Parece que bebe – Parte 3: Pataquada

Não deu outra.

É nas pequenas coisas que a gente vê a incompetência alheia.

Que eu vinha me decepcionando com o governo Lula, quem lê este site já tinha notado. Mas esta história do NYT passou dos limites.

No último ano e meio, tudo o que se vê é uma equipe que não diz a que veio, que expulsa as vozes dissonantes do partido, que age com arrogância, que bate cabeça.

Agora, esse bando de incompetentes resolve transformar um artigo em caso de discussão internacional sobre a liberdade de expressão no país. Viramos a republiqueta que expulsa jornalistas que incomodam o presidente…

Só que o mesmo presidente e sua assessoria de quinta categoria se esqueceram de verificar se tinham mesmo o poder necessário para expulsar o tal repórter. Porque, acredite, eles não fizeram isso e o Superior Tribunal de Justiça concedeu uma liminar garantindo a permanência do tal jornalista no país.

Ou seja: Lula é humilhado pelo repórter que o chamou de bêbado.

Inacreditável.

Parece que bebe – Parte 2

Tempos malucos.

Não tenho escrito aqui direito, porque estou entrou viajando amanhã e entrando de férias na semana seguinte.

Mas esta sandice, esse capricho do governo Lula de expulsar um repórter porque ele ofendeu o presidente me deixou impressionado e preocupado com o rumo das coisas.

Primeiro porque meus amigos em geral acharam tudo normal. Então, um presidente se dá ao trabalho de expulsar um homem do país porque este o chamou de “beberrão”? Fala sério. Só se faz isso em republiqueta de bananas.

Ao fazer isso, além de dar um golpe mortal na nossa liberdade conquistada a duras penas (quando a têm, as pessoas costumam achar que não vale de nada, mas isso é outro assunto) o cara se coloca em mais uma polêmica política e, em vez de mostrar força, vai revelando despreparo.

Um artigo que poderia ter sido ignorado como piada se transformou em um caso político grave. Virou fato: no Brasil, o governo persegue jornalistas que incomodam o presidente. Já ganhou outro artigo hoje no New York Times que chama o presidente de fraco. Isso mesmo. Eles compraram briga. Isso que dá darmos tanta importância a um jornal que faz parte de uma imprensa que se curvou ao presidente incompetente deles, o Bush filho.

Se o tal artigo era mesmo parte de uma estratégia de ridicularizar Lula, o próprio e seus assessores fizeram o favor de tornar clara sua absoluta inabilidade de lidar com crises, quaisquer crises. Fizeram tudo o que o NYT poderia sonhar. Tornaram a piada coisa séria.

Mais uma vez. Coloque o fato em perspectiva. Lula não fez mais nada do que colocar lenha na fogueira. Não sabe jogar, não antecipa as reações adversas que vai receber e não se prepara para elas.

Só vai ficando mais e mais patético e dando mais munição para que a imprensa vá perguntar ao ex-presidente o que ele acha. E Fernando Henrique Cardoso, claro, não perde a chance de fazer campanha. Educadamente, elogia Lula, diz que de bêbado ele não tem nada e em seguida discorda da atitude dele, classificando-a de exagerada.

E o ex-presidente tem sua biografia a seu favor. Lidar com crises como essa, e coisas muito piores, para ele sempre foi moleza. Nem parece que Lula assumiu a menos de um ano e meio…

Fazendo a fria análise do passo a passo da crise, espero que Lula e seus assessores tenham cuidado para que essa expulsão não seja anulada em nenhuma instância superior por alguma manobra. Seria a maior humilhação que o governo poderia sofrer.

Parece que bebe

Olha. Complicada essa história de cassar o visto do jornalista americano que falou que o presidente enche a cara.

Se por um lado, o orgulho cívico pode nos fazer achar bacana ver o governo brasileiro dar o troco ao tal repórter americano, a liberdade de expressão sofre um golpe considerável, porque o precedente foi aberto. E não é um precedente qualquer.

Veja bem. O repórter do New York Times falou que o presidente brasileiro bebe demais. O Planalto diz que a reportagem está falando absurdos e faz uma represália dura. Então não vamos mais falar nada que desaabone o presidente? Se um jornalista descobre que o presidente rouba doce de criancinha e escreve uma reportagem sobre isso, o que acontece? Ele é deportado? É preso?

Vamos todos ficar quietinhos, em fervor cívico, adorando o presidente e apoiando todas as suas decisões.

Então tá.

Ele é legal, mas eu sou melhor…

Enquanto isso. O vice, como se estivesse em campanha, discorda levemente do rumo das coisas. É como se ele dissesse que, com ele, as coisas seriam diferentes.

A discordância respeitosa tem cheiro de campanha para se colocar como opção ao atual presidente. É impressionante o espírito golpista que temos aqui no Brasil…

O ex e o atual

A coluna de Otávio Frias Filho na Folha de hoje parece um texto pro-FHC, mas está escrito com a lucidez habitual.

O que mais pode irritar quem é pró-Lula (e quem lê minha página sabe que eu votei com no atual presidente com um sorriso no rosto) é o fato de que, em geral, Otávio Frias Filho acerta em todas as suas afirmações. E a derrota do PT ontem na briga dos bingos foi sintomática dessa situação estranha, ambígua, meio perdida que vive o governo.


OTAVIO FRIAS FILHO

Ex e atual
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está numa posição confortável. Parece que não lhe faltam convites para conferências bem remuneradas. Manietado pelo cargo que ocupou e pelas ambições de retomá-lo, FHC não pode se manifestar na antiga condição de sociólogo inventivo, tendo de se ater ao senso comum do qual não convém a um político se afastar. Mesmo assim, mantém-se em circulação e com visibilidade.

Levado, ao que tudo indica, pelo receio de ser suplantado por caciques tucanos que hoje exercem poder estadual, FHC deixou no mês passado a posição de relativo recolhimento em que se confinava a fim de mostrar que continua no jogo. O normal seria retomar, agora, o perfil mais discreto, com o intuito de se preservar para emergir novamente em momentos críticos que virão pela frente.

Os políticos profissionais se dividem entre os que só atuam por meio da ação (Lacerda e Collor, por exemplo) e os que o fazem também por meio da omissão (Getúlio e Tancredo, por exemplo). Correspondem, na gíria do futebol, aos que só jogam com a bola e aos que também sabem jogar sem bola. FHC é um político deste segundo tipo. A esse traço de estilo deve-se acrescentar que alguém muito importante trabalha dia e noite para ele.

Esse alguém é o presidente Lula, a quem os tucanos deveriam erguer uma estátua de gratidão. Ao manter, nas políticas essenciais de governo, a mesma orientação do governo tucano, Lula só confirma a sensação crescente de que Fernando Henrique estava, desde o início, correto: não existia alternativa ao modelo em vigor. Da mesma forma involuntária pela qual a ditadura conferiu legitimidade moral à esquerda, Lula a está dilapidando.

Outra contribuição inadvertida do atual chefe de governo é sua própria maneira de ser. A cada vez que Lula se mostra como é -desabrido, rudimentar, desorientado-, ficam reforçadas, por contraste, as características de discernimento intelectual e elegância cosmopolita que estão associadas, não sem motivo, à imagem popular do ex-presidente. Tudo muito confortável.

Começa a ficar mais claro, a propósito, o que houve com Lula. Ele achava que mudar dependia da boa vontade do governante. Como católico que é (essa a sua “ideologia”, no fundo), imaginava que pessoas bem intencionadas, como ele próprio, fariam o “bem” uma vez no poder. Não sabia que a latitude de decisão é muito estreita; a administração pública, muito complexa; as estruturas, mais poderosas que as pessoas.

É muito cedo, evidentemente, para saber se FHC teria chances de disputar com êxito a próxima eleição contra Lula. Seria preciso que o atual governo chegasse a 2006 com uma imagem tão ruim que fizesse despertar um novo “queremismo” no eleitorado. Mas não tão ruim a ponto de estimular vocações messiânicas que, numa situação de colapso, poderiam crescer.

Essa é a mesma Folha que publicou mais uma coluna horrorosa e tendenciosa de José Serra no outro dia. É engraçado como, antes da eleição, eu até admirava a trajetória dele. Quando vi o jogo sujo que o então candidato do PSDB fez, fui ficando tão irritado que a minha aversão a ele se tornou irremediável.

A galinha louca

Deve ser velha, mas eu só vi hoje.

No melhor estilo dos peep shows, aquelas cabininhas em que as mulheres tiram as roupas e seguem ordens de quem coloca a moedinha em um coletor, você pode fazer essa galinha executar um monte de ordens.

Tente, por exemplo, ordens como “dance like john travolta” ou “dance like michael jackson”. Vale também usar coisas como “set an egg” (bote um ovo) e “die” (morra) ou “fly” (voe).

Incrívelllllllluuuulllllllll!!!!

Tem jeito sim

É engraçado o que as pessoas são capazes de fazer.

Veja, por exemplo, a história da Hamawary, enviada pra mim por uma amiga que tem um trabalho ativo de proteção de animais.

A Hamawary é uma cadelinha vira-latas que foi encontrada 52 dias atrás em São José dos Campos. A bichaninha estava desnutrida, doente e sofrera os maus tratos de praxe na rua. Foi abrigada e tratada por um veterinário conhecido da minha amiga e hoje parece outro animal. Está irreconhecível, como você pode conferir abaixo.

Agora, basta clicar aqui para ver como ela estava no segundo dia. É pra ficar surpreso mesmo.

O que um pouco de cuidado e muito carinho não são capazes de fazer, hein?

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