Depois de um início avassalador, Grant Morrison foi perdendo o controle da história. O final em “New X-Men 154″, depois de tudo que ele deixou no ar, tudo que prometeu, é beeeeeem decepcionante.
Eu esperava mais do escocês malucão…
Depois de um início avassalador, Grant Morrison foi perdendo o controle da história. O final em “New X-Men 154″, depois de tudo que ele deixou no ar, tudo que prometeu, é beeeeeem decepcionante.
Eu esperava mais do escocês malucão…
Não vamos dar tanta bola para o Financial Times, por favor. Mas é que quando os caras dão uma sacaneada tão gostosa em uma figura tão nefasta como o Garotinho a gente tem que ecoar.
Leia o texto no UOL
13/04/2004 – Como não se eleger presidente
Coluna “The Observer”
Financial Times
Na medida em que George W. Bush e John Kerry detalham suas propostas tendo em vista as eleições presidenciais nos EUA, eles deveriam olhar para o Rio de Janeiro para saber o que não deve ser feito.
Desde a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, planeja seu retorno. Ele não poderia ter feito um trabalho pior para atingir seu objetivo.
Quando a violência fugia ao controle no Rio, ele decidiu tornar-se secretário de segurança da atual governadora — sua mulher, Rosinha — para manter-se em evidência. Entretanto, a violência escapou tanto ao seu controle que agora ele está pensando com construir um muro ao redor das favelas.
Depois do assassinato de um executivo da Royal Dutch/Shell, sua força policial ficou completamente às escuras por mais de cinco meses. Procurando holofotes, Garotinho interrogou um suspeito durante duas horas, ao vivo na televisão, até conseguir uma confissão. No dia seguinte a falácia se revelou, quando o rapaz retirou sua confissão e Garotinho ficou de mãos abanando.
Para piorar as coisas, sua mulher tem trabalhado duro para asfixiar o desenvolvimento econômico do Estado. Quando a Petrobras anunciou planos para construir um oleoduto que cortasse o Rio, ela condicionou a aprovação à construção de uma refinaria. Sua posição foi tão inflexível que a Petrobras abriu mão do oleoduto e da refinaria, e continuará transportando o petróleo de navio.
E Garotinho ainda tem dois anos.
Tradução: Rodrigo Flores
Eu demorei pra ver “Elephant”, de Gus Van Sant. Vi hoje e fiquei impressionado. As cenas são improvisadas e não há atores nos papéis da molecada. O tempo do filme é absolutamente contemplativo. Van Sant nos deixa espiar os personagens longamente, ficar ao lado deles apreciando quem eles são, o que fazem. Uma bisbilhotice interessantíssima.
Aí, você vai lendo o que todo mundo falou do filme e o que vai ecoando, se repetindo, é que Van Sant não toma partido e que não tenta explicar nada.
Besteira. Ele toma posição, claro. Ao não fazer um tratado convencional, ele investe na idéia de que o que gerou aquele evento funesto em Columbine foi algo inexplicável pelos meios convencionais. Não dizer que foram os filmes, que foram os pais distantes, que foi somente uma coisa ou outra já é uma posição bem definida. Para mim, as pessoas então tão condicionadas pela idéia de que a solução de tudo é culpar filmes, música e jogos ou a mídia, que quando elas vêem um filme como esse, que vai seguindo seus personagens sem pressa, mostrando um ato assassino no meio de coisas corriqueiras, elas se sentem obrigadas a:
1. Elogiar o filme que, de modo geral, é bem filmado e construído mesmo;
2. Usar esse discurso de que o autor não assume uma posição, quando ele claramente tem uma opinião…
E essa opinião está escondida e me incomoda em algumas coisas. Há, sim, uma tentativa de culpar os videogames violentos. Ele faz uma analogia clara entre os jogos de tiro em 3D e o tiroteio causado pela dupla de adolescentes assassinos. Há até o truque de, no enquadramento de um tiro, reproduzir a forma como o jogo apresenta os tiroteios. Nenhum outro garoto é mostrado fazendo aquilo, logo se presume que exista uma conexão. Além disso, incomoda que os dois garotos que, em alguns minutos, vão matar dezenas de colegas, embora não sejam declaradamente gays, tenham uma cena homossexual. O que me intriga é que o próprio Van Sant é gay. Então porque diabos cair no clichê dos assassinos malucos homossexuais?
O único personagem que você segue até em casa é o jovem assassino. Você nota que ele vive em um porão, que mal conversa com os pais, que toca piano, mas odeia a música, que é humilhado pelos colegas e outras pequenas informações, que vão montando o perfil do louco homicida. Então, me desculpe, mas há ali, embora escondido, um esforço, sim, de estabalecer uma linha de racioncínio a respeito de quem é o adolescente que resolve ir matar os colegas de escola.
No fim das contas, o que Van Sant faz é tirar a responsabilidade dos pais, ao mostrar que o garoto que é filho de um alcoolatra que o convida para caçar no fim-de-semana é mais um menino normal. Em vez de pegar uma arma para matar quem aparecer pela frente, ele sai avisando todo mundo de que algo ruim vai acontecer dentro da escola.
Para mim, o que há de brilhante em “Elephant” é o clímax. É perfeito ao retratar a violência do ataque dos meninos sem exagerar nem glorificar. Nesta sequência o que ele faz é nos confrontar com nossos desejos mais mórbidos. Nos colocar em armadilhas, quase que pedindo que notemos nossos sentimentos mesquinhos a cada morte.
Quando os tiros matam alguém, a platéia se sente incomodada de modo inexplicável, porque as mortes não são do jeito que ela está acostumada. Não há câmera lenta nem múltiplos ângulos. Tudo dura uma fração de segundo. Em um momento crucial, quando um dos assassinos vai atirar, Van Sant corta um segundo antes, e não ouvimos nem o som de um tiro. Nosso desapontamento, e o desconforto que sentimos com isso, dão a profundidade do nosso condicionamento sobre as convenções dos filmes. E sobre nossa sede por fatos bizarros, pelas mortes e pelo sangue.

Fui lá hoje.
Para resumir, comprei saquê por R$ 14. A mesma garrafa estava custando R$ 32 no Pão de Açúcar.
É por isso, e por causa do pastel de bacalhau, dos sanduíches de mortadela e de carne de sol, e das outras centenas de frutas, vinhos, temperos, carnes e outros comestíveís a preço em conta, que o lugar vive cheíssimo.
Como já é tradicional, sai um novo trailer, teaser ou qualquer coisa mais do novo filme do Homem-Aranha, o herói, e eu fico embasbacado. Nem ligo que as aparições do meu herói de infância fazendo acrobacias malucas estejam cada vez mais fakes.
No segundo filme, o Sam Raimi teve a manha de colocar aquela imagem marcante do Peter Parker indo embora e deixando seu traje em uma lata de lixo. Essa imagem é um quadrinho clássico de “The Amazing Spiderman” número 50, uma das revistas antigas do Aranha.
Se o filme cumprir o que o trailer promete, Aranha 2 vai ser MUITO melhor do que o primeiro filme. Em primeiro lugar porque o Octopus está muitas vezes mais interessante do que o Duende Verde, que ficou muito meia-boca.
Depois porque as cenas que vão surgindo dão a sensação de que Raimi entende do negócio quando coloca Peter como o gênio incompreendido que, para tentar fazer algum dinheiro e ajudar a tia, trabalha como um louco e começa a tirar notas baixas na faculdade. Além disso, está prestes a perder sua amada para o filho do J.J. Jameson. Provavelmente, vai estar sendo seguido pela polícia em grande parte do filme.
Pelo que eu saquei, Peter decide deixar de ser o Aranha mas vai sacando que, com o poder que tem, não é justo ficar olhando pessoas morrerem sem fazer nada. Justo quando ele está se adaptando à idéia de viver uma vida normal, surge um novo supervilão que o obriga a usar novamente o traje. Digo, imagino isso pela cena em que Octopus pega Mary Jane e diz para Peter que só a soltará se o Homem-Aranha aparecer.
E quanto à cena em que Harry Osborn desmacara o Aranha, quem leu os quadrinhos clássicos sabe o que acontece. Eu só suspeito que houve uma ligeira mudança, mas não vou estragar, não.
Pode ser tudo isso, pode ser parte e pode não ter nada a ver. Só quero estar na primeira cabine de imprensa que me aparecer pela frente.
80 mil visitas.
Prometo parar de comemorar cada dezena de milhar quando meu marcador de visitas chegar a 100 mil. Daí em diante, só vou encher o saco a cada 50 mil, ok?
Obrigado pelas visitas. Muito obrigado.
Feito por este cara.
Explosão em Madri deixa quatro mortos e 11 feridos
Você nem precisava deste link, porque essa notícia já deve estar em todos os lugares.
Mas é só para lembrar em que confusão se mete um governo quando resolve ser intransigente e mostrar como é forte e tem aquilo roxo.
O resultado é gente morta, explosão, fogo e sangue. Mas geralmente isso acontece na terra dos outros. Pior. Todo mundo torce para que não aconteça mais um atentado em território americano, mas não é nem mais por uma questão humanista, não. É porque, se acontece mais um atentado lá, a gente não sabe que tipo de coisa absurda o governo americano inventará para retaliar.
Tem gente que acha que a solução é eliminar a oposição e não os problemas que originam essa oposição. O velho chavão do combate à causa em vez da conseqüência.
Marcelo Coelho escreve bem, tem em seu currículo artigos inesquecíveis, mas escorregou feio na crítica que fez ao livro do Luís Antônio Giron, “Minoridades Críticas”.
Seu artigo termina assim:
“Há coisa de 20 anos, Luís Antonio Giron fez escândalo ao publicar, na Ilustrada, uma apreciação duríssima (e verdadeira) de um concerto de Magda Tagliaferro. O artigo levou a que várias personalidades do mundo musical escrevessem um manifesto em favor da grande pianista, já muito combalida pela idade. Um dos que participaram do abaixo-assinado foi o pianista e musicólogo José Eduardo Martins. Na qualidade de orientador da tese de Giron na USP, é o próprio Martins quem hoje assina o prefácio de “Minoridade Crítica”. Fala muito em favor da instituição e dos seus professores a acolhida do antigo “enfant terrible”. Ótimo pesquisador e crítico, Giron parece, contudo, sufocar nesse ambiente.”
Ao que o Giron responde em réplica na Folha:
“Coelho chega a dizer que Schumann e Wagner não foram citados -e basta consultar o índice para notar que o foram, ainda que ambos tenham escassa influência entre os folhetinistas diletantes. Ele acusa o ensaio de não explicar por que José Maurício foi um mito nativista. Convenhamos: ele poderia ter lido o capítulo dedicado ao Padre Mestre e a análise do ensaio de Araújo Porto-Alegre para verificar as razões pelas quais os românticos construíram o mito.
Denomina, por fim, José Eduardo Martins como orientador da dissertação. O orientador, diz o livro, foi o maestro George Olivier Toni. Na ânsia de atacar e ferir às cegas, Coelho não leu o livro com atenção -fato decepcionante para quem, como eu, aprendeu, nos nove anos em que o livro foi escrito, a sorver com deleite suas novelas tristes, suas histórias infantis -como “Minhas Férias”-, além do tratado “Folha Explica Montaigne”. Todos opus de uma mente poderosa que não se atemoriza em saltitar pelos diversos registros do pensamento humano. Pena ele ter optado, na resenha, por imitar o folhetinista que “borboleteava” pelos assuntos, descrito com ironia por Machado. “Minoridade Crítica” despertou no espírito do censor de plantão a fúria dos antigos folhetinistas. Como tal, arremetou-se contra um trabalho de pesquisa que só desejou ajudar no desbravamento de um campo de estudos.
Saltar páginas não significa ler, e sim enganar a si próprio e ao leitor.
Não é, contudo, pecado exclusivo do nosso Coelho. Ele apenas corrobora a idéia de que vivemos ainda hoje a minoridade crônica da crítica. Nela, uma sentença bem torneada vale mais que anos de pesquisa.”
A briga é deles. Teremos mais lances?