Ou é fã ou é jornalista

Olha, não tem desculpa.

Jornalista é jornalista, fã é fã. Cada vez que eu vejo, em alguma revista, um jornalista exibindo fotos dele com algum entrevistado me dá um calafrio. E olhe que eu já vi vários jornalistas legais fazerem isso.

Mas não muda minha opinião, não. Muitas vezes, é pra dar à publicação um ar menos formal, alguma leveza. Ser de propósito e calculado não torna a coisa menos ruim. O jornalista vai até o entrevistado e constrói com ele um tipo de relacionamento que muda completamente quando rola um pedido de foto no final. AO fazer isso, quebra-se o relacionamento entrevistador-entrevistado e começa uma situação de fã-ídolo. Não tem como isso ser bom.

É um erro, amiguinhos.

Ele está pronto e já faz promessas de campanha

Sensacional a enevista de hoje na Folha com o vice-presidente José Alencar. Mostro trechos abaixo, mas leia na íntegra no site da Folha.

Folha – O sr. sonha em chegar à Presidência da República?
José Alencar – Seria desonesto de minha parte dizer que não. Todo homem público tem o ideal de chegar à Presidência. Mas eu gostaria de fazer isso desde que disputasse [uma eleição] e não mexeria uma palha para prejudicar o presidente Lula. Sou vice-presidente da República graças à eleição dele, portanto a minha posição é de apoio a ele, de lealdade a ele, para que ele recupere o seu prestígio nacional e conclua o seu governo.

Folha – Há muita pressão, ou pelo menos muita conversa, para que o sr. apóie o impeachment ou a renúncia?
Alencar – Sim, é claro que há. Eu, como vice, obviamente sou alvo dessas perguntas. Muitas pessoas pensam que eu estou ansioso para que haja um impeachment do Lula. Sinceramente, não há isso. O que não significa que eu não queira ser presidente. Gostaria de sê-lo, com legitimidade, não assim. É claro que é legítima a substituição do presidente pelo vice, mas não mexerei uma palha para prejudicar o Lula.

Folha – E se acontecer?
Alencar – Se acontecer, independentemente da minha vontade, eu não abro mão do cumprimento do meu dever e não abro mão também dos meus direitos.

Folha – O sr. está pronto para assumir a Presidência?
Alencar – Claro, completamente.

(…)

Folha – Se chegar alguma prova ao presidente, o sr. é favorável ao impeachment?
Alencar – Não, veja bem, eu não preciso ser a favor nem contra. A rigor, sou contra o impeachment do Lula. Se for inevitável, é outra coisa, isso não é pelo fato de eu ser a favor ou contra.

(…)

Folha – Vítima desse processo?
Alencar – Eu acho que é ele é vítima de todo esse despreparo da administração do seu partido. É só conhecer a agenda do presidente, não só interna como externamente, porque viaja muito, para saber que ele não teria espaço para estar cuidando da administração partidária.

(…)

Folha – Há uso evidentemente político dessa crise por parte da oposição, do PSDB e do PFL principalmente?
Alencar – Se estiver havendo, isto não é novidade, considerando tratar-se de um critério eminentemente político. O grande problema disso é que acabou afetando, queiramos ou não, todo o campo político e todos nós que militamos na política. Essa foi uma das grandes razões pelas quais eu me desfiliei. A contrariedade, o desconforto com que eu fiquei é justamente porque nós todos fomos atingidos, nunca podíamos imaginar que houvesse tanta coisa, é um absurdo.

Folha – O sr. está contrariado com a política em geral ou com o PL em particular?
Alencar – Eu estava muito contrariado com tudo. Não é apenas com o partido, não, é com o quadro. Tanto que eu não me filiei nem estou preocupado em filiação. Para mim é absolutamente indiferente ter condições ou não de disputar uma eleição no ano que vem.

(…)

Folha – O sr. tem disposição para disputar a Presidência em 2006?
Alencar – Nesse mundo, ninguém sabe o que vai acontecer daqui para a frente. Tudo muda, mas a política muda mais ainda. Tudo pode acontecer.

Folha – E a saúde, como está?
Alencar – Boa como nunca. Fiz uma angioplastia com aplicação de um “stent” [mola que impede a obstrução das artérias], e eles me disseram que estou zerado.

(…)

Folha – O sr. é ou não um risco?
Alencar – Devo ser, uai! Não dizem que a voz do povo é a voz de Deus? Eu me orgulho muito de ser um risco pelo que me atribuem, porque esse é um risco santo. Não há ninguém que pugne mais pelo desenvolvimento do meu país do que eu. Eu não me conformo com a estagnação, senão eu continuaria como bom vendedor, bom comerciante, na melhor hipótese. Você não pode aceitar de maneira nenhuma que um país como o Brasil arque com uma taxa de juros dez vezes superior à média internacional. É um despropósito, um desperdício. Cada um dos 180 milhões de brasileiros está pagando essa conta. Ela está errada.

Folha – Na eventualidade de ter de assumir a Presidência, o sr. mudaria a política econômica?
Alencar – Mudo essa política monetária, assessorado pelos economistas mais brilhantes e mais experientes do meu país. Imediatamente, os convidaria.

(…)

Folha – Quem?
Alencar – Nem o próprio presidente. Ele está consciente de que essa política está correta, e é claro que discordo dele. Não posso concordar com uma coisa dessas, que é jogar dinheiro pela janela.

Folha – O sr. tem boas relações na área empresarial, na mídia, no Congresso e, agora, na área militar. Se assumir e imediatamente baixar os juros, há quem veja o “risco” de o sr. virar um candidato imbatível em 2006.
Alencar – Esse é mais um motivo para que ninguém me queira. Mas, voltando, eu sugeri para o presidente que reunisse economistas de um lado e de outro, durante o tempo necessário, até fazer um juízo. Tem alguma coisa de errado nisso?

(…)

Folha – O presidente acha que o desempenho da economia será suficiente para reelegê-lo, mas a popularidade vem caindo. Quais são as chances de reeleição dele?
Alencar – As chances dele são muito grandes. A popularidade está caindo, mas, mesmo assim, é muito alta. Essas quedas são naturais em momentos mais difíceis, mas ele poderá sair vitorioso de tudo isso. Acredito, sinceramente. E não só acredito, como torço, porque o Lula é um homem de bem. Essas coisas todas não alcançam a autoridade moral do Lula perante a Nação. O Lula é correto. O Lula e a família. Dona Marisa é uma mãe de família exemplar. Estarei leal a eles até o fim.

Folha – O sr. também é ministro da Defesa. Como os militares acompanham tudo isso?
Alencar – Não temos conversado sobre esses assuntos, mas, como brasileiros, eles estão tão preocupados como qualquer pessoa de bem. Eles são homens de elevado interesse nacional e é claro que tudo isso preocupa.

Ele se diz fiel ao presidene Lula, mas avisa que assume o cargo se algo acontecer ao petista e que mudaria a política econômica.

Entenderam a mensagem? Ele está no jogo e tem até plataforma. Sua saúde está boa (afirmação básica de quem quer assumir um cargo público) e ele, apesar de não desejar que nada de ruim aconteça a Lula, não abre mão de seus direitos… Até porque o homem que poderia suceder Alencar diretamente em um caso de, bom, você sabe, se chama Severino Cavalcante e já esté de malas prontas. No jogo de xadrez que essa situação se tornou, o PT tenta desesperadamente colocar um petista na presidência da Câmara.

Será que o genial estrategista vai morder a isca e responder a essas declarações de seu sucessor direto ao poder?

Que os órgãos de comunicação brasileiros estão eufóricos, todo mundo já notou. Mas é importante notar que a entrevista é irretocável, faz todas as perguntas que um jornalista deveria fazer ao vice-presidente nesta situação. Talvez digam que há até empenho demais. Eu digo que o que aconteceu foi de o repórter ter a sua frente alguém que estava extremamente disposto a responder…

Teorias conspiratórias, venham com tudo agora.

Isso sim é um encontro de titãs…

Se você gosta de cinema, tem (eu disse TEM) que ler “Hitchcock/Truffaut”, que ganhou uma edição brasileira primorosa por obra e graça da Companhia das Letras. Ali, o mestre francês conversou com o gênio do cinema de suspense em uma entrevista histórica que tinha com função mostrar aos americanos que aquele cineasta inglês que eles davam como menor (por conta de sua filmografia marcada por produções comerciais) era uma verdadeira jóia.

O caso de Eisner/Miller é parecido, mas não igual. Will Eisner não precisava de Frank Miller para ficar bem na foto. Mas é certo que ter o autor de “Cavaleiro das Trevas” e “Sin City” vinculado a ele melhoraria suas vendas. Eisner é cult, Miller é mainstream até a alma e já saiu em revistas como a “Rolling Stone” e “Entertainment Weekly” (ok, isso antes de “Sin City” virar filme, o que elevou o status dele ainda mais).

O encontro dos dois foi gravado em 2002, mas demorou tanto para ser publicado (provavelmente os bastidores deste poderiam render outro livro…) que chegou às livrarias depois da morte de Eisner, em janeiro deste ano.

Eisner é contemplativo e gosta de contar histórias que emocionem seu espectador. Foi um dos maiores inovadores da linguagem das HQs, com seus ângulos de câmera, o cuidado no design das páginas e mesmo nas histórias inesquecíveis que tratavam de valores humanos. Seu Spirit só ganhou uma máscara porque o cliente exigiu e, em um certo momento, virou coadjuvante. Eisner adorava fazer histórias nas quais um outro personagem era a força motriz e o herói só aparecia em alguns quadros para justificar a presença daquele conto naquelas páginas. Quem tiver curiosidade, precisa conferir a obra de Eisner tanto na fantástica compilação feita pela DC da saga de Spirit (em inglês), quanto em seus álbuns que estão pulverizados por diversas editoras no Brasil.

Miller se identifica com Eisner por conta de seus temas urbanos, mas sempre buscou uma espécie de romantismo enquanto Eisner sempre foi mais lírico e moderno. Por favor, não me cometa a besteira de confundir o termo romantismo dito aqui com amorzinho. O termo romantismo tem a ver com o tom exagerado e histérico, maior do que a vida, que o autor dá aos personagens. De certa forma, sua paixão pelas crime stories é uma paixão pelo romantismo das sarjetas, nas quais homens destruídos pelo destino sofrem por mulheres que os manipulam e destróem. O tom exagerado permeou toda sua narrativa, associado com uma construção psicológica brilhante na qual o estado interior das personagens é o que torna críveis os absurdos que surgem nas histórias (mais intensamente em “Cavaleiro das Trevas” e “A Queda de Murdock”, duas de suas melhores obras).

Os dois conversam sobre suas visões artísticas, técnicas e métodos de trabalho, trajetórias no mercado, arte e indústria, futuro, tecnologia, e repassam diversos acontecimentos da história dos comics. É um documento inestimável.

Onde vai dar essa qualidade toda?!!!


Oferta farta de quadrinhos de qualidade, impressos de forma condizente

Não pode ser ruim ter tantas HQs de qualidade lançadas com acabamento gráfico de primeira. Mas eu estou abismado com o que a Opera Graphica, a Devir e a Conrad andam fazendo. Dá até medo de que isso seja um surto e que a qualquer momento todo mundo abra falência e os leitores de HQs fiquem órfãos novamente.

A Conrad vem publicando consistentemente o que há de mais contemporâneo e interessante nos quadrinhos mundiais há anos. Indies americanos, mangás japoneses (os bons, os ruinas e os fantásticos), underground dos anos 60 e 70 e agora inventou de lançar Sandman em uma edição que vai deixar o mundo todo com inveja de nós. Parece uma das edições espanholas que eu vi em uma Fnac de Madri no ano passado…

A Opera Graphica veio devagar, lançando em preto e branco o que devia lançar em cores com a desculpa de que era economicamente viável. A qualidade das publicações foi aumentando e agora culminou com quatro lançamentos de cair o queixo em um abismo: Ronin, 100 Balas, Mundo Bizarro e os livros sobre roteiro e desenhos da DC. Coisa finíssima em termo de papel e impressão.

A Devir vem consolidando seu segmento de quadrinhos nos últimos anos (o movimento ficou sério provavelmente porque Leando Luigi Delmanto está por lá e todo mundo sabe que ele ama esse negócio) e este ano arrasou corações com Authority, Planetary e os encadernados de Sin City. Tudo de primeira.

Há quem diga que isso não ajuda em nada o segmento de quadrinhos, porque não forma público e yada, yada, yada. Vamos parar com tanta bullshit, ok? Cada um está atacando na sua área. A própria Conrad é a principal responsável pelo crescimento dos mangás no país. Mas não vamos querer que pequenos editores resolvam todos os problemas. Seri útil que quem está no segmento de HQs se unisse e pensasse em uma estratégia conjunta para desenvolver melhor o mercado e dar opções a todos. Mas cada coisa a seu tempo, um problema de cada vez.

O anti-Friends


Amigos belos, jovens e wasp lembram aquela outra série…

A ligação entre seis amigos que se adoram já gerou um dos seriados de maior sucesso da década. Mas… E se tudo desse errado e um deles ainda acabasse assassinado misteriosamente? É com essa idéia que é um verdadeiro anti-Friends que a Fox americana pretente capturar a imaginação do público que já curte “The O.C.” na série que promete ser para os adolescentes e para a galerinha da casa dos 20 e poucos anos o que “Desperate Housewives” se tornou para o público mais adulto.

O nome é “Reunion” e conta, em flashback, a história de seis amigos que se separaram 19 anos atrás. A série começa no dia do funeral de um deles, no presente. Sem que a identidade do defunto seja revelada, pulamos para 1986 e acompanhamos o que aconteceu de importante na vida deles naquele ano. A premissa é que cada episódio traga os acontecimentos do ano subsequente. Então, o segundo capítulo se intitula 1987 e assim por diante.

Bem dirigido, bem escrito e com atuações na média, tem boa chance de emplacar e virar cult total. Deve estrear aqui em março do ano que vem, na Fox.

No elenco, traz o piteu Alexa Davalos, que hipnotizou os fãs de “Angel” ao aparecer como uma garota com o poder de controlar eletricidade e que, por conta desta habilidade, nunca poderia ser tocada. Claro que Angel quebra essa maldição e ainda ganha de lambuja uma desfibrilada inesquecível…

Vou falar logo mais de como as séries recombinam seus DNAs e estão gerando filhotes cada vez mais estranhos…

Bad to the bone

Ok, ok, hoje estou falando demais.

Mas é que eu queria comentar outra série nova: “Bones”, com o David “Angel” Boreanaz. Eu vi o piloto e fiquei meio chocado com a forma como aquilo é bobo. O Boreanaz é um agente do FBI (ex-militar) que pede ajuda a uma especialista em ossos (Emily Deschanel, irmã da Zooey), o que torna a série mais um clone de CSI. O twist é a tensão sexual entre ele e a protagonista.

Aí são destilados todos os clichês. Ela é linda (pero no mucho), inteligente e sabe artes marciais (!?), tem um passado misterioso (seus pais desapareceram… Conspiração!!!) e um grupo de amigos estranhos que ajudam ela nas pesquisas.

Até aqui, é mais um lixo. As cenas em que ela está estudando os ossos são embaladas em musiquinhas dessas bandas adolescentes que são lei nos seriados ditos jovens. E não tem nada mais fora do lugar do que a mulher toda sexy montando um esqueleto ao som de música romântica. Decisões estéticas fora do lugar só provam que o produto e seu conceito estão sendo forçados goela abaixo por um monte de marketeiros.

Se melhorar, eu aviso. Vou ver “Reunion” e digo depois o que eu achei.

P.S.: Ah, e vi o primeiro episódio do terceiro ano de “The OC”. Nada de novo. Eles resolvem toda a trama do irmão marginalzinho e tudo volta ao normal antes do hit adolescente que toca na cena final. Mas os caras vão ter que se desdobrar pra preencher este ano, já que a principal ponta solta que sobrou é a história do filho da mezzo-namorada do protagonista que ninguém sabe se é dele mesmo…

Encontros pela vida

Ontem fiquei um bom tempo de papo com um cara que conheci uns anos atrás, achei bacana e com quem praticamente nunca mais falei, Night Hiker. E é engraçado, porque nos últimos dias eu tive a mesma experiência de encontrar duas ou três pessoas e engatar papos existenciais em cinco minutos. Com o NH foi algo como “oi, tudo bem?”, “tudo”, “me diz uma coisa, se um raio cair em uma floresta deserta haverá som?”, “claro, realidade é aquilo que, quando você não acredita, não desaparece”…

Não, o diálogo não foi esse. É só uma descrição ilustrativa, claro.

O blog dele está inativo há mais de dois anos, mas ainda é uma ótima fonte de informações para quem tenta levar a vida sob a luz da razão. Dê uma visitada no Fireplace. Quem sabe isso não convence o cara a voltar a escrever?

Organize-se

Eu vou acabar dividindo meu dia em horários rígidos pra dar conta de tudo:

7h – levantar e tomar café
7h30 – sair pra caminhar, seu gordo safado
8h30 – academia
10h – trabalho (sim, sou jornalista, entro tarde mesmo)
13h – almoço
19h30 – saio do trabalho
20h15 – janta leve
20h45 – segundas e quartas – horário de seriado; terças, quintas e sextas – horário de filmes
23h – horário de gibis
23h40 – horários de livros
1h – dormir (isso mesmo, durmo no máximo seis horas por dia)

Ok, eu preciso de algo do tipo. Talvez assim eu consiga fugir de ser tão desorganizado. O pior é que só agora notei que não incluí videogame no meu planejamento e videogame é uma coisa importantíssima pra minha saúde mental. Claro que eu também não coloquei disponível nenhum horário para o amor e para o relacionamento com outros seres humanos…

Ok, ok, seres humanos e videogame só no fim-de-semana. Pode ser que funcione.

Coisinhas fraaaacas…

De onde sai um filme tão primariozinho que nem esse “Como Fazer um Filme de Amor”? A idéia é engraçadinha, mas os diálogos e a direção são tão… bobinhos… que dá um certo incômodo. Não me incomodo que a história seja assumidamente simples, isso nunca foi problema pra um bom filme. O que irrita é a forma como os criadores tiveram uma boa idéia para ser a base do filme, mas tiveram preguiça ou falta de cuidado para rechear a estrutura. E dá-lhe direção de bons atores completamente frouxa, diálogos ruins, sem sentido, encadeamento de fatos sem nenhuma preocupação com um mínimo de coerência e coisas do tipo. Uma pena.

Outra perda de tempo foi o “Assalto à 13ª DP”. Sei lá. Se eu quero um filme grosseirão ao estilo do John Carpenter, deveria mesmo ver um filme legítimo do homem. But “what do I know?”, por curiosidade, resolvi investir preciosas duas horas da minha vida. Claro que o original, que pese ser mais tosco, mal acabado e coisa e tal, é melhor. Não dá pra entender pra que se refaz um filme desses se não há nada de novo a se dizer. É apenas um exercício de estilo que nem surpreende ninguém. Um total desperdício de um bom elenco em uma fita B que não chega a ser ruim, ruim, mas é corriqueira até a medula.

Rapidinhas – Cinema e TV

Galactica não é uma série de navezinha qualquer…

Cinema:

“Hotel Ruanda” – Don Cheadle, espetacular, carrega nas costas um filme de narrativa clássica, sem invencionices, calcado somente em contar uma história aterrorizante. Quando eu comecei a ler e ver imagens do que acontece em New Orleans, tive aquela sensação de Deja Vu com o filme. Vá ver.

Na TV:

Dead Zone – A série soube brincar com os poderes do herói, que tem visões quando toca em pessoas ou objetos. O Quarto ano começou mal, basicamente amarrando de forma atabalhoada todas as pontas soltas do último episódio da terceira temporada. A direção é sofrível, a edição completamente desastrada. Nos episódios seguintes, a série segue em uma espécie de piloto automático, mostrando mais do mesmo. Faltam dois episódios pra eu concluir a temporada, vamos ver se prestam…

The 4400 – Taí um programa que acertou em quase tudo. Os roteiristas dão algumas trapaceadas, mas no geral, conta com uma galeria de personagens interessantíssimos que vão se revezando a cada capítulo. Até o casal de agentes, que tinha ares de Mulder e Scully, se diferenciou e ganhou mais densidade. O destaque vai para o jovem que tem o poder de cura e vira uma espécie de messias. Idéias como a do terrorista que tem o poder de despertar os instintos violentos dos homens, a da moça que mata todos ao seu redor, do homem que vende sua saliva emagrecedora para os laboratórios ou do bebê que tem poderes virtualmente infindáveis, lembram algumas histórias memoráveis de bons gibis e rendem episódios matadores. Para completar o final traz uma reviravolta que mostra que os caras não descansaram sobre os louros do sucesso da minissérie. O Universal vai exibir já já. Aproveite.

Galactica – É fácil, fácil uma das melhores séries dos últimos anos, muito melhor do que a original, dos anos 70. Os roteiristas utilizam a cenário para discutir política, religião, relações humanas e vão surpreendendo a cada novo episódio. O segundo ano começa com Adama às portas da morte após um atentado, segue com o caos que se instala por conta do vácuo de poder (Adama tinha acabado de destituir a presidente) e sabe-se lá onde isso vai dar. Esqueça que é uma série de navezinha e curta “Galactica” pelo que é, drama, intriga, romance de primeira.

The Comeback – Acho que eu fui a única pessoa que gostou dessa série. As pessoas parecem querer algo novo, genial, revolucionário. O que eu vi foi que Lisa Kudrow (a Phoebe de “Friends”, você sabe) conseguiu fazer de um jeito instigante o que outra já tinham feito antes de uma forma menos inteligente. Ela sabe atuar, tem seus cacoetes, mas os usa com maestria para constuir uma personagem que começa imbecil, vai ganhando a piedade do espectador, ensaia a redenção moral e se deixa levar pela tentação novamente. Sinceramente, não precisa mesmo de uma segunda temporada. Até porque, como ninguém viu, não vai mesmo ter. O que havia para ser dito está nesses 13 excelentes episódios. Muitas vezes, menos importante do que o que você diz é a forma como você diz.

Prison Break – Não gostei muito não, mas vou acabar assistindo a tudo pra ver onde isso vai dar. A premissa não parece capaz de render mais que uma temporada, mas tudo bem. Um engenheiro dá um jeito de ir para a prisão onde seu irmão mais velho espera por sua vez no corredor da morte. A idéia é fugir dali e, claro, levar o tal do irmão junto. Para isso, o cara formulou um plano detalhadíssimo que precisa ser executado rapidamente (mais precisamente no curso de uma temporada…). Vai ser um sucesso e vai conquistar a imaginação de um monte de caras que vão achar o protagonista a epítome do gênio do crime. O problema é que a série tem tantos furos de lógica e o plano é tão absurdo que dá medo de ver o que vai rolar quando os roteiristas estiverem desesperados lá pelo meio da temporada. E ademais, o que os outros acharam fantástico eu achei risível. O cara tatua o mapa da penitenciária, e vários detalhes do seu plano, no próprio corpo e vai avançando uma peça depois da outra na direção da resolução. A graça é ver como ele lida com as contingências e resolve os imprevistos que vão surgindo. Em alguns casos, o termo graça é literal.