Arquivo de 11/2004

Mas quem é o autor mesmo?

28/11/04

“Como Vencer um Debate sem Precisar ter Razão”, de Arthur Schopenhauer, era pra ser um pequeno livro delicioso, se não esbarrasse na egolatria de Olavo de Carvalho.

Chamar um filósofo para colocar uma obra (inacabada, é bom ressaltar) em perspectiva é uma idéia boa e louvável. Afinal, para os não iniciados, ler um livro de um autor, de modo geral, difícil, é mesmo uma tarefa complicada.

Mas vamos devagar. Das 230 páginas do livro, 90 são dedicadas exclusivamente à introdução crítica cheia de comentários auto-elogiosos. Depois, os escritos do autor são soterrados por notas pernósticas que vão tomando conta das páginas.

Ai, ai… E a Mônica comprou o livro lacrado.

Como as fotos voltaram…

28/11/04

Os melhores drinques do Le Bar, do Plaza Athénée, na lindíssima Paris outonal…

Enquanto isso, num fim de tarde no Rio de Janeiro…

27/11/04

Andando na rua com a Anninha sou parado por uma senhora que começa a conversar com todo o bom humor do mundo. Dura o tempo de esperar o sinal e atravessar a rua.

Pergunta se somos irmãos, diz que minha irmã é linda, pergunta se eu sou ciumento. Conta que tinha oito irmãos e que eles não deixavam ela usar batom. Agora, com 81 anos, ela usa sempre.

“Vocês vão naquela direção? Então boa tarde para vocês, foi um prazer.”

Cada um vaia para o seu lado. Isso acontece sempre por aqui.

Por que é que no Rio de Janeiro as pessoas param para se falar nos sinais, nas filas e isso nunca me aconteceu em São Paulo?

Foto-less

27/11/04

Ah, sim. Esta página está sem fotos há algum tempo porque meu espaço de disco acabou!!!!!!

Assim que eu aumentar esta josta, voltaremos a ter fotos.

E eu prometo que, quando tiver tempo, conserto meu XML!!! Digo, o Cris conserta…

Caretice camuflada

27/11/04

O mais engraçado dessas séries que se dizem desafiadoras da moral e dos bons costumes é como elas são caretésimas na essência.

Um dos melhores exemplos é “Nip/Tuck”, que é exibida aqui pela Fox. Embora os personagens façam coisas que beiram o absurdo e dêem aquela sensação de que o programa desafia os padrões, o olhar sempre é de assombro, de estupefação. E o personagem que parece mais ousado se vê tendo sentimentos caretas que o fazem desistir das ações mais ousadas.

Ou seja… No fundo, a mensagem é de que esse comportamento ousado é errado e que os personagens só fazem essas coisas quando estão moralmente perdidos.

Foi assim que eu me desencantei de vez do Danny Boyle. Odeio gente conservadora camuflada de moderninha. Aliás, os hábitos mais libertários eu encontrei em gente que caga pras roupinhas vintage, pros brechozinhos chiques ou qualquer outra dessas ondinhas. Esses rótulos são patéticos mesmo.

Que esqueçam “Os Esquecidos”

21/11/04

Isso é que eu chamo de desperdiçar o dinheiro do ingresso. Ignorando meus instintos e atraído pela presença da Juliane Moore, fui ver “Os Esquecidos”.

Uma bomba. Os caras estabelecem a premissa e dali em diante o roteiro foi escrito no automático, não há uma única surpresa para quem está acostumado minimamente com o gênero.

E, pior, o diretor canta todos os golpes. A música e a edição avisam você que o personagem tal vai morrer, ou desaparecer, ou seja lá o que for que os “sejam lá quem forem” reservam às suas vítimas.

E o final feliz… Putz. Não é que eu não goste de finais felizes, mas é que em certos momentos eles estão muito fora do lugar. Se bem que há muito pouca coisa no lugar nesse arremedo de suspense. Tudo bem, não dá para fazer um “As Horas” todos os anos…

* * *

Em contrapartida, vi o despretensioso “Pipoca com refrigerante” chamado “Celular”. É um neto de “Duro de Matar” e “Speedy”. Bem feitinho, não tenta reinventar a roda, mas dá a volta no quarteirão pra te entreter a contento. O diretor de marketing da Nokia deve estar rindo à toa.

* * *

Por último, assisti ao “Sky Captain e o Mundo do Amanhã”. A direção de arte é de primeira, os diálogos estão afiados no estilo das briguinhas sem fim dos filmes de aventura dos tempos da minha avó e diversos outros ítens garante a aura cool. Mas… Falta aquela coisa a mais que faz a gente esquecer que os filmes da Pixar são feitos por computação gráfica, se é que você me entende. Numa escala de cinco estrelas, eu daria três.

* * *

Oh!! Adendo.

Eu não falei do “Sob o Domínio do Mal”. Refilmagem enxuta e sóbria de um filme original que já era ótimo. A mão de Johnathan Demme está lá para tornar um filme que poderia ser banal e irrelevante em um thriller político sólido, marcado por boas atuações. Meryl Streep, cada vez mais matrona, consegue até ser sexy no papel da mãe incestuosa. Vá ver sem medo.

A moral da história…

20/11/04

É difícil condenar um produto feito para a TV americana por ser tão… Americano. Mas não dá pra ignorar quando o moralismo renitente molda poderosamente as histórias de uma série que começou tão bem, como “Lost”. Eu já falei desse novo seriado aqui mesmo no blog. Basicamente, 48 pessoas sobrevivem a um acidente de avião e caem em uma ilha deserta.

A ilha, por sua vez, não é exatamente um lugar tranquilo no qual eles poderão esperar pelo socorro. Há criaturas estranhas (dinossauros?) e mais um monte de segredos que vão deixando o espectador de cabelo em pé a cada episódio.

Aliás, a cada semana, as histórias dos protagonistas estão sendo contadas em flashback, dando aos atores a chance de brilhar.

Tudo muito bem até o episódio 8, no qual os heróis se vêem obrigados a prender e torturar um deles em busca de uma informação importante. E não é que a pessoa que sabe técnicas de interrogatório é justamente o iraquiano do grupo? E, pior, o cara usa diante do olhar apavorado (embora de aprovação) do líder americano…

No episódio anterior, um dos personagens se livra do vício em drogas em apenas um dia de pregação do guru do grupo. Tudo certinho e moralista em excesso. Uma pena.

Ainda bem que temos a Evangeline Lilly, para compensar.

Seu eu tivesse alguma intimidade…

18/11/04

…Com a Jennifer Garner, a Sidney Bristow de “Alias”, do canal Sony e do SBT, ia dizer pra ela tomar muito cuidado com esses filmes nos quais ela se mete.

Primeiro ela fez Elektra em “Demolidor” e virou a única coisa boa de um filme muito ruim. Depois ela fez aquele filminho simpático mas absolutamente descartável chamado “13 Going on 30″, em que dá uma de Tom Hanks com pernas esculturais. Agora ela ressurge em “Elektra”, em que repete a personagem do filme do herói cego, mas agora como protagonista.

Eu vi o trailer ontem e parece que o filme vai ser muito, muito, muito ruim. Eu espero estar errado. Espero que o filme seja bom ou pelo menos um filminho pipoca honesto. Mas tudo me diz que vai ser uma bomba.

Agora note bem. Quando fez “Demolidor”, Jennifer estava em alta. “Alias” ia bem de audiência e de crítica e tudo que ela fazia parecia dar certo. Agora, “Alias” saiu dos trilhos, perdeu uma enorme quantidade de espectadores, e a rede ABC resolveu dar uma chance à série estreando mais tarde (em janeiro, com direito a exibição de todos os episódios sem reprises) e colocando-a logo depois de “Lost”, um dos grandes sucessos da temporada.

Se ela fracassar em “Alias” e em “Elektra”, vamos ver uma das atrizes que tinha um enorme potencial como estrela de cinema ser queimada em praça pública. E tudo porque ela resolveu se meter com o Ben Afleck, que aliás está na capa da última “Details” com a chamada “Ben is as sick of himself as you are”.

Abre o olho, Jen. A gente torce por você…

O mundo é esse mesmo ou eu estou meio lerdo?

17/11/04

Só hoje eu estou me sentindo 100%. Voei de Paris pra São Paulo (11 horas de viagem) na quinta, cheguei em SP na sexta de manhã, passei em casa, tomei banho, arrumei a bagunça e fui trabalhar. E não foi só trabalhar, foi entrar no auge do fechamento da minha revista. É como estar correndo a 10 km por hora e pular em uma esteira rolante a 50 km/h. Você pode cair e se machucar se não tiver equilíbrio e não tomar cuidado…

Com o jet lag e o fuso nas idéias, eu, que já tenho uma enorme dificuldade para dormir, passei umas boas noites desregulado. Além de ter trabalhado normalmente no feriado, tenho dormido sempre por volta das cinco da manhã e o dia fica meio estranho, meio nublado.

Mas o mundo continua o mesmo. Bush por mais quatro anos (o que fica ainda mais desesperador quando você vê o documentário “The World According to Bush”), crise no Brasil, falta de dinheiro e de perspectiva para a maior parte das pessoas, gente que só olha o próprio umbigo e não está disposta a ceder um milímetro para diminuir as diferenças. Você escolhe o ítem a discutir. Todos são medonhos.

Deve ser o mau humor da insônia…

Dead Zone merece uma conferida

13/11/04

Acabei de ver o episódio final do terceiro ano de Dead Zone, adaptação para o formato de série do livro “A Hora da Zona Morta”, de Stephen King, que chegou aos cinemas em um filme com Christopher Walken.

Eu já tinha gostado do filme, que vi muitos anos atrás e olhei a série com desconfiança. Mas depois que o terceiro ou quarto amigo meu disse que o seriado era ótimo, resolvi tentar. Desenterrei uma fita com o piloto a qual eu nunca tinha visto e achei muito promissor. Nos episódios seguintes do primeiro ano, a coisa só melhorou.

Mas vamos colocar todo mundo na mesma página. O filme, o livro e a série contam a história de um cara que tem uma vida perfeita. É rico, dá aulas de ciência para adolescentes e tem uma noiva pela qual é apaixonado. Uma noite, ele sofre um acidente automobilístico e entra em coma por seis anos. Qando acorda, descobre que, ao tocar as pessoas, é tomado por visões de tragédias terríveis.

Mas não é só isso. A mulher que ele ama estava grávida quando ele sofreu o acidente, teve o filho e casou-se com outro homem. A mãe de Johnny morreu e o seu melhor amigo atualmente é o seu fisioterapeuta.

A série vai mostrando casos mundanos, nos quais o herói Johnny Smith (Anthony Michael Hall, de “Clube dos Cinco” e “Piratas do Vale do Silício”) ajuda a polícia ou simplesmente uma pessoa na qual esbarra na rua. Até que um dia ele faz contato com um jovem candidato ao congresso americano e descobre que aquele homem causará, de alguma forma, uma hecatombe que irá varrer Washington do mapa. Apavorado, ele decide fazer tudo para evitar a catástrofe.

Essa linha mestra é a que guia as três temporadas já produzidas. O último episódio, o motivo original de eu escrever este texto, termina em um momento crucial, desesperador, de deixar qualquer fã engasgado com a espera de meses até a continuação.

O quarto ano está em produção e deve estrear no início de 2005. A série é exibida no Brasil pelo canal AXN, nas segundas, às 21h.

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