Sidney está morta, mas ainda não avisaram

Depois de alguns episódios do quarto ano, sinto informar que “Alias” está criativamente morta. Só falta avisar aos envolvidos na produção da série, que ganhou sobrevida graças à ajuda providencial de “Lost” (“Alias” é exibido logo depois de “Lost”, na TV americana, e recebe grande parte de seu público) que está fazendo um sucesso estrondoso.

No quarto ano, Sidney e cia. estão sob o comando de Sloane (?) em uma divisão secreta da CIA. Tem gosto de deja vu, claro. Os caras estavam desesperados e em vez de tentar algo novo voltaram ao confortável terreno de descaracterizar os personagens completamente.

Quem viu a série desde o início sabe que Sidney jamais trabalharia para Sloane novamente. Ridículo para dizer o mínimo.

Mesmo “Lost” perdeu o pique nos últimos episódios e caiu em uma certa mesmice. Provavelmente é uma barriga de meio de temporada e as coisas vão melhorar nos próximos episódios.

O que se esconde em “24 Horas”

Quando eu visitei o set de “24 Horas” em 2003, senti que havia uma interessante mistura de pensamentos liberais e conservadores na equipe criativa. Entre os produtores, Joel Surnow era seco e dava as respostas conservadoras, sarcásticas. Howard Gordon, por sua vez, era o bonachão com um jeito mais leve. Os atores, claro, todos liberais, adoravam o roteiro do segundo ano, em que vilões que pareciam ser, incialmente terroristas estrangeiros estavam sendo manipulados por um grupo de empresários do petróleo para jogar os Estados Unidos em uma guerra. Ao hesitar quanto a entrar em guerra sem as provas necessárias, o presidente Palmer chegou a sofrer impeachment por algumas horas.

Além disso, eu já escrevi no Meninos sobre a forma como “24 Horas” sinalizava fortemente a mudança no humor dos americanos após o 11 de Setembro. No final do primeiro ano, o herói Jack Bauer fuzila o vilão desarmado porque acha que ele matou sua filha.

No terceiro dia, os vilões eram um traficante internacional e, por fim, um ex-agente inglês que, após uma lavagem cerebral (ou uma crise de consciência), se voltava contra os EUA. O tal vilão era uma espécie de anti-Bauer e tinha até uma filha como ponto fraco.

Veio o quarto ano e, depois da vitória de Bush, em um canal como a Fox, a sensação foi de que a coisa degringolou com uma trama aparentemente racista na qual os vilões são muçulmanos disfarçados como uma normalíssima família estadunidense. Mas há interessantes momentos em que essa estrutura superficial é tomada por algumas sacadas dos roteiristas. Em um episódio, personagens do lado dos terroristas e do lado americano resolvem que o suicídio é a melhor solução para resolver determinado impasse. Um episódio depois, os dois pais de cada um dos lados renegam seus filhos por suas causas.

No nono episódio, que foi ao ar na última segunda, Jack Bauer e um dos terroristas têm um diálogo interessantíssimo. “Não adianta tentar me enrolar. Acredito em minha causa tão profundamente quanto você acredita na sua”, diz o inimigo capturado.

Enquanto isso, o novo presidente (Palmer decidiu não tentar a reeleição para este ano) faz um acordo com um terrorista, mas se certifica de que o documento que está assinando não tem validade. Muito diferente do anterior, que chegou a ganhar a pecha de frouxo por algumas das suas ações um tanto questionáveis.

Então, é claro que um seriado em que o herói não segue nenhuma regra e mata quem aparecer na sua frente em nome do governo dos Estados Unidos tem uma agenda de direita, de desrespeito aos direitos civis e coisa e tal. Mas há no meio de tudo um pensamento mínimo, uma reflexão. Provavelmente o público médio nem percebe isso, mas a coisa toda só torna “24 Horas” ainda mais interessante.

Só para me lembrar porque tão cedo eu não vou aos Estados Unidos

Quando eu começo a afrouxar e pensar em ir aos Estados Unidos por conta de algum trabalho, leio alguma história que me faz recuar. Ontem, foi o artigo do Bob Herbert, no New York Times…

EUA torturam inocentes suspeitos de terrorismo
Como nós nos tornamos um país onde o fato de gays se casarem é considerado uma abominação, mas a tortura é aceitável?

“Maher Arar, 34, nasceu na Síria e migrou para o Canadá quando era adolescente. No dia 26 de setembro de 2002, ao retornar de umas férias com a família na Tunísia, foi preso por autoridades americanas no aeroporto de Kennedy, em Nova York, onde estava em trânsito.

Arar, cidadão canadense, não foi formalmente acusado de nenhum crime. Mas, como nos diz Jane Mayer, em um artigo cativante e profundamente perturbador na atual edição da revista “New Yorker”, ele “foi algemado e teve os pés acorrentados por policiais à paisana. Assim, foi transferido para um jato executivo”.

(…)”voou para Washington, continuou para Portland, Maine, e parou em Roma, Itália. Depois, pousou em Amman, na Jordânia.”

Qualquer direito que Arar pensasse que tivesse, como cidadão canadense ou apenas como ser humano, foi deixado para trás. (..) Ele estava sendo levado, sob ordens do governo dos EUA, para a Síria, onde seria torturado.

(…) Nossos capangas em lugares como Síria, Egito, Marrocos, Uzbequistão e Jordânia estão torturando suspeitos de terrorismo em nome de uma nação –os Estados Unidos– que acaba de passar por uma eleição nacional na qual a questão de valores morais foi supostamente decisiva. Como nos tornamos um país onde gays se casarem é considerado uma abominação, mas a tortura é aceitável?

(…) Qualquer governo que comete, compensa, promove ou fomenta a tortura é uma força maligna no mundo. E os que se recusam a levantar suas vozes contra algo tão claramente maligno como a tortura são possibilitadores, se não colaboradores.

Tony Blair conhece um pouco esse tipo de coisa. Dois dias atrás (9/2), o primeiro-ministro britânico pediu desculpas formalmente a 11 pessoas que foram erroneamente condenadas e aprisionadas por explosões na Inglaterra causadas pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), há três décadas.

Jogar fora o Estado de Direito para permitir atos do mal como seqüestro e tortura não é uma política defensável para uma nação civilizada. É errado. E nada de bom pode brotar disso.”

Não há o que emendar, até porque eu editei os trechos que vão ao âmago da questão. Tire suas conclusões.

E as pessoas pagam por isso?

Quando foi mesmo que a Microsoft lançou o Windows XP? 2001, né?

Pois ontem, quatro anos depois, os caras lançaram um pacote com 12 correções.

Isso mesmo: 12.

Agora me diz como é que, quatro anos depois, eles ainda não dão um produto como estável, terminado, concluído?

Essa indústria de tecnologia, e a Microsoft, como sua maior representante, está poder por dentro mesmo…

Seu bem mais puro e intransferível não é seu

A vida é uma propriedade privada ou não?

Dois grandes filmes da safra do Oscar deste ano falam deste assunto com imensa propriedade. Um deles é “Mar Adentro” (eu escrevi “Mar Aberto”, por engano), o outro eu não vou falar para não estragar a expectativa de ninguém.

“Mar Adentro” é um drama de primeira linha, que conta com um diretor hábil, Alejandro Almenabar, capaz de cuidar de seus atores e um leading man fadado a conseguir grandes papéis, o impressionante Javier Bardem.

O filme não é perfeito, como a gente gosta de dizer quando sai do cinema tocado pela história. No fim das contas, não consegue se desvencilhar da idéia de que está pregando uma idéia e que não faz concessões em relação a isso. O personagen de Bardem, o marinheiro Ramón Sampedro, é uma pessoa sem retoques, resoluta, imbatível, sedutora. Todos os outros que o questionam são vistos como pessoas que não estão conseguindo enxergar a verdade. Ponto.

Sampedro está tetraplégico há 26 anos quando o encontramos no início do filme. Ele tenta adquirir o direito legal de se suicidar e transforma isso em uma complicada batalha legal que se arrasta por anos. Desta batalha, nós temos apenas vislumbres. Sampedro ficou famoso por seus discursos.

Temos um rápido vislumbre desta habilidade do personagem quando um padre também tetraplégico resolve ir até a casa de Sampedro convencê-lo a seguir vivendo. O ex-marinheiro o enfrenta em um hábil duelo de palavras. Coisa de quem esgrimiu durante anos a respeito do mesmo assunto e já passou por todas aquelas questões dezenas de vezes. O genial da cena é que um assistente do padre serve de pombo-correio e no início está resoluto, mas logo está do lado do protagonista e contestando o padre.

Para tornar a coisa toda mais engraçada, o crítico Roger Ebert, em sua análise no Chicago Sun Times, resolve tomar para si a missão de pregar contra o suicídio de Sampedro. Soa tão patético quanto o padre do filme.

As pessoas costumam confundir um homem que quer morrer com uma pessoa sem nenhuma alegria de viver. Nunca foi isso que faltou ao personagem. O que lhe falta é a vontade de seguir vivendo nas condições que lhe foram impostas nas últimas três décadas. Ele sorve a vida e contagia as pessoas ao seu redor com sua alegria. Mas quer parar. Quer ter o direito de acabar com tudo.

Esses setores conservadores querem para si o controle de tudo. Da sua vida e da minha. É sintomático que eles resolvam dizer que nosso bem mais puro, mais intransferível e pessoal não seja nosso, mas da entidade inquestionável criada por eles e que na verdade serve a eles. Aquela que pode tudo, que não deve ser questinada. Aquela que foi usada diversas vezes ao longo dos séculos para justificar atrocidades sem fim de infiéis. O mais interessante é que as pessoas embarcam nesse construto e se vêem servindo a esses objetivos sem que delas faça parte a sujeira original. Seus objetivos pessoais são puros, mas o que os originou não é.

Fumaça e espelhos.

Dogma vira Business Plan

hummmm.

Lars Von Trier “atualizou” as regras do movimento Dogma, segundo o UOL e a EFE.

Vamos ver… Ele é o cérebro de um novo projeto que conte com três filmes feitos com o mesmo elenco, em digital, dirigidos por iniciantes e não custarão mais do que um milhão de libras (1,45 milhão de euros).

Mas isso não é um movimento estético, é um golpe de marketing para chamar atenção para o que todo business plan tem que fazer: em cima de um orçamento, determinar como será um projeto.

Eu explico. Se estou em Hollywood e vou fazer um filme, recebo um orçamento x. Com o dinheiro estipulado, eu digo que vou filmar em tal lugar, com tantas cenas de externas e tanto de estúdio e que vou gastar dinheiro com somente uma cena que apresente efeitos especiais. É planejamento, filho, mais nada.

O movimento Dogma original era uma resposta a uma necessidade de fazer cinema fora dos padrões norte-americanos. O que acontece é que, quando a gente vê um filme e ele não tem o padrão de fotografia, figurino e outras coisas mais que Hollywood determinou como patamares mínimos, é fácil achar o filme uma tosqueira de dar pena.

Foi por isso que, no Dogma, os caras disseram que os filmes tinham que utilizar iluminação natural, som direto e atores amadores. Porque, se você estabelece isso como um padrão estético com regras bem definidas, as pessoas vão ver o filme esperando outro tipo de experiência. A idéia era ótima.

Ou seja, tudo muito diferente do papo mole do marketeiro Lars Von Trier.

A sensibilidade do outono


Clint Eastwood e Hilary Swank em cena de “Garota de Ouro”

Ano passado, eu vi “Sobre Meninos e Lobos” e o apontei como o melhor filme de 2003 que só chegou ao Brasil em 2004. Este mês, estreia a nova obra de Eastwood, “Garota de Ouro” (“Million Dollar Baby”), um filme é o oposto de “O Aviador”, de Martin Scorsese. Não há cenas grandiosas, nem efeitos visuais espetaculares ou uma trilha grandiloquente. Há apenas personagens, gente pequena vivendo uma história, em vez de milionários malucos.

Clint e Morgan Freeman interpretam dois velhos homens do Boxe que cuidam de um pequeno ginásio de treinamento. Um dia Frank, o personagem de Clint, se vê obrigado a treinar Maggie uma garçonete (Hilary Swank, ótima, ótima, ótima) que sonha se tornar lutadora. Ele não quer treiná-la, mas não consegue evitá-la.

Não é um filme de boxe, mas fala de pessoas que lutam por algo. Frankie frequenta uma igreja quase diariamente há 23 anos, manda cartas para a filha que sempre voltam. Não importa o que aconteceu entre ele e a filha, mas sim que algo grave aconteceu e ele, desde então, nunca desistiu de reconciliar-se com ela. Assim, mesmo questionando as crenças, vai aos cultos, mesmo recebendo de volta as cartas que manda para a filha, continua as enviando. Ele, como um boxeador, continua socando, socando, nunca desiste, nunca pára e sempre acredita em alguma pequena vitória.

Extrair performances memoráveis de Morgan Freeman e Hilary Swank não é nada que surpreenda, mas o que impressiona é a dedicação de Eastwood. Por mais durão que você seja, quando vê o velho Dirty Harry chorando perdido em busca de orientação de um padre, é muito difícil segurar a emoção.

Eastwood está cada vez mais reflexivo, mais sensível e mais surpreendente. É difícil imaginar um republicano durão como ele fazendo um filme como este, que debate algumas questões duríssimas, e outro como “Sobre Meninos e Lobos”, que fala sobre o ato de fazer Justiça com as próprias mãos. Mas Clint faz e eu acho que tem a ver com uma espécie de balanço do que foi a vida, de revisão. Nos últimos anos, ele tem feito grandes trabalhos sobre decadência, degradação e morte. Seria um questionamento sobre o outono da vida?

O dia em que ele falou tudo o que a gente queria ter dito


Jon Stewart, apresentador do “The Daily Show”, do canal Comedy Central

Eu não sabia direito quem era Jon Stewart até a revista “Entertainment Weekly” apontá-lo como “entertainer of the year” algumas semanas atrás. Eu sabia que ele era um humorista de um programa do Comedy Central, conhecia o rosto e até tinha ouvido falar em uma confusão na qual ele se meteu com uns caras da CNN. Resolvi procurar por vídeos do seu programa, o “Daily Show” e conferir.

Surpresa, surpresa. O “Daily Show” é um programa do canal Comedy Central que apresenta notícias farsescas comentadas por Stewart com admirável habilidade. É simples. Ele é um humorista e comanda um programa com piadas inteligentes e afiadas sobre política. Durante a campanha presidendical do ano passado, tomou partido de Jon Kerry e seguiu ridicularizando a administração Bush.

Tendo visto o programa e dado boas risadas, resolvi procurar o tal vídeo do “Crossfire”, da CNN. É o motivo do cara ter conquistado uma legião de fãs no dia 15 de outubro do ano passado quando foi convidado para participar da atração. Para quem não conhece, “Crossfire” é um debate entre pessoas com idéias opostas comandado por dois comentaristas, um liberal chamado Paul Begala e outro conservador, Tucker Carlson. Stewart já tinha dito no “Daily Show” diversas vezes que o “Crossfire” era uma porcaria e, ainda assim, topou ir ao programa conversar com os dois apresentadores.

Pois ali iniciou uma inacreditável e torturante sessão de pugilismo verbal entre ele e o Tucker, o conservador. Stewart avisou que estava ali para pedir que eles parassem de fazer aquele programa, porque era uma droga. A partir dali, Carlson tentava de todas as formas atacar Stewart e ia recebendo réplicas admiráveis, do tipo que toda pessoa que já participou de uma discussão complicada já sonhou ser capaz de dizer.

Alguns vão dizer que é deselegante fazer algo assim. Eu peço licença para discordar. O que Jon Stewart, um, repito, famoso humorista, fez foi dar aos apresentadores um pouco de seu próprio remédio e colocar em xeque a hipocrisia de atrações que só promovem brigas de galo entre pessoas que discordam em algum assunto. “Vocês estão ferindo a América. Por favor, parem com esse programa”, pediu.

“Venham trabalhar para nós. Pagamos mal, mas pelo menos vocês vão conseguir dormir de noite. Vocês só estão ajudando os políticos e suas estratégias de marketing”, disparou.

Carlson, usando sua indefectível gravatinha borboleta, mostrou que tinha preparado algumas surpresas para Stewart e colocou no ar um slide com três perguntas que ele fizera a Kerry quando o então candidato à presidência foi ao “Daily Show”:

1. Está tudo bem?

2. Você se irrita quando as provocações vão para o lado pessoal?

3. Você é indeciso (empregando aqui o termo “flip-flop”, usado para ridicularizar Kerry por ter votado de forma confusa em questões importantes)?

A guerra realmente começou quando Stewart respondeu quase sem pensar: “Se você for comparar seu programa com um humorístico, acho ótimo…”. QUando Carlson começa a se empolgar e diz “o meu ponto é o seguinte…”, Stewart finaliza com “Mas eu não nos usaria como modelo. Eu miraria em ‘Seinfeld’, este sim era um programa humorístico bom de verdade.”

“EU não tinha entendido, mas se as organizações de notícias olham para o Comedy Central em busca de exemplos de integridade… Se a sua idéia de me confrontar é dizer que eu não faço perguntas sérias, estamos perdidos”, segue o apresentador do “Daily Show”.

Tucker Carlson dá um passo atrás e diz que não quer briga, que estão ali para ser pacíficos. “Eu não. Estou aqui para confrontar vocês”, arremata.

O duelo segue por mais 15 minutos, ao longo de dois intervalos durante os quais você só pode imaginar o que está acontecendo nos bastidores do programa.

Mais impressionante é pensar que, naquela noite, o “Crossfire” teve uma audiência de cerca de 870 mil espectadores, nem um terço da quantidade de pessoas que viram o programa pela Internet por meio do site iFilm. Há ainda os que baixaram o vídeo pelos programas de troca de arquivos e as pessoas que leram as transcrições em diversos websites.

E então, qual é a moral dessa história? Sempre há uma moral, certo?

Que nada. Eu só tive um imenso prazer de ver um homem inteligente e articulado enfrentar os lobos em sua própria toca. Melhor ainda, o presidente da CNN anunciou no início de janeiro que concordava com Jon Stewart e que “Crossfire” seria cancelado após o fim do contrato de Carlson.

Agora eu só queria ter visto Stewart no “The O´Reilly Factor”, talvez o programa mais grosseiramente reacionário da TV americana. Se alguém encontrar o vídeo, manda uma mensagem, por favor.

As mais mais dos 80 ou a segunda morte do Legião

Está no UOl, tomando como base uma enquete, a confirmação de que o Legião Urbana marcou mesmo.

Doh!! Precisava mesmo eles reafirmarem isso? O Legião foi tão amado que gerou uma… Legião de pessoas que odeiam o… É. Legião.

Mas eu entendo. É depressivo mesmo. Mas não perca de vista que é apaixonado e hoje em dia, fora o Los Hermanos e um ou outro grupo por aí, as bandas parecem não ter alma nem paixão. São só produtos. Há ainda os mortos-vivos, como o Capital Inicial. São bandas que têm um passado até bacana, mas que, mesmo sem ter nada de novo e interessante para apresentar, continuam vagando sem destino.

O que mais incomoda mesmo é a compulsão da indústria de ficar remexendo o baú do Legião e desenterrar trabalhos menores. É com se eles ainda estivessem na ativa e sua produção fosse ficando mais e mais irrelevante a cada disco lançado providencialmente nos aniversários de Renato Russo. Então, a banda que não morreu quando seu líder se foi, vai sofrendo uma segunda morte, mais lenta.