Arquivo de 09/2004

Ação com ar mundano faz de ‘Supremacia Bourne’ o novo símbolo do gênero

28/09/04

Quando eu era menininho e ouvia os mais velhos falando dos filmes de antigamente, pensava que todos, todos, todos eram obras de arte que traziam idéias capazes de mudar o mundo. Filmes cheios de profundidade temática, de estofo cultural.

Vê-los, no entanto, era uma decepção. Os subtextos não estavam claros pra mim, por falta de cultura mesmo, por falta de contexto histórico e ideológico. Mas não era só isso. O problema é que na descrição romântica dos mais velhos, comédias, dramas lacrimogêneos e aventuras desvairadas ganhavam ares de obras imortais. Tudo o que era novo, tudo o que era feito no meu tempo de criança, era irrelevante. Uma imensa bobagem.

Sei que é provavelmente um desperdício usar essa introdução para falar de “A Supremacia Bourne”, mas é que a sensação que eu tive foi de que vi um novo “Operação França”, mas que isso só vai ser notado daqui mais uns dez anos.

O que são aquelas sequências de ação filmadas com câmera na mão? “Bourne” é enervante e cansativo no que essas palavras podem ter de mais positivo para a experiência de ver um filme. Você fica na pontinha da poltrona e se sente fisicamente desgastado já no meio da projeção, porque passou todo o tempo atento, acompanhando o desenrolar das situações de risco nas quais o herói se mete.

Damon, bem conduzido, dá a perfeita mistura de tensão e frieza de seu personagem. Ele nunca se desespera, mesmo diante das situações aparentemente mais insolúveis. Ao mesmo tempo, não sabe o que é o verbo relaxar.

O diretor Paul Greengrass pega o pacote pop que Doug Liman fez no primeiro filme, joga no chão, pisa em cima, suja, rasga daqui e dali e faz um trabalho impecável de transformar em algo palpável e crível o universo inconsistente de super-espiões que caminham no meio de meros mortais e são capazes de qualquer façanha. Nesta jornada, constrói um filme de ação que faz o que se espera do gênero, emociona, e ainda entrega massa cinzenta em bandeja não de prata, mas de latão, bem ao estilo mundano de “Supremacia Bourne”. De lata e suja de sangue, claro.

O império precisa de você, os rebeldes também

25/09/04


Fui ao lançamento do Star Wars Battlefront na semana passada. Entrei pela primeira vez na minha vida em uma Lan House (eu sempre jogo essas coisas de casa) e fiquei umas três ou quatro horas jogando as batalhas históricas do universo de Guerra nas Estrelas. Eu sou um lamer, mas consegui me divertir um pouco.

Eu nem sou fissurado na mitologia do George Lucas, mas o CrisDias é e aprovou o jogo totalmente. Eu me amarrei e estou tentando jogar, mas para minha total decepção só há servidores nos Estados Unidos e pouca gente aqui no Brasil. Então, se você comprou o jogo e está com vontade de arrumar parceiros para batalhas online, manda um e-mail pra mim que a gente forma uns grupos de jogo.

Por que não nós?

23/09/04

Enquanto nos Estados Unidos o mercado de livros de crítica política explode, aqui no Brasil (que é o país que mais me interessa) a coisa é morna demais. Por que diabos a gente não tem figuras como Al Franken e Michael Moore para nos provocar? Temos ACMs, Malufs, Rosinhas e Garotinhos e toda a fauna petista vira-casaca para alimentar livros e livros e documentários de TV e cinema.

Mas o que se vê é um marasmo total.

Estou dizendo isso porque recebi dois livros do Al Franken, um deles estava na minha wishlist da Amazon.com. Para quem não sabe, o Al Franken é um veterano do “Saturday Night Live” e pode ser encontrado, com sorte, se você estiver atento à edição diária do programa no canal Sony.

O primeiro é “Mentiras e os Grandes Mentirosos que as Contam”, que critica o discurso da ultra-direita norte-americana. O segundo é “Por Que Não Eu?”, um relato satírico de uma hipotética campanha vitoriosa de Franken rumo a Casa Branca. Ali ele relata como “foi” sua campanha e os primeiros 100 dias de seu governo.

Rio sem lei

21/09/04

Morador paulistano, estou ganhando aquele nariz empinado de quem acha o Rio uma cidade esquecida por Deus, Buda, Alá e quem mais aparecer. Quando chego na minha cidade, sou extremamente crítico e fico enumerando defeitos. Claro que eu irrito os paulistanos com minha visão extremamente crítica também de sua cidade. É assim mesmo.

Aí, estou andando nas ruas da Ilha do Governador, essa terra esquecida por César Maia, e a Mônica, uma motorista competente e ligada, dá de cara com essa cena bizarra da Kombi andando de ré no meio do trânsito e me chama a atenção para que eu saque a máquina fotográfica…

Iniciamos uma aproximação da viatura em fuga, positivo!!!

Mas algo parece diferente aqui…

Hummmmmmmm!

Jovem para sempre

16/09/04

Do Aint it Cool News, sobre a alteração no final de O Retorno de Jedi, o terceiro (ou sexto) filme da série Star Wars.

“The most noticeable change occurs moments later when the spectral images of Obi-Wan, Yoda and Anakin appear. Hayden Christensen now replaces the elderly Shaw as Anakin, who sports his EPISODE III quaff and seems pleased with his youthful appearance. And Obi-Wan seems cool with this deal, for some reason. This is a strange message Lucas is sending here. Obi-Wan led a good life, never went to the darkside, and yet he’s decrepit in the afterlife. Anakin took the quick and easy path, allowed himself to be ruled by evil, and his Force Ghost looks ready to go to the mall and pick up high school chicks. I know which side of the Force I’m on.”

Não acho que a mensagem seja essa, mas tudo bem. É um ponto engraçado.

Argentino é fogo

14/09/04

Todo mundo ficou impressionado (e alguns irritados, indignados) com a reação intempestiva de Claudio Assis na entrega do Prêmio TAM. Ele chingou em público o diretor de “Carandiru”, Hector Babenco na hora em que o homem recebia o troféu. Irritado, Assis mandou para a Mônica Bérgamo, da Folha, a reportagem que leu em um jornal argentino e que o deixou com tanta raiva do diretor que, quando acerta é brasileiro, quando erra é argentino.

Ali, Babenco fala muito mal do Brasil e afirma que o presidente Lula é um bêbado.

Veja o trecho da coluna:

Casca de banana

Ainda não terminou a polêmica entre o cineasta Cláudio Assis, de “Amarelo Manga”, que insultou Hector Babenco, de “Carandiru”, no Grande Prêmio TAM de Cinema Brasileiro, na quarta passada. Assis invocou o fato de Babenco ter falado mal de Lula na Argentina como um dos motivos de sua contrariedade. Assis guarda em suas gavetas uma entrevista publicada em março pelo diário “La Capital”, de Mar del Plata. A coluna localizou a reportagem, pela internet, nos arquivos do jornal.

Nela, o “La Capital” faz a seguinte pergunta ao cineasta argentino: “Lula o decepcionou?”. E Babenco: “Sim, com Lula eu me decepcionei. Não imaginei que o Brasil, que era uma república de bananas sem nenhuma tradição constitucional, poderia gerar um presidente como Fernando Henrique Cardoso, um professor com prestígio internacional. E daí passar a um torneiro como Lula…isso não acontece em nenhum lugar”.

Continua Babenco: “Mas, uma vez que chegou ao governo, Lula não traiu seus ideais, senão que se deu conta de que não estava preparado para o exercício da política, que é uma profissão como qualquer outra. Hoje está cada vez mais deprimido, bebendo cada vez mais e com o partido totalmente carcomido, com os fundamentalistas do partido, que são como os xiitas, querendo que o Estado seja dono de tudo.”
Curiosidade: a entrevista de Babenco foi publicada dois meses antes do artigo em que Larry Rohter, do “New York Times”, afirmava que o país se preocupava com o “hábito de bebericar” do presidente. Lula, na ocasião, tentou expulsar Rohter do país. A coluna procurou Babenco para falar sobre as agressões de Assis e a reportagem do “La Capital”.

Folha - Quando houve o episódio com o Cláudio [Assis], nós quisemos entrevistá-lo. Você recebeu nosso recado?
Hector Babenco -Eu recebi. Mas, perante um ato de demência, eu recomendo serenidade e distância. É a única coisa que eu posso dizer.

Folha -Ele nos enviou uma reportagem do jornal “La Capital”, em que você diz que “Lula está deprimido e bebendo cada vez mais”.
Babenco -Você faça o que você quiser.

Folha - Eu só estava querendo saber…
Babenco -[interrompendo] Eu não tenho condição de te responder nada. Você já foi tremendamente feia comigo. Me senti tremendamente mal amado, não respeitado. Você se utilizou de um jornalismo baixo calão. Estou te ligando simplesmente para não te dar a chance de dizer que não respondo a teu telefonema.

Folha - Nós sempre telefonamos para você. A que episódio você se refere?
Babenco -Eu preferiria me manter ausente dessa discussão. O jornalismo que você faz, a mim não me interessa.

Folha - Agora, essa entrevista aqui [do jornal "La Capital"]…
Babenco -Um abraço grande, Mônica, querida. Tchau.
[desliga o telefone].

É o de sempre. Eu posso discordar do que o governo Lula está fazendo, mas descer tão baixo, o desqualificando desta maneira em um país que, governado por doutores não estava indo muito melhor do que vai agora, é a típica atitude da classe média alta arrogante.

Eu cruzo com gente assim, que se acha muito melhor do que eu e você, todos os dias. Deviam ir todos morar na Argentina.

Viver sozinho é…

14/09/04

…chegar em casa quase uma da matina depois de um dia estafante de trabalho e encontrar a área de serviço e a cozinha alagadas por conta de algum entupimento do encanamento do prédio.

Secar tudo solitariamente antes de dormir e passar um pano com água sanitária para pelo menos dar uma limpada no chão tomado pela água suja dos canos não é mesmo a definição de um bom fim de noite.

Vendo câmera

11/09/04

Eu adoro essas camerazinhas. Tirei fotos e fiz filmes sensacionais com as duas. Mas meu projeto é comprar uma máquina fotográfica digital mais poderosa (e cara) e uma filmadora digital também bem parrudinha. Essa idéia maluca vai me custar uma pequena fortuna e, claro, a câmera fotográfica será de novo Nikon e a filmadora, outra Sony.

Então, vou vender essa Coolpix, minha filmadora digital 8 e minha coleção de futebol de botão…

A Nikon Coolpix 3200

Veja uma resenha em inglês.

Vendo por R$ 950. Completinha (manual e cabos) e novíssima.

A Sony Digital 8 DCR TRV140

Vendo por R$ 950. Também completa. Com bolsa, cabos, controle remoto e bateria para 110 minutos. O mais bacana desta câmera é que tem saída/entrada firewire, ou seja, seus vídeos vão pro computador (que tenha uma placa firewire, que custa uns R$ 100) para ser editados sem perda nenhuma de qualidade.

Vamos lá. Aceito ofertas.

Seus dez e mais dez

9/09/04

Os rebeldes Chechenos não têm graça nenhuma. Mas a briga de ofertas pelas cabeças dos oponentes é engraçada, sim. Putin fixou uma recompensa de US$ 10 milhões pela captura do líder dos rebeldes. Eles então fizeram uma vaquinha e dobraram a oferta.

Quem for esperto, pode até ganhar 30 milhas…

O meio, a mensagem e outras coisas mais

7/09/04

Eu estou à esquerda no espectro político. Estar à esquerda é, claro, algo relativo. Eu não consigo ver o mundo da forma individualista e arrogante das pessoas que ficam à minha extrema direita. Mas mesmo estar à direita é algo relativo. Porque você pode estar à minha direita e ainda assim ser “de esquerda”. Assim como eu estou à direita de vários amigos e conhecidos.

Confuso. Eu sei.

Quanto mais você vai para as extremidades, mais o mundo vai ficando preto e branco. Quando você vai se movendo em direção ao centro, mesmo que nunca chegue lá, nem queira chegar, ganha a perspectiva da relatividade.

Isso tudo pra falar rapidamente de “Outfoxed”, um documentário sobre a forma como a rede de TV Fox News, dos Estados Unidos, é de um conservadorismo assustador e se camufla de canal de jornalismo sério e equilibrado.

É claro que o documentário é feito e pensado pela esquerda americana. Nem é preciso ser muito inteligente para ver isso. Mas ignorar o que está sendo mostrado ali é de uma estupidez que beira o retardamento mental.

Acho que aqueles caras do Offmidia, Mídia Sem Máscara ou seja lá que nome eles inventaram essa semana, deveriam bater lá pra pedir emprego. Aquela tese deles de que o mundo é dominado secretamente pelos comunistas, que controlam a mídia e fazem todo mundo acreditar que o comunismo morreu poderia se encaixar bem na Fox…

Mas, parando de falar de mentecaptos delirantes, o repertório de absurdos da Fox não é surpresa para quem estuda comunicação ou vive nesse meio. No cotidiano, os coleguinhas sempre contam histórias de pôr medo no Edgar Alan Poe. É, no entanto, valioso que as pessoas normais, os telespectadores desavisados, que se iludem achando que todo jornalismo é isento, vejam como funciona o mundo lá fora.