Arquivo de 02/2004

Eu creio que não, eles também

27/02/04

Ah. Então 30% dos britânicos não são religiosos (o site Amai-vos julga que não ser religioso é o mesmo que não acreditar em Deus, sabe como são esses caras…).

Legal, quer dizer que os caras conseguem não acreditar em Deus, mas são capazes de levar fé naquele primeiro ministro?

Hummm. Isso deve significar alguma coisa.

Cofre forte

27/02/04

É a minha casa cheia de coisas preciosas. Aquela no meio, menos peludinha, é a minha irmã.

Cidade Domesticada

26/02/04

Para que todo mundo ache que eu sou um mal-humorado de marca maior, vi “Cidade dos Homens” ano 2 de um fôlego só é fiquei extremamente incomodado com esse ecumenismo que me cheira cada vez mais a uma tentativa de manter a turba domesticada, anestesiada, sob controle.

O discurso do pobre trabalhador e cumpridor de suas obrigações é uma constante na dramaturgia televisiva, mas aqui ganha uma dimensão que irrita. No primeiro ano de “Cidade”, o último episódio já tinha me deixado incomodado. É aquele no qual o menino classe-média cruza com o favelado.

Aqui, esse tema dominou completamente os cinco episódios da série.

No limite, eu amo cada vez mais os personagens imorais e arrivistas dos filmes do Jorge Furtado. Essa caretice, esse discurso emburrecedor está me deixando desesperado e desesperançoso demais…

A mentira como solução

26/02/04

Os movimentos culturais têm essa característica excitante de ter o que dizer de forma involuntária. Por uma certa ignorância, por não terem sido preparadas para entender isso, as pessoas acham que o fato de um diretor ou um artista não estarem manifestando uma idéia conscientemente, qualquer análise é papo de crítico. É chute. Mas, sinto dizer, não é tão simples assim. Produto cultural não cai no mundo. Ele é gestado e as decisões de ordem estética vêm diretamente da história pessoal de quem toma as decisões artísticas de um projeto. É por isso que mesmo Rambo e Cobra (ou principalmente esses filmes) têm algo a dizer. Nesses filmes está implícita uma moral, uma ideologia que refletem seu tempo. Negros, aliás.

Falei e falei pra tentar justificar as análises malucas que eu vou fazendo neste espaço aqui. Quando eu vi “Invasões Bárbaras” pouco mais de um mês atrás, fui tocado pelo filme e pelo que estava implícito na história. Ali, o pai socialista está mortalmente doente e vê seu sistema de idéias ser destroçado e derrubado pelo filho que não o entende e que abraçou idéias diametralmente opostas. Para completar a metáfora, o pai socialista morre de mãos dadas com o filho capitalista. E morre por obra desse mesmo filho, que torce leis com a força de sua carteira para dar luxos ao pai moribundo. É uma bela representação simbólica inserida no contexto de um melodrama.

Hoje fui ver “Peixe Grande” e pra mim é impossível não comparar esse filmes. Como aqui se trabalha dentro da lógica de Hollywood, embora a premissa inicial seja muito parecida com “Invasões”, o desenvolvimento é muito diferente. Na hora de aplicar o mesmo ponto de partida ao jeito americano e aos seus valores, o filho que renega os valores do pai logo se vê dobrado pela tradição e pelo próprio hábito de preferir a fantasia à realidade. Em pouco tempo, ele adere à ilusão e está fazendo igualzinho ao pai. É um tema caro aos americanos essa defesa da tradição e dos valores familiares acima de tudo.

No nível literal, eu confesso que fui sendo domado pela habilidade narrativa do diretor Tim Burton e até me emocionei com a história. Mas não dá pra ignorar que o que estava sendo defendido ali é a lógica americana de mentir, de fingir que as armas de destruição em massa estavam no Iraque e, quando provado que não estavam, diz-se “oops!” e tudo segue seu rumo. É fingir que o presidente Bush é um homem inteligente e honesto e que ele não roubou a eleição e nem engana o seu povo. É como o pai de “Peixe Grande” diz no filme. Minha história é muito mais interessante do que a sua…

Então, mais uma vez me desculpem as pessoas que amaram “Peixe Grande”. Se meu coração infantil ficou tocado pelas imagens lindas, meu cérebro zuniu de desespero a medida que o filho cético foi cedendo às lorotas e resolveu criar para seus filhos um mundo de ilusões.

Isso me faz lembrar uma passagem genial no início do livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, de Carl Sagan.

Ele conta como um dia, no outono de 1939, estava com a mãe conversando num fim de tarde enquanto esperavam a chegada do papai Sagan. No meio da conversa, que tratava de uma briga do menino com um coleguinha que acontecera naquele mesmo dia e rendera alguns pontos, ela olhou para as águas da baía e disse:

- Há gente lutando lá longe, matando-se uns aos outros – disse apontando para o outro lado do Atlântico.
- Sei – respondeu o menino Carl Sagan – Posso vê-los.
- Não, você não pode vê-los - Replicou ela, ceticamente – Estão longe demais.

Me incomoda que as pessoas precisem de mentiras e ilusões para enxergar as graças da vida. É a base do tormento e de toda a manipulação pela qual passa o ser humano.

Mais uma farsa…

24/02/04

Depois do e-mail do Banco do Brasil, que tinha até página falsa para conseguir dados do cartão do internauta desavisado, esse e-mail que usa partes da página especial do Oscar da Veja é o mais sofisticado que eu já vi.

Todos os links são verdadeiros, menos o que leva para o tal bolão (veja o detalhe). Ali fica a única intervenção dos caras e é onde rola o erro, porque, afinal, criminoso digital que se preza parece ser sempre meio analfabeto.

Traz duas orações com sujeitos diferentes separadas pelo “e” sem o uso de uma vírgula. Erro comum entre pessoas que não vivem de fazer redação publicitária ou mesmo jornalística de primeiro time. Além disso, mesmo que tivesse uma vírgula no lugar certo, o estilo e a estrutura do texto são deselegantes. O padrão é inadequado ao que se convencionou ler na “Veja”.

Como sempre, confira onde está clicando e não abra jamais esses arquivos “.exe”. E sempre, sempre mesmo, fique de olho nos remetentes dos e-mails safados…

Annie Hall virou Polly Prince

22/02/04

Pouco menos de 30 anos atrás, um comediante chamado Woody Allen fez um filme sobre um rapaz judeu que se apaixona por uma menina porra-louca. O nome era Annie Hall, e tornou Diane Keaton uma estrela, lhe rendendo um Oscar. Em 2004, um rapaz judeu conhece uma menina porra-louca, mas o resultado é anódino, não mais do que simpático. O filme passou e nem fez muito sucesso nem foi comentado. Mas acho que há uma pequena coisa a dizer…

Peço desculpas por colocar esses dois filmes tão díspares em termos de qualidade no mesmo texto, Allen poderia até ficar com raiva de mim, se soubesse que eu existo. Mas é que, se Annie era a mulher moderna dos anos 70, Polly é uma versão domesticada, pateurizada desta mesma mulher. Só nos lembra o quanto nós ficamos certinhos, chatos, pouco cultos e nada espertos.

Annie Hall marcou época. E me dói ver o que aconteceu com aquela mulher nos dias de hoje. A indústria deu a volta, a iludiu e a transformou em uma consumidora alucinada de cosméticos. Apenas uma versão ainda mais gastadora da dona de casa fofinha e infeliz do passado. As roupas urbanas casuais viraram “vintage”, tudo ganhou seu rótulo e as coisas mudam pra ficar como sempre foram.

Mas, a despeito da digressão, na aridez atual, “Polly” serve como comédia romântica descartável. Até porque Aniston e Stiller são simpáticos e Hank Azaria está lá, fazendo mais um tipo engraçado.

Angel vai embora no auge da criatividade

22/02/04

“Well, then. Lets take out some puppets!!”

Sò mesmo em uma série de Joss Whedon uma maluquice dessas pode acontecer e não cair no ridículo: o protagonista vira um boneco.

Pois Angel, o herói, se vê em apuros ao apurar o caso em que o criadro de uma série de TV infantil fez um pacto demoníaco para transformar seu programa de TV em campeão de audiência. Só que ele vê seus bonecos tomarem vida e controle da situação.

O resultado é hilariante, com direito a transformação do boneco em vampiro e situações embaraçosas e humilhantes para Angel. As duas melhores: ele dá uma surra em Spike, seu rival, depois que o vampiro o ridiculariza, e ele cai, literalmente, nas garras de um lobisomem que o trucida, rasga sua pele de pano e deixa seu forro enfeitar o local.

No episódio anterior, Whedon tinha levado Angel a uma aventura durante a Segunda Guerra, na qual ele e Spike duelam em um submarino alemão. Na história, Angel é obrigado a transformar um humano em vampiro e acaba sendo atacado por ele anos depois, ou seja, no presente. Embora nem sempre os resultados sejam tão bons como o deste episódio dos bonecos, em geral Angel tem apresentado histórias de primeira linha, com situações criativas, personagens interessantes e bem delineados. Não chega a ser surpresa. Joss Whedon se especializou em criar personagens muito bem pensados e colocá-los em situações bizarras. O último episódio da série é só um exemplo.

Se você acha a idéia ridícula, precisa antes lembrar de que Angel lida com o mundo do fantástico, afinal, ele mesmo é um vampiro que tem alma. A cada episódio, ele e seus companheiros enfrentam monstros, demônios do bem e do mal e, claro, o fim do mundo. Nesta série, há espaço para drama e humor e os personagens evoluem a cada acontecimento. Ou seja, quem escreve corre riscos, vai a territórios desconhecidos em busca de criar bons episódios, entreter a audiência e desafiá-la. Foi isso que fez de Buffy (outra cria de Whedon) uma série com uma audiência muitas vezes menor do que o barulho que fez. Buffy (e hoje Angel) falou a um grupo de espectadores que formam opinião, que fazem barulho, escrevem artigos em jornais e revistas, fazem websites. Pessoas que gostam de algo que saia do comum.

“Angel” manteve a tocha acesa. Nem assim escapou da guilhotina. Agora, seus criadores tentam levar a série para outro canal, já que a Warner declarou não estar mais interessada no programa.

Basicamente, é uma pena que um seriado cujos produtores tenham os cojones de fazer um episódio como esse seja tirado do ar…

O pequeno que satisfaz

21/02/04

Já vai fazer um ano que minhas dores de cabeça acabaram.

Meu site era hospedado por um provedor americano baratíssimo e eu nem pensava em ir para outro lugar. Quando comecei a ter problemas técnicos com aquele bando de safados, o CrisDias já estava há alguns meses com seu novo empreendimento, o Vilago. Era seu próprio o serviço de hospedagem e eu, claro, mudei imediatamente. Foi uma decisão acertadíssima. E pretendo mesmo continuar morando aqui.

Com os problemas no Blogger Brasil, se eu fosse você pensava rápido se não valeria a pena mudar-se para um ambiente mais favorável. É claro que você vai sair de hospedagem grátis para pago, mas vai também mudar de serviço e atendimento indigentes para a experiência de ter a atenção e a simpatia de um síndico.

Arram!! Momento merchandising grátis:

-Vem pro Vilago, você também… ;)

Dia de cão

21/02/04

Hoje foi um daqueles dias. Problemas, problemas e mais problemas. Com a ajuda de outras pessoas eu consegui resolver a maior parte dos obstáculos.

Mas ainda falta.

Ainda bem que tenho um feriadão pela frente…

70.000 visitas

19/02/04

O legal da audiência de um weblog é que ela vai acelerando. As comemorações de dezenas de milhares de visitas estão ficando mais frequentes, porque mais gente vem aqui todos os dias.

Como sempre, só posso agradecer às visitas constantes e aos amigos virtuais que fiz por meio desta página.

O que aliás me lembra que este site fez 3 anos no dia 19 de janeiro e eu não disse nada. Estou ficando meio relapso mesmo…