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Seja bem-vindo. Este é o blog do jornalista Alexandre Maron. Aqui você vai encontrar textos sobre assuntos que vão de cultura pop a política, de religião a video games. Há também meu histórico profissional e meu portfolio. Conheça meus outros projetos.

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O melhor filme de 2003, só chega em 2004

O que me fascina nas pessoas é a forma como elas são cheias de surpresas. Estão sempre prontas para contrariar a imagem que nós fazemos delas.

Como é que o cara que ficou popular com frases como “come on, punk, make my day”, que fez um monte de filmes ruins, outro monte de coisas sofríveis e que dirigiu tanto clássicos modernos como “Os Imperdoáveis” quanto um lixão como Rookie (com SOnia Braga e Charlie Sheen) me sai com um filme como Mystic River? (
http://mysticrivermovie.warnerbros.com/index.php”>site oficial
) O filme deve estrear no Brasil em janeiro de 2004 com o nome de “Sobre Meninos e Lobos”.

É sintomático que Clint Eastwood só dirija o filme e não tenha escolhido um papel para si. Em “Mystic”, ele quase pede desculpas pelo seu passado violento e, para manter sua psiquê de homem forte intacta, não aparece. Seria covardia ou sensatez mercadológica?

Sem revelar demais sobre a história, três garotos vivem uma experiência traumática na infância e se reencontram 20 e tantos anos depois. Isso acontece quando a filha de um deles, de apenas 19 anos, é encontrada morta. O crime é investigado por outro dos três meninos e o principal suspeito é também um deles. O drama (ou tragédia) está montado. Agora é só aproveitar a viagem.

Mas interessante, Clint coloca em dois dos três papéis principais ícones da esquerda em Hollywood, os incansáveis Sean Penn e Tim Robbins. Isso, claro, gerou alerta vermelho nos sites conservadores que se apressaram em dizer que o machão mais durão de Hollywood os traiu. Para completar o trio, só podia surgir O coadjuvante de confiança: Kevin Bacon. Sem eles, mais Lawrence Fishburne e a dupla de atrizes de quem falo mais na frente, “Mystic River” seria um “quem matou” qualquer. Ao contrário, é um drama de mistério com alma.

Nos papéis femininos, Marcia Gay Harden (que já ganhou Oscar de coadjuvante e pode ser indicada novamente) interpreta uma mulher frágil, perturbada, e Laura Linney é uma Lady MacBeth, a mulher forte do cara mais durão da cidade (Penn). Ambas fazem o contraponto ao que dizem os homens em um filme profundamente masculino. São elas que nos mostram algumas das emoções (ou a ausência delas) que não estão tão claramente na superfície. São elas que tornam tão claros os cóedigos de conduta familiares aos quais os personagens se vêem presos. E há ainda a mulher de Sean, o personagem de Bacon. Ela não tem rosto nem voz durante grande parte do filme, mas seu silêncio sublinha o sofrimento do policial.

A trama é construída com apuro visual e um controle extremo das ótimas performances. Não há espaço para legendas dizendo onde você está ou quantos anos passaram. Isso tudo é mostrado visualmente, por meio de figurinos, cenários e ações dos personagens. Mais impressionante ainda, é que você sabe em um piscar de olhos exatamente quem dos meninos os atores adultos estão interpretando. Parece que esse era mesmo um trabalho de estimação de Eastwood.

É uma história sobre machismo, sobre violência, sobre a dor e a culpa, a lealdade e sobre os princípios básicos que regem a vida em sociedade e, claro, mais uma vez, sobre as armas, sempre elas. Parece que eu é que sou monotemático, mas o assunto é sério, preocupa todo mundo que não gosta de sair armado por aí. Preocupa até o cara que ficou famoso distribuindo tiros pra todo lado.

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