Arquivo de 11/2004

Uma semana depois…

12/11/04

Ok. Voltei. A ausência aqui tem como (bom) motivo uma viagem de trabalho à França. Voltei hoje e, depois de 11 horas de vôo e de passar ontem o dia inteiro passeando nas ruas geladas da capital francesa, vim trabalhar. O efeito disso é o meu olho mais parecendo um depósito de areia.

Mas tudo bem. Da viagem eu trouxe minha mais recente aquisição, um gravador digital portátil. A melhor maneira de defini-lo seria dizendo que é um iPod com uma tela de vídeo. Eu posso ouvir música, ver filmes e carregar fotos. É uma caixinha com 20 gigabytes de memória.

O bacana é que eu posso gravar os capítulos da semana da novela e depois assisti-los num taxi, no meio do engarrafamento paulistano, ou escapar do suplício de ver aqueles filmes horrorosos escolhidos pelos motoristas de ônibus da ponte Rio-SP.

O marca da traquitana é Archos, uma empresa francesa. Conheci o brinquedinho quase dois anos atrás em uma edição da Wired e fiquei obcecado por compra-lo. Nesta viagem a Paris, eu finalmente consegui.

Lobo no galinheiro…

4/11/04

Pode me chamar de cretino e paranóico, mas é que ouvir que o vice-presidente vai ser o ministro da Defesa me deixou um pouco desconfortável.

Num país com a tradição de quarteladas como o Brasil e no qual é sabido que o atual presidente não goza de grande prestígio junto aos militares, colocar seu vice (de um partido bem mais à direita) em contato direto com eles não é uma idéia meio imbecil não?

Provavelmente é só um delírio paranóico meu…

Eles assinam embaixo

3/11/04

Não é que tudo fosse ficar diferente no caso de uma vitória do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. É que, se ele ganhasse, seria uma demonstração de que o povo americano não aprova o que seu presidente está fazendo.

Ao votar em George Bush, os americanos assinaram embaixo das atrocidades cometidas por seu governo. Está aprovada a invasão absurda do Iraque por motivos errados e falsos. Os americanos afirmaram confiar em um governo que mentiu despudoradamente. E olhe que não foi sobre um boquete, mas sim sobre um assunto que levou dezenas de milhares de pessoas à morte.

Os americanos concordam que seu país continue poluindo e destruindo o mundo. Eles acham que seu poderio militar serve mesmo para oprimir e assassinar pessoas do outro lado do globo, mesmo que os motivos da opressão e dos assassinatos seja falso.

É engraçado. Na Espanha, quando o povo teve a chance de mostrar que não concordava com o que seu governo fizera, foi às urnas e tirou essas pessoas de lá. Os americanos, não. Eles aprovam as atrocidades. Eles assinam embaixo.

Somos responsáveis pelos atos de governos eleitos por nós. Somos ainda mais responsáveis quando reelegemos este governo mesmo depois de vê-lo cometendo crimes. Ao fazer isso, estamos sendo co-autores das mazelas que perpetuamos.