Fala, Baudrillard
Jean Baudrilard não gostou do primeiro filme e não quis ver o segundo, como conta o Cassiano, para a Ilustrada.
“‘O primeiro filme tinha desvirtuado minhas idéias. Aquela não era minha visão do virtual’, opina Baudrillard, que teve seu ‘Simulacros e Simulações’ exibido no ‘Matrix’ original. É dentro de um exemplar desse livro que o personagem Neo guarda um disco com ‘drogas digitais’.
Baudrillard não acha que ‘Matrix’ seja ‘uma droga’. Mas ‘existem filmes recentes melhores que este sobre o mesmo tema. “Truman Show”, por exemplo, é mais sutil. Não deixa o real de um lado e o virtual de outro, como ‘Matrix’. Esse é o problema.”
Bom ele ter falado isso. Não é incomum um autor não reconhecer a sua visão quando ela é interpretada por outras pessoas. Além disso, “Matrix” é um filme de ação que, por conta do tema escolhido, gera mais discussões na pizza depois do cinema.
A profundidade não está lá. Se você quer profundidade, vai ter que ler o “Simulacros e Simulações” do Baudrillard mesmo. Se quer entender a jornada do herói, vai precisar ler “O Herói de Mil Faces”, do Campbell, e por aí vai.
Filmes como esse são mais gostosos se você leu as obras ou está familiarizado com as idéias às quais eles se referem. O que dói é ver um monte de gente achando que viu Matrix e, por isso, entendeu a virtualidade.
Façam-me o favor. Nem o Baudrillard poderia ser mais pretensioso.
E continuando a minha campanha, quando o cinema em que você for tentar ver “Matrix Reloaded” estiver lotado, não perca tempo: vá ver “Tiros em Columbine”.
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