E passou mais um Fashion Week aqui em SP. Eu, um tosco, fui aos últimos cinco ou seis, sei lá, mas ainda não aprendi a ser metro nem ubber sexual.
No início, eu achava aquela gente toda muito poser (sim, tem que ser o termo em inglês, assim é o mundo). Hoje, mudei um pouco. Acho a coisa toda bem fake (em inglês de novo, fazer o quê?).
Não me entenda mal. Moda é um negócio fantástico, fascinante. Mas moda é comportamento antes de tudo. Tem a ver com sociedade, com escolhas de cada grupo social, cultural, econômico.
Mas muitas pessoas, fascinadas pelo mercado da moda, acabam apenas virando consumidoras. Moda é oferta e a sua escolha em cima dessa oferta é o seu estilo. A frase não é minha, é da Glória Khalil, mas define de um jeito legal como a coisa toda funciona.
O que me enche o saco não é o jeito bacana das pessoas escolherem ser como querem ser. Isso é genial. O que me irrita muito é ver que, só porque a Havaiana fez um esforço publicitário, centenas, milhares de pessoas aparecem de calça jeans e chinelinho colorido. É muita clonagem, muita falta de imaginação. São as pessoas deixando que outras escolham como elas devem ser. É o inverso.
No meio disso tudo, a onda vintage (que já virou coisa… Err… vintage, se me perdoam o trocadilho) foi uma das mais interessantes, por lidar com uma visão do passado, uma escolha mais criteriosa do que foi feito de legal no arsenal conceitual da moda. Claro que virou modismo, um monte de idiotas apareceru usando coisas nada a ver com eles só porque eram vintage, vintage, vintage. Saco.
Outra coisa sacal é aquele monte de gente “bombando”. Ai, ai, ai. Tudo bombando, todo mundo alegre sabe-se lá por quê. Tudo é vodca com refrigerante, espumante, caipivodka de frutinhas as mais malucas. Tudo é padronizado em sua aparente criatividade, em sua proverbial necessidade de ser diferente.
Isso. Isso mesmo. Estou muito mal-humorado. Em junho tem mais…