Eu tinha ouvido falar, mas nunca encontrei um envelopinho. Achei nesta última viagem e agora estou desesperado por minha dose de novos cartões de Perplex City…
Monthly Archives: julho 2006
Heróis não são descartáveis
Engraçado ver os politicamente corretos não só recriminando o Zidane, condenando ele, como irritados porque a França em peso o absolveu.
Um dos lugares fantásticos de Paris é o Panteão, o lugar onde eles enterram os heróis nacionais. Estamos sempre achando que não temos heróis, mas a verdade é que somos ingratos, mimados, superficiais. A verdade é que não somos fiéis e os abandonamos na primeira dificuldade. Eles se vão e nós ficamos sem símbolos.
Os franceses não. Eles sabem que Zidane é um herói e não o abandonam.
Devíamos aprender alguma coisa com eles. Porque só uma pessoa muito cega não sabe o quanto ele deve lamentar ter perdido o controle e a Copa daquela forma.
Vid-cast
Demorou mais do que a gente esperava, por um universo de motivos que não vêm ao caso agora, mas finalmente temos o primeiro vidcast do RadarPOP.
Vid-cast é um podcast em vídeo. Só isso.
Confira, lá no site de origem, o www.radarpop.com.br .
Se acontece sempre não é mais acidente
Bate e volta de dois dias em Londres para uma visita a um set de filmagem. O plano era sair do Brasil na quarta, 17h15, chegar às 11h do dia seguinte, encontrar os jornalistas de todos os cantos no aeroporto e seguir dali em um ônibus pros estudios Pinewood (onde foram gravados filmes como Aliens, Batman, os James Bond e um monte de filmes do Kubrick). Depois, ficaria um dia e voltaria ao Brasil num vôo pingado que sairia de Londres no sábado 6h15, seguiria para Lisboa, dali para Salvador e só então ao Brasil a São Paulo. Por que eu aceitei isso? Ora e você acha que meu trabalho é só prazer? Tem coisas que eu tenho que fazer e pronto.
Só que as coisas se complicaram por causa da inépcia absoluta da TAP. Vejamos… O vôo que deveria sair às 17h15 saiu quase sete da noite. Mais de uma hora de atraso. Chegou em portugal tão atrasado que fez todo mundo perder suas conexões. Eu, claro, incluído.
Então, todos sao jogados em uma mesma fila que vai durar pelo menos mais uma hora… Eu tento argumentar com um dos funcionários que meu trabalho iria acontecer naquele dia e que eu voltaria no sábado de madrugada ao Brasil. Ele me manda esperar do mesmo jeito. Eu entendo que eles não queiram privilegiar ninguém e converso educadamente, justamente endereçando essa parte. Explico que sou jornalista, mostro minha identificação, aviso que preciso chegar o mais perto possível de meio-dia em Londres, porque tenho um encontro marcado com duração definida. Nada. Me mandam para o mesmo lugar.
Quando eu vejo a fila na qual entram todas as pessoas que vão para 15 países diferente, decido esquecer o protocolo (ou falta dele) e passo pela imigração portuguesa, entro no saguão principal do aeroporto e entro no guichê praticamente vazio da Tap. Lá, explico que estava no vôo que se atrasou. Explico minha situação e minha necessidade de estar em Londres o mais rápido possível. Minha passagem me levava a Heathrow, onde eu deveria chegar por volta de 11h. O agente da TAP olha o monitor e diz que tem um vôo pra mim 14h15 ou 14h30, sei lá. Eu digo de novo, que preciso chegar mais cedo do que cinco da tarde e pergunto se ele não tem outra solução. Nada. Então, faço o que ele tinha que fazer. Peço que ele me mande para outro aeroporto nos arredores de Londres. Só então o desgraçado resolve me mandar para Getwig. Não sei o que você pensa, mas, cá entre nós… Não era pra ele ter me sugerido isso não? Se eu não tivesse um mínimo de experiência em situações deste tipo, estaria ferrado.
Então, ligo para o pessoal do estúdio e explico o que aconteceu e que, para conseguir chegar em Londres apenas quase três horas depois do combinado, tinha precisado mudar os planos.O problema é que o vôo de Lisboa para Londres atrasou mais 50 minutos (!!). O mesmo discurso, os pedidos de desculpas e a culpa colocada em terceiros. No caso, o catering tinha atrasado…
Na volta, eu chego ao aeroporto com duas horas e meia de antecedência. Isso significa que sai do hotel 3h (isso mesmo, da matina) e no aeroporto às 4h05. Faço o check in com antecedência máxima e fico esperando. Mais 50 minutos de atraso. Juro. Vem de novo o discurso. De novo colocam a culpa em alguém, no caso a infra do aeroporto, e de novo eu começo a imaginar minha conexão agourando…
Besteira. Porque, obviamente, o vôo de Lisboa para Salvador atrasou. Mais de uma hora!!!
Quando acontece uma vez, duas, eu até acredito que seja mesmo acidente, azar, seja lá o que for. Mas quando os quatro vôos atrasam, é porque a empresa é relapsa e desonesta mesmo. Um absurdo que quase me fez perder minha viagem.
Isso significa que, desde que seja minha escolha, nunca mais vôo TAP…
Sem desconfiômetro
Eu não sei se ele diz isso o tempo todo, porque desisti de Galvão Bueno há muito tempo, mas eu me impressiono com a forma como ele constrange Casagrande e Falcão.
Quando chegam os pênaltis, ele fala: “Casagrande e Falcão, vocês perderam pra França nos pênalts em 1986, né? Como foi?”
Ou agora, quando a seleção italiana comemora o título com o troféu: “Casagrande, você que nunca teve a chance de ganhar uma Copa…”.
Casão, um cara legal, leva na esprtiva, mas é uma dureza, viu?
Danem-se os politicamente corretos!

Zidane é rei.
Que saco. O cara cometeu um erro, perdeu a cabeça, foi expulso e pronto. Vamos reclamar que ele deixou o time na mão numa hora importante, mas esse discurso politicamente correto malíssimo contra o cara me dá náuseas.
Eu adoro os craques e os apóio mesmo quando eles perdem a cabeça.
Mais uma pro portfolio
Ti vira, mano
Então, os agentes penitenciários viraram alvo de atentados de todos os tipos aqui em SP. Incapaz de protegê-los, o governo liberou uma linha de crédito para que eles comprem armas (!) para se defender. É tão absurdo que, se eu conto isso pra alguém, assim fora de contexto, nego pensa que é piada, que é mentira minha.
Mas não é.
Mas é a imprensa que está contando só uma parte da história ou o governo só está agindo em uma frente: liberar armas pra que os agentes penitenciários se defendam. Já imaginou onde isso vai dar em cinco anos? Em 10 ou 20?
Deve ser de propósito. As pessoas estão desmobilizadas e vivendo a sensação horrível de que não há pelo que lutar. É como se alguém nos dissesse o tempo todo: “Não adianta. Cuide da sua vida.”
Eu disse isso aqui antes e repito, sem medo de me tornar chato. Afinal eu sou chato e pronto. Enquanto a gente não mudar essa postura de consumidor para virar cidadão, vai tudo continuar do jeitinho patético que está. Governos nos servem e não o contrário.
Em vez de nos conformar, precisamos procurar soluções. Porque nos omitir só vai fazer as coisas ficarem piores.
Eu, sinceramente, não sei o que fazer e como resolver isso. Ou sei e não quero dizer, porque me assusta a idéia de que a solução pode ser mais radical do que minha programação cultural de moderado seria capaz de aceitar. Mas que está se tornando uma situação insustentável, lá isso está…
Bloody Bush
Eles chiam, mas aprendem
A vitória de 1994 nasceu da humilhação de 90, e a de 2002 veio na esteira do fracasso inexplicável em 1998 frente a… Bem, você sabe muito bem quem foi. Não estou dizendo que vamos ganhar a próxima Copa, porque não é tão simples assim. Mas eu tenho certeza de que só pegamos no tranco. Só melhoramos na adversidade, depois de tomar uma porrada.
Esses jogadores e dirigentes negam que tenham errado, mas eles sabem, sim, que jogaram sem garra e que com tamanha falta de vontade a derrota era uma questão de tempo. Na próxima Copa irão com toda vontade do mundo.
Hoje, o limitadíssimo mas sempre guerreiro time de Portugal enfrentou a França e o jogo foi de igual para igual. Qualquer um dos dois times poderia ter chegado à final da Copa. Pena que não foi o time do Felipão que, como eu disse mais embaixo, não consegue mesmo fazer lá muitos gols. Tomaram um gol de pênalti (batido com maestria por ele, o Zizi) e não conseguiram marcar o gol que ao menos os colocaria na prorrogação.
Mas quer saber? Ver Zinedine Zidane jogar bem é uma delícia. Infelizmente, nunca vamos poder nos vingar dele. Talvez nem mereçamos…


