: aliam o drama humano a um olhar crítico sobre nossa sociedade, nossos valores e nossas decisões políticas. É um grande seriado, daqueles que, em uma rede de TV, com a promoção adequada, estaria ganhando Emmys e Globos de Ouro. Como é ficção científica, acaba esnobado e se tornando um tesouro escondido da TV.

Eu sou um “ateu ortodoxo”

A capa da Wired deste mês fala do novo ateísmo. Numa ótima reportagem, fala da nova postura de não só declarar a falta de fé, mas também combater a religião.

A reportagem, muito bem escrita (por um ateu, como eu), pergunta se essa posição não acaba sendo arrogante e antidemocrática…

George saiu do armário, e trouxe mais gente junto com ele

O aor T.R.Knight, o George de “Grey’s Anatomy”, declarou publicamente que é gay. Eu o conheci no início deste ano. Achei o cara simpático, egraçado e divertido. Em vez de interpretar o Dr. Burke, Isaiah Washington fez papel de McStupid e se referiu a Knight em tom maldoso, chamando-o de “viadinho”(“faggot”). Como não era a primeira vez que isso acontecia, Patrick Dempsey, o McDreamy, saiu em sua defesa e acabou se metendo em uma briga com Isaiah.

Bem, bem… Ponto para McDreamy. Fora, McStupid.
Dempsey é um cara sério, que agarrou a boa segunda chance que o seriado lhe deu. Nas entrevistas, chegou cedo, conversou com simpatia e profissionalismo com a imprensa internacional e deixou uma ótima impressão. Washington parecia um falastrão, querendo aparecer mais do que os outros atores. Um mala.
O legal da história é que Knight sabia que, para Dempsey poder se defender adequadamente dos danos que a história mal explicada da briga poderia causar à sua reputação, era preciso tirar do caminho revelação da sua homossexualidade, motivo central da briga. Ele sabia que isso poderia vazar mais cedo ou mais tarde e se adiantou. Liberou Dempsey e estou esperando agora o momento em que McIdiot será McLimado da série.

Numa nota interessante, ao discutir essa história no blog da revista Entertainment Weekly, o jornalista Michael Slezak também saiu do armário. No meio disso tudo, pode-se perder de vista o ótimo trabalho de Knight, que fez de George um personagem adorável. A série corre também o risco de se tornar um daqueles programas nos quais os bastidores são mais interessantes do que o que se vê na tela da TV. Justo quando “Greys” virou gente grande e enfrentava CSI de frente…

Mente aí que eu minto aqui

Se você soubesse a quantidade de vezes que eu tentei fazer isso que eles fizeram, ia rir de mim por semanas. Eu adoro/odeio esse programa e durante um tempo virei fã e até pensei em criar uma comunidade ou um site para a Ex-Mãe-de-Encosto… Mas os caras fizeram e merecem os parabéns.

Se eles dissessem o que pensam…

Muito engraçado esse vídeo. Do jeito que essa campanha está acirrada, periga alguém achar que é de verdade…

De qualquer modo, um trabalho divertido de edição. Tem algum do Alckmin que chegue aos pés?
Porque esse, supostamente retirado de um programa de TV australiano, é muito fraquinho. Qualquer outro político na situação do Alckmin faria igual. Se fizesse diferente, teria meu voto, claro.

Minnierelli

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Um dos componentes do viral de sucesso está nele ser algo que, pelo menos na cabeça de quem o está assistindo, não era pra ser visto. Um acidente ou algo colocado ali a revelia…

Dizem que a Disney não gostou desse vídeo. Eu tenho minhas dúvidas.