Será que ele é? É.

Eu adoro o slogan de Aliens: No Espaço, ninguém vai ouvir você gritar (ou algo do tipo, minha memória falha).

Pois podemos adaptar para: No espaço, ninguém vai ouvir o seu piti. Ou ainda, parafraseando Carl Sagan, “somos todos feitos de purpurina de estrelas”.

Ok, ok, brincadeirinhas machistas a parte, o ator George Takei, que fazia o senhor Sulu, em “Jornada nas Estrelas” saiu do armário (e sem portinhas automáticas…), ou seja, é gay.

Parece que as bibas do passado estão decididas a se revelar. Alguns meses atrás, Richard Chamberlain, um galã dos anos 70 e 80, revelou que é homossexual. Ninguém ligou, mas tudo bem.

Takei tem quase 70 anos e sabe-se lá o que o levou a revelar esse graaande segredo a essa altura. Mas o que importa é que ele falou. E é importante ter pessoas conhecidas revelando suas opções sexuais. Ajuda a diminuir o estigma. Tem uns artistas brasileiros que fariam muito bem se falassem em público sobre isso.

Tired

Eu faço revista. Amo esses artefatos de papel. São máquinas que funcionam com a ajuda do ser humano. Nós usamos nosso conhecimento prévio de uma série de convenções para saber o que é uma capa, que temos que virar as páginas para seguir absorvendo as informações que estão ali na publicação, o que é um título e o que é uma legenda. É uma maquininha fascinante que partilha sua tecnologia com jornais, livros e afins.

Mas as revistas tiveram e terão que se reinventar muito nos próximos anos. Pense na “Wired”, que lançou sua edição anual (e, para quem curte o assunto, imperdível) de testes. É impensável os caras fazerem isso e não haver um novo ipod, que toca vídeo, ali no meio.

Provavelmente, a revista foi fechada antes do anúncio do novo tocador da Apple e os caras já estavam na gráfica. Como o leitor não tem nada a ver com isso, azar o nosso. Problemas que uma mídia como essa tem que enfrentar. Problema maior para uma revista que tem o compromisso de ser muito mais antenada do que as outras.

Furacão

Eu tinha uma viagem programada para Miami que foi adiada por conta do furacão. Fiquei aqui e outro furacão apareceu. Foi uma semana infernal e eu ainda vejo nuvens no horizonte.

Saco.

Fica tudo como está

Então, ao que parece o “NÃO” é a opção da maioria dos brasileiros.

Isso é democracia. Eu fico pensando em como eu me senti quando vi que os americanos tinham assinado embaixo das atrocidades do governo Bush no ano passado. Estava tudo muito claro. Para eles, invadir o Afeganistão e o Iraque foi uma estratégia acertada.

É claro que o voto no “não” é algo diferente. As pessoas não concordam a respeito das causas da violência e de como enfrentá-la. Não havia nenhuma garantia de que proibir o comércio de armas ia diminuir a pressão e resolver o nó. Votar “SIM” era uma decisão filosófica, a escolha de um caminho. Escolheu-se o outro jeito de fazer as coisas. Em vez de exigir das autoridades que façam seu trabalho, a facção que defende o comércio de armas diz que o cidadão precisa se defender.

O que eu tenho visto é o seguinte: O cidadão pode ter uma arma hoje e isso não o livrou de nada. A violência só escalou. O que as pessoas parecem ter esquecido é que o “Não” é apenas a continuidade da política que nos trouxe até aqui. Ela não resolveu nada e nada vai resolver daqui para frente. As pessoas que se mobilizaram pelo não jamais vão pressionar o governador e a governadora (que votam SIM) para que realmente trabalhem no sentido de estabelecer uma política de segurança realista para o Estado do Rio. Ou ainda cobrar do presidente Lula (que votou SIM) que coloque em ação as promessas históricas de seu partido de trabalhar na diminuição da vala social que nos levou a esse patamar de desigualdade e pressão interna.

Hoje, uma enorme fatia dos brasileiros optou por se mexer muito para que nada mudasse, para que tudo continue ruim como está.

Mas isso é sério mesmo?

É difícil de areditar que uma coisa dessas é verdade. É preciso esperar mais um tempinho para que os jornais tragam notícias mais definitivas, mas…

Folha: Discussão sobre referendo termina em tiros em MG

Estadão: Discussão sobre o referendo acaba em tiros

Globo: Defensor do ‘Não’ atira num do ‘Sim’ em discussão sobre o referendo

Os “acidentes” continuam acontecendo e continuam sendo qualificados como exceção. Deixa eu calar a boca, porque se bobear tomo um tiro e nem sei de onde veio.

O contrato social que se dane…

Como o “Não” parece estar quase vencendo, vou lançar as minhas campanhas e exigir referendo para:

1. Acabar com os sinais vermelhos. Eles limitam meu direito de ir e vir, meu direito constitucional inalienável. Chega de parar no sinal vermelho!!!

2. Eu mal fumo um Free Light por semana filado dos meus amigos, mas agora estou decidido a exigir a liberação de todas as drogas. Todas, sem exceção. Exijo meu direito inalienável de ter meu prazer pessoal. Pago meus impostos, sou uma pessoa honesta, o governo não tem o direito de limitar meu acesso a nenhum entorpecente.

3. Exijo meu direito inalienável… Seja lá ele qual for. Eu só exijo e pronto.

Sugira também uma campanha que acabe com a proibição de algum direito seu que você considera inalienável. O contrato social que se foda. Eu quero o meu!!!

O “não” vence por 57%, segundo pesquisa

De acordo com o Datafolha, o “não” à proibição tem 57% das intenções de voto, enquanto o “sim” conta com 43%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O Datafolha ouviu 2.086 pessoas entre as últimas quinta e sexta-feira, em 151 municípios de todo o país.

A pesquisa mostra que 81% dos entrevistados da região Sul devem votar no “não”, enquanto 19% votam no “sim”. Já no Nordeste, o “sim” vence o “não” por 53% a 47%.

do Financial Times

Mais um órgão de comunicação a serviço de Lex Luthor e Hitler:

Referendo sobre as armas no Brasil erra o alvo

Ferimentos causados por tiros matam 107 pessoas por dia, mas a votação sobre a proibição das armas de fogo está cheia de defeitos

Jonathan Wheatley
Correspondente do FT

(…)
Ferimentos causados por armas de fogo matam mais de 107 brasileiros por dia, mais que os acidentes de trânsito e menos somente que as doenças de coração e cérebro. Restrições sobre a propriedade e o porte de armas de fogo foram introduzidas em dezembro de 2003, com resultados notáveis.

Em São Paulo, uma das cidades mais violentas do Brasil, o número de pessoas mortas por tiros caiu 22% no ano seguinte, resultando em 2.630 mortes a menos. O desarmamento tornou-se uma causa popular. Um apelo para que a população entregasse suas armas levou à entrega de 385.800 armas até julho deste ano.

Nas pesquisas de opinião antes do início das campanhas sobre o referendo, 81% das pessoas disseram ser a favor da proibição. Mas desde então alguma coisa mudou, e as últimas pesquisas sugerem que a proibição da venda de armas de fogo talvez seja rejeitada.

O problema começou com a lei de 2003. (…) conhecida como Estatuto do Desarmamento, proibia os cidadãos comuns de portar armas e dificultava sua compra. Ela teve amplo apoio dos legisladores, mas também enfrentou dura oposição. (…) Em troca de deixar a lei passar, o lobby das armas insistiu que a proposta de proibição da venda de armas e munição fosse posta em referendo.

A pergunta que se faz é confusa. Os que são contra as armas devem votar Sim (de maneira duplamente contra-intuitiva, Sim é o número 2 nas máquinas eletrônicas de votação), e os que são a favor delas, Não (número 1). O jornal “O Estado de S.Paulo” recentemente fez a pergunta a cem pessoas no centro de São Paulo: 29 delas entenderam errado (isto é, votaram contra a proibição quando eram a favor dela, e vice-versa).

(…)

Em vez de utilizar evidências, a campanha do Sim inicialmente confiou em cantores, atores e modelos emitindo vagas exortações na linha de “dê uma chance à paz”. Isso afastou muitos potenciais apoiadores. Raimundo Fagner, um astro pop entrado em anos, disse: “Sempre que um monte de artistas começa a falar, você sabe que alguma coisa errada. Eles são um bando de carneiros que dizem o que lhes mandam falar e não pensam em nada”.

(…) Muito poucas mortes por armas de fogo –apenas 5%– ocorrem durante assaltos. A maioria se segue a discussões em bares ou em casa, entre amigos e familiares. As armas compradas legalmente são freqüentemente roubadas (40 mil em 2003), abastecendo o mercado ilegal.

Um estudo divulgado esta semana pela polícia do Rio de Janeiro mostra que 61% das armas usadas por criminosos foram compradas legalmente. Duas crianças são internadas em hospitais diariamente com ferimentos a bala, na maioria em conseqüência de acidentes.