VOLTE PARA A PÁGINA PRINCIPAL

Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

Volte sempre!

E se fosse um atentado?

Ok. Um grupo de terroristas jogou alguns aviões no WTC há quase quatro anos. Logo depois, os EUA se uniram em torno do objetivo utópico (para não dizer ridículo) de esmagar o terrorismo mundial. Quando digo utópico (e ridículo) é porque qualquer pessoa com mais de dois neurônios sabe que não se resolve o terrorismo mundial caçando todos os terroristas e sim resolvendo (ou minimizando, o enfrentando ou encarando, escolha aí…) as questões que geram os movimentos que se opõem às posições políticas norte-americanas.

Mas é assim mesmo. Assim como não se argumenta com criminoso, com maluco nem com o valentão da escola, porque eles trabalham em uma frequência mental muito diferente e só pensam nos objetivos deles, não dá pra se argumentar com uma superpotência. Ao tentar fazer isso, eles esmagam. Simples assim.

Mas eu estou me desviando um pouco. Como eu disse antes, os tais terroristas islâmicos jogaram os aviões nas torres, no pentágono e todo mundo viu o que aconteceu. George W. Bush disse que Deus estava do lado dele e que os infiéis iriam sofrer…

Não sei muito bem como funciona essa lógica divina, mas acho que Bush, que afirmou que tinha linha direta com o Todo Poderoso, precisa ver o que anda acontecendo com seu interlocutor. Só isso explicaria um ataque divino-trrorista a New Orleans. Em poucos dias, a cidade implodiu. As forças federais ignoraram os avisos e chamados de socorro, e apresentaram um alerta esclarecedor: “Salve-se quem puder!”. Foi o mais sensacional plano de contingência depois que César Maia nos ensinou que, para enfrentar as águas de março que inundavam o Rio de Janeiro o único jeito era rezar.

Você que é religioso deve achar que eu sou só um ateu safado. Só que eu nem estou questionando religião aqui, mas o uso criminoso que se faz da fé alheia. Em um país cujo interior é controlado por fanáticos cristãos que esfolam homossexuais e tratam alcoolismo (que é doença) como coisa do demo, o presidente dizer que conversa com Deus como se fosse um emissário do divino é de um populismo que beira as raias do criminoso.

Quando falo que o Katrina é um ataque divino-terrorista estou apenas fazendo uma analogia jocosa com algo que as pessoas deixam escapar frequentemente de sua atenção. Vindo de Deus, das condições meteorológicas ou de seja lá qual for a origem, depois que passa, um furacão não é tão diferente assim de um ataque terrorista devastador. Ficam corpos apodrecendo nas ruas, as infra-estrutura se decompõe e orgãos policiais e de emergência precisam agir rápido e com destreza para garantir a ordem e a segurança. Não foi o que aconteceu. A cidade mergulhou no caos e o governo assistiu a tudo de braços cruzados ao ponto de se ver prefeito e governadora do Estado dizendo impropérios na TV.

Pare pra pensar por um minuto. Eu vou repetir o óbvio. Leia com atenção. Depois que passa, um furacão e uma bomba, ou várias, deixam o mesmo rastro. Não era de se esperar que, quatro anos depois do 11 de setembro, os Estados Unidos fossem capazes de absorver com mais eficiência uma catástrofe como essa? E lembre-se, uma bomba atômica, mesmo uma pequena, é muito pior do que um furacão…

Claro que o que se diz é que, como a Louisianna é dominada por negros, os brancos pouco se importaram. Ler as notícias me deu um deja vu do excelente “Hotel Ruanda” em que os ricos brancos colocam sebo nas canelas e deixam os negros à própria sorte. Mas eu sou menos radical e sei que havia brancos no meio do caos. Mais que de raça, falamos de dinheiro. Quem tem o suficiente para ir subornando todos no seu caminho, se safa. Quem não tem nada, fica para trás.

O que fica do evento terrível, além das milhares de mortes, da desorganização, do descaso, da ignorância, da destruição é a visualização inequívoca de que o país não está preparado para enfrentar o caos que se instala após um ataque, seja de que origem for. Aqui no Brasil, seja no Rio de Janeiro, São Paulo ou Salvador, onde não há infra para enfrentar nem temporal, quanto mais um furacão, o que se viu nos jornais e sites não seria surpresa. Mas para o país mais poderoso do mundo é uma vergonha. E pior: antes se dizia que os americanos só pensavam neles e que o resto do mundo tinha mais que se danar e se curvar às suas vontades de império. Nos últimos dias, ficou muito claro que certos americanos não valem nada nem dentro do próprio país.

Related posts:

  1. Eu queria muito que isso fosse trote…
  2. Arquivo X: Se não fosse o celular…


VOLTE PARA A PÁGINA PRINCIPAL


Quer comentar? Oba, seja bem-vindo. Mas, por favor, tenha em mente que comentários espertinhos (ou ofensivos) com identidades falsas não serão aprovados. Sua opinião é importantíssima, mas eu preciso de seu nome verdadeiro (ou seu nickname legítimo) e um e-mail válido. Um abraço e comece a digitar!

2 respostas para 'E se fosse um atentado?'

  1. Vladimir Diz:

    Estou acabando meu primeiro round com “Simulacra and Simulation” traduzido do francês pro inglês. Nao foi o massacre que eu esperava, mas tambem não é como ler Stephen King. O livro é denso, o estilo é rebucado sem ser pedante e a assunto apesar da sua profundidade consegue ser discutido de forma interessante, mantendo o pique. Muito provavelmente muita gente so vai ler umas poucas de páginas e desistir. A leitura, no entanto, vale o esforço.

  2. Paulo Albuquerque Diz:

    Penso exatamente igual. Só que outro dia cometi uma grande enrascada por causa desta lógica. Uma das academias tem uma piscina. Foi comentado que agora este tipo de depósito de água era exigido por bombeiros. Ai se comentou que uma igreja também precisava. Eu disse: “Ué - para que a igreja precisaria disso?” - pelo mesmo raciocicio. Fui “xingado” (para o interlocutor) de Ateu, e ficou chateado comigo. Mas uai - porque D´us mandaria torrar uma igreja?

Deixe seu Comentário