Em compro aquele forno
Eu tinha sentido isso no ano passado, quando reencontrei meus primos depois de, sei lá, uns 20 anos.
Foi numa festa na casa do meu irmão mais velho. Troquei algumas palavras com a Lu e o Gustavo (que eu tinha visto brevemente anteriormente, mas sem a chance de trocar mais do que algumas palavras) e fiquei com aquela boa impressão meio louca, porque eram pequenas conversas superficiais.
Eu não os via desde que eram crianças mesmo. Coisa de quando eles tinham cinco ou seis anos. Nesta época, eu tinha uns 10 ou 12. É muito tempo e muita água passando pelo moinho.
Minha irmã os conheceu melhor. Os encontrou diversas vezes e falou para mim sobre como eles eram bacanas. Mas hoje eu passei algumas horas na casa da minha prima (mãe deles) e vi o filme que o Gustavo dirigiu, um curta emocionante chamado “Aqueles Dias”.
Bateu aquele medão de que o filme fosse uma porcaria e eu fosse ter que disfarçar que tinha achado sensacional. A melhor parte é que “Aqueles Dias” é bom, sim, e que eu fui tocado pelo recurso hábil das imagens estáticas evocando sons da memória, pela nostalgia e pela dor do amor que vem e que se vai. Pelas emoções que transpiram dos atores e da história simples e bem executada.
Não. A melhor parte veio depois, por meio do papo divertido, de ver o quanto temos todos em comum e de como é uma pena que tenhamos todos crescido separados quando podíamos ser amigos há muitos anos. Tudo bem. Ainda dá para recuperar o tempo perdido.
E eu juro que vou comprar o forno lindo e modernoso que a Luciana criou.
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