Arquivo de 11/2003

Duas coisas grotescas

21/11/03

Michael Jackson juntou-se definitivamente à mulher barbada, ao homem-cobra e ao homem-elefante no panteão de show de horrores. As pessoas não se interessam mais em vê-lo cantar. Tudo que ele gera de interesse se reduz ao seu rosto estranho, nariz esculpido, olhos marcados com delineador, pancake e batom. Ao lado dele está Jim Anderson, o delegado-mostra-foto, uma nova atração do show.

Fala sério. Esses registros provavelmente são públicos, mas daí a publicar a fichinha do Michael Jackson (que eu não vou mostrar, já está exibida em lugares demais) no website da delegacia, vai uma distância enorme. Aliás, dei uma vasculhada no site e não vi a fichinha de nenhum outro preso. Vergonha total.

Dito assim, muita gente vai pensar que eu sou um fã do astro pop mais esquisitão da face da Terra. Não sou. Não tenho nenhum disco do MJ.

Mas voltando ao assunto, como eu ia dizendo, essa situação toda é o resultado de uma equação insana na qual os advogados, os promotores e sei lá mais quem querem aparecer de qualquer jeito e usam um astro esquisitão para conseguir seus objetivos. Mas isso não é novo nos Estados Unidos. Lá a coisa virou show já faz tempo.

Legal

20/11/03

O que posso dizer? Vi “Legalmente Loira 2″ e ri pra burro.

É uma comédia idiotinha e funciona.

Ah, sim. Aquele cachorrinho gay da protagonista é demais.

Tananã, tananã, tananã, tananã…

20/11/03

SWAT é infantil, simplista cheio de testosterona, com um roteiro previsível minuto a minuto e direitista ao extremo.

Mas eu me diverti com a falta de cérebro e de pretensão do filme. Os personagens são umas antas que se acham espertíssimas, os vilões são umas bestas, mas o filme desce redondo pra quem gosta de ação descerebrada.

Sei lá. Me senti nos anos 80 de novo (embora a série seja dos anos 70…), naqueles filmes em que todo mundo é hot shot. Nem é tão estranho, já que aqueles eram os anos Reagan e estes são os anos Bush Junior.

Talvez, se eu estivesse num dia ruim, poderia ter odiado o filme. Hoje, eu não liguei para os absurdos e gostei. Mas não dá pra ignorar aquela adoração por armas e a adoção da violência como a solução para tudo. Este sim é um filme “doutrina Bush” do início ao fim.

Mais que mil palavras

20/11/03

Veja no UOL

Ou na Common Dreams

Nãaaaaaaaaooooooo… (2)

20/11/03

Os spams de comentários deram um tempo, mas agora voltaram com força total.

Agora começou o jogo de gato e rato pra ir deletando e bloqueando esses desgraçados…

Cuidado com o laranja…

20/11/03

Posso dar uma de Alice?

(piada de velho que assistia ao humorístico do Jô Soares nos anos 80… Nem todo mundo vai entender)

Ele come ou não come criancinhas?

19/11/03

Não sei se é verdade que Michael Jackson é um molestador de crianças, um pedófilo. As autoridades disseram a ele que se entregue e aceite a prisão, com uma fiança de US$ 3 milhões.

Digamos que ele realmente moleste crianças (o que parece bem provável), que seja pedófilo e gay, que seja doente, tudo junto. Um pesadelo para a América moralusra. E agora? Qual é o próximo movimento?

Bom. Eu acho mesmo difícil entender a atração de marmanjos por crianças ou pré-adolescentes. Não é a toa que isso está classificado como uma espécie de transtorno, de alteração de comportamento.

Lembro que me interessei por crianças de seis anos quando eu também tinha seis anos. Eu estava no C.A aprendendo a ler e ver horas em relógio de ponteiro e me apaixonei por uma coleguinha que estava banguela que nem eu e foi meu par no baile anual da escola. Mas eu quero usar esse gancho do MJ e propor uma questão que está se tornando cada vez mais importante: a sexualidade dos jovens.

É um desvio do assunto. As maluquices do cantor ficam de lado e vamos levar o assunto para outra direção.

Tem gente querendo baixar a idade penal, prender criança de 10, 12, 14 anos. Se bobear, vão mandar matar e tudo. Os argumentos são coisas como, se pode votar, pode ser julgado. Se pode matar, pode ser morto.

Mas as crianças também estão se iniciando sexualmente cada vez mais cedo. Não é mais tão estranho saber de crianças de 10 anos (ou menos!) “brincando de médico” com os amigos (ou amigas). Muitas meninas perdem a virgindade antes mesmo de menstruar.

“Mas isso é anti-natural”, dizem alguns. “É a influência da TV e dos filmes”, dizem outros. Eu não sei de onde vem isso. Talvez venha de nós mesmos. Os impulsos talvez estejam lá e a nossa cultura os esteja afogando.

Antigamente, os casamentos de conveniência eram feitos com crianças de 9 anos, 10, 12. Os gregos, todo mundo já ouviu falar, adoravam pegar meninos (os efebos) e “educá-los”. Eram molecotes sendo explorados sexualmente em uma das culturas mais adoradas e influentes da história da humanidade.

Mas o fato é que, isso é tudo uma tentativa de contextualizar, porque a despeito do que foi feito no passado, nossa cultura condena a exploração de crianças e isso é uma causa pela qual vale a pena lutar. O que eu não sei é onde termina o cuidado legítimo e começa o moralismo exacerbado, o beatismo, o esporte de controlar a vida dos outros.

Tô sentindo que, como as pessoas estão ficando cada vez mais moralistas e ao mesmo linha-dura, daqui a pouco vão entrar em colapso, porque as idéias contraditórias vão começar a explodir dentro de seus pobres cérebros…

Aguardo seus comentários.

Espeto de quê?

19/11/03

O Cristiano, em um texto, digamos, fálico, fez questão de dizer que o espeto dele é de ferro. Eu respirei fundo e tentei ignorar as 347 piadas que surgiram com essa afirmação, porque o que importa é que a minha mana agora tem seu próprio domínio:

www.annamaron.com.br

Agora falta mudar o desenho do site, cunhadão.

Vocês querem caferem?

19/11/03

Não tinha jeito.

Sou jornalista, durmo pouco e, claro, adoro café. E para levar essa paixão às últimas consequências, não basta ficar procurando cafés diferentes, descobrindo os fabricantes mais criteriosos e coisa e tal. Sou um amante de café ao ponto de começar a curtir até aquela versão aguada que virou marca das cafeterias americanas.

Era questão de tempo até eu comprar uma daquelas máquinas de espresso e uma Moka Express.

Como uma máquina é algo muito caro, me contentei com a Moka Express mesmo. É essa chaleirinha meio feiosinha que você está vendo aqui junto deste texto. Eu dei uma procurada geral na rede e não consegui encontrar um esquema desenhado com o modo de funcionamento dessa belezinha. Mas é mais ou menos assim:

1. Você põe água na metade de baixo da “chaleira” (note que ela se divide em duas peças de alumínio que se unem por uma rosca)
2. Há um local no meio da chaleira onde você coloca o pó de café
3. Quando você coloca a chaleira no fogo, a água ferve, evapora e passa pelo pó, vira líquido de novo, agora com o café, e continua subindo por um prodigioso sistema no qual a pressão empurra o líquido para a parte de cima
4. Sai um café cremoso e forte. Vão ser preciso diversas tentativas para acertar em cheio, mas vale os esforço

Agora só falta uma máquina de espresso…

Laços de Família

15/11/03

Hoje foi um dia cheio, de fazer inveja ao Manoel Carlos. Virei a madrugada no fechamento da minha revista e vim pro Rio de Janeiro para um almoço histórico que a minha mãe promoveu.

Desde a morte do meu pai, mais de 21 anos atrás, eu nunca estive reunido com ela e todos os meus irmãos e alguns dos meus sobrinhos e primos no mesmo teto. Foi emocionante. O tempo tem um efeito engraçado de, quando os problemas se mostram menores do que estimados a princípio, vão sendo esquecidos e as pessoas vão encontrando afinidades, gostos semelhantes.

E, puxa, meus sobrinhos e priminhos (todo mundo na faixa dos 20 a 26 anos) são muito bacanas.