Não sei se é verdade que Michael Jackson é um molestador de crianças, um pedófilo. As autoridades disseram a ele que se entregue e aceite a prisão, com uma fiança de US$ 3 milhões.
Digamos que ele realmente moleste crianças (o que parece bem provável), que seja pedófilo e gay, que seja doente, tudo junto. Um pesadelo para a América moralusra. E agora? Qual é o próximo movimento?
Bom. Eu acho mesmo difícil entender a atração de marmanjos por crianças ou pré-adolescentes. Não é a toa que isso está classificado como uma espécie de transtorno, de alteração de comportamento.
Lembro que me interessei por crianças de seis anos quando eu também tinha seis anos. Eu estava no C.A aprendendo a ler e ver horas em relógio de ponteiro e me apaixonei por uma coleguinha que estava banguela que nem eu e foi meu par no baile anual da escola. Mas eu quero usar esse gancho do MJ e propor uma questão que está se tornando cada vez mais importante: a sexualidade dos jovens.
É um desvio do assunto. As maluquices do cantor ficam de lado e vamos levar o assunto para outra direção.
Tem gente querendo baixar a idade penal, prender criança de 10, 12, 14 anos. Se bobear, vão mandar matar e tudo. Os argumentos são coisas como, se pode votar, pode ser julgado. Se pode matar, pode ser morto.
Mas as crianças também estão se iniciando sexualmente cada vez mais cedo. Não é mais tão estranho saber de crianças de 10 anos (ou menos!) “brincando de médico” com os amigos (ou amigas). Muitas meninas perdem a virgindade antes mesmo de menstruar.
“Mas isso é anti-natural”, dizem alguns. “É a influência da TV e dos filmes”, dizem outros. Eu não sei de onde vem isso. Talvez venha de nós mesmos. Os impulsos talvez estejam lá e a nossa cultura os esteja afogando.
Antigamente, os casamentos de conveniência eram feitos com crianças de 9 anos, 10, 12. Os gregos, todo mundo já ouviu falar, adoravam pegar meninos (os efebos) e “educá-los”. Eram molecotes sendo explorados sexualmente em uma das culturas mais adoradas e influentes da história da humanidade.
Mas o fato é que, isso é tudo uma tentativa de contextualizar, porque a despeito do que foi feito no passado, nossa cultura condena a exploração de crianças e isso é uma causa pela qual vale a pena lutar. O que eu não sei é onde termina o cuidado legítimo e começa o moralismo exacerbado, o beatismo, o esporte de controlar a vida dos outros.
Tô sentindo que, como as pessoas estão ficando cada vez mais moralistas e ao mesmo linha-dura, daqui a pouco vão entrar em colapso, porque as idéias contraditórias vão começar a explodir dentro de seus pobres cérebros…
Aguardo seus comentários.