Voce precisa de alguem que te de seguranca

O que eh lindo de morrer eh vc entrar em um terminal de rua para acessar a Internet e, quando coloca a URL do Gmail, ve entrar um caixa postal aberta. Ou seja, os caras nao colocaram uma rotina de apagar os cookies e se voce nao tomar cuidado, tera sua vida devassada por um desconhecido.

Muito seguro…

Mais Las Vegas

Nao da pra ir a Las Vegas sem jogar em um cassino… Ou ver uma luta de boxe. Pois eh. Eu vi nao uma luta qualquer mas o final do maior evento desse esporte este ano, a final do The Contender. O programa eh interessantissimo (bom? ruim? nao sei ainda, acho interessante) e estreia no Brasil este fim de semana.

O que eu achei de bacana foi o precedente de te dar uma dimensao do perdedor de uma luta. Nos filmes, esse personagem eh sempre um vilao desalmado. Aqui, eh alguem por quem voce torce e sobre quem voce sabe um monte de coisas.

Mudando de assunto, andei na famosa montanha russa do New York New York (bem mais ou menos, embora a vista seja fantastica) e, sim, como bom nerd, fui no Star Trek Experience. E, surpresa, eh muito, muito legal mesmo pra mim, que nao sou nenhum viciado na franquia.

(este post ficou pela metade por quase um dia porque a maquina do cybercafe era muito ruim. esta agora nao eh muito melhor, mas funciona)

Completando os passeios, fui em uma torre enorme no Stratosphere. Sao uns 110 andares de pura travessura. No topo, montanha russa, aquele elevador infernal e mais dois brinquedos que te jogam literalmene para fora da torre. Eh pra quem tem coracao forte. Eu curti de montao.

Estou com toneladas de fotos que nao consigo colocar por aqui, porque os computadores sao muito toscos. Quando eu chegar no Brasil, ajeito.

Viva Las Vegas

Primeira vez na cidade do pecado.

Aqui se pode tudo. Ha prostitutas se oferecendo nas ruas, panfletos coloridos oferecendo strippers e lojas vendendo charutos cubanos. Eh tudo grandioso e muito, muito cafona. E todo mundo tem uma dica de alguma coisa gratis pra voce se dar bem.

Fun, fun, fun!!!

Na minha caixa postal…

Tem gente que não sabe usar o telefone. Liga e é logo seco, sem rodeios. Manda um “Fulano está” sem nem dizer alô nem nada.

Eu sou o oposto. Mala mesmo. Nego atende, digo “bom dia” e pergunto se “fulano está” com bastante calma. Eu sou assim, gosto de tratar bem as pessoas.

Mas o ápice da falta de educação é receber um e-mail como esse:

“Peço, por favor, que me envie sugestões de filmes relativos e
distópicos.

Aguardo retorno tão logo seja possível. Obrigada.”

Note que tem um “por favor” e um “obrigada”, que são sinais de civilização. Mas a natureza descabida do pedido, a forma como ele é feito, não enganam ninguém. Quem essa pessoa pensa que está do lado de cá?

Eu, hein.

And the oscar goes to… Yoda


O nascimento de Darth Vader é o ponto culminante da saga

Como é que se julga um filme como este último “Star Wars”? Vejamos… Se você for um não iniciado na mitologia, ainda assim consegue curtir? Provavelmente, não. Mas, cá entre nós, quem resolve ir ver só o terceiro episódio está pedindo pra não entender nada mesmo.

Então ficamos com duas gerações de pessoas que cresceram conhecendo a série. Eu, por exemplo, não sou nada fanático pelos heróis de Star Wars. Quem gosta de verdade é o Cris. Eu sei quem é quem, embora confunda os nomes de vez em quando. Mas é o suficiente para não me perder no meio do emaranhado de referências…

Agora, vamos ser sinceros. Os atores estão muito mal dirigidos. Eu sei que você vai dizer que não liga. Mas é por isso que filmes como “Star Wars” não recebem reconhecimento. Quando o drama se faz necessário para que as atitudes absurdas de Anakin/Darth Vader se justifiquem, Lucas patina feio. As cenas são rasas, literais, completamente desprovidas de sutileza, de densidade. Os atores estão perdidos.

As melhores atuações de longe são de Yoda e do R2-D2. O que me deixa mais irritado. Dirigir um boneco é um trabalho de detalhe por detalhe. Com o bom elenco que tem em mãos (exceção justamente de Hyden Christensen, muito ruim, com um Anakin caricato e artificialmente denso), Lucas poderia conseguir resultados espetaculares com muito menos esforço do que o que colocou em suas criaturas virtuais.

Mas falando deles, R2-D2 rende uma das mais deliciosas sequências cômicas da série. Usando todos os apetrechos disponíveis em seu arsenal, ele funciona como um agente de retaguarda dos jedis e tenta ajuda-los enquanto foge de robôs e outras ameaças que vão aparecendo no caminho. R2 realmente parece preocupado e confuso, perdido e ansioso. O único porém da sequência é que ele não faz nada disso, nem usa aqueles foguetinhos bacanas nos filmes da trilogia original, que contam fatos posteriores. Mas me diga… Como é que um cara que consegue fazer o R2-D2 atuar se enrola com Ewan McGregor e Natalie Portman?

Com Yoda, que tem expressão facial, voz e tudo mais, então, é um escândalo. É até difícil descrever a atuação dele. É coisa pra deixar Gollum morrendo de inveja. Digamos que Yoda viu “Senhor dos Anéis” e decidiu que o posto de personagem virtual mais bacana do cinema não podia ser de outra pessoa que não ele. Cuidado, mestre Yoda. O senhor sabe, ambição leva ao ladro sombrio…

Samuel L. Jackson está irreconhecível, e Ian McDiarmid, o imperador Palpatine, minha nossa senhora, é um dos maiores canastrões que eu já vi na vida. Sua atuação é risível.

Então, não venha me dizer que não é importante. Lucas utiliza mais de uma hora de história mesmo. São ações, diálogos, confrontos verbais, intrigas e tudo isso soa falso, raso, artificial, porque os atores não sabem para onde estão indo. Eu fiquei bem entediado nesse momento.

Aí, ele volta para a ação e tudo vai se encaixando. Obi Wan finalmente mostra porque é um mestre Jedi, já que até aqui ficava nas costas do seu aprendiz, Anakin. Quando chega o momento de resolver tudo sozinho, ele age como a gente espera que um verdadeiro herói aja, e sai chutando traseiros por toda a galáxia.

A sequência da guerra com os Jedi é espetacular, do tipo que faz você arranhar o estofado da cadeira. É emocionante, eletrizante, apaixonada, dramática.

Junte a tudo isso um comentário político do tipo que a gente não costuma ver em filmes de aventura e você tem uma perfeita fábula. São heróis, guerreiros, vilões míticos e uma lição, uma ideologia por trás, uma mensagem que vai além do simplismo reinante. Lucas não se furta de discutir liberdade, direitos civis, golpes, sujeira política e manipulação da múidia. Quando coloca Anakin dizendo “Ou vocês estão comigo, ou são meus inimigos” ou quando Amidala (Portman) desabafa “Então é assim que a liberdade morre?”, o diretor-roteirista está indo além do filme-pipoca que propôs ao seu público e mostrando que tem algo a dizer infiltrado em uma peça de cultura pop. É o mais denso de todos os “Star Wars”, com várias camadas de leitura.

No fim, Lucas amarra as pontas soltas, mostra Vader surgindo com seu traje negro, explica o destino de Luke e Leia e tudo mais que todo mundo quer saber. Não acho que seja o filme brilhante que todo mundo está vendendo do midia-blitz que eu citei abaixo, mas está muito acima de tudo que já foi feito na série… E eu arriscaria dizer que superou o antigo preferido dos fãs, o sombrio “O Império Contra-Ataca”. Bom, pra mim superou. Agora tire a sua conclusão.

O desrespeito que impera

Você sabe que o modelo de negócio dessas empresas de telecomunicações é perverso e foi feito pra eles e não pra você, né?

Vejamos. Eu dividi apartamento com um amigo e, quando ele foi embora, por algum motivo que eu nem sei mais qual é, fiquei com a linha no nome dele. Instalei o Speedy de 256kbps e depois, quando pensei em solicitar uma nova linha, veio aquela maldita revisão dos serviços. Pra não perder minha conexão barata, fui ficando com a conta no nome desse meu amigo. A idéia era que, ao mudar a titularidade, eles iam me incomodar com a história de que eu tinha que mudar o plano do Speedy.

Eis que descobri que o Speedy 600 kbps, mais adequado pra mim, não está cobrando o consumo de banda mensal e resolvi fazer o upgrade. No meio do processo, peço pra simplesmente transferir a conta do meu amigo pra mim. Sabe como é. Mando uma carta, documentos e eles em 15 minutos alteram o cadastro. Onde se lê Fulano de Tal, coloca-se Alexandre.

Deveria ser simples. Mas como a Telefônica não concorre com ninguém na telefonia fixa, o que acontece é que eles não permitem essa mudança. Só porque eles querem. Eu tenho que pedir o cancelamento da linha, eles retiram da minha casa, desligam o meu speedy e pronto. Aí, eu peço a instalação de uma linha nova no meu nome (preço da instalação: R$ 83, ca-ching!!) e peço também o novo Speedy (preço da instalação: sabe lá quanto, mais uns R$ 80, ca-ching!!).

Pensei comigo, “pô, no mínimo podiam cobrar as taxas e me deixar com o número”. Afinal, é o mesmo há quase quatro anos. Vou ter que avisar todo mundo e coisa e tal. Não, não, não. Dane-se o que eu quero. Mesmo que, em um mundo digital, isso seja simples ao quadrado, não interessa pra Telefônica. Eles querem arrancar de mim cada centavo e sabe por quê?

Porque eles esqueceram o que estão me vendendo. Não vendem mais comunicação. Vendem instalações, secretárias eletrônicas, banda larga, serviços de identificação. A linha é só um meio de chegar na minha casa e me empurrar qualquer porcaria que aparecer. Me dá vontade sincera de comprar uma assinatura de um milhão de minutos de um celular e colocar o Virtua em casa (o que unificaria as formas de comunicação comigo e ia facilitar imensamente minha vida. Hummmm…). Aí eu até mando a Telefônica passear…

Atualização: CrisDias me sugere o Livre da Embratel. Maneiro, vou no site, pego o telefone (que eles afirmam ser 24/7) e ligo. Pedem pra eu ligar hoje. Ligo, passo por aqueles menus intermináveis e, depois de esperar alguns minutos, sou avisado que não há atendentes e que devo ligar em determinados horários novamente. Duas ligações e nenhum contato. Nada promissor…

Dizem que este é o melhor… Eles juram

Começou de novo o arrastão cultural a respeito de Star Wars. Até eu ver o filme, vou continuar desconfiado.

O primeiro, “A Ameaça Fantasma”, não precisou de nada pra atrair milhões às salas de projeção. Mas rolou aquele rebote incômodo, porque o filme dava sono.

Quando o segundo filme estava para estrear, vimos o que é o arrastão cultural do qual estou falando. A cada semana, uma pessoa famosa, geralmente amigos de George Lucas, ia dizendo que viu o filme e que era fantástico e melhor do que “A Ameaça Fantasma” (grande coisa…). Fui ver “A Guerra dos Clones” e quase dormi de novo. Que filme chato!! Claro que vale pela sensacional luta do Yoda no final, e só por isso.

O terceiro filme estréia dia 19 de maio em todo o mundo e a estratégia se repete. Toda hora surge alguém que viu e gostou. Lucas é um gênio, um visionário, um homem que enfrentou as corporações e venceu, um cineasta independente. Yada yada yada. Que saco, ninguém se dá ao trabalho de ignorar um pouco toda essa babaquice de RP e olhar para aquilo de um jeito mais crítico não?

Pra mim, a nova trilogia só prova o que pouca gente quer enxergar. Porque não se reinventaram, Lucas e SPielberg vão se tornando mais e mais irrelevantes a cada ano. Qual foi o último filme de Spielberg do qual você realmente se lembra? O modelo que Lucas e Spielberg ajudaram a criar quase 30 anos atrás está cansado, criativamente falido e gerou um monte de filmes ruins. Reforçou o cinema moralista, raso e estúpido. Qualquer um sabe que os filmEs podem ser mais do que isso, até eles. E você?

Siga em frente, temos apenas um dia! (atualização)

Tem horas que você entende porque uma série consegue escapar de momentos constrangedores e cativar seus fãs. O episódio 20 do ano quatro de “24″ foi uma prova clássica disso.

Este ano, a história se move como um rolo compressor. O efeito colateral desta abordagem é que, em alguns momentos, uns personagens são esquecidos ou dexiados de lado para que a ação não páre. Foram poucos momentos de respiro, poucos episódios de ligação. E a história parece mais coesa, sem gorduras. Os personagens antigos vêm e vão e suas entradas, em geral, são bacanas, bem sacadas, inteligentes.

Eu já tinha achado que o anterior, o 19, matava a pau, mas este foi de fazer qualquer um pular da cadeira de desespero. E quando você acha que Jack Bauer tomou todas as decisões difíceis de sua vida, eles arrumam mais alguma coisa horrível, inominável. E você se levanta desesperado no final, querendo que a semana passe rápido.

Este ano, o seriado desagradou a uma grande parcela liberal, que achou que há muita tortura, muita violência gratuita e muita truculência. É verdade, Jack não quer saber de nada. Os fins justificam os meios. Mas eu discordo em essência desse papo. “24″ sempre foi um seriado conservador, mas ainda carregava (provavelmente pelo medo ou só por conta dos escritores estarem mais ao centro no espectro políticop) um coração liberal ao se recusar a culpar os árabes de todos os males do mundo. Agora em sua quarta temporada, sem mais ninguém para culpar, depois de corporações, sérvios e traficantes latinos, era a hora da série ter um pouquinho mais de peito, assumir sua linhagem e ir até as últimas conseqüências. E por que não? Afinal, os EUA comprovadamente deram uma guinada conservadora ao reeleger George W. Bush.

Quando eu vi o final do primeiro ano da série, fiquei surpreso com a forma como Jack matava o vilão Drazen (Dennis Hopper). O cara estava desarmado, dominado e o herói o mata sem perdão. No ano seguinte, eu fui ao set da série e entrevistei um dos criadores, Joel Surnow. Perguntei a ele sobre isso. Surnow, sempre sério e duro, disse que eles estavam apenas captando o clima da América. Que após o 11 de Setembro as pessoas queriam essa catarse, queriam ver os vilões ser punidos. “Imagine se em toda série de ação e aventura o herói perguntasse antes e atirasse depois”, observa o produtor.

Se você quiser uma referência interessante do passado, pense em “Operação França”, de 1971. O filme impressionou na época porque mostrou um policial (Gene Hackman) que jogava sujo para conseguir o que queria. Uma foto clássica do filme é um homem tomando um tiro pelas costas. Em ambos os casos, há heróis que jogavam sujo porque os vilões eram sujos. Popeye Doyle, o personagem de Hackman, foi o Jack Bauer daquele tempo. Ao seu lado, ficava o Dirty Harry, de Clint Eastwood.

Voltando aos tempos atuais, Jack foi pegando mais pesado a cada ano. Logo no primeiro episódio da segunda temporada, mata um criminoso e corta sua cabeça para usá-la como passaporte para um grupo de ultra-direita. No terceiro ano, diante da necessidade de chegar ao terrorista-mor, ele executa um agente americano. No episódio final, corta a mão do futuro genro, porque precisa dar cabo de uma bomba. Este ano, em um momento, um dos burocratas observa que o país precisa de “pessoas como ele”. O tom não é exatamente elogioso. Jack nunca perde de vista seus objetivos. Quando você está ao lado dele e o acompanha, entende suas motivações, é fácil achá-lo um herói. Mas, se você começar a refletir um pouquinho, as coisas rapidamente mudam e vão ficando mais e mais acinzentadas.

Agora, todos especulam, mais uma vez, se será neste ano que Jack morre no final. Estão mais e mais obcecados pela idéia de que o final ideal para a trajetória do (anti)herói é fazer o sacrifício final pelo seu povo. Esse direito lhe foi roubado no meio do segundo ano, quando ele pilotava um avião com uma bomba nuclear e acabou escapando porque um burocrata em estado terminal resolveu tomar o seu lugar e morrer de forma honrosa. Será que vão deixar ele fazer o tal grande sacrifício?

E se não deixarem, o que diabos eles vão arrumar para o ano que vem?