Arquivo de 07/2004

Sem os amigos, como eu já disse, é mais difícil

15/07/04

Tô enrolando há alguns dias pra falar do, digamos, pré-piloto do “Joey”, a série que vai substituir Friends na TV americana contando as histórias de, bem, Joey.

Como eu disse, é o um tratamento inicial. Até estrear em (acho que) outubro deste ano na TV americana ainda tem chão. Mas vai precisar de muito trabalho. Pelo menos um dos atores já foi trocado, a pitéu Ashley Scott (a Gigolo Jane de “A.I.” e a Caçadora de “Birds of Prey”), que interpretava uma vizinha linda e casada.

Mas falando dos desafios ou problemas, em primeiro lugar, tem elenco de apoio pequeno. É ele, a irmã e o sobrinho. Antes, Joey tinha mais cinco amigos. Agora, com muito espaço, pode cansar rápido seu público.

É claro que Joey, o personagem, vai mudar. Ele precisa ser menos estúpido e vai evoluir um pouco. É normal que isso aconteça com essas derivações (spin off) de séries. Quando tinha cerca de um sexto do tempo para se mostrar, era necessário menos desenvolvimento para seu personagem. Ele podia só entregar aquelas falas engraçadas e ir pegar o cheque. Agora, ele tem que preencher praticamente 22 minutos por semana e estar em quase todas as cenas. Ou muda e evolui ou morre.

Quanto ao roteiro da série. No primeiro episódio coloca JOey em Los Angeles e estabelece onde fica e com quem. Como aqui não é um site de revelações sobre segredos de séries, não vou ficar contando piadas do episódio.

Quem vai precisar contar algumas e boas piadas é Joey, ou vai acabar indo se encontrar com os amigos em algum lugar fora da TV.

Piada boba também arranca risadas, sabia?

14/07/04

Quem achou essa preciosidade, foi o RTFM.

Essas tiras do Homem-Aranha, extraídas do material produzido por Stan Lee e seu irmão para os jornais, como texto (in)devidamente modificado, claro, são a coisa mais boba que eu vi na última semana. E por isso mesmo, por não ter vergonha de ser muito, muito boba, subverte completamente o tom de “escovou seus dentes hoje?” das histórias e é até engraçado em alguns momentos.

A tira baixo é uma das melhores, junto com a incrível série em que Mysterio revela: “I’m gay for Spider-Man!!”. ;)

Interrompemos nossa programação…

10/07/04

Ok.

Então ter 30 e poucos anos, estar com um bom emprego, ter uma casa legal, mulher, cachorro, parentes e amigos bacanas é isso? É esse vazio estranho?

Sou só eu que estou vendo o mundo de um jeito esquisito ou é o defeito de uma geração? A solução é vender Prozac nos pacotes de chiclete?

Eu fico pensando que, desde que cheguei em SP, não consigo fazer amigos direito. Eu digo amigos. Não conhecidos cordiais. Parece que há uma formalidade nas pessoas que se torna uma barreira. Onde estão os amigos que só ligam pra avisar que estão vindo passar a tarde? Que ficam lendo um livro enquanto eu ouço música? Pra onde foi o prazer de estar junto com as pessoas que você estima e admira?

Se eu voltar pro Rio a coisa melhora? Bom, provavelmente, sim. Ao menos em parte, porque eu vou ter alguns dos meus amigos de sempre de volta. São aqueles dos quais eu falei umas linhas atrás… Os que passam um tempo juntos pelo prazer de passar tempo juntos. Ver filmes, ouvir música, conversar sobre nada e fofocar. O que seja.

Mais de uma vez eu já vi, e creio que você já deve ter passado por isso, um conhecido virtual nem trocar palavra comigo quando me encontra no mundo real. Como assim? Nós trocamos mensagens, fizemos piadas e até concordamos a respeito de algum assunto. Então como é que a gente nem se fala quando se vê em carne e osso? E pior… EU também embarco nessa maluquice. Fico envergonhado, com medo de ser inconveninente e não quebro o gelo.

Vamos fazer o seguinte. Se você me encontrar em algum lugar e me reconhecer, fale comigo, mesmo que eu fique com vergonha de falar com você, ok? Vamos quebrar esse ciclo.

Bom. Foi mal aê. Dia ruim.

Missão cumprida!!!

10/07/04

Não aquela do Bush de pouco mais de um ano atrás. Essa todo mundo sabe que não estava cumprida e acabou sendo uma missão comprida, interminável…

O que eu fiz foi ver “Fahrenheit 9/11″, do Michael Moore.

O filme realiza bem o trabalho de provar que Bush é… Ok. Que é um safado, que roubou a eleição, que levou seu país à guerra e matou centenas de americanos e milhares de iraquianos para favorecer os grupos econômicos que financiaram sua eleição. Tudo é feito com habilidade, humor e ironia.

Mas acho que a cruzada de Michael Moore contra Bush, embora útil no curto prazo, vai acabar fazendo um dano terrível no longo. O problema é que ele faz parecer que Bush é o demônio encarnado e que, em se tirando o homem da Casa Branca, tudo mais dará certo. Não é isso que ele diz, mas é essa a sensação que a urgência dos argumentos e das situações apresentadas de forma simplista até demais sugerem.

O que virá depois de George W. Bush? Se é que haverá outro homem que não ele na Casa Branca no que vem. Mas é que atribuir todas as mazelas do mundo a George W. Bush e tirá-lo do contexto histórico, ignorar quem o financia e está por trás de suas ações, é simplificar o mundo. Ou talvez, a estratégia seja essa mesmo. Um inimigo de cada vez… Mas cada vez mais fica a sensação de ele deveria assumir um provável, embora escondido, apoio democrata.

O que fica do filme é uma coleção de momentos memoráveis. Moore tem um olhar agudo e, mesmo que de vez em quando exagere, coloca as situações em perspectiva e sabe explicar direitinho os pontos que tenta esclarecer. Seus críticos, claro, reclamam de coisas como a abertura genial em que Moore mostra os cabeças do governo Bush sendo maquiados para pronunciamentos na TV. É claro que todo mundo faz isso. Quem acha que Moore está dizendo que só eles se maquiam, perdeu completamente a piada. O que importa é ressaltar o tom de farsa da administração Bush.

No entanto, o que é tocante mesmo é a sucessão de imagens às quais os americanos não tiveram acesso na TV. São iraquianos mutilados e mortos, americanos dizendo que não entendem porque estão lá (como sempre) e famílias americanas que, inicialmente, apóiam a guerra e depois se vêem desesperadas ao perder os filhos para que Bush e seus amigos ganhem bilhões com a guerra. A cena em que a sra. Lipscomb, mãe de um jovem sargento que morreu no Iraque, vai a Washington e resolve visitar a Casa Branca é de deixar qualquer um arrepiado. A Casa Branca que sempre é vista nos filmes grandiosa, com jardins verdejantes, surge cercada de arames e placas de proteção como… Isso. Como o palácio de governo de uma distopia.

Além disso, ele mostra militares recrutando pessoas normais nas ruas para mandá-las para a guerra (como você vê na foto, mais fotos no site oficial). Claro que eles vão fazer isso nas cidade cujas economias foram arradasdas pela política econômica americana dos últimos 30 anos…

E, claro, há os factóides que Moore adora fazer e que muita gente odeia. Para provar seu ponto de vista, ele vai até Washington tentar fazer algum congressista se comprometer a mandar seu filho para a Guerra do Iraque. Sim, porque ele descobre que só um congressista teve seu filho envolvido no esforço de guerra. Claro que ele é ignorado por todos os políticos que cruzam com ele.

Não adianta dizerem que Moore é exibicionista e egocêntrico. Mesmo que por vias tortas, ele está fazendo o trabalho da imprensa que não sai mais da redação e não sabe mais do seu valor. Seria bom ter alguém como ele aqui no Brasil desmascarando as safadezas de nossos governantes. É difícil imaginar tanta cara de pau como a da família Bush, mas temos uns canalhas de vulto por aqui.

Seria bom ter versões nacionais de Michael Moore, ao menos pela provocação. Certamente ele teria muito assunto por aqui.

B de coração

9/07/04

Fui assistir a “Equlibrium” porque meu amigo Bruno me sugeriu. É um filme B de coração. Cenas de ação, atores bacanas de segundo escalão (bem, Christian Bale, que fez “Império do Sol” quando tinha 13 anos e causou um certo furor com “Psicopata Americano”, será Batman ano que vem, o que parece conduzi-lo a um certo status de estrela) e um tema interessante que esbarra em clichês do gênero e em uma certa inocência do autor na hora de tratar o assunto. Por exemplo, Bale é o melhor no que faz e se revolta contra o sistema que o criou… outro deslize é subestimar o espectador adicionando uma introdução que não serve pra nada, já que tudo o que o narrador explica ali se repete poucos minutos depois dentro da história.

Basicamente o filme mostra uma sociedade do futuro na qual uma farta distribuição de um tipo de neo-Prozac elimina os picos emocionais. Para que isso? Oras, para acabar com as guerras. Essa sociedade que suprime as emoções dos seus cidadãos é ultra-violenta e não se furta de fuzilar pessoas que se recusem a tomar a tal droga.

Olha, eu sei que o futuro é imprevisível e que coisas absurdas já acontecem atualmente em nossas sociedades modernas. Mas, cá entre nós, fora o fato de que o filme é uma alegoria política, o que lhe dá uma certa licença poética, a sensação que dá é que o diretor-escritor está forçando muito a barra. E se não fosse pouco, a direção de arte e a fotografia ainda têm aquela cara de chupados da estética de Matrix. Algumas cenas, aliás, são tiradas ipsis literis do filme dos irmãos Wachowski e Bale soa como Keanu Reeves em diversos momentos. Aliás, a bata de clérigo que aparece no filme deixa o protagonista ainda mais parecido com Reeves. Em seu benefício, podemos pelo menos considerar que “Equilibrium” é de 2002 e “Matrix Reloaded” e “Revolutions” chegou aos cinemas um ano depois.

Mas eu não disse que o filme é uma droga. Como afirmei lá em cima, é um B de coração e produções do gênero são assim mesmo. Misturam idéias inovadoras com clichês que garantem sua sobrevivência no lucrativo mercado de locadoras. Os deslizes que eu citei lá em cima não prejudicam a história, que é contada com habilidade e faz você torcer pelos personagens. As cenas de ação são bem realizadas e o autor criou até uma espécie de arte marcial para quem carrega pistolas. A produção, aliás, não é pobrezinha não. O filme tem cara de coisa bem acabada.

O protagonista vive um drama interessante quando se vê livre do efeito da droga e começa a ter sentimentos novamente. O golpe fatal na dureza do personagem é justamente quando ele se afeiçoa a um cachorrinho. E sabe como é… Filmes com cãezinhos já estão meio caminho andado na hora de me conquistar.

Passei umas horas ouvindo os meus amigos Henry e o Ennio

8/07/04

Nossa, até perdi a hora ouvindo os CDs com as melhores músicas de “Midnight, Moonlight & Magic The Very Best of Henry Mancini” e “Movie Masterpieces - Ennio Morricone”.

Coisas de primeira linha. Principalmente as do tio Ennio, que me apetecem mais. Tudo é aventuresco, dramático, épico. Posso ver os caubóis cavalgando nas grandes planícies do Oeste.

A Rita >piiiiiiiiii!

8/07/04

Há meses eu recebo visitas de pessoas que buscam por uma certa atriz global que fez uma personagem desesperada pela fama na novela “Celebridade” e que tem um nome meio, digamos, carente de umidade…

Não. Me desculpe. Eu não vou escrever o nome da moça porque, se eu fizer isso, vou passar mais um ano recebendo no meu site a galera que vem do Google atrás de imagens da tal atriz como veio ao mundo (evito aqui a outra palavra que atrai mais algumas centenas de hits).

Mas seguindo esse princípio, como falar da coisa mais bizarra a qual eu me expus nos últimos tempos? O filme pornô com a… Aquela tal de Rita cujo sobrenome artístico vem de um carro chique.

Não achei nada de erótico. Ela está claramente desconfortável e faz quase todo o roteiro de posições e modalidade de filmes do gênero… Inclusive, errr… ah, cacimba, pela porta de trás!!!

No geral, eu fiquei deprimido de ver aquela senhora se submetendo a uma série de situações das quais ela claramente não está gostando. Aliás, ela faz é cara de dor e desconforto o tempo todo. Mas a gente não pode esquecer que pra muitas pessoas até isso é meio erótico, sabe como é. Para completar, os atores não estão nada animados. Parecem meio burocráticos, acostmados a fazer aquelas coisas com garotas de programa jovenzinhas, ficam incomodados ao se ver obrigados a traçar a quase sexagenária rainha do rebolado, do bumbum e de sei lá mais o quê.

10 vezes Wow!!

6/07/04

Neste Natal, as lojas vão receber uma impressionante caixa com 10 DVDs do universo Matrix, diz o Digital Spy (enviado via e-mail pelo Cris), ainda sem confirmação oficial da Warner.

Se for verdade, a lista é impressionante. Teremos todos os filmes, mais três discos somente com documentários no estilo do Matrix Revisited, um disco com Animatrix e três discos com documentários especiais sobre a série.

É estranho que não exista nenhuma menção ao jogo de RPG em massa (MMORPG) que eles pretendiam lançar este ano. Uma caixinha sendo lançada sem que se faça nenhum comercial de um lançamento como esse é uma estratégia incompreensível. Vamos esperar pra ver se a Warner confirma essa listinha.

6/07/04

Ok, lá vem Moore de novo. O filme dele se aproxima e eu já coloco dois textos em um mesmo dia a respeito.

A direita americana (e a brasileira também, aqueles puxa-sacos do Offmidia que o digam) está desesperada com o sucesso do filme de Michael Moore e com a perspectiva de que Bush seja derrotado nas eleições do final do ano. É engraçado porque, por mais que eles demonstrem desespero, as pesquisas não indicam que Bush esteja perto da derrota final. Será que essas pesquisas americanas são sérias?

O que dá pra sentir é que, depois da perplexidade pós 11 de Setembro, os liberais americanos se organizaram para derrotar Bush. Há uma espécie de arrastão da classe artística para tirar o atual presidente da Casa Branca. Mas é difícil saber daqui se isso vai mesmo dar resultado…

O que dá pra ver é que, assim como a galerinha Offmidia com suas teorias conspiratórias ridículas (eles praticamente afirmam que os comunistas dominaram o mundo e controlam os meios de comunicação… Ai, ai), os americanos não ficam atrás. Mais incrível é que esses americanos são inábeis e grosseiros. Um exemplo de texto retirado do moorewatch em resposta a um leitor que manda um e-mail grosseiro reclamando das imbecilidade do site:

If we did start a civil war we’d win, because all the lefties would be cowering at home, wetting themselves at the thought of actuallly having to pick up a weapon and use (gasp!) violence to defend themselves. (Tradução: Se nós começássemos uma guerra civil iríamos ganhar, porque todos os esquerdistas estariam se escondendo em casa, se mijando de medo com o pensamento de ter que pegar uma arma e usar de (gasp!!!) violência para se defender.)

A internet está cheia de pessoas mal-educadas que mandam mensagens grosseiras para todo mundo. Feio é ver os editores de um site respondendo assim. E dá bem uma medida do nível abaixo da crítica dessas pessoas.

E até aqui, o filme já fez US$ 60 milhões só nos Estados Unidos.

Deixe que vejam

5/07/04

Michael Moore é mesmo marketeiro. Como seu filme “Fahrenheint 9/11″ já gerou rios de dinheiro e pode estar rumando para a espetacular marca de U$ 100 milhões em bilheterias só nos Estados Unidos, ele se deu ao luxo de declarar que não se opõe a ver seu filme partilhado pelas redes P2P.

Aliás, Moore anda tão odiado pelos conservadores americanos que já gerou um documentário feito para ridicularizá-lo. Os mesmos grupos fizeram questão de criar sites de FTP e difundir links para o download do filme, dizendo que queriam ver o que Moore ia dizer a respeito…