Novidades no portfolio

Eu não sei se você se dá ao trabalho de dar uma olhada nas outras subpáginas deste site. Mas, quando tiver um tempinho, dê uma navegada pela seção Portfolio, onde eu estou colocando diversas das minhas reportagens feitas nos últimos anos. A última delas é a reportagem de março da MONET sobre Lost.
Muitas pessoas -eu incluído- costumam ter reservas a esse tipo de ação porque pode parecer autopromoção vazia, mas a verdade é que, num mercado em que você é cada vez mais só uma mercadoria com uma etiquetinha de preço e no qual seu patrão pode trocá-lo por um outro modelo mais barato, é importante investir na consolidação do seu currículo. Nada melhor do que mostrar o que você fez para que isso conte a seu favor.

Como eu disse antes, essa página (que já tem mais de cinco anos, como Meninos, Eu Vi…, RadarPOP e agora simplesmente com meu nome) é um registro vivo do que aconteceu, do que eu vi, do que eu gostei ou não. Isso, associado ao currículo e ao portfolio, acaba formando minha imagem profissional. Eu sou assim, não sei viver em um mundo que é só de papel e no qual as empresas de conteúdo são voltadas para um único meio. Sou produto de meu tempo.

Nas próximas semanas vou colocar arquivos de áudio com algumas entrevistas significativas que eu fiz nos últimos 8 ou 10 anos. São fitas cassete que eu nunca digitalizei. Algumas vão aparecer no RadarPOP, mas outras vão estar aqui mesmo. Uma delas, com o desenhista Flavio Collin (morto em agosto de 2002, aos 72 anos), estou tentando recuperar de uma fita de má qualidade. Espero conseguir um resultado decente, porque foi uma das últimas entrevistas com o artista antes da sua morte. Além disso, tem conversas com Stan Lee, com Daniel Myrick no auge da onda de “A Bruxa de Blair” (a única entrevista feita para um brasileiro naquela época), com Anselmo Duarte (que tem “O Pagador de Promessas” lançado em DVD brevemente) e mais um monte de personagens interessantes. Torça para que essas fitas estejam em boas condições.

A cadeira ao lado da cama

Eu estava vendo um episódio de “Grey’s Anatomy” no outro dia e fiquei chocado com uma personagem que larga o namorado quando descobre que ele pode ter um problema de saúde lá qualquer.

Tudo que eu posso pensar quando a mulher que eu amo está doente é em ficar perto dela. A sensação de morrer de medo de perdê-la por alguma ironia imbecil do destino é terrível. A necessidade é quase patológica de incentivá-la a ficar melhor, a se cuidar.

Então eu não como, nem durmo, nem penso. E sei que posso estar exagerando, que as coisas podem ser mais simples do que estou fazendo parecer. Mas a essência da coisa é que eu quero vê-la saudável de novo.

Fique boa. Estou aqui na cadeira ao lado da sua cama esperando você voltar pra mim.

Qual é o(a) melhor ___________ do mundo?

Quando me perguntam qual é meu livro, meu filme, meu gibi, minha música, meu seriado preferido… Eu travo. Acho muito difícil dizer esse tipo de coisa.

Quando eu era molequinho, curtia alucinadamente Jornada nas Estrelas. Não sou trekkie nem trekker, não sei tudo sobre a série. Mas assistia aos episódios sempre. Adorava Terra de Gigantes, Túnel do Tempo, Viagem ao Fundo do Mar. Delirei com O Homem de Seis Milhões de Dólares (e comprei Kichute porque a propaganda imitava a série) e curtia a idéia original de Gemini Man (o homem-invisível que usava aquele reloginho ultracool). E, claro, nadei muito imitando Mark Harris, o Homem do Fundo do Mar. E o que dizer de Buck Rogers e Galactica?

Mas essas séries vistas hoje são em geral risíveis. Fraquíssimas, cheias de fórmulas, repetitivas.

Entre nesse assunto porque estou com a caixinha de ”A Gata e o Rato” nas mãos. Revi o piloto, que continua delicioso. Os diálogos são geniais, a tensão sexual é incrível e Bruce Willis realmente mata a pau. Quem eu nunca curti foi a Cybill Shepherd. Putz! Com tantas mulheres lindas por aí, eu nunca conseguir realmente achá-la atraente. Meio magra demais, emburrada demais. Não é que ela não funcionasse. O problema é que, quando eu via Buck Rogers, achava a Wilma Deering maravilhosa. Quando eu via “A Gata e o Rato” achava a Maddy Rayes apenas engraçada. Deve haver alguma coisa errada comigo…

Depois, o que mudou toda a minha forma de conceber uma série de TV foi “O Homem da Máfia” (título ruim em portugues para “Wiseguy”). Na série, os casos eram resolvidos em arcos temáticos. Numa temporada de 22 episódios, havia duas ou três grandes tramas que eram resolvidas pelo agente Vinnie Terranova. Num universo de programas que se resumiam a contar uma história por semana em um mundo que nunca mudava, aquela idéia era um sopro de novidade.

Com Buffy, a coisa pegou quando eu vi um episódio protagonizado por um dos coadjuvantes. Ele vivia sua propria aventura enquanto o resto do grupo salvava o mundo pela milésima vez. Aquilo me fisgou, me lembrou um grande clássico chamado “The Spirit”, de Will Eisner.

E eu só falei de séries até aqui. Mais nos próximos textos…

A contagem de corpos não pára…

…nas séries!

Parece ser mais um efeito colateral (ou positivo?) dos reality shows o fato de que os seriados nunca mataram tantos personagens importantes.

É claro que “24 Horas” é o campeão de corpos…

E por incrível que pareça a quinta temporada é a melhor até agora.

Galactica muda de rota

Fiquei com uma sensação estranha em relação ao episódio final do segundo ano de Galactica. Parece que os escritores tinham se colocado em um beco sem saída em termos criativos e tiveram que dar uma espécie de reboot da série. O bloco final me deu a sensação de que a qualquer momento algum personagem ia acordar e a gente, morrendo de ódio, ia descobrir que era tudo um sonho.

Sim. Seria motivo suficiente pra eu nunca mais ver a série. Ainda bem que não rolou assim.

Esse final estabelece uma nova dinâmica, coloca os personagens em novas situações e não perde de vista as grandes questões que o seriado sempre fez questão de explorar, apesar de ter patinado um pouco em alguns episódios da segunda metade do segundo ano.

Duro vai ser esperar seis meses pra ver novos episódios e saber pra onde vai a série depois do que rolou neste final…

Ainda bem que é diferente…

Acho legal o esforço dos fãs na hora de criar esses trailers falsos de filmes. Os caras mudaram a cor dos personagens, fizeram maquiagem digital em alguns trechos e ralaram pra criar um trailer falso de Homem-Aranha 3 que incluísse o Venom. O resultado é tosco, mas divertido. Se o filme fosse assim, seria um lixo inacreditável. Ademais, vamos repetir que a Sony ainda não confirmou oficialmente que o Venom estará no filme. Os indícios fortíssimos podem ser uma cortina de fumaça…

Vamos falar de games

Vamos deixar cinema de lado um pouco. Nos últimos dias eu devorei “Indigo Prophecy” e já estou no meio de “24: The Game”.

“Indigo” é um jogo fantástico: cenas bacanas, sequências de ação interessantes e vozes corretamente dirigidas. O problema é que a história que parece interessante no início vai ficando mais e mais sem pé nem cabeça no terço final do filme jogo. Eu, claro, não vou dizer o porque pra não estragar as surpresas… O gameplay em alguns momentos é meio frustrante também. Quando rola uma cena de luta, em vez de você controlar o personagem como nos jogos de luta, rola um interface que mais parece um jogo de Genius. Em certas situações, é uma solução brilhante. Em outras, só irrita. E o jogo promete continuação.

Já “24: The Game” é o jogo mediano que agrada porque sua apresentação é muito, muito perfeita. Dirigir os carros é chato, atirar é bem fraquinho, os quebra-cabeças são bobos e os save-games estão mal colocados, obrigando você a repetir ações longas para resolver alguma situação. O bacana mesmo é a história, que parece mesmo tirada de uma temporada da série. Ainda assim, não parece tão afiada quanto se vê na TV, provavelmente porque uma temporada é o resultado de um pool de cérebros de escritores trabalhando. E infelizmente, como você é um dos heróis, não pode ver o lado dos vilões, algo que é delicioso na série de TV. Também por conta disso, de ter menos linhas paralelas de história, a passagem de tempo não é tão bem amarradinha. Mas eu relevo tudo isso porque jogos como esse são feitos também para capturar o interesse de espectadores que relutam em brincar com um videogame. Brincar de Jack Bauer é divertido, mas podia ser melhor.

Boa noite e boa sorte

Legal. Fechando a noite, Ang Lee leva o Oscar de diretor, por “O Segredo de Brokeback Mountain” e, para surpresa geral, é “Crash” que leva o Oscar de melhor filme.

Adorei. No RadarPOP desta semana, eu dei palpites sobre cinco categorias e acertei em cheio quatro. Na quinta, melhor filme, avisei que, se “Brokeback” não ganhasse o prêmio, ia ser porque “Crash” veio correndo por fora nas últimas semanas.

Destaque para Dustin Hoffman e Jack Nicholson. Com toda moral, eles brincam e improvisam quando querem. Jack parece um tio brincalhão. Dizem que ele vai matar a platéia do coração por sua atuação no novo Scorsese. Tô esperando.

Para curtir comentários espirituosos (em inglês) sobre a festa do Oscar, dê uma olhada na cobertura da Entertainment Weekly. Ótima.