Arquivo de 12/2003

Hoje a festa é sua…

31/12/03

Vai que eu não paro mais na frente de um computador antes da meia-noite do dia 31 de dezembro de 2003… Deixa eu me despedir dos leitores.

Foram 365 dias alucinados. Eu vi o Lula assumir a presidência e não fazer nada que me surpreendesse, o que me surpreendeu. Vi os EUA invadindo e destruindo o Iraque e, depois, mostrando o Saddam humilhado. Notícias e mais notícias nos jornais, na Internet e na TV.

Me acostumei mais do que nunca com a idéia de morar e viver em São Paulo. Hoje tenhos alguns bons amigos por lá e o que antes era doloroso virou uma convivência amigável de um carioca convicto. Sampa foi me conquistando e eu até curto a cidade.

Minha irmã, que foi no ano passado pro Canadá, voltou ao Brasil, cresceu e apareceu. Periga até casar com meu amigo de fé, meu irmão camarada. O que é uma maluquice, mas também é um sonho. A vida nos prega peças e nos coloca no meio de reviravoltas que fazem seriados bocós como “Barrados no Baile” parecerem perfeitamente possíveis.

Engordei muuito por conta da vida maluca na redação. Então, minha meta em 2004 é emagrecer, muito. Já comecei um processo de desintoxicação e reeducação alimentar. Continuo comendo muito, mas ando comendo melhor. DO ano passado para cá, meu colesterol e todas aquelas outras taxas diminuíram. Bom sinal.

Enfim. Foi um ano bom. Vivi aventuras inesquecíveis e espero viver muitas outras. Bola pra frente.

UM FELIZ 2004 PARA VOCÊ. Espero que você volte aqui mais vezes no novo ano e que encontre aqui algo que preste para ler. :)

Mais filmes…

31/12/03

Nem bem terminei a lista, já lembrei de mais filmes que têm que estar entre os dez mais. Então, para que ninguém note isso, dei um jeitinho…

9 e meio – As Horas – Basta eu ouvir a trilha sonora maravilhosa para sentir arrepios. Esse filme carregado de emoção é melhor entendido pelas mulheres, mas a discussão dos papéis definidos que se tornam uma prisão é universal. Um filme lindo e emocionante.

8 e meio – O Homem que Copiava – Jorge Furtado está envolvido nos melhores filmes brasileiros que eu vi este ano, Lisbela (roteiro) e neste delicioso filme. Furtado é também um dos cineastas e roteiristas mais influentes e brilhantes de sua geração, afinal, o que a gente vê de clones de “A Ilha das Flores” até hoje, não está no gibi. Seus dois filmes como diretor são obras intimistas, narradas em primeira pessoa e que subvertem algumas daquelas convenções. No ótimo “Houve Uma Vez Dois Verões” ele fez um filme de praia que se passa na baixa temporada. Aqui, ele conta a história de um operador de fotocopiadora que se apaixona por uma mocinha e faz tudo para conquistá-la. Perfeito, adorável e ainda por cima, com sua narrativa cheia de repetições e fragmentos, uma ode ao cinema.

E vale ainda citar: O Chamado, O Americano Tranquilo, As Confissões de Schmidt e Tiros em Columbine (que é do ano passado, mas só passou por aqui este ano).

Eu ainda não vi “Adeus, Lênin”, mas sinto que estaria nessa lista.

Promessa é dívida. Devo não nego, pago quando quiser…

31/12/03

Eu pedi votos de melhores do ano e prometi publicá-los aqui no dia 20 de dezembro. Passou e nada. Reclamaram e eu fiz que não era comigo.

Então, vou dizer os meus DEZ MAIS no cinema…

1. Matrix Reloaded e Revolutions – A galera em geral se decepcionou, principalmente com Reloaded, mas eu gostei do que os irmãos Wachowski fizeram. Eles mantiveram a integridade de seu trabalho (pro melhor e pro pior) e fizeram um filme em que têm a coragem de matar o mocinho e a mocinha e ainda pregam a idéia de que não há como vencer a tal guerra por meio da violência. A única saída é a paz.

2. Procurando Nemo – Eu fico esperando pelo momento no qual a Pixar vai escorregar na casca de banana e em vez disso os caras lançam um filme melhor do que o outro. Mas tudo bem. Quando o momento do filme ruim chegar, Dolly ensinou o que fazer: continue a nadar, continue a nadar…

3. Sobre Meninos e Lobos – Clint Eastwood gosta de surpreender com filmes sensíveis. Você nunca ia esperar de Dirty Harry uma tragédia grega que fala, entre outras (muitas) coisas, do absurdo de tomar a justiça nas próprias mãos.

4. Lost in Translation (isso aí, esqueci o nome em português) – A filha de Francis Ford Coppola não nega seus genes. Depois do saboroso e triste “Virgens Suicidas” ela é a responsável por esse filme belo e melancólico. Bill Murray se qualificou para um Oscar, mas dificilmente vai levar…

5. Invasões Bárbaras – Acabei de falar nesse filme. Dá para discuti-lo por dias e, aliás, é justamente isso que eu tenho feito ultimamente. Vá ver e entre na discussão você também.

6. Lisbela e o Prisioneiro – Guel Arraes nos entrega um delicioso exemplar do Cinema Popular Brasileiro. Filminho simpático para ser visto e revisto. É a síntese do trabalho de Arraes na TV, com suas qualidades e defeitos mais aparentes do que nunca.

7. Os Piratas do Caribe – Orlando Bloom é fraco, Keira Knightley é linda e Johnny Depp é foda. Some tudo isso e o resultado é um filme pipoca inesperadamente divertido.

8. X-Men 2 – O primeiro filme era uma produção B metida a besta. Agora, depois de ter gerado um bom dinheiro, Brian Synger recebeu uma verba decente e fez um filmaço de ficção científica. Que a matéria prima original seja uma série de gibis de super-heróis da Marvel é um mero detalhe.

9. O Retorno do Rei – Agora sim temos um filme completo. Com o Retorno do Rei, Jackson terminou de contar sua história de 11 horas e bolinha. O resultado, se não é perfeito, é monumental e emocionante.

10. Kill Bill: Vol. 1 – Todo mundo tinha medo que fosse uma bomba, mas Quentin Tarantino acertou a mão nesse delicioso épico que homenageia os filmes chineses de porradaria. Uma Thurman está poderosíssima e Taranta continua um gênio da raça, com um domínio narrativo e movimentações da câmera que ninguém mais está fazendo atualmente e que me lembram o grande Welles. Em março, em um cinema perto de você…

(eu continuo com meus momentos preferidos da TV)

Acelerou

30/12/03

A quantidade de visitas aumentou sensivelmente este ano, sabe-se lá por que cargas d`água.

Mas o que importa é qua já são 60 MIL VISITAS.

Assim mesmo, em negrito e caixa alta.

Como eu sempre digo: obrigado pela sua atenção e volte sempre. :D

A segunda vez é sempre melhor

28/12/03

A história se repetiu. Assim como em “As Duas Torres”, eu gostei mais de “O Retorno do Rei” quando vi o filme pela segunda vez.

E olhe que, no que está se tornando uma tradição nos cinemas da UCI, o condicionador de ar estava quebrado e houve até interrupção do filme durante uma troca de rolos. Depois, quando acabou a projeção, não havia funcionários do cinema para orientar o público na saída do confuso labirinto dos corredores do cinema.

Tudo lamentável. Menos o filme.

“Invasões” é bárbaro

26/12/03

Remy, um comunista sonhador, está morrendo de câncer em estado terminal. Suas convicções estão morrendo com ele e esta é sua última chance de rever seu filho, Sébastien (que virou um negociador milionário), sua filha (que saiu pelo mundo navegando), sua mulher e seus amigos. Para diminuir a dor do pai, o rapaz pede ajuda a Nathalie, a filha de uma das ex-amantes de Remy. Ela fornece doses de heroína que o farão suportar a dor da doença. A situação gera um melodrama recheado de boas atuações e que rendeu prêmios de roteiro (ao também diretor Denis Arcand) e de atuação para Marie-Josée Croze, a Nathalie.

Só isso?

Como “Invasões Bárbaras” é uma continuação do brilhante “O Declínio do Império Americano” (1986), do mesmo diretor e com o mesmo elenco, agora envelhecido, claro, o resultado é mais profundo do que a leitura pura e simples do melodrama. Antes de tudo, “Invasões” é uma alegoria política que só mesmo a crítica americana não conseguiu ou não quis entender, por motivos óbvios. (>>>>>)

Archand materializa nos personagens as idéias que já tinha estabelecido em seu outro filme. Remy simboliza os ideais socialistas de sua juventude que agora estão moribundos como ele. Seu filho é o capitalismo avançando sobre tudo e usando o dinheiro para comprar o que julga importante para dar ao pai um fim digno.

Há o momento em que Remy recebe uma mensagem da filha que saiu pelo mundo em um barco. Ela simboliza o espírito livre que ele perdeu em algum lugar de seu passado. E como ele o perdeu, a moça acaba não voltando para ver seu pai. Manda uma mensagem de adeus e, no último momento, como que traída (na verdade, no nível dramático, está sofrendo com a idéia da morte do pai), lhe vira as costas.

Logo em seguida, a cena em que Remy mergulha na escuridão totalmente dopado de Heroína, ministrada pela junkie Nathalie (convocada pelo filho, que, aliás, em nenhum momento suja as mãos), de mãos dadas com Sébastien é algo que mistura o sublime com um soco no estômago. Se você não enxerga as metáforas espalhadas pelo roteirista-diretor, ao menos se emociona com a jornada de Remy. Chorar é inevitável.

Só isso?

Claro que não. (>>>>>)

Há mais seqüências memoráveis como aquela em que a noiva do filho de Remy conversa com um padre que tenta convencê-la a arrematar objetos de uma igreja para vender em leilões de arte. Quando ela diz ao homem que aqueles objetos só têm valor para as pessoas daquela comunidade, que cresceram freqüentando aquela igreja, o padre diz “mas isso não tem valor comercial para o mundo exterior? Então não tem valor nenhum”.

Muitas pessoas enxergam cinismo em “Invasões”. Eu vejo ironia e uma espécie de consistência na mensagem que me dão uma esperança maior de ver obras inteligentes em um cinema que vai se tornando irritantemente literal a cada ano. Então, quando Nathalie, a junkie, chega na biblioteca de Remy e vê os livros que ele reuniu, para mim é a reafirmação do que ele acredita em sua existência como um ateu. A moça vai observando seus livros e parece disposta a fazer alguma coisa com aquilo tudo, como se estivesse fascinada pelas suas idéias. Ela então flerta com o filho de Remy, mas o afasta. Ele volta para sua união convencional e pragmática com sua noiva e ela fica com os livros.

Ainda bem que ainda há filmes assim. Eu não podia terminar o ano sem “Invasões Bárbaras”.

Ahhhhhhhhhh

25/12/03

Fim-de-ano no Rio de Janeiro com minha família. Eu estava precisando muito disso.

São Paulo agora, só no ano que vem :)

Nunca é tarde para dar uma dica boa

25/12/03

Já saiu faz tempo, mas eu só vi hoje (indicado pela Anninha) e sou um defensor da idéia de que todo jornal, toda revista e toda página de internet está sempre sendo visitada pela primeira vez por alguém.

Cansado das reportagens repetitivas que ficam apenas dizendo pela milésima vez que o Radiohead é uma banda fantástica, o jornalista Bob Harvilla, do East Bay Express, resolveu subverter o padrão e, só pra variar, produzir uma reportagem inventiva.

Harvilla tocou músicas do Radiohead para um grupo de crianças e pediu a elas que fizessem desenhos baseados no que sentiam e ouviam. A idéia, claro, é buscar uma opinião fresca, sem os vícios de quem já sabe tudo sobre a banda.

“When you listen to Radiohead, you’re no longer actually listening to Radiohead — you’re listening to everyone’s opinion about Radiohead. It’s impossible to separate what you hear from what you’ve read. You are betrayed by what you know, and you know way too much.

Thus, in order to solicit an honest, undiluted opinion about Radiohead, you’d have to find the proverbial People Living Under Rocks. As People Living Under Rocks are unavailable, let’s use fifth graders.”

O resultado foi espetacular. Vai lá e dá uma olhada.

Matrix Recoded

24/12/03

Esquece um pouco do anel, vai.

Baixe os trailers de “Matrix” recodificados e com qualidade superior.

Cortesia do Slashdot.

Eles não querem dizer nada sobre aquela sitcom

23/12/03

Problemas no paraíso. As três co-estrelas de “Seinfeld” estão irritadas porque acham que lhes ofereceram pouco pelo trabalho de comentar os episódios para o esperadíssimo DVD com a primeira temporada completa da sitcom sobre o nada.

Peraí. O nome da série não é “Seinfeld, Elaine, George & Kramer”. Ao que eu saiba, é “Seinfeld”, seus idiotas!!!

Não. Brincadeira. Eu sei que o programa não seria o mesmo sem eles. Mas com eu sempre digo, gente sensata é chata. Sensatez não tem graça nenhuma.

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