Arquivo de 10/2003

Forma e conteúdo de primeira

22/10/03

“The Shape of Things” (que significa algo como “A Forma das Coisas”) é bom demais. Neil LaBute, o mesmo de “Na Companhia de Homens” e “Enfermeira Betty”, adapta sua peça de sucesso usando justamente os mesmos Paul Rudd e Rachel Weisz (linda e interessante como poucas).

A história mostra um jovem nerd que conhece uma estudante de arte e se apaixona. Nas semanas seguintes ele a deixa mudá-lo de todos os jeitos e entra em confronto com os amigos que o conheciam como um bregão incorrigível.

Quem viu qualquer dos filmes anteriores de LaBute -mesmo o mais comercial deles, “Possessão”, com Gwyneth Paltrow- sabe que nessa história vão surgir diversos componentes absolutamente caústicos a respeito da natureza humana. Mas ele não chega a ser, sei lá, maldoso como o Todd Solondz. É um olhar cínico, sim, mas que não deixa de levar em conta alguns bons sentimentos.

Você vai discordar de mim, eu sei, mas acho que em vez de misógino, LaBute diz que há pessoas mais e menos escrotas, com e sem princípios. Ser homens ou mulheres não importa. Assim, mesmo fazendo coisas ruins, os anti-heróis dos filmes do diretor-roteirista-dramaturgo têm sentimentos em relação às coisas ruins que fizeram. E na sutileza das atuações ficam leituras que vão muito além do que os personagens estão dizendo.

A Sophia chegou

21/10/03

Minha maldita máquina digital está bichada, então não vou poder mostrar como é a minha linda cadelinha, a Sophia Loren.

É uma maltesinha de quase três meses que está dividindo o meu apê com o Carl Sagan, meu cão mimado.

Lambe minha cara, morde o dedão do meu pé, rói os fios, não obedece direito.

Mas é linda. Já estou apaixonado. :)

Jake 2.0 mais parece o bom e velho Peter Parker

19/10/03

Por alguma falha de caráter eu acho que não cheguei a falar direito do Jake 2.0 aqui ainda.

Jake é um técnico que conserta computadores da NSA, a agência de segurança nacional dos EUA, e sonha ser um agente de verdade. Um dia, ele está em uma sala durante um atentado e é ferido e contaminado por nanorrobôs experimentais. Sob o efeito deles, Jake fica mais forte e rápido e passa a ser capaz de controlar aparelhos eletrônicos como se fosse uma espécie de controle remoto universal vivo.

A série começou a ser desenvolvida com algo como o moleque de seis milhões de dólares. Mas acabou sendo modernizada e formatada para uma audiência mais jovem. Assim, Jake é tímido e não consegue se dar bem com garotas. Como eu disse no título, parece o bom e velho Peter Parker.

E para melhoras as coisas, o cara que está cuidando da série é o David Greenwalt, um dos responsáveis, ao lado de Joss Whedon, por Buffy e Angel. A série promete, embora seja difícil ter vida longa na micada UPN… :(

Isso é tremêindo

19/10/03

Melhor do que receber o jornal todos os dias é o kit de caixas de som mais subwoofer bacaninha que veio de brinde.

O quarto tá tremêeinndo.

Quais serão as revelações de Matrix?

17/10/03

Será que “Matrix Reloaded” é um filme bom?

Eu só vou conseguir tecer um comentário mais preciso sobre isso depois que eu vir “Revolutions”, o terceiro filme da série.

Viagem no tempo de pobre

16/10/03

O Cris me mandou esse e-mail bacanérrimo:

TiVo time warp
posted October 15, 2003 at 11:17 pm ET

Since Meg’s a big Red Sox fan, we watched the Sox-Yankees game tonight. The game started at 4:30, so we TiVoed it to watch after work. Meg hurried home, carefully avoiding any evidence of the game already in progress, and we started it from the beginning about an hour and a half after the actual starting time.
It’s perilous, watching time-delayed sporting events, and we had a couple of close calls with the TiVo. When our ordered pizza came, Meg scampered into the bathroom of our tiny apartment and turned on the faucet to avoid any accidental mention of the game’s progress by the delivery guy. Then Meg’s phone rang. She picked it up and looked at it, distracted by the game and unsure of what to do with it. I immediately realized it was her parents, calling with word of the completed game.

“No, no, don’t answer it!” I yelled. “It’s your parents! They’re calling from the future!”

Eu já fiz um post sobre isso em algum lugar do passado, mas vale repetir que a principal característica dessa evolução tecnológica é a mudança da relação de temporalidade do ser humano

Quando ouvíamos fitas cassete, ou víamos filmes em vhs, éramos obrigados a seguir a linearidade dessas mídias. O que dizer então das transmissões de TV? Há algo mais linear do que isso?

No entanto, a chegada da mídia digital foi nos deixando manipular música, texto e vídeo de formas antes impensáveis. Essas mudanças alteraram inclusive nosso modelo de pensar como bem diz o livro “Cultura da Interface”, do Stephen Johnson.

Tudo isso pra gritar:
Eu quero o meu Tivooooooo. Eu vi na “Wired” que os caras lançaram até um modelo com gravador de DVD integrado. Eu queroooooo.

Desvio pra cá e pra lá

16/10/03

Achar que uma pessoa tem que saber atirar ou tem que ter tentado comprar uma arma para poder discutir o assunto da posse responsável de armas é mais do que uma atitude arrogante, um absurdo conceitual.

Enquanto as motivações da discussão forem levadas para esse tipo de argumento as coisas realmente não evoluem.

O grande problema dessas discussões é que há uma enorme fatia de pessoas que querem ter armas, só querem ter armas e pronto, elas não querem se preocupar com todos os outros problemas causados por isso. Dane-se. Eu quero ter meu revolverzinho, ou minha uzi, ou minha espingarda. Eu sou um cara legal. Os outros que cuidem de si.

Elas acham que a solução das tragédias que viraram cidades como o Rio de Janeiro não é pressionar sua câmara de deputados e seu governador para trazer soluções de segurança pública. Em vez disso, querem ter um revólver para brincar de faroeste com os criminosos que os ameaçarem.

Então, o argumento de salvação virou a história de que “os criminosos estão armados, temos que nos armar também”. Como se isso fosse também resolver o problema. Nada de apoiar políticas efetivas de combate ao crime. É mais fácil contratar um segurança particular, botar uma grade mais forte na frente da casa ou do prédio e comprar um trabuco. Será que não vêem que foi justamente essa política de avestruz (armado, é verdade, mas ainda avestruz) que nos trouxe até aqui?

Eu não consigo imaginar a trama diabólica que essas pessoas imaginam por trás das campanhas de desarmamento. Talvez elas achem que os traficantes controlam a TV Globo e todas as outras emissoras, todos os jornais e revistas e estão querendo desarmar as pessoas para torná-las alvos fáceis.

A minha preocupação começou de verdade quando eu recebi um e-mail dizendo, a grosso modo, que as TVs (ou a mídia em geral) não se preocupam com as pessoas que causam acidentes automobilísticos e matam outras pessoas, mas que estão fazendo massivas campanhas contra o desarmamento.

Aquilo acionou um alarme desesperado na minha cabeça e pela primeira vez em muito tempo eu mandei um e-mail respondendo essa afirmação. Pena que não tenho mais essa mensagem, mas em essência eu não consigo entender a cegueira de uma pessoa ao dizer isso.

E todas as campanhas contra direção perigosa, a criação do novo código de trânsito? Todas as campanhas que diminuíram e muito o número de acidentes nas estradas? Oras, eu já trabalhei em jornais e revistas e sei da preocupação dos editores de monitorar o número de acidentes em grandes feriados para alertar a população.

Como uma pessoa pode ficar tão cega a isso tudo e achar que estão de implicância? Fala sério, meu filho.

O que eu gostaria sinceramente é que as pessoas recuassem às perguntas mais básicas antes de saírem desqualificando quem tem o direito de se sentir inseguro ao saber que há um monte de desconhecidos armados por aí. A prova de que isso não é simples é justamente o fato de que já há uma legislação rígida regulando a posse de armas.

Perguntas básicas. Foi por isso que eu listei perigos do cotidiano no post mais abaixo. Será que todo mundo precisa ter carro? Se todos tivessem carro e saíssem ao mesmo tempo, as grandes cidades dariam um nó. Não é a toa que em alguns lugares há até pedágio para circular no centro da cidade em certos horários. Nos vendem essa idéia de que precisamos ter um carro e todos saem atrás desse sonho. Se em algum momento esse paradigma mudasse e precisássemos discutir o assunto da posse dos carros pelo bem comum de um grupo social, já prevejo o velho “eu tenho o direito”. Dane-se o grupo, o que importa é o meu desejo básico. Quero o meu.

Tudo bem ser proibido fumar em certos lugares, certo? Claro, principalmente se você não fuma. Mas não esqueça que há fumantes desesperados com essa perseguição. O argumento dos anti-tabagistas é o de que, ao fumar, a pessoa me intoxica também. Todo mundo aceitou isso, inclusive nossos amigos que agora nos desqualificam por não sabermos atirar. Tudo bem, tudo bem. Eu posso morrer com uma bala sem nunca ter atirado na vida tanto quanto, ao não ser fumante, posso contrair câncer de pulmão por estar ao lado de um fumante inveterado.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Peitos diários

16/10/03

Acabou “Mulheres Apaixonadas”, começa “Celebridade”.

Eu não gostei da direção do primeiro capítulo, achei as situações exageradas e cenas como aquelas do Thiago Lacerda negociando com os criminosos no lugar da polícia (que aliás atirava a esmo pondo a pobre sequestrada em risco sem a menor cerimônia e ainda tomou couro de uma motorista comum… ah, talvez tenha sido por isso que eles atiravam tanto) um absurdo, mas acho que o estilo cheio de vilões de Gilberto Braga tem tudo a ver com novela.

O autor é um apaixonado por filmes. Do tipo que sai por aí em viagens pelo mundo adquirindo DVDs e VHS, o que estiver disponível, de um clássico qualquer dos anos 40 ou 50. Não é de se espantar, então, a maneira como ele cria tramas maniqueístas sem dó nem piedade. Afinal, eram muito maniqueístas esses filmes bacanas do passado. O problema está na nostalgia de quem os viu quando jovem e não consegue aceitar que filmes feitos hoje com a mesma despretensão possam ser bons.

Pois Gilberto Braga, como está no negócio de produzir as novas obras, impõe esse ritmo em suas histórias. Tem vilão e herói e eles são bem definidos. O público geralmente adora. Eu que não sou fresco nem intelectual, aprovo.

O que me deixou um pouco encucado foram aqueles peitos (lindos) da Juliana Paes e o exagero na caracterização dos pobres fissurados em fama. Se bem que eu conheci gente assim. Pior. COnheci jornalista que achava esses artistas o máximo. Aliás, vejo jornalista assim até hoje por aí…

Como eu não vi os capítulos seguintes, não sei se a Débora Secco já mostrou também os seus peitos turbinados na TV. Não importa que eu queria mais é ver os peitos da Juliana Paes e da Débora Secco todos os dias, o que vale mesmo é que, sendo novela do lord GB ou não, peitinhos desnudos gratuitamente ainda é uma baita apelação.

Nãaaaaaaaaooooooo…

15/10/03

Até algum tempo atrás, spam nos comentários era quando algum blogueiro vinha no seu site e deixava uma mensagem genérica como “kkkkkkkk, adorei seu site. Visite o meu em wwww.xxxxx.com”.

Era odioso, de quinta, mas eu nem me incomodava muito.

Até que surgiu o spam via referrer. Explico: o cara gerava um acesso no seu site vindo do dele, de um jeito que, quando você estava vendo de onde vieram os acessos ao seu site, você acabava indo parar no dele, um site de venda de biquinis ou outras coisas mais.

Agora a coisa fedeu de vez. Em menos de uma hora surgiram dois comentários-spam no meu site. Mensagens genéricas em inglês chamando você para ir visitar o site tal.

Exemplo:

“betting
Nice! We rather amused by this website . Visitor from betting deposit (um link aqui, diga-se de passagem)… greets
15.10.03 - 13:34:34″

Um pouco depois, veio esse:

“adipex how to use
Nice! I genuinely loved the website . coming from adipex low cost (link aqui também). Thank you.
15.10.03 @ 13:38:24″

Odioso…

Vôo atrasado

14/10/03

Se tem uma coisa irritante é chegar no aeroporto e ver aqueles operadores gastando os dedos desesperadamente para marcar um simples vôo.

É clássico:

- Para onde, senhor?
- São Paulo - Pronto, o cara fica com aquele rosto de zumbi por alguns minutos só para te dizer que…
- O vôo está lotado. Eu vou estar vendo o próximmo vôo para o senhor estar viajando…
- Ok, ok! E tem lugar? - O rapaz vira um zumbi de novo. Seu olhar está perdido, seus dedos passeiam vacilantes pelos teclados. Um brilho surge apenas para revelar alguma dúvida. Ele chama um gerente, um cara que já operava aquele mesmo sistema quando você já tinha nascido. Os dois fazem uma conferência curta e finalmente parecem ter resolvido o problema…
- Temos somente lugares nos assentos centrais, senhor.

Tudo isso porque as malditas companhias de aviação não modernizam seus sistemas. Eu sei, eu sei. Deve ser uma fortuna mudar essas jostas e todos estão quebrados, mas não quero saber. É muito mais rápido e fácil eu comprar minha passagem pela Internet do que esperar um desses operadores dedilhar minhas reservas.

E, fala sério, não dá para admitir que em plena era de internet, bancos de dados super rápidos e coisas do tipo, o cara não consiga localizar um vôo meu pelo meu nome, oras.