E só mais um título para o Bernardinho, certo?

Errado.

Ao contrário do que acontece hoje no futebol brasileiro, Bernardinho conhece os mecanismos que levam um grupo à acomodação e simplesmente cria ferramentas para evitar que isso aconteça. Suas equipes são vibrantes, são autocríticas, são sensacionais.
É por isso que o livro de Parreira vai virar apara ou peso de papel, enquanto tudo que Bernardinho escrever ou disser vale ouro.

À procura de Hanso

Lost foi por dois anos a série do mistério. Ao final da segunda temporada, o que se espera é que, sim, existam mais mistérios, mas o fato é que as principais perguntas que as pessoas se faziam no início da série estão sendo respondidas e a dinâmica vai mudar.

O sensacional Alternate Reality Game (ou ARG, ou Jogo de Realidade Alternativa) criado pelo escritores da série revela tantas informações fantásticas que, se a gente não sabe tudo que é, pelo menos já consegue saber várias coisas que não são.

Veja o vídeo que está no You Tube e que é o resultado do trabalho árduo de um monte de amantes da série curtindo a Lost Experience. Eles passaram dias caçando e juntando fragmentos de video para montar essa versão.

No tal vídeo, Alvar Hanso, o industrial enigmático, explica o que é a ilha e por que a sua fundação criou o projeto Dharma (aliás, explica o que significa a sigla: Department of Heuristics And Research on Material Aplications). É preciso entender inglês e prestar muita atenção.

O caso do ARG de Lost vai virar aula de uso inteligente da web para os próximos anos. A idéia é genial e prova que os produtores e criadores da série são gente ligada no que de mais importante e interessante está acontecendo neste momento, na cultura pop. Tiro no alvo. Sensacional.

Filmaço dispensável

Ao mesmo tempo que gostei de Miami Vice, ficou claro porque o filme fracassou nos cinemas…

Michael Mann não faz concessões. Seus personagens são amigos de unha e carne e isso só é dito em duas ou três frases em todo o filme. Não há espaço para brincadeiras, sorrisos, felicidade. Os heróis vivem sob uma enorme tensão. Em outros filmes, os roteiristas inserem aquelas ceninhas feitas só pro espectador recuperar o fôlego. Um risadinha, uma piadinha. Amigos fazendo piadas e o espectador rindo junto. Os heróis de Miami Vice são soturnos mesmo. Confiam um no outro e pronto.

Outro ponto que deixa o público furioso é que Mann não gosta de frescura nem na hora de resolver as situações. Quando, no climax, Rico vai atrás do homem de quem quer se vingar, não há uma lutinha inútil (Harrison Ford não entendeu isso e se meteu a brigar no final de Firewall, arruinando o filme…), um diálogo com frases de efeito, aquela frasesinha ridícula que o povo adora. Rico mata sem dó nem piedade. É só.

Eu gosto disso tudo. Só não gosto mesmo de Colin Farrell. Um canastrão, cheio de excessos que, por algum motivo, Mann não controla. Ele exagera na hora errada, não consegue dizer com os olhos o que tem que ser dito, faz vozinha de macho que acaba soando ridículo. Fica ainda pior porque Jamie Foxx está matando a pau logo ali do lado. Ensinando que, para fazer personagem macho não é preciso engrossar a voz. Mas é engraçado que, na mão de um bom diretor, Farrell pode render. Ele tem essa energia, uma chama e um tesão que podem ser mágicos nas mãos corretas.

OU não. Talvez ele não tenha salvação mesmo. Dane-se. Não gosto do cara.

Pena que Mann não achou a conexão com o público e o filme naufragou feio nos Estados Unidos e no resto do mundo. Mas vai fazer sucesso em DVD. E, ah, a trilha é supimpa. Só irrita porque algumas músicas marcantes do filme não estão no disco.

O diretor adora falar desses personagens obcecados por seu trabalho, pela perfeição de suas ações. E a entrada das câmeras digitais deu a ele uma nova paleta para usar com inteligência. As imagens com pixels estourados, granuladas e sujas, que definem uma cena mal iluminada em qualquer gravação digital, são um problema só nos filmes dos outros. Nos dele, dão a sensação de legitimidade, de que aquilo está acontecendo agora, de verdade. São pontos cuidadosamente estourados, se me permite dizer.

Com dinheiro pra gastar, o diretor fica mais perigoso, porque faz cenas corriqueiras ficarem fantásticas. Quando terá sido a última vez que você viu alguém filmar cenas de um avião passando na tela do cinema de forma tão bela, tão estética? Isso é Michael Mann: o simples feito com a perfeição de um maníaco. Aqueles personagens tinham que vir de algum lugar.

Lixo de laboratório

Bom, bom, bom. “Snakes on a Plane” não foi o sucesso que as pessoas achavam. A estratégia de marketing foi brilhante e, com a ajuda de Samuel L. Jackson e sua pose de mau, veio uma avalanche de capas e artigos que o filme jamais receberia não fosse o barulho que fez na rede…

Mas a verdade é que todo esse barulho não chegou a levar legiões ao cinema. O filme não conseguiu nem tomar a liderança de “Talladega Nights”, uma comédia bocó do Will Ferrell que já estava em sua terceira semana de exibição. Bem anêmico, hein?

Snakes não bombou porque (isso mesmo, uma tese explicando o evento depois, o que torna tudo muito fácil, certo?) tentou cientificamente reproduzir o trash. O trash bom de verdade é feito com tesão. A qualidade trash transborda do filme por outros meios. Ao listar o que faz um film trash e tentar reproduzir esses componentes, você pode estar fazendo uma homenagem, um pastiche, uma sátira, mas não está fazendo um trash de verdade.

Para mim, esse é o motivo do fracasso do filme.

Outra enorme decepção foi “Miami Vice”, mas esse filme eu não vi ainda… Falo depois.

Não tenho lágrimas

Morreu o Caixa D’Água, aquele dirigente ridículo e insuportável do futebol do Rio, o presidente da federação carioca.

A melhor coisa que acontece com a morte dessa figura nefasta é que todo mundo vai sacar que a culpa não era só dele. O futebol carioca caiu de podre sozinho. Caixa D’Água não era a causa… Era só um dos sintomas.

Instalação heróica

Já começa decepcionante a instalação do City of Heroes.

Confirma o que eu tinha lido. Todo mundo elogia o jogo e critica a parte técnica do serviço. São servidores constantemente fora do ar e correções gigantescas. No momento, estou baixando um pacote de correções com 430 mega. O Cris encarou 1.6 gigabytes!!! Isso e você nem jogou ainda…

Tem que ser mesmo um herói para aguentar essa espera.

Quando eu der uma boa olhada no jogo, falo mais.

Para ver antes de morrer

Por e-mail ou nos comentários, surgem esses…

  • Antes do Amanhecer, Antes do Por-do-Sol
  • Poderoso Chefão (A trilogia)
  • Curtindo a Vida Adoidado
  • A Rosa Púrpura do Cairo
  • Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
  • Três Homens em Conflito
  • Janela Indiscreta

Tá faltando alguma coisa? Diz aí.