Arquivo de 10/2004

Depois do fundo

5/10/04

John Woo está em baixa depois de dois fracassos chamados “Códigos de Guerra” e “O Pagamento”. Eu não vi “Códigos” e achei “O Pagamento” méeeeeedio.

Pois não é que Woo mostrou que quem está no fundo do poço pode ir mais fundo? O cara assinou um contrato para dirigir a adaptação de… de… Caramba, não consigo nem escrever, de tão absurdo.

Ok. Fôlego.

John Woo, o cara que fez “A Outra Face”, “The Killer” e “Fervura Máxima”, vai dirigir >errrrrr< "He-Man and the Masters of the Universe" !!!!!!!!!!

Isso mesmo. O filme do He-Man!!!

Não falei, porque não sei nada sobre isso

5/10/04

Eu recebi cinco e-mails nos últimos dias de pessoas me perguntando porque eu não me pronunciei sobre a censura dos weblogs.

Não me pronunciei porque nada sei sobre o assunto. Não sei quem está certo e que motivos levaram à derrubada do Imprensa Marrom. Mas que essas empresas de recolocação são uma coisa muito estranha, isso são. Eu que não mandaria meu currículo pra nenhuma delas.

A jogada é que, como tem uma empresa de recolocação profissional envolvida, você, por padrão, acha que a culpa só pode ser dos caras.

Mas, repito o que disse antes, os blogueiros precisam se informar para entenderem os limites da liberdade da qual desfrutam. Não é o caso de sair falando o que dá na telha. É preciso saber o que está dizendo e ter alguma base. Fora disso, corre o risco de virar abuso e acabar em difamação.

O bom e velho “quem matou?”

4/10/04

Dizem que só existem umas quatro ou cinco histórias por aí. O negócio mesmo é saber contá-las.

Esperei uns meses e li quatro edições seguidas da nova saga “Identity Crisis”, da DC. A idéia é confrontar um monte de super-heróis com o terror de mortes inexplicáveis. O autor é o romancista Brad Meltzer e ele faz bonito com uma história muito bem contada.

Os diálogos, e principalmente as narrações, são saborosos e vão dando novos interessantes pontos de vista a respeito dos personagens. A trama é engenhosa, mas vou esperar o fim da série, daqui a três edições, para dar o diagnóstico final.

Para aguçar a curiosidade dos leitores, basta dizer que alguns heróis revelam que fizeram coisas bem questionáveis no passado ao mesmo tempo que alguns vilões ganham status de criminosos sexuais. Não é o velho gibi que a molecada lia.

Do lado da rival, a Marvel, as histórias regulares do Homem-Aranha (escritas pelo J. Michael Straczynski) andavam estranhas, com uma série de aventuras que traziam Gwen Stacy de volta à pauta do dia. Eu confesso que não estava gostando do rumo das coisas, mas a última edição muda tudo, porque dá uma perspectiva aterrorizante para as motivações que o Duende Verde tinha para assassinar a angelical ex-namoradinha de Peter Parker.

Quando os clichês pouco importam

2/10/04

Fui ver “Colateral” com um pé atrás, porque uma amiga disse que o filme era uma coleção de clichês.

Ela não estava errada. O filme coleciona clichês, sim. Mas aqui ele os tranforma em sinais do território no qual estamos transitando, o thriller.

Assim, o vilão, interpretado com garra por Tom Cruise, é um homem que justifica seus atos com um apelo à barbárie, ao caos, à desimportância da vida diante da grandeza do universo.

Ele é contraposto pelo motorista de táxi limpinho, organizado e profissional de Jamie Fox. Ambos são profissionais e levam a sério seus trabalhos.

Agora, como eu já confirmei acima, esse é mesmo um grande clichê. Os antagonistas têm o suficiente em comum para se identificarem e o que é preciso ter de diferente para gerar o conflito. A saída da situação repetitiva está nos ótimos diálogos e na condução hábil de Mann, que dita o ritmo com maestria absoluta.

E esses diálogos, essa condução e as interpretações sempre na medida são os segredos de um thriller que funciona como um relógio e que se ergue no meio da mediocridade que assalta o gênero.