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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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A necessidade de “ganhar discussão” é uma praga

O que mais se viu na campanha do “SIM” e do “NÃO” foi retórica vazia. Um monte de argumentos que só servem para ganhar uma discussão. EU usei essa expressão várias vezes e ela se refere a um recurso comum no direito que é o de usar um argumento aparentemente válido, no qual não se acredita, no afã de esgotar um assunto e “ganhar” uma discussão.

Não é a busca pelo entendimento, nem pelo acordo e nem pelo “estar certo”. É a tentativa de esgotar o “inimigo”, o “oponente”.

Como eu disse, havia um monte de argumentos vazios de lado a lado, o que tornou a discussão estéril e infrutífera.

Aí, agora a coisa toda ganha novas cores quando chega a hora de falar do fechamento de contas dos comitês do “SIM” e do “NÃO”. Veja o que conta a coluna-blog de Josias de Souza, na Folha Online:

Vitoriosa no referendo do último dia 23 de outubro, a campanha do “Não”, que se opôs à proibição do comércio de armas no país, foi financiada por dois gigantes do comércio nacional de armamentos e munições: Taurus e a CBC (Cia Brasileira de Cartuchos). Juntas, as duas empresas doaram à “Frente do Não” mais de R$ 5 milhões.

(…) a CBC foi a campeã de doações, com cerca de R$ 2,6 milhões. A Taurus contribuiu com cerca de R$ 2,4 milhões. O custo total da campanha do “Não” foi de cerca R$ 5,6 milhões. Terminou no azul. Não sobrou um tostão de dívida.

A contabilidade da “Frente do Sim” exibe realidade bem diferente. Derrotada nas urnas, perdeu também no front da coleta de verbas. Angariou cerca de R$ 2,4 milhões, menos da metade do que foi arrecadado pela frente adversária. Terminou a campanha no vermelho. Amarga uma dívida de cerca de R$ 320 mil. Seus integrantes não sabem de onde vão tirar esse dinheiro.

O deputado Alberto Fraga (PFL-DF)(presidente da “Frente do Não”), acha, porém, que não se poderia esperar coisa diferente: “Quem iria pagar essa conta? Não poderia ser nem a Águas de Lindóia nem a Cervejaria Antárctica. Nossa contabilidade é transparente. Não temos caixa dois. É tudo por dentro. Graças a Deus não ficamos com dívidas.”

Secretário-geral e tesoureiro da “Frente do Sim”, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), pensa de outro modo: “Fica comprovado que os que foram favoráveis ao comércio de armas, a pretexto de defender um direito do cidadão, estavam defendendo na verdade o lucro das empresas de armamentos. A máscara caiu.”

As doações à campanha do “Sim” foram mais diversificadas. Alguns exemplos de doadores: Ambev, com cerca de R$ 400 mil; CBF (Confederação Brasileira de Futebol), R$ 100 mil; e Prestadora de Serviços Estruturar, R$ 400 mil.

A despeito do viés francamente favorável à campanha do “SIM”, colocados como coitadinhos, endividados e paladinos da paz e do bem, as informações brutas não deixam de ser valiosas. É um caso clássico em que um grupo usa o argumento do direito constitucional (pra mim completamente furado, como eu já disse antes) quando o importante é não perder consumidores.


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Uma resposta para 'A necessidade de “ganhar discussão” é uma praga'

  1. Roney Belhassof Diz:

    Pois é… E pensar que o que mais se ouviu durante a campanha eram as acusações feitas por parte da bancada da bala de que uma milionária conspiração global financiava o desarmamento… Sei…

    Confesso que o resultado do referendo me deu a impressão de que vivo em um país fascista. Melhor deixar para lá… Esta história ainda me causa tristeza.

    Só espero estar totalmente errado e que tenha, simplesmente, dado o azar de esbarrar em uma série de grupos fascistas enquanto me informava.

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