A voz do povo…

Digamos que não é bem a voz do povo, já que não é qualquer um que pode ter um X-Box (ou um Play Station 2). Mas a Microsoft seria muito burra se ignorasse o recado que os usuários do X-Box lhe deram. Eles viram além do que a empresa foi capaz de fornecer em seu console e, em poucos meses, transformaram o produto em uma central multimída.

Eu conheço gente que ligou o X-Box em rede com o computador e passou a ver, na sala-de-estar, em som estéreo, tela de 29 polegadas, filmes e séries baixados pela Internet, além de ouvir músicas. Colocando o sisteminha de som 5.1 do console e o kit de DVD player, você tem um produto completo nas mãos.

Pois Bill Gates e sua trupe não dão mole, não. o X-Box 2 vem cheio de novidades e provavelmente vai incorporar muito do que os usuários inventaram pro primeiro modelo. Claro que tudo virá com um insuportável modelo careta que fará tudo para reprimir qualquer idéia mais maluca dos usuários.

Tudo bem. Eles vão apontar o caminho. Novamente.

Descobri a verdade

Morar longe da maioria dos seus amigos te coloca na irreal situação de jogar videogame com a sua vida. Você fica brincando com seu computador em um programinha que supostamente põe você em contato com eles. Já passou a época do ICQ, hoje o principal é o MSN (eu usava o Yahoo Messenger por pura implicância com a idéia de ter tudo da Microsoft na minha máquina).

Bom, como eu disse, eles supostemente me colocam em contato com meus amigos. Mas eu sei que é mentira, hua hua hua. É um videogame mesmo, não é só parecido, não. Todas aquelas fotos falsas, as idiossincrasias, o jeito de falar, as voz sintetizada quando eu falo pelo microfone, as imagens geradas com perfeição fotográfica para as webcams. Tudo mentira. Arranjaram um meio de burlar o teste de turing e não avisaram ninguém só pra poder fazer essa farsa dos comunicadores instantâneos funcionar.

Mas eu descobri. Só pode ser um joguinho, oras. Daqueles em que os personagens fictícios ficam o tempo todo dizendo pra você o quanto você é bacana e capaz de salvar o mundo, esta semana.

Quando você encontrar o Alexandre Maron no MSN, não sou eu. É um algoritmo do seu computador fingindo que sou eu. Não se engane. E eu sei que você não é você. É bom demais pra ser verdade eu ter te encontrado por aí. Afinal, quais são as chances?

Leão mansinho

Acostumado com os ótimos livros do Fernando Morais, fiquei meio decepcionado com “Na Cova dos Leões”, da Editora Planeta.

Não é que seja ruim, mas me pareceu… frouxo. Há um monte de histórias saborosas, bastidores interessantes e uma criteriosa e cuidadosa reconstituição do que aconteceu durante o sequestro de Olivetto.

Mas, talvez pelos personagens estarem quase todos vivos, falta um certo “punch” ao livro. Um algo mais que nos faça enxergar Olivetto e seus companheiros como pessoas de verdade, com defeitos de verdade.

Você pode dizer que esse não é o objetivo do livro, mas é que os defeitos dos personagens retratados são tão bobinhos, tão inócuos que vão deixando você com a sensação de que Moraes não foi tão fundo quanto em outras obras. Ou que não queria ir mais fundo. Sei lá.