Arquivo de 05/2003

Zero à esquerda

30/05/03

Você já deve ter visto a revista Zero nas bancas por aí. Eu já vi gente falando bem, achei gente falando mal. Mês passado, dei de cara com uma capa com os Engenheiros do Hawaii. Resolvi que aquela eu não comprava.

Aí, dei de cara com uma edição inteira dedicada a Matrix Reloaded. Um amigo abriu a revista e me mostrou que tinha umas entrevistas da Ana Maria Bahiana. Imediatamente mudei de idéia e gastei preciosos R$ 5,90 no exemplar. Ana Maria faz boas entrevistas, escreve muito bem e, logo, mesmo que o resto da revista fosse um lixo, ela valia o preço do exemplar.

Vou lendo e dou de cara com o artigo “Os Segredos de Matrix: Incógnita ou Superexposição?”, de uma tal de Ana Cecília Del Mônaco Monteiro. Nem sei se foi ela ou um redator que botou um quadro na página 39 intitulado “As Referências Pop de Matrix”.

Mas eu sei uma coisa. O texto do box é meu.

Quem quer que tenha escrito, copiou de um box que eu escrevi para a capa da Ilustrada em 1999, quando o filme foi lançado no Brasil!!! 8-O

Como eu estou compilando meus textos antigos pra colocar em um setor deste site, aí vai o texto de 1999:

As referências e citações de “Matrix

Cinema
“O Vingador do Futuro”Pelo uso de realidade virtual, a empresa Rekall, e a cena em que um homem oferece uma pílula ao herói para que ele acorde da realidade virtual

“Exterminador do Futuro 2″ A caracterização dos sentinelas, indestrutíveis como o T1000, e a idéia da guerra entre humanos e máquinas inteligentes

“Estranhos Prazeres”As drogas cibernéticas carregadas em pequenos discos e o ano: 1999

John Woo - As cenas de ação fazem referência direta ao mestre chinês e ao cinema de ação de seu país

“Stallone Cobra” “Vocês (humanos) são uma doença, e nós somos a cura”, diz o sentinela Smith a Morpheus

“Blade Runner - O Caçador de Andróides”Nos cenários noturnos e no clima pessimista, além da tecnologia

“Tron”O herói é transportado para um mundo dominado por computadores

Filmes de Bruce Lee - Todas as cenas que mostram combates de kung-fu fazem referência ao lendário artista marcial chinês

Anime (animação japonesa) Nas cenas de luta, os diretores usam o recurso de “congelar” o tempo ao estilo dos desenhos animados japoneses-

TV

“Arquivo X” - Pelo clima paranóico e quando Morpheus diz a Neo que “A verdade está lá fora”

“Batman”O tom sombrio remete aos cenários dos desenhos animados premiados com o Emmy do homem-morcego, exibidos aqui no canal pago Warner

Revistas em Quadrinhos

“Era Metalzóica” De Kevin O’Neill - um mundo dominado por robôs que se parecem com animais

“Super-Homem” Quando Neo, no fim do filme sai voando de uma cabine telefônica

Frank Miller - A estética, roupas e o estilo de ação (personagens destruindo paredes como socos) lembra os melhores quadrinhos de Miller, como “Batman - O Cavaleiro das Trevas”

Geoff Darrow - O desenhista da série “Hard Boiled”, não por acaso escrita por Frank Miller, fez os desenhos de produção do filme -

Literatura

“Alice no País das Maravilhas”, De Lewis Carroll - quando Neo recebe a ordem de seguir o coelho branco, e depois quando Morpheus pergunta que pílula ele quer tomar

“Neuromancer”, De William Gibson - basicamente toda a concepção da existência de um ciberespaço e da estética do movimento cyberpunk se devem a este livro

“Simulacros e Simulação”De Jean Baudrillard - é o livro onde Neo esconde os discos com drogas digitais que vende. Baudrillard é o filósofo francês que discute o ciberespaço

“O Tao da Física”, De Fritjof Capra - Os próprios roteiristas e diretores de “Matrix” citam esse livro como uma de suas fontes de inspiração, a obra mistura filosofia oriental, religião e ciência

Religião

Budismo - Neo é o escolhido, que reencarna periodicamente em novos corpos e tem uma visão paticular do mundo, Keanu Reeves, que faz Neo, protagonizou “O Pequeno Buda”

O nome Neo - Por ser o escolhido, o personagem é retratado como o messias da tradição cristã

O nome Morpheus - Na mitologia grega é o deus dos sonhos; no filme, é o líder que “acorda” Neo e o guiará

A cidade de Zion - Na “Bíblia”, é para onde vão as almas sobreviventes do apocalipse; no filme é a cidade onde moram os humanos sobreviventes da guerra, que são livres dos robôs

A nave Nabucodonozor - Era um rei babiolônico que procurava o significado dos seus sonhos

O oráculo - Retirado da mitologia grega, os heróis precisam consultá-lo para decidirem seu rumo”

O texto original não era nada brilhante. O publicado na matéria da Zero é mais curto, mas está até na ordem que eu coloquei aqui e tem trechos inteiros reproduzidos ipsis literis. Tudo isso sem, em nenhum momento, citar a fonte. Ridículo.

Bom. É um mico para eles. Coisa feia mesmo. Se a revista continuar deixando seus repórteres fazerem coisas assim, vai acabar justificando o nome Zero.

ATUALIZAÇÃO: Hoje falei com o editor da revista, Alexandre Petillo, e o diretor de redação, Luiz Cezar Pimentel. Os dois reconheceram o erro imediatamente e, sem enrolação nenhuma, prometeram uma retratação no próximo número.

Free your mind, Neo!

29/05/03

Parece que os caras finalmente conseguiram bagunçar com um mundo virtual persistente. A vítima foi o Shadowbane, da Ubi Soft.

O CrisDias conta que leu no slashdot que um grupo de hackers (ou crackers, se você preferir) conseguiu fazer um massacre de proporções catastróficas em uma cidade localizada no tal mundo-virtual do jogo.

Os donos do mundo dizem que vão processar todo mundo, bater, prender e arrebentar.

Logo, logo, teremos os agentes trucidando os espertalhões nos mundos virtuais.

Vai ser maneiro :-)

29/05/03

E o Oscar de Pernas Mais Espetaculares vai para…

De quem?

Carrie-Anne Moss, a Trinity. ;-)

O novo atlas é Kool

28/05/03

A Wired deste mês traz, entre outras coisas, um ensaio bacana em que o arquiteto e pensador Rem Koolhas junta mais uma pá de gente para falar da mudança nos conceitos de espaço do século 21. Tem um atlas espertíssimo e mais um monte de artigos. Vale uma lida.

Sobe e desce

27/05/03

A moeda tem que ficar cara ou barata?

Quem viaja pro exterior regularmente, quer mais que o dolar volte a valer R$ 1, o que é uma infantilidade impossível de manter. Impossível e danosa para a economia.

O setor exportador precisa do Dolar caro, do Real desvalorizado, para baixar os preços dos produtos brasileiros no exterior. Além disso, manter a moeda valorizada custa muito caro para o governo.

A solução é encontrar um meio termo. Países exportadores precisam que a moeda esteja barata para facilitar suas vendas internacionais e conseguir mais divisas.

Assim, o Dolar a US$ 3,70 com as maiores empresas do país endividadas na moeda americana é uma loucura. Há que se encontrar uma cotação mais realista. E começa de novo o cabo de guerra. Essas empresas endividadas que “importaram” divisas contraíram dívidas enormes em doletas, fazem pressão para a valorização do Real. E como elas são as empresas de comunicação (que devem em Dolar e ainda compram todos os insumos no exterior) o barulho por essa valorização é muito grande.

E segue a gritaria. Ontem, o BC anunciou que não vai renovar integralmente sua dívida atrelada ao câmbio. Pronto. Subiu o Dolar. Pânico, medo, correria. Foi um soluço. A moeda caiu de novo hoje e vai seguir em um caminho de altos e baixos. Se o Dolar caro impede (ou dificulta) a compra de meus DVDs americanos, mas permite ao setor exportador fazer mais dinheiro, eu fico com o setor exportador, oras. Vamos arrancar dolares dos gringos.

Responda, gafanhoto…

27/05/03

De quem?

De quem são essas pernas?

Matrix Revisited

27/05/03

Vi “Reloaded” de novo. E gostei mais do filme na segunda vez. Coisas que pareciam gratuitas passaram a ter sentido, as cenas de ação sobreviveram intactas a uma segunda vista, Trinity estava ainda mais linda, Morpheus mais louco, Neo mais inescrutável. E vi uma pá de novas referências que não tinha sacado.

Bacana. Só para provocar, digo que, quem não gostou, não entendeu.

Hua hua hua!!

Jogar, jogar, jogar!!!

27/05/03

Half Life 2Finda a E3, listo os jogos que eu mal posso esperar para ver no meu computador…

The Sims 2 - Agora seus sims vão envelhecer e morrer… Parece uma ameaça? Que nada. Os caras estão criando um jogo em que você pode fazer o que antes era impossível: criar uma dinastia e acompanhá-la por séculos. Muito interessante. Se funciona jogando, a gente descobre depois.

Vampire The Masquerade: Bloodlines - O primeiro jogo prometia, mas decepcionou feio. A jogabilidade era simplificada e o sisteminha de mestragem e montagem de mundos era uma porcaria. Eu comprei e me arrependi. Dizem que esse jogo vai arrasar, que os erros cometidos na montagem do primeiro foram sanados. Vamos ver…

The Movies - Fala sério. Os caras criaram um jogo em que você cria um estúdio, administra os atores, escolhe roteiros e diretores, enfim, um Sim Studio, certo? Mas o twist é que você realmente é colocado na situação de dirigir um filme. Escolher onde colocar a câmera, iluminação etc. Mal posso esperar pra ver isso funcionando…

Spiderman 2 - Olha, eu adoro o Homem-Aranha, mas os joguinhos me cansam em uma noite. Nenhum deles me agradou e eu temo por esse aqui. Mas vou dar ao menos uma tentada, porque os caras prometem que essa versão será mais parecida com o excelente Grand Theft Auto em termos de jogo aberto. Bom assim, porque o Homem Aranha matando gente pela rua, que nem o personagem de GTA, ia ser estranho…

Evil Genius - Faça o Doctor Evil parecer uma freira se tornando o verdadeiro supervilão. Parece bacana, tem humor e charme.

Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth - Se o terror tem um nome, é Call of Cthulhu. Eu tenho o jogo de RPG e o acho quase perfeito. Transportado para o mundo dos games, pode render algo inesquecível.

X-Men: Legends - Esse eu sou primeirão na fila pra ver funcionando. Eu adorei o divertidíssimo “Freedom Force”, lançado no ano passado, então espero que esse dê um passo à frente. E, puxa, são os X-Men!!! QUem sabe dessa vez eles fazem o Ciclope do jeito certo?

Middle-Earth Online - Um mundo virtual baseado na Terra-Média. E eu não digo mais nada.

Uru: Ages Beyond Myst - Bom. Eu quero confessar que meu primeiro CD-Rom player foi herdado do CrisDias, muitos anos atrás. E o primeiro jogo que eu instalei lá se chamava Myst. Então, como os criadores deste pequeno clássico são uns gênios, eu vou ter que conferir o que diabos será esse mundo virttual que eles estão desenvolvendo.

Half Life 2 - Os caras revolucionaram os jogos de tiro em primeira pessoa. Agora, estão prontos pra chutar mais uns traseiros. os vídeos que eu vi são muito promissores. Ai, ai, ai…

E ainda nem falo dos jogos dos quais ninguém mostrou nada: o MMORPG da Marvel-Universal (se é que vai sair mesmo…), o Star Wars Galaxies (que nunca chega…) e mais um ou outro que eu esqueci, mas do qual eu falo depois.

Para que tanto?

27/05/03

Clark Kent, da série SmallvilleEu não tenho mais nenhuma dúvida. As séries precisam de menos episódios por temporada.

De onde eu tirei essa idéia, você pode perguntar. Afinal, o ideal seria termos episódios semanais o ano todo de nossas séries prediletas, certo?

Errado.

Está na cara que não há mente criativa que mantenha o ritmo de trazer 20, 21 episódios por ano com um nível de qualidade impecável. A verdade é que os canais a cabo americanos encontraram uma saída melhor: trabalhar com 12 ou 13 por temporada. Foi assim com Oz, Sopranos, Sex and The City, Six Feet Under e com o espetacular The Shield. Todos programas impecáveis. Coisa de primeiríssima qualidade.

Enquanto isso, Buffy (descanse em paz, querida), Angel, Friends e mais um monte de seriados bacanas esfalfam seus roteiristas em busca de idéias para bons episódios. O resultado acaba sendo temporadas irreegulares, com capítulos que são verdadeiros tapa-buracos.

Eu disse isso tudo por conta do final do segundo ano de Smallville, que eu vi hoje. A série intercala episódios fantásticos com uns negócios que eu teria vergonha de mostrar se os tivesse feito. Então, depois de uma temporada beeeem irregular, eles acertam a mão bonito nos últimos dois capítulos. Tô falando sério. É coisa pros fãs plantarem bananeira e pra quem só conhece o personagem na TV ficar roendo as unhas até a volta da série em outubro.

Até aqui, todas as séries que eu curto terminaram bem. Falta ver o final de Alias, que eu já li que é ótimo. Vamos ver… Enquanto isso, vai pensando se você prefere seriados com menos e melhores episódios ou o que importa é ter seus personagens preferidos invadindo a sua sala todas as semaans.

A vigésima-quarta hora

24/05/03

Ah, claro. E o final de “24 Horas” também é 10!

O grande desafio dos autores era estabelecer a história de um jeito que o próximo ano possa livrar a série de algumas amarras e renovar a fórmula. Pense bem: CTU, a filha do Jack… São elementos que vão se tornando forçados com o passar do tempo. A filha do Jack, aliás, foi eleita o personagem mais inútil da TV nesta temporada. Claro, os caras não conseguiram inventar uma trama que realmente prestasse para ela e a coisa ficou artificial.

Fazer o segundo ano de uma série traz alguns desafios interessantes, entre eles trazer diversos elementos da primeira temporada de volta. Foi por isso que os criadores colocaram Sherry Palmer e Nina, por exemplo, no segundo ano. O público tinha adorado as duas.

Mas o terceiro ano é aquele em que você precisa reinventar a série sob a ameaça de cansar sua audiência. Parece que 24 vai mesmo em outra direção.