Das novas séries…


Uma das 4400 desenha um artefato no primeiro episódio

4400 – Depois da minissérie que termina cheia de ganchos e com pouquísisma resolução, já se vão dois capítulos da segunda leva de episódios. Gostei do que vi até agora. Intriga, personagens complexos e casos intrigantes. Tem potencial pra contunuar por bastante tempo.

Dead Zone – Uia!! Eu adorava esta série, mas o primeiro episódio do quarto ano é deplorável. A edição e a direção estão abaixo da crítica, a trama está completamente perdida e até as soluções da história não funcionam. Tenho que ver o que vem depois, pra sentir se os caras se perderam mesmo. Aliás, como é que isso pode acontecer? O produtor-criador do programa é o mesmo…

Comeback – Fiquei surpreso. O seriado é muito, muito bom. Não é uma sitcom, é uma tragicomédia que mostra uma atriz desempregada participando de um reality show que mostra os bastidores de sua vida justo quando ela consegue voltar à TV em uma nova série. A protagonista é Lisa Kudrow e o resultado é de primeira qualidade. É tão bom, que fiquei pensando que não vai pegar. Mas como é exibido na HBO, que formou um público qualificado para esse tipo de programa durante anos, pode ser que dê certo. Os dois primeiros episódios são carregados de um cinismo e de uma tristeza que cortam o coração. Eu confesso que não fiquei rindo, não, mas adorei.

O documentário como farsa


Bill Murray, ator-assinatura do diretor Wes Anderson

Só vi três filmes de Wes Anderson. “Rushmore”, que eu nem lembro com se chama no Brasil, “Os Excêntricos Tannenbauns” e agora “A Vida Marinha com Steve Zissou”. Este último eu ia ver durante o Vivo Open Air, mas acabei não conseguindo.

Em “Rushmore”, fiquei confuso com o que diabos o diretor queria dizer com aquilo. Em “Tennenbauns” a ficha caiu, eu fiquei emocionado com o humor sussurrante e melancólico do filme, com os personagens coloridos, deliciosos. Uma amigona minha odiou o filme e eu fiquei desesperado tentando convencer ela a assisti-lo de novo, com muito carinho. Ela viu meses depois e amou. Viu “A Vida Marinha…” antes de mim e amou com todas as forças do mesmo jeito que eu amei hoje.

Há filmes que não funcionam se você não pega o tom. Esse é um caso claro. Fui ler o Roger Ebert e vi que ele simplesmente não entendeu nada, mas sacou que não dava pra destruir o filme. Humildemente, disse que devia ser visto, mas não sabia determinar se o achava exatamente bom.

Em geral, o filme repete a fórmula dos Tenenbauns. Uma família (aqui um núcleo que opera como uma família) disfuncional até a medula, habitada por personagens bizarros ou simplesmente ridículos vive situações que não seguem a cartilha de linearidade e causalidade do filme clássico hollywoodiano.

O que delicia em “Vida Aquática” é sua subversão do documentário como farsa. Steve Zissou, uma espécie de Jacques Cousteau, passou a vida fazendo documentários que não tentam mostrar a verdade e sim uma realidade moldada para ser mais emocionante e interessante. É um homem fechado, superficial, que vive de um personagem totalmente irreal criado para vendê-lo ao mundo.

Então, o que se vê é um filme que mistura com maestria a virtuosidade do desenho de produção dos filmes de Anderson com uma textura visual absolutamente européia. As situações são estapafurdias, farsescas mesmo, e fazem enorme contraste com o ar de documentário e a câmera na mão de diversos segmentos. Os efeitos seguem a mesma linha, são propositalmente fantasiosos, de forma que não há dúvida de que o que está se vendo é uma criatura que não existe.

E o mais interessante é que, ao ler os jornais, vejo que as pessoas acharam o filme sem graça ou “uma comédia que não faz rir”. Na sala onde eu estava, a cinco do Espaço Unibanco, na Augusta, as risadas corriam soltas. É um filme engraçado, desde que você, como eu já disse lá em cima, pegue o tom.

E se você não gostar, só posso dizer que tenho pena de você.

A Falência é moral 2

Ver depoimentos no Congresso Nacional, dentro ou fora de CPIs e Comissões de Ética é uma prova cabal do nível baixíssimo dos parlamentares.

Ninguém sabe fazer perguntas, os discursos são pedestres, as discussões são de baixo nível intelectual e moral. Me dá vergonha total de ter esses caras me representando.

A falência é moral

Com a palavra, Mario Cesar Carvalho, da Folha:

Trechos do artigo A morte do Masp

O Masp (Museu de Arte de São Paulo) não recebeu nem um centavo de doadores privados neste ano. Talvez por isso sejam reveladoras as fotos em que Julio Neves, o presidente do museu, aparece sorrindo na inauguração da Daslu, cujo prédio foi projetado pelo arquiteto.

As fotos são reveladoras porque expõem cruamente o muro que separa os novos ricos do universo da arte: os que pagam R$ 4 mil por uma saia ou R$ 8 mil por um terno acham que não vale a pena dar um centavo para o Masp ou para qualquer outro museu.
A ascensão meteórica da Daslu e a morte lenta do Masp parecem fazer parte de um mesmo fenômeno: aquele em que a elite paulistana abandona completamente a esfera pública, o espaço de convívio com os diferentes, para se isolar em bunkers como o que abriga a Daslu.

Museus são um dos melhores indicadores da predisposição da elite para dividir um de seus bens mais valiosos: a arte. É por isso que o Brasil dos anos 70 assustava os artistas estrangeiros. Como pode um país tão pobre oferecer obras primas de Van Gogh, Cézane e Modigliani num prédio que é, ele próprio, um assombro modernista?

(…)

Neves, amigo de infância de Paulo Maluf, não se contenta em desfigurar o museu. Quer colocá-lo à sombra de uma torre de 125 metros de altura projetada por ele. O próprio arquiteto apelidou o projeto com o inacreditável nome de ‘pirocão’. A justificativa jeca para a altura é que do topo da torre daria para ver o mar em dias claros. A torre, na visão de Neves, ajudaria a levantar recursos para o Masp. O arquiteto não consegue mostrar decentemente o melhor acervo da América Latina e quer mostrar o mar? Na escala Neves, uma torre parece valer mais do que um Rafael ou um Ticiano.
Parece inacreditável, mas há tucanos lotados na administração do prefeito José Serra (PSDB) que apóiam a construção da torre. Não percebem, talvez, que o museu corre o risco de virar uma extensão dos negócios imobiliários de Neves.
Essa história melancólica parece sinalizar o nascimento de uma nova era, na qual a elite privatiza bens públicos, como os museus, ou transforma-os em acessório de seus negócios. É o custo da ignorância, não dos pobres, mas dos que estão no topo da pirâmide econômica. Como não há mecenato no país, os museus viraram a casa da sogra.

Timing imperfeito

Eu tenho que falar de Sin City, de Batman Begins, do Garganta Profunda, da corrupção no governo, dos meus jogos de tabuleiro novos.

Mas eu não consigo parar na frente deste computador, refletir um pouco e organizar as idéias pra falar disso. Quando tudo estiver velho, eu falo.

Nem sei mais de onde eu sou

Em poucos dias, foi São Paulo, Las Vegas, Nova York, Rio e São Paulo de novo. Estou perdido, confuso, sem referências. Quero minha casa, minha cama e meu tempo só pra mim. Preciso parar e respirar.

No Rio, comemorei um momento especial com meus amigos no sábado. Foi ótimo, ótimo. Quem dera eu pudesse estar com essas pessoas todas sempre.

Mas tudo está com gosto de correria, de tempo imprensado entre uma coisa e outra. Uma vida de isopor, estranha e perdida. Aí, eu chego em São Paulo de novo e vem uma semana de fechamento. Ai, ai…

I love NY

Depois de Las Vegas, podia ter ido a Washington. Mas não deu para resistir aos encantos de Nova York.

Me arrepiei ao ver o Ground Zero, a cratera deixada pelo atentado de 11 de setembro. Mas me diverti com um jogo de beisebol entre Yankees e Red Sox, passeei de novo no Central Park, no Village, no Soho, visitei uma das minhas lojas de gibis preferidas, vi Sin City (do qual falo logo, logo).

Foi tudo perfeito, menos a volta ao Brasil, que me matou de cansaço.