Demétrio Magnoli, sempre lúcido, em sua coluna:
“No tumultuoso ano de 1992, sob o impacto das mobilizações que conduziriam à renúncia de Fernando Collor, encontram-se as raízes da camarilha que hoje controla o PT. O grito de “Fora Collor!” surgiu entre as bases petistas, à revelia de Lula, que procurou inicialmente contê-lo, e provocou uma dissidência na Articulação, a corrente dirigente do PT. No ano seguinte, pela primeira vez, essa corrente perdeu o controle sobre o Diretório Nacional do partido. Nas eleições presidenciais de 1994, o candidato Lula montou uma coordenação paralela e informal de campanha, contornando a linha política definida nas reuniões da coordenação oficial.
FHC foi eleito no rastro do Plano Real, mas Lula interpretou a derrota, de modo simplista e egocêntrico, como um produto da força do poder econômico e do “radicalismo do PT”. Dedicou seus esforços, então, à construção de uma nova maioria no PT. (…) A nova maioria não tinha idéias, (…) mas tinha um plano de ação: combater o programa original do PT e a sua identidade de partido democrático e militante.
(…)Em nome da meta obsessiva de conduzir Lula à Presidência, Dirceu assumiu a missão de tecer a rede de uma camarilha política que asfixiou o PT e, já como quadrilha de delinqüentes, viria mais tarde a estender seus tentáculos pela administração federal.
A camarilha é um fim para Dirceu, mas um meio para Lula, que acalenta o sonho de fundir a sua corrente política ao PSDB. Na conjuntura de crise aberta pelo desvendamento da ação da quadrilha, Lula tentou acelerar a implosão do PT por meio da candidatura de Tarso Genro à presidência do partido. Mas a “refundação”, um nome pomposo para a operação de descarte da carcaça de Dirceu, despedaçou-se (…).”
Essa página apoiou a candidatura de Lula, o que nunca significou ficar dizendo sim a todo tipo de idéia estapafúrdia que sua administração apresentou. Hoje, parece inquestionável que o tal “presidente operário” virou uma sonora decepção. É enojante vê-lo se arrastando e fazendo acordos patéticos (mais uns, além dos que fez com partidos que nada tinham a ver com a herança petista para garantir a sustentação de seu governo) apenas para garantir sua sobrevivência e é incrível ver o quanto as pessoas que votaram no PT por anos estão decepcionadas e perdidas. No ano que vem, veremos o que surge no vácuo da desilusão causda pela derrocada moral do PT e de seu candidato símbolo.