Cinema verdade de mentirinha

Paul Greengrass, de “Domingo Sangrento” e “Supremacia Bourne”, realizou um filme nervoso, intenso, difícil de assistir em “United 93″. O filme se propõe a supor o que aconteceu dentro do tal quarto avião que, no dia 11 de setembro de 2001, não atingiu o suposto alvo: a Casa Branca. AInda supostamente, os passageiros teriam enfrentado os terroristas e derrubado o avião, já que não tinham alternativa.
A história soa plausível, embora seja uma colcha de retalhos formada por suposições misturadas a entrevistas feitas por Greengrass com as famílias dos sobreviventes. Os americanos ficaram se perguntando se o filme nao teria sido lançado cedo demais ou, ainda, se não teria ficado excessivamente realista. Eu acho que a história ficou no ponto certo. Os personagens soam reais e suas atitudes parecem coisa de seres humanos e não de personagens hollywoodianos. Mas tem aquele sabor de conto da carochinha em alguns momentos.

Afinal, vamos escrever o que as pessoas pensam e não têm coragem de dizer… Ninguém sabe onde começa a história e onde termina a fábula. Há informes desencontrados sobre o que aconteceu realmente naquela manhã. Dizem que o avião foi derrubado pelos militares e que a história da reação dos passageiros é uma cortina de fumaça. Por outro lado, jornalistas afirmam que há dezenas de depoimentos dos familiares que, sim, receberam ligações dos parentes acuados no tal vôo 93. Commo estamos daqui, ficamos no meio do caminho. O Mulder dentro de cada um desconfia um pouco da história e, ao mesmo tempo, por que não? O que você faria se estivesse nesse vôo? Sabendo que os caras queriam jogar o avião na Casa Branca e que, se nada fosse feito, o destino estava traçado, você iria ficar passivo? É por isso que o filme funciona. É um relato que pode até não ser real (até porque, como eu já disse, é uma reconstrução, uma dramatização), mas que é muito realista. O terror de estar numa situação como aquela é palpável e as atuações de todo o elenco são espetaculares: cruas, reais, emocionantes e aterrorizantes.

Pior: eu pego o vôo de volta ao Brasil em dois dias. Não vai dar pra fingir que não vi esse filme.

Aqui em Los Angeles, os cinemas não estavam lotados, mas o movimento era bom. Eu esperava uma reação menos fria da platéia. Mas estamos na costa Oeste. Em Nova York, eu tenho certeza que a história foi outra.

Choque de realidade

Os contrastes malucos da vida… Ontem eu saí esbaforido da editora e fui pro aeroporto de Guarulhos. Na estrada, acordo com o motorista tentando controlar o carro depois que o pneu tinha estourado. Desorientado pelo sono, eu saio com ele pra pegar o macaco na mala do carro e tentar colocar o estepe o mais rápido possível. Só então ele explica que nao estourou o pneu, mas que tinha passado por cima de uma peça de caminhão… Não demorou 15 segundos depois da revelação e apareceram uns sete rapazes que nos assaltaram. Levaram minha bagagem e uma boa soma em dinheiro, mas deixaram a mala com o notebook…

Eu podia ter voltado pra casa, mas a idéia de, além de perder o dinheiro, perder a reportagem não me deixou nada animado. Resolvi vir assim mesmo, com a roupa do corpo. Hoje, comprei umas camisas, meias e cuecas em uma loja de liquidações de estoques  e ja estou com tudo sob controle.

Confesso que fiquei irritado com a inocência do motorista, que viu que tinha estourado o pneu em um obstáculo e parou no acostamento assim mesmo. Quando ele me contou que era uma peça de caminhão jogada na pista, eu gelei. Era óbvio que estávamos ferrados.

Ainda assim, aqui estou. Depois de 16 horas de viagem em classe econômica apertadíssima da American Airlines. Depois de ser assaltado por um bando de miseráveis na marginal Tietê, hospedado em um hotel que fica em uma das ruas mais caras de Los Angeles. É muita maluquice essa vida de jornalista brasileiro.

Lost in Space

A notícia caiu como uma bomba entre os fãs. J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse serão os responsáveis pelo reboot da franquia Jornada nas Estrelas. Isso mesmo. Os criadores de Lost e Alias, o diretor de Missão Impossível 3. Os caras vão fazer uma série que vai contar os primeiros dias da amizade de Kirk, Magro e Spock.

Melhor ainda: J.J. Abrams vai dirigir.

Eu não sou fanático por Jornada (nada de trekkie ou trekker), mas tenho um carinho especial por essa série e esses personagens. Achei a notícia ótima.

Você tem que ver “V…”

Você sabe que eu sou nerd e que li “V de Vingança” muitos anos atrás. Se não sabe, mas me conhece mais ou menos, deve deduzir isso. Um nerd platinum plus senior card como eu não poderia não ter lido essa série…

Estava ansioso para ver o filme. Perdi as cabines de imprensa por conta de estar com minha noiva no hospital e só consegui ir ver no último domingo.

A essência está mesmo lá. A essência de Moore e dos irmãos Wachowski. Veja só… “Matrix” conta a história de um bando de terroristas que tentam abrir os olhos das pessoas para a farsa que é o mundo montado ao redor deles. As pessoas quiseram enxergar somente um filme de ação estiloso sobre realidade virtual. Com uns 15 minutos a mais de raciocínio, dá para notar as ramificações políticas, religiosas e filosóficas do filme.

Cá estamos em “V”, que conta a história de um terrorista tentando acordar as pessoas para a mentira erguida diante de seus olhos pelo governo. É o mesmo tema de “Matrix” e provavelmente inspirou o trabalho dos irmãos em sua obra máxima.

Da mesma forma, tanto em “V” quanto em “Watchmen”, homens que se julgam superiores criam hecatombes e culpam outras pessoas para ganhar controle sobre o mundo a partir do medo. Os subtextos de Moore estão quase intactos, as idéias subversivas foram mantidas e as alterações são plenamente compreensíveis. O filme é obviamente menos denso, menos elaborado.

O filme, aliás, é até chato em alguns momentos. Rende mais porque as idéias contidas ali me inflamam do que propriamente por conta de seu ritmo meio capenga em alguns pontos da narrativa.

E, sim, eu acredito que idéias são importantes assim. E achar que não são é só papo mole de quem morre de medo de que as pessoas descubram o quanto isso é verdade. Azar o delas. A verdade está solta.

Baixou o preço, subiu no conceito

O Vilago baixou de preço.

Mas quem é que baixa de preço nesses dias bicudos?

Bom, o dono do Vilago é um cara idealista e acredita que, se os custos dele caem, ele repassa essa queda pros condôminos. Nada de promoção que só vale pra novos clientes, porque isso é safadeza. É coisa fina, limpa, de gente que quer fazer diferente.

Se você está insatisfeito com seu plano de hospedagem, vá pro Vilago. Se você está satisfeito, vá também. De um jeito ou de outro, o Vilago é o lugar bacana para morar.

Descanso merecido

Depois de mais um fechamento estressante, passei tres dias descansando. Acordei tarde, vi TV, levei o cachorro pra passear, visitei amigos, descansei.

Nas últimas semanas, passamos por intensas mudanças de projeto gráfico e editorial na revista, fechamentos apertados e, ao mesmo tempo, a minha noiva teve problemas de saúde seguidos que me deixaram muito, muito estressado.

Geralmente, sua casa, sua família, são o que relaxa você das tensões do trabalho. Quando você perde esse porto seguro, as coisas ficam realmente confusas.

Minha noiva teve uma trombose em uma rede de veias que liga o intestino ao fígado. É coisa perigosa, rara e complicada. Ela deixar o hospital só significa que saiu de uma fase aguda e que agora precisa tomar remédios pesados enquanto espera que os coágulos desapareçam. Nesse meio tempo, temos que ficar atentos a tudo. Então, qualquer carinha diferente que ela faz me deixa preocupado.

Ficar pensando em problemas o tempo todo é loucura total. Então ao mesmo tempo que ter que trabalhar é estressante, é algo que ajuda você a limpar a mente.

Esses três dias foram importantíssimos. Eu e Mônica fizemos risotto de bacalhau juntos, meu cachorrinho está mais lindo do que nunca, avancei em alguns projetos pessoais. Só uma coisa deu errado: os convites do casamento não ficaram prontos a tempo e vamos ter que correr atrás de ligar pra todo mundo. Mas, cá entre nós, isso é problema pequeno. Até me distrai…