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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Cinema verdade de mentirinha

Paul Greengrass, de “Domingo Sangrento” e “Supremacia Bourne”, realizou um filme nervoso, intenso, difícil de assistir em “United 93″. O filme se propõe a supor o que aconteceu dentro do tal quarto avião que, no dia 11 de setembro de 2001, não atingiu o suposto alvo: a Casa Branca. AInda supostamente, os passageiros teriam enfrentado os terroristas e derrubado o avião, já que não tinham alternativa.
A história soa plausível, embora seja uma colcha de retalhos formada por suposições misturadas a entrevistas feitas por Greengrass com as famílias dos sobreviventes. Os americanos ficaram se perguntando se o filme nao teria sido lançado cedo demais ou, ainda, se não teria ficado excessivamente realista. Eu acho que a história ficou no ponto certo. Os personagens soam reais e suas atitudes parecem coisa de seres humanos e não de personagens hollywoodianos. Mas tem aquele sabor de conto da carochinha em alguns momentos.

Afinal, vamos escrever o que as pessoas pensam e não têm coragem de dizer… Ninguém sabe onde começa a história e onde termina a fábula. Há informes desencontrados sobre o que aconteceu realmente naquela manhã. Dizem que o avião foi derrubado pelos militares e que a história da reação dos passageiros é uma cortina de fumaça. Por outro lado, jornalistas afirmam que há dezenas de depoimentos dos familiares que, sim, receberam ligações dos parentes acuados no tal vôo 93. Commo estamos daqui, ficamos no meio do caminho. O Mulder dentro de cada um desconfia um pouco da história e, ao mesmo tempo, por que não? O que você faria se estivesse nesse vôo? Sabendo que os caras queriam jogar o avião na Casa Branca e que, se nada fosse feito, o destino estava traçado, você iria ficar passivo? É por isso que o filme funciona. É um relato que pode até não ser real (até porque, como eu já disse, é uma reconstrução, uma dramatização), mas que é muito realista. O terror de estar numa situação como aquela é palpável e as atuações de todo o elenco são espetaculares: cruas, reais, emocionantes e aterrorizantes.

Pior: eu pego o vôo de volta ao Brasil em dois dias. Não vai dar pra fingir que não vi esse filme.

Aqui em Los Angeles, os cinemas não estavam lotados, mas o movimento era bom. Eu esperava uma reação menos fria da platéia. Mas estamos na costa Oeste. Em Nova York, eu tenho certeza que a história foi outra.


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