Arquivo de 04/2003

22/04/03

Direto do chat de Ana Muylaert no UOL:

(21:32:39) SUPER BILLY fala para Anna Muylaert: oque vc achou do filme cidade de deus?

(21:35:05) Anna Muylaert: Super, considero o filme - tecnicamente - impecável. É um dos melhores filmes brasileiros que eu já vi, em vários sentidos. Porém, há uma coisa no filme que não me pega. A atmosfera do filme não se encaixa em alguns pontos. De maneira alguma eu desmereço a qualidade do filme e como ele mexeu com o público.

Como eu escrevi embaixo, achei “Durval Discos” uma droga.

Complementando o que eu escrevi, não tenho pessoalmente nada contra a Ana Muylaert e nem acho que ela se aproveite de fazer parte de uma panelinha. Mas acho que há idéias que só saem do papel por você fazer parte de um contexto, ou de uma “panela”.

Eu achei “Durval” ruim (o que é a minha opinião), mas os trabalhos passados da diretora são bons. Com a paixão que a levou ao equívoco nesta obra, talvez ela acerte na próxima vez.

Nem eu, nem você, nem ninguém…

20/04/03

Se você não fizer parte da panelinha cultural que produz cinema no Brasil e tiver a idéia de fazer um filme que começa copiando “Alta Fidelidade”, segue emulando o gênero das comédias em que um adulto turrão se apaixona por uma criança fofinha e termina brincando de filme de suspense, vai acabar sendo ridicularizado.

Mas se você for um Muylaert, um Abujamra, ou ainda um Muylaert Abujamra, vai arrumar dinheiro, vai fazer o filme e ainda periga ganhar um monte de Kikitos, o “Oscar” do Festival de Cinema de Gramado. A Ana Muylaert teve a idéia de fazer esse filme e chamou de “Durval Discos”.

Dá para se ver que ela tem paixão pelo seu filme. Mas não sabe dirigir seus atores, nem marcar cena. Tudo que há de bom nas atuações se deve única e exclusivamente ao talento e à entrega do elenco. A encenação é frouxa porque está na cara que rolaram nos ensaios aquelas instruções bacaninhas, meio genéricas, que os “mudernos” devem elogiar porque dão liberdade ao ator. São na verdade uma clara falta de noção do que fazer da diretora. Ela não sabe a hora de falar “fulano, menos” e algumas cenas soam histriônicas. Ela queria porque queria meter um cavalo no quarto com uma menininha pintando a parede de sangue usando uma vassourinha. Deu um jeito. A história, a coerência, os personagens que se danem.

Então, no meio disso tudo, algumas boas idéias se perdem. A seqüência inicial é interessante, mas longa demais, o figurino é bem sacado, mas é clichê, a trilha é divertida, mas… Oh, finalmente. A trilha é bacana. Ponto. Acertou uma.

As participações especiais são amadorísticas. Coisa de patota mesmo. O que faz Rita Lee ali? E o André Abujamra? E o Theo Werneck?

Para completar, a Marisa Orth, que eu adoro, paga o mico de ganhar lambida de cavalo no meio da cara e ainda ter que se manter imóvel, dentro da caracterização do personagem. Seguindo o bordão que virou moda: “Ninguém merece!”. Nem a Marisa e nem você. Passe longe.

E olha que eu falei pouco.

O Ciclo

19/04/03

São mais ou menos 21h da sexta feira da paixão quando finalmente aporto no Santos Dumont, no Rio. No meu walkman estou ouvindo a todo volume “Californication”, do Red Hot Chilli Peppers. Desembarco e algumas pessoas falam comigo. Me oferecem um táxi sem que eu possa ouvir o som que sai de suas bocas. Como sempre quando você vaga com um walkman tocando a toda, sua vida vira um videoclipe barato, sem edição nem produção. O mundo parece se curvar ao ritmo da música que você ouve. As pessoas parecem seguir a letra, cantar alguns trechos.

Eu nem posso fingir que não estou nervoso. Vou ver minha irmã depois de quase oito longos meses.

Meses atrás, fui ao aeroporto de Guarulhos me despedir da Anna. Passamos um fim de tarde juntos -eu, ela e a Mônica- enquanto ela esperava o avião que a levaria para o Canadá. Eu sentia emoções conflitantes. Felicidade por ela estar embarcando em uma aventura e frustração porque não era eu quem estava levando a minha irmãzinha praquela tal aventura.

Ela estava indo encontrar o Cris, tentar se achar e levar pra ele a felicidade que ele parecia ter esquecido por aqui. Com o coração apertado, vi a minha irmã ir embora. Naquele dia eu tive um medo enorme de não vê-la nunca mais. Um sentimento quase infantil do qual eu não consigo me separar desde pequeno. De que nos meses de separação algo acontecesse com ela ou comigo e não houvesse mais futuro.

Quando eu fui morar fora do Rio, nos primeiros meses, temi que aquela ida pra São Paulo não fosse temporária e que eu nunca mais voltasse a morar com minha família. Pois acabei morando por lá por quase três anos. Voltei por um ano ao Rio e fui de novo a SP. No dia 10 de setembro de 2000, quando desembarquei em SP, senti aquela melancolia de que não voltaria a morar com a mama e com a mana de novo. Agora era uma certeza.

No caso da Anna no Canadá eu estava errado. Como já estive muitas vezes antes e espero estar muitas, muitas vezes no futuro.

Californication dava seus acordes finais quando eu vi o carro piscando os faróis pra mim e o sorriso lindo da minha maninha brilhou de lá de dentro. Nos meses e dias em que eu a vi deprimida, fosse por meio das letrinhas na janela do meu Yahoo Messenger ou nas imagens entrecortadas da minha webcam, eu ficava frustrado de não poder ir lá passar uns dias com ela, de, sei lá, brincar de guerra de bolas de neve, passear com ela e tomar os capuccinos que ela dizia estar tomando aos montes por lá.

Na minha imaginação, a minha irmã que estava sempre sorrindo passeava triste por uma cinzenta Winnipeg. E eu não podia fazer nada por ela. Alguma vezes, em vez de ajudar, fui duro demais e a fiz chorar. E a minha frustração e meus desespero aumentaram. As regras normais não funcionam nessas horas.

Em fevereiro, quando eu fui a Los Angeles, tivemos uma idéia genial: eu pagaria uma passagem Winnipeg-LA e nos encontraríamos nas ruas –e praias– ensolaradas da Califórnia. Seria o máximo. Ela ficou toda animada, mas não conseguimos concretizar nossos planos porque tirar o visto americano era algo complicado, caro e demorado. Ela nunca conseguiria a tempo de encontrar-me em Los Angeles. Perdemos a chance.

Mas naquele momento faltavam menos de dois meses para o fim do sofrimento. Agüentamos firme e os papos pela Internet já eram sobre o que ela faria quando chegasse aqui.

Hoje, meu tio teve um derrame. Logo o que era um dos mais ativos e brincalhões. Minha mãe, que sempre me espera com ansiedade, tomou um remédio para dormir e estava descansando quando eu cheguei em casa. Ela brigara com uma médica que estava atendendo meu tio e tentara por todo o dia transferi-lo para um hospital melhor. Foi um dia estranho.

De tarde, almocei com a Mônica, e os pais dela lá em São Paulo. Como eu vim pro Rio descansar nas minhas férias, eles foram passar a Páscoa com ela. No caminho para o aeroporto, paramos para tomar um café e jogar conversa fora um pouco.

De noite, quando encontrei a Anna, o Cris e o Cláudio, comemos uma salada em Ipanema e fomos andar no calçadão. Encontramos um engraxate bêbado que tocava um sambinha com a flanela e ficou se exibindo para nós. Tudo trivial, tudo tão bom e significativo, justamente por isso. Eu estava com minha irmã e meus amigos vagando sem rumo. Meu tio tivera um derrame, os pais da Mônica foram ficar com ela em São Paulo, meu cachorrinho se recusava a se alimentar, minha cadelinha latia quando me ouviu chegar no meu apartamento e nem isso acordou minha mãe, que estava dopada e triste.

Ficamos conversando um pouco no lugar que foi o meu quarto. A Anna e o Cris me deram presentes ótimos. Na vida real, as musiquinhas emotivas não tocam nesses momentos. Eu senti uma emoção plena quando ganhei aqueles presentes e tenho certeza de que o “obrigado”e os elogios que fiz ao que ganhei não exprimiram direito o que eu sentia. Eu estava feliz e era só.

Em SP, a Mônica tentava descansar no quarto de repouso durante um plantão. Eu posso imaginar seus pais dormindo e mandando o Sagan calar a boca quando ele começa a latir pra um outro cãozinho que ouve no meio dos ruídos da noite. Deixamos o Cláudio em casa e estamos eu, Cris e Anna conversando sobre o nada. Eu vou ao outro quarto e dou um beijo de boa noite na minha mãe cansada e dopada, entristecida pelo que aconteceu ao irmão com quem ela partilhara uma vida. Ela ensaia acordar e eu a impeço. A cadela se levanta e olha pra mim com um ar de reprovação. Aviso que estamos todos em casa, como eu fazia nos velhos tempos, quando chegávamos com o dia quase nascendo. Minha mãe me dá um beijo de boa noite e agora sim parece ser capaz de dormir tranqüila. Depois de tanto tempo, em que tanta coisa aconteceu, em uma sexta da paixão estranha e triste, estamos todos debaixo do mesmo teto outra vez.

Acho que é o suficiente para entendermos que um novo ciclo começou.

As férias

17/04/03

Finalmente, depois de dois anos e sete meses extremamente cansativos, vou tirar 20 dias de férias.

Estou muito, muito cansado. Engordei, tive problemas de coluna, fiquei um chato de galocha com as pessoas que eu amo, tudo por conta de uma dose de estresse cavalar. Mas não perdi a doçura, se me permite o aforismo.

Em 2000, quando tirei férias pela última vez, passei inesquecíveis 20 dias em Nova York, onde o CrisDias estava morando na época. Foi muito legal. Passear sem rumo, visitar night clubs, museus, bibliotecas, cinemas e ver aquelas pessoas absolutamente cagando pra tudo foi uma ótima terapia.

Desde então, só viajei a trabalho. Ãpesar das pessoas acharem que essas viagem são um sonho, não é a mesma coisa que viajar sem lenço e sem documento. Você fica ligado em produzir material e acaba perdendo algumas coisas legais.

No ano passado, fui a Detroit para fazer uma reportagem e a volta, via Chicago, coincidia com um fim de semana. Não pisquei. Fiquei três dias em Chicago me divertindo. Me apaixonei pela cidade e quero voltar pra conhecê-la melhor. O engraçado é que passei quatro dias em Detroit, dirigi por lá, e não consigo lembrar da cidade. Claro, estava trabalhando. De Chicago, sem obrigações profissionais, lembro de tudo. Curti cada momento.

Este ano, passei uma semana intensa trabalhando em Los Angeles para fazer algumas entrevistas com atores de seriados da Fox. Foi minha quarta ou quinta vez na cidade, então já não precisava fazer aqueles programas de turista. Minha extravagância da vez foi assistir a um jogo dos Lakers contra os Detroit Pistons, pela conferência oeste da NBA.

São pequenos intervalos, mas não há nada como passar um tempo com a família, sem o telefone tocando, sem problemas com a reportagem A ou B que precisa ser refeita, repensada ou remodelada.

O efeito irônico disso é que a tendência é que eu escreva ainda menos por aqui. Vou passar parte das férias no Rio, onde a Anna vive no universo da linha discada (que tem uma sonoridade parecida com pedra lascada, né?) e depois saio em viagem por aí. Volto ao Rio na reta final e depois retomo a ralação. Minha última preocupação será esse blog esquecido. Mas se você passar por aqui nesse meio tempo, não fique chateado. Pense que eu vou estar descansando e me preparando para o prometido redesenho desse site.

Com mais energia e um novo humor quando eu voltar.

CSI e Indiana Jones

16/04/03

Eu adoro livros e filmes de detetives. Uma de minhas séries preferidas na TV é (depois das insuperáveis “24″, “Angel” e “Buffy”) “CSI”, do canal Sony.

Ontem, instalei o jogo e fiquei bem impressionado. Me lembra o “Spycraft”, que um conhecido levou e nunca mais devolveu, coisas da vida. Você chega à cena do crime, vai colhendo evidências, analisa, interroga testemunhas e tenta chegar a um culpado. Muito interessante. O problema ainda é a animação 3D. Os bonecos não se parecem com os personagens da série e se movem de um jeito artificial. Que saudades dos tempos em que os jogos vinham desenhados cheios de estilo, com jeitão de cartoon.

Outro lançamento é o “Indiana Jones and The Emperor’s Tomb”, da Lucasarts. Eu adoro o personagem. Pra mim, enquanto há uma legião de fãs de “Star Wars”, eu adoro Indy e “De Volta Pro Futuro”. O jogo é divertido, mas muito baseado em brigas e pular plataformas. O ponto fraquíssimo é o diabo do sistema de salvamento de arquivos. É um negócio muito pouco prático, horrível. Quase estraga a experiência de jogar…

Ainda não foi dessa vez…

16/04/03

…Que eu redesenhei esse site. O impacto da perda do site anterior foi tão forte que eu acho que perdi o prumo um pouco. Além disso, o último fechamento da revista foi de matar. Então, na semana que vem, saio de férias por 20 dias e vou descansar muito e ver minha mana e minha mama. Nossa família não se junta há quase oito meses. É uma eternidade para nós, que sempre fomos muito unidos.

Em contraste, vou ficar umas semanas longe da Mônica e devo fazer uma viagem extra. Mas o Rio será minha parada principal. Tenho pendências, amigos a visitar, livros para ler, praia para pegar. Estou com saudade do ócio. Meu cérebro parece ter parado, minhas idéias não estão fervilhando como antes e eu me sinto vazio. Na fase mais crítica, cheguei a ficar uns dois meses sem ler um livro sequer. Só revistas, internet, relatórios, jornais.

E quem me socorreu não foi nem Shakespeare, nem Machado de Assis, mas sim o bom e velho Isaac Asimov. Eu o abandonei muitos anos atrás, em minha adolescência, quando senti que estava restringindo minha leitura a clássicos da ficção científica. Reneguei meu mestre por anos e fui em busca de textos de maior densidade, como Sidney Sheldon e Micghael Crichton (brincadeirinhaaaaa!).

Voltei a ler por obra e graça de “O Fim da Eternidade”, que Asimov, ambciosamente, como sempre, disse que foi escrito para ser o melhor e mais completo de todos os romances de viagem no tempo. Não chega a ser, mas é muito bacana e tem até o final surpresa que o bom velhinho adorava plantar na página, às vezes no parágrafo final.

De lá, retomei o hábito e até me esforço para não fraquejar, mas ando interessado em não ficção e não quero reler os bons da filosofia. Quero o pragmatismo saboroso de obras mais contemporâneas, das biografias, dos estudos, das pensatas.

Então, no ócio eu quero praia, livros, papos descompromissados, amigos, risadas escandalosas, filmes e cafuné no colo da mamãe. Depois de tudo, de todo o cansaço e dos anos sem férias, eu mereço.

Mais do Michael

15/04/03

E pra não perder o hábito, aí vai a carta do Michael Moore publicada logo depois do Oscar. Putz, muito bacana o Globo estar publicando isso.

“Carta de um ganhador do Oscar
Michael Moore

• Caros amigos,

Parece que o governo Bush terá sucesso em colonizar o Iraque em algum momento dos próximos dias. Esta é uma tolice de grande magnitude — e pagaremos por isso pelos próximos anos. Não valeu a vida de um único garoto americano de uniforme, sem falar dos milhares de iraquianos que morreram, e a eles dedico minhas condolências e orações.

Mas, onde estão todas aquelas armas de destruição em massa que foram a desculpa para essa guerra? Ahá! Há muito a se dizer sobre tudo isso, mas vou guardar isso para outra oportunidade.

O que mais me preocupa nesse momento é que todos vocês — a maioria dos americanos que não apóia essa guerra — não fiquem calados ou sejam intimidados pelo que será saudado como uma grande vitória militar. Agora, mais do que nunca, as vozes da paz e da verdade têm de ser ouvidas. Recebi muita correspondência de pessoas que estão com um profundo sentimento de desespero e acham que suas vozes foram afogadas pelos tambores e bombas do falso patriotismo. Alguns estão com medo de retaliações no trabalho ou na escola ou na vizinhança porque eles advogaram publicamente a paz. Eles ouviram diversas vezes que não é “apropriado” protestar uma vez que o país está em guerra, e que sua única obrigação é “apoiar os soldados”.”

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CNN revida tiros de milícia

15/04/03

Um grupo de jornalistas da CNN viajava escoltado por pistoleiros e revidou os tiros de um grupo de milicianos. Jornalista vai a território de guerra pra reportar e não pra entrar em combate. Inadmissível a postura da equipe norte-americana. O precedente é perigosíssimo.

Leia o comunicado oficial da rede:

Comunicado da CNN

“A CNN contrata sua própria empresa de segurança, a AKE (com empregados de vários países, mas baseados na Grã-Bretanha), para avaliar riscos e, em ocasiões especiais, esses funcionários viajam com a equipe da CNN. Eles não andam armados, nem os funcionários da CNN. Neste caso particular, a AKE recomendou contratar seguranças locais armados devido ao risco ser considerado alto. Então, dois curdos iraquianos armados foram contratados para acompanhar o grupo da CNN.

“Como sabemos, este é um conflito particularmente perigoso para a mídia. A CNN tem especificamente sido alvo de ataque de algumas facções no Iraque. A segurança de nosso staff é prioridade e nessa ocasião era apropriado que a CNN fosse acompanhada por segurança armada.

“Hoje, um segurança armado, temendo que nosso pessoal estivesse em perigo fatal, respondeu a tiros e provavelmente salvou suas vidas. Para reiterar, nenhum funcionário da CNN carrega armas de fogo.””

O bicho papão é árabe e invisível

12/04/03

Onde estão Saddam Hussein e Osama Bin Laden?

A lista de inimigos desaparecidos ou invisíveis vai crescendo e eu imagino que os pobres cidadãos americanos não conseguem mais dormir imaginando que um desses dois facínoras, assassinos, comedores de criancinhas podem bater em suas portas, mandar um envelope com Antraz ou jogar uma bomba na sua escola. Medo, muito medo.

Mas o que acontece é que o franco-atirador é um ex-militar americano e são as crianças americanas que estão se matando umas às outras. Osama e Saddam continuam invisíveis, talvez controlem esses pobres americanos e os façam cometer atos de destruição e caos.

Invisíveis. Mortos? Você realmente acha que eles precisam aparecer? É muito melhor que Saddam não morra, que desapareça. Morto ele vira um mártir. Desaparecido, parece um covarde que abandonou seu povo. Será que ele fez isso? Será que vamos saber um dia?

Aos vilões das histórias em quadrinhos os escritores sempre dão mortes dúbias nas quais seus corpos nunca são encontrados. Então, um dia, quando a vendagem da revista está baixa ou estamos precisando de um bom vilão para aquele número, eles ressurgem.

Assim como eu vi uma guerra ser montada com plano de marketing, acho que os planejadores de imagem dos americanos traçaram cada fase desta guerra com todo o cuidado. Saddam Hussein precisa de uma morte questionável, para que possa surgir a qualquer momento com uma nova ameaça e assustar o americano médio. Osama está guardado em algum canto. Quando precisarem dele, ele surge em mais um vídeo apócrifo, sem data, sem origem geográfica definida. Pode estar na Síria, e as tropas invadem, pode estar no Irã, e lá vão os caubóis.

O mais plausível é que Saddam ressurja em vídeos no estilo dos de Osama e que vire um guerreiro da liberdade sem paradeiro definido. Os americanos vão aprendendo com o tempo. Depois de criarem a indústria do entretenimento, foram importando dela as táticas. Os inimigos vão sendo criados e nunca se vão. Os estrategistas criam novos arcos de acontecimentos para manter o interesse das pessoas. E elas seguem hipnotizadas, mergulhadas na Matrix.

Perdi textos

12/04/03

O meu site ficou fora do ar por mais alguns dias, em uma triste sina…

Agora que voltou perdi alguns dias de textos. Um deles era uma série de trechos de um artigo ótimo sobre a guerra e as mortes dos jornalistas. Vou ver se encontro o texto por aqui.