Continuando o papo sobre Matrix, já que Reloaded estréia na quarta, dia 22, me lembrei de como as pessoas ficavam dizendo que o primeiro filme era coisa de quem adora maquininhas e outros trecos. Como assim? O filme é absolutamente ludita!! Uma das mensagens do primeiro é a de que as máquina são ruins e vão acabar nos destruindo. Essa discussão se mantém no segundo e, provavelmente, no terceiro episódios.
Aliás, o filme foi um enorme sucesso em seu final de semana de estréia, fazendo cerca de US$ 93 milhões, cerca de US$ 20 milhões a menos que “Homem-Aranha”. Um monte de gente fez ironia com isso, mas não sacou uma coisa crucial aqui: “Homem-Aranha” era um filme praticamente de censura livre (crianças acima de 13 anos podem entrar acompanhados de adultos) e Matrix é um filme “R”, em que não podem entrar menores de 17 sem a presença de um responsável. Ou seja, o resultado do filme é espantoso, um recorde para essa classificação. Mas o que importa é que o Aranha se manteve no topo
As críticas, em geral, foram mornas. Niguém que importe chegou a dizer que o filme é um lixo, o Roger Ebert (o Rubens Ewald Filho dos EUA) gostou, mas, em geral, o sentimento era de frustração. Eles esperavam uma nova revolução, fazer o quê?
Na minha opinião, a gente não pode esperar uma revolução de um filme que está continuando um enredo. Não faz sentido. A revolução só pode vir de um filme que é novo, com uma história nova, oras. Acho que, diante do desafio, Reloaded se saiu muito bem. Traz excessos, sim. Mas continua sendo um filme bacana, divertido.
O engraçado disso tudo é que eu acho que “A Saga Matrix” sofre de um problema muito particular, que é a forma como tudo foi planejado desta vez. Você não precisa ver Animatrix, mas deveria ver, porque os desenhos são espetaculares. Melhor ainda, ao ver as duas partes de The Second Renaissance começa a entender que as máquinas estão se vingando dos humanos. Que a idéia de colocá-los como baterias não é exatamente a mais prática, mas é a mais patética. Escravizar os antigos mestres e fazê-los sofrer…
Você não precisa jogar o jogo, mas deveria. Porque ali estão mais algumas revelações sobre o universo do filme. E além disso tudo, o jogo parece ser animal. Amanhã vou recebê-lo e, se conseguir rodá-lo direito na minha máquina, conto o que achei.
Em suma. A experiência não se fecha no ato de assistir ao filme no cinema. Há o site com histórias em quadrinhos, fotos, vídeos e entrevistas, os curtas, o jogo…
Algumas pessoas vão achar que isso é um absurdo, uma enganação e não vão estar de todo erradas. Mas eu acho que os irmãos malucões mandaram muito bem, estão conectados com o que está acontecendo no mundo e no que a molecada quer. Quem acha isso besteira provavelmente não joga videogames e não sabe a vontade que os moleques têm de entrar naquele mundo.
Por fim, ouvi também a trilha sonora, que é bacana, mas inferior a do primeiro filme. Do primeiro filme, eu, como bom amante de trilhas, comprei, além do disco com as músicas inspiradas no filme, o com a trilha do Don Davis, que é ótima. O disco de Reloaded é duplo e já traz as composições do Davis. Facilitou a minha vida horrores
Em suma, eu fiquei satisfeito com o resultado. Agora só falta você ver e dizer o que achou.