Mais um órgão de comunicação a serviço de Lex Luthor e Hitler:
Referendo sobre as armas no Brasil erra o alvo
Ferimentos causados por tiros matam 107 pessoas por dia, mas a votação sobre a proibição das armas de fogo está cheia de defeitos
Jonathan Wheatley
Correspondente do FT
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Ferimentos causados por armas de fogo matam mais de 107 brasileiros por dia, mais que os acidentes de trânsito e menos somente que as doenças de coração e cérebro. Restrições sobre a propriedade e o porte de armas de fogo foram introduzidas em dezembro de 2003, com resultados notáveis.
Em São Paulo, uma das cidades mais violentas do Brasil, o número de pessoas mortas por tiros caiu 22% no ano seguinte, resultando em 2.630 mortes a menos. O desarmamento tornou-se uma causa popular. Um apelo para que a população entregasse suas armas levou à entrega de 385.800 armas até julho deste ano.
Nas pesquisas de opinião antes do início das campanhas sobre o referendo, 81% das pessoas disseram ser a favor da proibição. Mas desde então alguma coisa mudou, e as últimas pesquisas sugerem que a proibição da venda de armas de fogo talvez seja rejeitada.
O problema começou com a lei de 2003. (…) conhecida como Estatuto do Desarmamento, proibia os cidadãos comuns de portar armas e dificultava sua compra. Ela teve amplo apoio dos legisladores, mas também enfrentou dura oposição. (…) Em troca de deixar a lei passar, o lobby das armas insistiu que a proposta de proibição da venda de armas e munição fosse posta em referendo.
A pergunta que se faz é confusa. Os que são contra as armas devem votar Sim (de maneira duplamente contra-intuitiva, Sim é o número 2 nas máquinas eletrônicas de votação), e os que são a favor delas, Não (número 1). O jornal “O Estado de S.Paulo” recentemente fez a pergunta a cem pessoas no centro de São Paulo: 29 delas entenderam errado (isto é, votaram contra a proibição quando eram a favor dela, e vice-versa).
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Em vez de utilizar evidências, a campanha do Sim inicialmente confiou em cantores, atores e modelos emitindo vagas exortações na linha de “dê uma chance à paz”. Isso afastou muitos potenciais apoiadores. Raimundo Fagner, um astro pop entrado em anos, disse: “Sempre que um monte de artistas começa a falar, você sabe que alguma coisa errada. Eles são um bando de carneiros que dizem o que lhes mandam falar e não pensam em nada”.
(…) Muito poucas mortes por armas de fogo –apenas 5%– ocorrem durante assaltos. A maioria se segue a discussões em bares ou em casa, entre amigos e familiares. As armas compradas legalmente são freqüentemente roubadas (40 mil em 2003), abastecendo o mercado ilegal.
Um estudo divulgado esta semana pela polícia do Rio de Janeiro mostra que 61% das armas usadas por criminosos foram compradas legalmente. Duas crianças são internadas em hospitais diariamente com ferimentos a bala, na maioria em conseqüência de acidentes.