Forma e conteúdo de primeira
“The Shape of Things” (que significa algo como “A Forma das Coisas”) é bom demais. Neil LaBute, o mesmo de “Na Companhia de Homens” e “Enfermeira Betty”, adapta sua peça de sucesso usando justamente os mesmos Paul Rudd e Rachel Weisz (linda e interessante como poucas).
A história mostra um jovem nerd que conhece uma estudante de arte e se apaixona. Nas semanas seguintes ele a deixa mudá-lo de todos os jeitos e entra em confronto com os amigos que o conheciam como um bregão incorrigível.
Quem viu qualquer dos filmes anteriores de LaBute -mesmo o mais comercial deles, “Possessão”, com Gwyneth Paltrow- sabe que nessa história vão surgir diversos componentes absolutamente caústicos a respeito da natureza humana. Mas ele não chega a ser, sei lá, maldoso como o Todd Solondz. É um olhar cínico, sim, mas que não deixa de levar em conta alguns bons sentimentos.
Você vai discordar de mim, eu sei, mas acho que em vez de misógino, LaBute diz que há pessoas mais e menos escrotas, com e sem princípios. Ser homens ou mulheres não importa. Assim, mesmo fazendo coisas ruins, os anti-heróis dos filmes do diretor-roteirista-dramaturgo têm sentimentos em relação às coisas ruins que fizeram. E na sutileza das atuações ficam leituras que vão muito além do que os personagens estão dizendo.
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