A festa de abertura do Festival de Cinema do Rio foi bacana. Animada, cheíssima, com o que você vê sempre nesses eventos: um monte de atores desempregados tentando desesperadamente arrumar trabalho.
De resto, eu achei engraçadíssimo ver carros invadindo todas as calçadas dos arredores do Palácio da Cidade por recomendação dos próprios funcionários encarregados de cuidar dos veículos. Então festas patrocinadas pela prefeitura encorajam esse tipo de pecadilho? Outra coisa divertida é ver um monte de gente fumando maconha nos jardins do palácio da prefeitura. Então em festa de artista pode?
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Mas a melhor coisa da noite foi mesmo o filme de Sofia Coppola, “Encontros e Desencontros”. O título original, “Lost in Translation”, capta com perfeição o clima do filme que conta a história de dois americanos que se conhecem em um hotel no Japão. “Encontros…” ganhou prêmio de melhor direção e atriz no Festival de Veneza deste ano.
Bill Murray (contido, engraçado, melancólico) e Scarlett Johansson (solitária, confusa, vulnerável), o casal central, estão sublimes. O filme não se apressa, vai contando a história e delineando os personagens com diálogos precisos, situações e ações. De jeito que deveria ser sempre, sem aquelas cenas de exposição paupérrimas nas quais os personagens quase dão sua altura, peso e contam seu signo para ver se conseguem se definir para o espectador.
Murray é ótimo até quando está fraco. Quando está bem, como nesse filme, arrasa quarteirões. Scarlett não é muito conhecida e, embora seja uma graça, não é o tipo magrela sensual que os produtores adoram. Mas sabe atuar. Você pode conferir a sutileza dela em filmes como “Mundo Cão” (Ghost World).