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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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Adeus sonhos ou a Mamãe da Bolha de Plástico

Depois que o Lula ganhou e anda fazendo um governo anódino de braços dados com as mesmas pessoas que deixaram o país como ele está, não me surpreende em nada que os mais interessantes filmes políticos dos últimos anos tratem de socialistas moribundos.

Se em “Invasões Bárbaras” o protagonista estava morrendo e com ele iam embora seus ideais, em “Adeus, Lênin!” a brincadeira é bem diferente.

No ótimo filme alemão, um jovem vê a mãe entrar em coma por oito meses e perder a enorme mudança que aconteceu no país de 1989 a 1990. Quando ela acorda, o médico previne o rapaz que o estado de saúde de sua mãe é muito grave e que ela não pode ter grandes emoções. Ele resolve então montar uma farsa monumental para esconder dela que tudo em que ela acreditava ruiu. Assim, enquanto seu país desaba, ele faz a mãe acreditar que a Alemanha Oriental ainda existe e que o muro não caiu.

Mas em vez de recriar sua Alemanha oriental, ele bola um país de ficção, que prospera, que cresce e que passa a receber os dissidentes do lado capitalista.

Seu desespero para reconstruir a Alemanha que ruiu é um paralelo para a tentativa de manter sua mãe viva. Incapaz de curá-la de um infarto extenso, ele cria no quarto da mãe um oásis. Assim, enquanto simpático e austero bairro no qual eles moram vai se degradando e virando um lugar sujo e destruído, os velhos comunistas amigos da mãe doente a procuram para ter, ao menos por alguns momentos, seus sonhos de volta.

É uma versão brilhante do menino na bolha de plástico. Só que em vez do ar esterilizado, a mãe precisa de um mundo esterilizado. Ou ainda, o rapaz precisa esterilizar o mundo e moldá-lo para a mãe. As entrelinhas psicanalíticas vão se multiplicando e tornando “Adeus, Lênin!” mais um filme da ótima safra dos diretores socialistas frustrados e desiludidos com o rumo que o mundo tomou.

* * *

Uma observação interessante é pensar em como as distribuidoras dão tiros no pé. O trailer de “Adeus, Lênin!” vende o filme como uma comédia suuuuuuuperengraçada. Mas o que se vê é um drama sensível com alguns momentos engraçados. O espectador que já tem preconceitos em relação aos filmes não-americanos acaba indo ver esse filme esperando algi mais leve e se irrita. É assim que rola aquele ódio da cinematografia européia. Vendam o filme pelo que ele é, amigos. Só assim a gente constrói público.

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