Arquivo de 01/2004

Internet, a fronteira final…

18/01/04

Um grupo de fãs de Star Trek resolveu botar mãos a obra e fazer sua própria série baseada no universo de Gene Rodenberry.

Mas diferente do que os produtores de TV fizeram nos últimos 30 e poucos anos, que foi criar uma nova tripulação, uma nova espaçonave, empacotar e mandar ver, os caras resolveram inventar algo diferente. E para isso, fizeram uma coisa igual. Confuso?

A trupe do projeto 5 Year Mission está produzindo a continuação do seriado original da década de 60, com novas aventuras de Kirk, Spock e McCoy indo aonde nenhum homem jamais esteve a bordo da Enterprise. Tudo isso reproduzindo a estética tosca da série original, a trilha musical dos episódios, os efeitos sonoros e usando atores amadores e os efeitos digitais caseiros atuais. Destaque total para o capitão Kirk (James Crawley) com um topete inacreditável, e para o Spock de Jaff Quinn, que está muito bem maquiado. As atuações, no entanto, são fraquiiinhas e valem pelo esforço dos caras de reproduzir os trejeitos dos atores originais.

Tudo isso culminou ontem com a estréia do primeiro episódio da nova websérie, que você pode baixar em um dos sites espelho indicados. O resultado é uma divertida e saborosa volta as origens.

O que eu acho que mais atraiu os caras deve ter sido o tesão de reproduzir o esquema de produção da década de 60. Imagino eles se divertindo quando vêem os amigos abrindo e fechando na mão as portas automáticas das salas. Afinal, os trekkers adoram ver os erros de gravação em que os atores davam de cara com a porta porque os contra-regras esqueciam de abrir na hora certa.

O trabalho de reconstrução dos cenários está ótimo, os figurinos também. O fraco mesmo ainda é a luz, que distorce as cores de tudo e deixa sombras horríveis visíveis em algumas cenas. Mas fora essas observações bobas, eu posso dizer que é um dos trabalhos de websérie mais profissas que eu já vi, ao lado dos ótimos Dark Commandos e da interessante Siren. E já que eu citei esses dois, dá uma olhada no tosco, mas divertido, Kwoon.

Link de “5 Year Mission” descoberto na coluna desta semana do Ricon para o SoBReCarGa.

Jogos em rede no Mais!

18/01/04

O Mais! dedica seu material de capa à forma como os jogos estão se tornando a referência de uma geração em vez da música. Acho o artigo um esforço bacana do suplemento, mas discordo de algumas das considerações de Hermano Vianna.

A primeira delas diz respeito ao autor dizer que a atual geração tem gostos muito fragmentados e que daqui a 20 anos, essas pessoas não vão conversar sobre as músicas marcantes da sua juventude, porque cada um ouviu uma coisa completamente diferente.

È um chute apaixonado. Hermano é irmão de Herbert Vianna, do Paralamas, e tem visões muito particulares a respeito de como está o mundo da música. Idéias de quem está inserido no sistema. Sendo assim, sua visão está comprometida e marcada por preconceitos. Daqui a 10 ou 15 anos vamos saber se ele errou, mas por enquanto, as pessoas ainda ouvem as mesmas bandas e formam as amizades em torno delas. Mais ainda, se encontram na internet por afinidade.

A segunda principal observação é que ele fala apenas o EverQuest em sua reportagem. Embora este jogo seja um experimento fascinante por si só, ele é apenas uma faceta do tema e serve apenas para representar o segmento dos jogos online para milhares de pessoas. Hermano não foi ver The Sims, não conheceu os Counter Strike ou Unreal da vida. Não conheceu ou não citou e isso muda tudo. Pior ainda, é que não conheceu o que eu julgo ainda mais revolucionário em termos filósóficos, o Neverwinter Nights, que permite que uma pessoa crie um mundo para si e partilhe com os amigos via internet. É um passo a frente em relação ao EverQuest.

O mais valiso desse artigo do Mais! é mostrar como, quando um acadêmico como Hermano, que é antropólogo, se envolve com esses temas, ainda faz uma abordagem superficial e acaba não conseguindo enxergar tudo, não mergulha fundo. Isso certamente afetas os estudos que esses acadêmicos fazem a respeito dessas novidades.

Leia os artigos do Mais! e comente aqui o que você achou.

O gibi certo

18/01/04

Scott McCloud lançou o segundo número de sua iniciativa de gibi eletrônico remunerado, The Right Number. A idéia é que você paga uma merreca para ler o trabalho do cara online. Ele corta os intermediários e ganha dinheiro diretamente de você.

Se a coisa gera dinheiro, o artista segue exibindo seu trabalho. A idéia não é nova, mas depende de um modelo de negócio no qual o sistema de pagamento seja simplificado e os preços sejam baixos. A empresa que está fazendo isso, precisa ser capaz de cobrar pouco por transação.

A idéia parece estar dando certo, porque meses depois da iniciativa pioneira de McCloud, há diversos pequenos negócios surgindo na rede. São bandas indies vendendo músicas, programadores oferecendo soluções, designers exibindo lay outs para sites e por aí vai. E por que as pessoas pagam, se poderiam ter muitos desses ítens de graça? Porque, se o preço é acessível, as pessoas normais preferem reconhecer o direito do autor a ter uma remuneração justa pelo seu trabalho.

É lógico, não é? Para mim, é.

Duas coisas que me chamaram a atenção na lista de ofertas da página da Bit Pass foram a web-série Dark Commandos (da qual eu falei aqui muito tempo atrás, nos arquivos perdidos do meu site) e o documentário falso “Nothing So Strange”. Por US$ 5 você pode baixar o filme inteiro (430 megabytes) pro seu HD, em formato Quicktime. Por US$ 3, baixa uma versão com 130 mega e qualidade inferior.

Jornalismo atrasildo

18/01/04

Fotologs são mania desde o primeiro dia que surgiram, quase dois anos atrás. Só agora a Veja notou, como comprova a reportagem Gente, olha eu na rede!, que traz a incrível chamada: “Brasileiros invadem o Fotolog, a mais nova mania dos internetados”.

Tá bom que a reportagem tem que ser didática e levar em conta que o leitor pode nunca ter visto aquele assunto. Mas daí a fingir que um negócio que existe desde meados de 2002 é a última novidade vai uma grande distância.

Diga-se a favor de quem escreveu o texto que há informações corretas lá, mas as chamadas dão a sensação de que os fotologs foram inventados no mês passado, provavelmente na última semana do ano, em que a Veja entra sempre em recesso.

O leitor não tem culpa se a revista não está atenta às novas tendências e, quando nota a existência de algo interessante finge que é novo para não pegar mal.

Surpresa nenhuma

17/01/04

Um homem invadiu a casa de uma mulher e foi atacado por Lassie, a cadela da distinta senhora. Segundo os relatos de O Globo, o sobrinho da tal dona da casa estava dando uns pegas na filha do invasor. Desesperado pelo ataque de Lassie, o cara meteu bala no bicho (acertou dois tiros) e fugiu assustado. Pouco depois, foi cercado e preso pela polícia.

E depois, o animal é o cachorro.

Eu sei, eu sei. É uma simplificação típica de uma pessoa que adora animais de estimação e conhece muito bem o carinho que eles dedicam aos donos. Mas para mim só interessa que é mais um caso de idiota armado fazendo justiça com as próprias mãos.

O que me leva de volta à questão que já gerou muitas discussões aqui. QUando eu falo que odeio pensar que há pessoas com armas andando na rua junto comigo e que estas não foram treinadas nem estão ali para me defender de um assalto, por exemplo, fico muito tenso e preocupado.

Em outros momentos, as pessoas confundiram minha preocupação com a discussão da legislação do “porte de arma”. O que me importa é a noção, em nível filosófico, de que arma só seve pra uma coisa: matar. E não adianta esse papo de que devemos nos armar para nos defender dos criminosos. Isso é atacar consequência e deixar a causa de lado. Se fizermos assim, só vamos ter tiroteios pela rua com trauseuntes (treinados, claro, em stands de tiro) perseguindo assaltantes. O que me irrita, eu vou repetir uma vez mais, é que as pessoas se mobilizam para garantir a posse do brinquedo (a arma) e nunca se deram ao trabalho de lutar para melhorar a polícia e fortalecer as instituições de manutenção da ordem. O que tornaria muito menor a necessidade estatística da posse de arma.

Muitos anos atrás, quando eu ainda era estagiário de jornalismo, trabalhei em uma assessoria que me levou a ter contato com diversos juristas. Quando eu fazia um artigo para o jornalzinho da tal entidade, diversos desembargadores disseram uma coisa pra mim que me marcou: “o homem de bem pode nunca roubar nada, mas é perfeitamente capaz de matar”.

A começar com termos como “homem de bem”, dá para entender como funciona o mundo dos homens.

Foi pro ralo

15/01/04

Via Boing Boing:

Porque diabos os fotógrafos adoram registrar imagens de líderes com halos?

This pilot is a mané

14/01/04

“Dale Hobbin Hersh, 53, foi autuado por desacato a autoridade, já que fez um gesto obsceno ao ter que segurar sua ficha na frente do corpo para ser fotografado pelos agentes.

O superintendente da PF, Francisco Baltazar da Silva, disse que o comandante da aeronave “se deixou fotografar com um gesto obsceno, gesto este conhecido internacionalmente como obsceno”.

O comandante presta esclarecimentos acompanhado do advogado da American Airlines. A empresa afirmou que não vai se pronunciar sobre o caso, mas disse que a ordem é de que os funcionários acatem os procedimentos realizados no Brasil.”

Da Folha Online

E depois tem gente que acha que é tudo besteira. O desprezo desses caras por nós é tão flagrante que chega ao absurdo de um piloto desacatar um policial federal brasileiro.

Duvido que um brasileiro faria algo do tipo. Se fizesse e se desse mal, todo mundo diria que ele pediu pra ser preso, que não tem que se meter com a “migra” mesmo. Nosso complexo de inferioridade é impressionante.

Atualização:

O cara vai ter que pagar R$ 36 mil de multa, pago pela American Airlines, e só sai do Brasil quando o cheque compensar.

O ataque dos piratas

14/01/04

Minha nossa senhora!!!!!!! O mundo está perdido!!!

Numa prova de que as pessoas que escrevem essas notícias nunca travaram contato com o assunto sobre o qual escrevem, uma notícia da Reuters conta que o maior medo de Hollywood se concretizou (!). É que uma cópia de “Alguém Tem que Ceder”, com Jack Nicholson e Diane Keaton, foi encontrada para download na Internet.

Fala sério. Há cópias de quase todos os filmes disputando o Oscar deste ano já há algum tempo. Quem sabe procurar, acha. Como os executivos não entendem nem de filmes e nem dos desafios que se colocam a sua frente, ficam espantados com coisas corriqueiras.

São uns patetas mesmo.

Que Mojica que nada!!

14/01/04

O Ricon deu a dica, em sua coluna no Sobrecarga: G. Sander é rei!!!!

O cara produz seus filmes caseiros cheio de garra e criatividade. Gente que faz total.

Eu mandei um e-mail pro Sander no outro dia e ele me respondeu que seu site está sendo remodelado e que em breve ele vai colocar novos arquivos de vídeo com melhor qualidade. Ele aproveitou para me explicar que o nome da “produtora” dele, Parasan, vem de “filmes para sander”, já que ele achou que ninguém jamais iria querer ver os filmes dele.

Ou seja. O cara é um perfeito inventor. Um Ed Wood, um Zé Mojica, um professor Pardal. Dê uma olhada sem preconceitos. Afinal, diferente da maioria das pessoas, o cara foi lá e fez. Produziu filmes, montou um site, inventou mundos. Ficar sacaneando os erros de português do texto ou a estética duvidosa dos figurinos são coisas completamente fora de propósito.

Gemerson Sander é um sonhador de primeira estirpe, devíamos admirar gente assim.

Um gift procê

14/01/04

César Maia e seus comparsas são uma cambada de invertebrados.

Esse papo de dar presentinho para os americanos só porque eles estão tirando fotos e tendo as impressões de seus polegares colhidos é para entrar para o anedotário.

Enquanto isso, Lula pediu ao presidente americano o fim dos vistos entre Estados Unidos e Brasil. Acertou dessa vez.